01/02/2013
Quantidade de fiéis que frequentam templos
menores cresceu 62% e evangélicos sem laços com igreja
quadruplicou
07 de julho de 2012 - data original da publicação
da reportagem
Amanda Rossi - O Estado de S. Paulo
SÃO PAULO - A cidade de São Paulo
viveu uma pulverização evangélica sem precedentes
na última década. Segundo novos dados do Censo, o número
de evangélicos sem laços com uma igreja determinada aumentou
mais de quatro vezes entre 2000 e 2010, enquanto a quantidade de fiéis
que frequentam templos menores cresceu 62% nesse período. Juntos,
esses dois grupos foram responsáveis por 96% do crescimento do
rebanho evangélico da capital em uma década, de 825 mil
fiéis.
Os evangélicos não determinados englobam tipos diferentes.
Entram na conta os que se dizem apenas evangélicos, sem especificar
a igreja ou a corrente, os que frequentam cultos diferentes e os que
fazem parte de pequenas igrejas não pentecostais. Em São
Paulo, o crescimento dos evangélicos não determinados
foi tão grande que eles hoje representam a terceira maior corrente
religiosa da cidade – perdem para os católicos e os sem
religião, mas ultrapassaram a Assembleia de Deus, denominação
evangélica que tem o terceiro maior rebanho do País.
Já a corrente dispersa formada por pessoas que frequentam templos
pentecostais ou neopentecostais menores deixou para trás, em
uma década, dois gigantes do pentecostalismo evangélico
– a Igreja Universal do Reino de Deus e a Congregação
Cristã no Brasil, que perderam fiéis.
Segundo o antropólogo Ronaldo de Almeida, da Unicamp e do Cebrap,
o novo mapa da configuração evangélica da capital
paulista é fruto da especialização.
"Há uma diversificação e uma maior infidelidade
a uma instituição específica. O sujeito ainda
se identifica principalmente como evangélico, mas hoje ele
molda sua experiência religiosa. Quando quer ouvir um louvor
com mais música, vai a uma igreja, quando quer cura, vai a
outra, quando busca mensagem espiritual mais forte, busca outras."
A antropóloga Diana Nogueira, da Universidade Estadual do Rio
de Janeiro, faz um paralelo com pessoas que querem perder peso e vão
migrando de médico em médico.
"A religião fortalece e ajuda as pessoas, mas não
resolve muitos dos desafios que uma vida de periferia urbana lhes
impõe. Com isso, algumas dessas pessoas vão de igreja
em igreja, buscando soluções", diz Diana.
Além da busca diversificada, há o surgimento de igrejas
voltadas a nichos específicos, como a Crash Church Underground
Ministry – que atrai roqueiros adeptos do thrash metal em seu
templo no Ipiranga –, ou a Igreja da Comunidade Metropolitana,
em Santa Cecília, voltada para o público homossexual.
"O crescimento das igrejas evangélicas menores é
muito visível. São as chamadas comunidades. Seus fundadores
são pastores que já pertenceram a igrejas evangélicas
maiores", diz o vereador evangélico Carlos Apolinário
(DEM).
Levantamento feito em 2008 pela equipe de Apolinário enumerou
mais de 18 mil templos evangélicos em São Paulo, a maioria
na zonas leste e sul. Ele estima que outras 2 mil tenham sido criadas
desde então. Para se ter uma ideia, o total de paróquias
católicas não chega a 500 na capital paulista.
Outros dados do Censo chamaram a atenção. A Assembleia
de Deus teve um aumento de fiéis de 36% – menor que o da
média nacional (46%. Já os evangélicos de missão
– grupo que inclui batistas, luteranos, presbiterianos, metodistas
e adventistas – tiveram uma queda de 13% em São Paulo e
aumento de 11% no País.
Entre as pentecostais, o destaque vai para a perda acentuada de fiéis
em São Paulo da Congregação Cristã (27%)
e da Igreja Universal (37%), enquanto no País o rebanho de cada
uma encolheu 10%
colaborou na matéria - BRUNO PAES MANSO
Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/cidades,sao-paulo-viu-pulverizacao-evangelica-na-ultima-decada-mostra-censo-2010,897309,0.htm
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