24/02/2013
A indústria da salvação
por Paulo Vasconcellos
para o Valor, do Rio
A maior praça de Guapimirim, cidade de 50 mil habitantes na
subida da serra do Rio, a 60 quilômetros da capital fluminense,
ficou pequena numa noite de sexta-feira de novembro, para o show da
cantora Damares em homenagem aos 22 anos do município. Nona colocada
na lista dos dez artistas que mais venderam discos no ano passado, com
400 mil cópias do CD "Diamante", ela costuma desfilar
no palco um cardápio musical variado no ritmo, do pop ao forró,
e trivial nas letras, recheadas de substantivos como fornalha, salvação
e vitória. Entre uma canção e outra, faz orações
com a voz carregada de dramaticidade. A plateia vibra. Alguns não
escondem as lágrimas. O cachê, de R$ 25 mil a R$ 50 mil,
ainda está longe dos R$ 250 mil cobrados por cantores sertanejos
mais estelares, mas trata-se de um nicho novo que garante ao menos dois
shows por semana, em geral pagos pelas prefeituras do interior. Neste
mês, fez espetáculos em Rolim de Moura e Porto Velho, em
Rondônia, e Chapadinha e Arame, no Maranhão.

Show de Damares: estrela da música religiosa,
ela vende dez vezes mais discos que as estrela da música religiosa,
ela vende dez vezes mais discos que as rainhas do axé Ivete Sangalo
e Claudia Leitte
A paranaense Damares de Alvez Bezerra de Oliveira, de 32 anos, 1,60
m de altura, cabelos pretos longos como convém a uma seguidora
da Assembleia de Deus, é a encarnação de um novo
gênero de "pop star" no Brasil: o astro da música
religiosa. A lista é farta. Reúne tanto católicos
quanto evangélicos. São artistas que só perdem
na vendagem de CDs e DVDs para cantores e cantoras seculares, como Luan
Santana ou Paula Fernandes, e deixam para trás nomes do porte
de Marisa Monte e Caetano Veloso ou até mesmo estrelas internacionais,
como Lady Gaga e Justin Bieber. Ivete Sangalo e Claudia Leitte, que
nada. Damares vende muitas vezes mais discos que as rainhas do axé.
Quatro dos vinte escritores que mais vendem livros
no país são religiosos - dois deles católicos:
o padre Marcelo Rossi lidera a lista
O fenômeno se espalha da música para o
cinema, da literatura para as mídias digitais. A venda apenas
de discos e livros de conteúdo religioso movimenta mais de meio
bilhão de reais por ano. A estatística está longe
de refletir o tamanho exato do mercado não só por causa
da pirataria, mas porque as gravadoras essencialmente religiosas, entre
elas a MK Music, que domina 70% do segmento, não comunicam à
Associação Brasileira dos Produtores de Disco (ABPD) quantos
CDs e DVDs vendem nas igrejas ou nos portais de comércio que
mantêm na internet. A estimativa de especialistas é que
pelo menos metade do mercado musical religioso brasileiro esteja à
margem dos números oficiais. Ainda assim, a produção
de artistas católicos e evangélicos, que representa uma
fatia de aproximadamente 20% do faturamento anual de R$ 373 milhões
da indústria fonográfica nacional, rende cerca de R$ 75
milhões.
Já a literatura religiosa girou sozinha, no ano
passado, R$ 483,7 milhões. É exatamente 10% de todo o
mercado editorial brasileiro, que atingiu um faturamento de R$ 4,8 bilhões,
de acordo com uma pesquisa da Fundação Instituto de Pesquisas
Econômicas da Universidade de São Paulo (Fipe/USP) e da
Câmara Brasileira do Livro (CBL). Embora tenha registrado queda
de 5,99% no faturamento em 2011, na comparação com 2010,
o segmento de livros religiosos acumulou um aumento de 18,9% nas vendas
entre um ano e outro, atrás apenas da vendagem dos livros científicos,
técnicos e profissionais, que cresceu 33,9%.

Padre Marcelo Rossi (à esq.), autor de "Ágape",
e o bispo da Diocese de Santo Amaro, d. Fernando Figueiredo: livro já
teve 8,4 milhões de exemplares vendidos desde 2010 até
o Natal
Não há milagre. Os evangélicos, que se multiplicam
a uma taxa de mais de 6% a cada censo do IBGE, somam 42 milhões
de consumidores potenciais e fiéis a tudo o que a igreja produz.
É o que explica parte do desempenho de "Nada a Perder".
Primeiro dos três volumes da biografia do bispo Edir Macedo, o
livro publicado pela editora secular Planeta vendeu 500 mil exemplares
do lançamento, em agosto, ao Natal. Pela velocidade com que sai
das estantes das livrarias deve fechar o ano atrás apenas do
best-seller internacional "Cinquenta Tons de Cinza". Cristiane
Cardoso, filha do líder da Igreja Universal do Reino de Deus,
é a única que pode ameaçar o reinado literário
do empresário religioso. "Casamento Blindado", que
ela escreveu a quatro mãos com o marido e foi publicado pela
Thomas Nelson Brasil, já vendeu meio milhão de exemplares.
Os católicos, que crescem menos a cada censo, mas ainda são
mais de 130 milhões de brasileiros, reagem com estrelas da Renovação
Carismática. De acordo com o acompanhamento do portal Publishnews
sobre o mercado editorial, 4 dos 20 escritores que mais vendem livros
no país são religiosos - 2 deles católicos. O padre
Marcelo Rossi lidera a lista, com 8,4 milhões de exemplares de
"Ágape" vendidos até o Natal desde que foi publicado,
em 2010, pela também secular Globo Livros. "Agapinho",
versão infantil das reflexões do autor sobre passagens
bíblicas, atingiu em um ano a marca de 800 mil exemplares vendidos.
O padre Fábio de Mello, com 380 mil exemplares de "Tempo
de Esperas" (Planeta), é o 18º do ranking. E, seguindo
a máxima de que a união faz a força, o disco e
o DVD "Ágape Amor Divino", de Rossi, Mello e convidados,
venderam juntos, até a semana passada, 700 mil exemplares, em
apenas seis meses desde o seu lançamento.
No cinema, novas produções estão
em andamento com a promessa de aquecer ainda mais os negócios,
como o filme sobre irmã Dulce
O espiritismo, que tem apenas 3,8 milhões de
seguidores, mas com os mais altos níveis educacionais entre todas
as religiões, de acordo com o Censo 2010, também garante
sucessos do outro mundo. Na literatura, com Zíbia Gasparetto,
que soma mais de 16 milhões de livros vendidos, e com Mônica
de Castro, que já alcançou 1,6 milhão de exemplares
dos romances psicografados que ela mesma edita. No cinema, com "Nosso
Lar", baseado na obra psicografada pelo médium Chico Xavier,
que faturou R$ 36 milhões e está em quinto lugar entre
as dez maiores bilheterias nacionais nos últimos 20 anos, e com
a cinebiografia "Chico Xavier", vista por 3,4 milhões
de pessoas, que ocupa a oitava posição.
Em contraposição ao conservadorismo comum a boa parte
das denominações cristãs e também ao espiritismo,
a produção religiosa se vale cada vez mais das ferramentas
de marketing para ganhar qualidade. Igrejas e pastores estão
entre os clientes de uma empresa de design em São Paulo que trabalha
para melhorar a imagem que eles têm entre fiéis e consumidores.
A inovação tecnológica também ganha força
na disputa de mercado. A mídia digital aos poucos vai sendo incorporada
ao arsenal disponível para atrair novos discípulos e aumentar
as vendas. Mais de 15% do faturamento de gravadoras seculares que ingressaram
no segmento, como a Sony Music e a Som Livre, vêm do mercado digital,
ainda incipiente por aqui na comparação com os Estados
Unidos, onde chega a 52%. O devoto que quer acompanhar um culto com
um exemplar da "Bíblia" à mão já
pode baixá-lo direto no celular. Algumas igrejas evangélicas
permitem acompanhar a transmissão de cerimônias religiosas
ao vivo no conforto de casa pela internet.

O bispo Edir Macedo: primeiro de três volumes
de sua biografia, "Nada a Perder" já vendeu 500 milhões
de exemplares desde o lançamento, em agosto, até o Natal
"O mercado sertanejo, que tem um público menor, cresceu
muito mais porque falta a católicos e evangélicos uma
visão de mercado para aproximar o produto religioso do consumidor
secular", diz o teólogo Antonio Kater, fundador do Instituto
Brasileiro de Marketing Católico.
"O mercado editorial religioso sempre foi forte, mas só
passou a frequentar a lista dos mais vendidos depois que seus livros
conquistaram espaço nas grandes redes de livrarias", afirma
Carlo Carrenho, proprietário do portal Publishnews.
"'Ágape' inaugurou uma onda de livros religiosos, mas
não há nenhuma intenção de a editora criar
um selo específico para atender a esse mercado", afirma
Mauro Palermo, diretor da Globo Livros.
"A música religiosa não é um gênero
de moda, como a lambada ou o axé, mas um novo comportamento
de parcela significativa da população que vai conquistando
lugar até nas feiras dominadas pelos sertanejos", observa
Marcelo Soares, diretor da Som Livre.
"A grande diferença hoje é a abertura das mídias
seculares. Programas de auditório já disputam as principais
atrações religiosas a tapa", completa Maurício
Soares, diretor da área de gospel da Sony Music.
O acirramento da concorrência pode alçar a indústria
da salvação a um novo patamar mercadológico. A
Geo, plataforma de eventos da Rede Globo, vai ocupar 10 mil m2 do ExpoCenter
Norte, em São Paulo, de 17 a 20 de junho, com a primeira Feira
Internacional Cristã (FIC). A meta é atrair 200 mil visitantes
em torno da produção de gravadoras e editoras evangélicas
e de fabricantes de moda e brinquedos especialmente criados para o público
religioso. Até agora esse consumidor tinha a ExpoCristã,
a maior feira religiosa de negócios da América Latina,
que em setembro levou mais de 160 mil pessoas ao Centro de Exposições
do Anhembi, também em São Paulo, e movimentou R$ 100 milhões
nos sete dias do evento. A FIC pode abocanhar também uma fatia
da Feira Literária Internacional Cristã (Flic), promovida
pela Associação dos Editores Cristãos do Brasil
(Asec), que em sua primeira edição, de 3 a 6 de maio,
atraiu cinco mil visitantes ao Espaço de Eventos São Luiz,
em São Paulo.

Filmagem de "Três Histórias,
um Destino": produção inspirada em livro de missionário
foi vista por 226 mil espectadores, com arrecadação de
R$ 1,9 milhão
"Já está definido que a Flic do ano que vem vai
ocupar um espaço 30% maior que a deste ano e no Anhembi, em
resposta à consolidação da taxa de evangélicos
no Brasil e à profissionalização de editoras
que existiam fazia mais de 40 anos, mas atuavam de forma precária",
diz Sinval Filho, diretor-executivo da Asec.
"Nossa entrada no segmento religioso foi provocada pela oportunidade
de negócios combinada com a necessidade do público.
Havia um espaço a ser ocupado e problemas de organização
da concorrência", observa Leo Ganem, presidente da Geo.
"A força da religião evangélica é
que ela tem lugar para todos", afirma Eduardo Berzin Filho, presidente
da EBF Comunicações, que organiza a ExpoCristã.
As duas empresas agora separadas pelas feiras já foram unidas
pelo Troféu e o Festival Promessas. O prêmio, idealizado
pela EBF e realizado há dois anos pela Geo, foi distribuído
no dia 5, no Teatro Geo, em São Paulo, aos ganhadores de 11 categorias
escolhidos por mais de cinco milhões de votos pela internet.
A Rede Globo exibiu o festival, gravado no Campo de Marte, com apresentação
de Serginho Groisman e expoentes da música evangélica,
como a banda Diante do Trono e a cantora e pastora Aline Barros, a "rainha
gospel dos baixinhos". O programa foi um dos trunfos da emissora
na sua programação especial de fim de ano.

"Nosso Lar": "Existe uma cultura
religiosa muito forte no país, mas o que importa é a qualidade
da história e o potencial de público que ela pode levar
ao cinema", diz a produtora
No mercado editorial a guerra é bíblica. Pudera: só
a produção do livro sagrado representa uma fatia de R$
120 milhões por ano. De um lado estão a Casa Publicadora
da Assembleia de Deus, denominação religiosa evangélica
com nove milhões de fiéis, e a gráfica da Sociedade
Bíblica Brasileira (SBB), que em 2011 imprimiu 6,7 milhões
de exemplares da "Bíblia", domina cerca de 70% do mercado
e exporta parte da produção para mais de cem países.
Na outra ponta estão as editoras Mundo Cristão, que lançou
três novos tipos de "Bíblia" neste ano com a
pretensão de crescer 15%, e a Thomas Nelson Brasil, parceria
da maior editora religiosa dos Estados Unidos com a Ediouro, que tem
duas versões especiais com comentários de especialistas
planejadas para o ano que vem e ambiciona outros 15%.
"A expectativa é dobrar em quatro anos o faturamento,
que deve chegar a R$ 15 milhões em 2012. Queremos ser a maior
editora evangélica do país", afirma Omar de Souza,
publisher da Thomas Nelson Brasil.
"A Gráfica Bíblica tem 17 anos de tradição
e o reconhecimento internacional do mercado", afirma Erni Seibert,
secretário de Comunicação e Ação
Social da SBB.
No cinema, novas produções entram em cartaz com a promessa
de aquecer ainda mais os negócios. Nada menos que três
filmes começam a ganhar forma em 2013. O mais adiantado é
sobre "Irmã Dulce", a beata católica baiana
morta há 20 anos que se notabilizou por suas obras de caridade.
A produção é da Migdal Filmes, que fez "Nosso
Lar" e agora prepara a continuação. "Nosso Lar
2", baseado em outros livros psicografados pelo médium Chico
Xavier, será dirigido por Wagner Assis, diretor também
da primeira versão. O cineasta Sérgio Machado, que foi
assistente de direção em "Central do Brasil"
e assinou o longa-metragem "Cidade Baixa", já finalizou
o roteiro de "Padre Cícero", inspirado na biografia
do líder religioso e político cearense Cícero Romão
Batista escrita por Lyra Neto, e espera começar as filmagens
em 2013.
O avanço evangélico foi o estopim
para a reação carismática, dizem especialistas:
a partir daí, os católicos começaram a produzir
estrelas de massa
Pelos menos mais dois filmes com temática religiosa e outro
assinado pela diretora Ana Carolina sobre as conturbadas filmagens de
uma superprodução sobre a primeira missa no Brasil, em
1500, estão prontos para entrar em cartaz ou em fase de finalização.
"Três Histórias, um Destino", inspirado no livro
do missionário R.R. Soares, que estreou em novembro em 51 salas,
foi visto por 226 mil pessoas, com arrecadação de R$ 1,9
milhão, graças, em parte, à estratégia de
mobilização que incentiva um evangélico a levar
outro ao cinema.
"O cinema brasileiro descobriu a religião. 'Nosso Lar'
extrapolou o nicho da religiosidade, mas o mais importante é
que o tema parece ser garantia de público, ao contrário
de filmes de esporte, que nunca dão bons resultados",
diz o crítico Pedro Butcher, do portal FilmeB, consultoria
que monitora o mercado cinematográfico brasileiro.
"Existe uma cultura religiosa muito forte no país, mas
o que importa é a qualidade da história e o potencial
de público que ela pode levar ao cinema", afirma Iafa
Britz, produtora da Migdal Filmes. "'Nosso Lar' não foi
um filme espírita para um público espírita. Se
fosse, não teria sido visto por mais de quatro milhões
de pessoas."
"Estamos diante de um fenômeno que os Estados Unidos já
experimentaram: religião é 'business', mas aqui quem
está produzindo a cultura religiosa não é o religioso.
O cantor de igreja que fazia seu disco num estúdio de fundo
de quintal agora ocupa o estúdio das grandes gravadoras. O
Faustão das cantoras gospel é o templo sempre lotado
todas as noites", diz o teólogo Ed René Kivitz,
pastor da Igreja Batista de Água Branca, em São Paulo.
"O cristianismo tem um lado acentuado de empreendedorismo econômico
e um dos reflexos, hoje, é a corrida entre as igrejas neopentecostais
e o movimento carismático da Igreja Católica. Num país
com forte sentimento de religiosidade, elas disputam um mercado cada
vez mais promissor para a cultura religiosa", afirma André
Ricardo de Souza, professor de sociologia da Universidade Federal
de São Carlos e autor do livro "Igreja in Concert".

O Festival Promessas reuniu 100 mil pessoas em
São Paulo: transmitido pela Globo, evento com expoentes da música
evangélica foi um dos trunfos de sua programação
de fim de ano
Os especialistas concordam que o avanço evangélico foi
o estopim, nos anos 1990, para a reação carismática.
A partir daí a Igreja Católica também começou
a produzir estrelas de massa de aparência impecável e talento
de comunicador. Os espíritas, que têm presença histórica
nas telenovelas e mais recentemente no cinema, por causa da força
da reencarnação no inconsciente coletivo brasileiro, mantiveram
distância da disputa. Mas, assim como católicos e evangélicos,
também aproveitaram o público cativo para buscar a inserção
em outros nichos de mercado, como a autoajuda. A qualidade estética
do produto religioso evoluiu com a incorporação em escala
ao mercado de consumo, mas o processo, dizem os críticos, nem
sempre foi acompanhado da sofisticação no conteúdo
do produto entregue ao consumidor.
"O livro do padre Marcelo Rossi é mais um amuleto religioso
do que uma obra de qualidade. É como ter o terço, mas
nunca rezar. É como ter a 'Bíblia' e nunca ler",
comenta o teólogo e pastor Kivitz.
"A padronização na oferta de bens processada pelas
diferentes tradições cristãs, facilitada pela
programação religiosa na mídia, é expressada
por práticas comuns na forma de cultuar a fé, de fazer
a leitura bíblica e educar os adeptos na reinterpretação
das doutrinas e dos costumes e na compreensão da realidade
da vida cotidiana. Dizer que a mídia é a grande responsável
por esse processo é equivocar-se. A hegemonia pentecostal,
o capitalismo globalizado e a lógica do mercado também
operaram na produção de uma nova expressão cultural
religiosa - a cultura gospel", defendeu a doutora em ciências
da comunicação Magali do Nascimento Cunha no artigo
"A Serviço do Rei" da "Revista de Estudos da
Religião".
"Quando Jesus expulsou os vendilhões do templo, já
havia uma crítica à mercantilização da
religião, mas as pessoas querem estacionamento na igreja, cadeiras
estofadas no lugar dos bancos de madeira e ar-condicionado nos templos.
O fiel gosta de ser cuidado, mas sempre tem quem teime em separar
o espírito da matéria", afirma o teólogo
católico Antonio Kater.
Fonte:http://www.valor.com.br/cultura/2952412/industria-da-salvacao