16/10/2011
A edição de Outubro de 2011 da Revista
SuperInteressante trouxe uma reportagem sobre o que chamou de "Ciência
Espírita" -
A reportagem da revista de outubro/2011, escrita por
Pablo Nogueira e Carol Castro, recebeu várias críticas
e réplicas. Destacamos aqui a carta enviada pelo Professor Dr.
Alexander Moreira-Almeida ao Diretor da revista e a
crítica escríta pela Professora Dora Incontri.
Recebemos também cópia da correspondência enviada
por Richard Simonetti à revista - vejam no final
desta página, mais abaixo:
Abaixo disponibilizamos estes textos para leitura:

Abaixo disponibilizamos estes textos para leitura:
Cliquem nos títulos abaixo para a leitura:
-> Edição de
outubro / 2011 da Revista SuperInteressante
-
a reportagem denominada "Ciência Espírita" começa
na página 55 do pdf anexo (tem 100pgs) - cliquem aqui
-> Carta de Alexander Moreira-Almeida ao Diretor da Revista
-
Réplica e correções do Professor - cliquem aqui
- Entrevista de Alexander Moreira-Almeidaque concedida em 1/9/2010 ao
repórter Pablo Nogueira, autor da matéria "Ciência
Espírita" - esta entrevista contém links para vários
estudos
-
cliquem aqui para acessar a entrevista de 2010
O texto da Professora Dora Incontri sobre a reportagem
segue abaixo :
Revista Superinteressante e a “Ciência Espírita”
Por Dora Incontri
Mais uma vez, a Revista Superinteressante perdeu uma ótima oportunidade
de se revelar imparcial, ou pelo menos, respeitosa. Referimo-nos à
matéria de capa, do número de outubro de 2011: Ciência
Espírita.
Imparcialidade, sabemos, é uma utopia jornalística, que
nunca será alcançada e talvez nem seja desejável,
pois cada órgão da mídia representa fações
sociais de pensamento, está aí para dar voz a determinado
grupo e a certos interesses. O problema é que esses interesses
não são explícitos, e mais, atualmente, todos os
órgãos de comunicação são hegemônicos
e representam apenas uma forma de pensar e ver o mundo. Num sistema
capitalista como o nosso, os grandes órgãos são
grandes empresas e, como grandes empresas, muitas delas detentoras de
monopólios de informação e de formação
da opinião pública, não abrem espaço de
manifestação para pensamentos alternativos, críticos
ao sistema, dissidentes dos monopólios.
O pior de tudo é a forma manipuladora com que as matérias
são conduzidas, para darem uma ilusão de imparcialidade,
mas que induzem a um pensamento único, hegemônico.
Um dos monopólios ideológicos contemporâneos é
o materialismo – ou ainda mais radical – o nihilismo. Qualquer
tendência, pesquisa, ideia ou proposta, que ameace esse paradigma
deve ser estigmatizada, ridicularizada, rechaçada a priori. É
proibido duvidar de que somos meros produtos biológicos, determinados
geneticamente e que nossa mente é um subproduto da química
neural. Embora a ciência (juntamente com a filosofia, pois esse
não é apenas um problema científico) esteja longe
de ter fechado algum ponto de vista a respeito do conceito de mente
– há uma unanimidade imposta, que não pode ser questionada.
E a mídia é justamente a patrona das unanimidades dogmáticas.
Vejamos a matéria em questão. Comecemos pelo título
de capa: a ciência não é espírita ou católica
ou budista – a ciência é ciência e ponto. Ao
assumir na capa o adjetivo de espírita – como ficará
comprovado no final da reportagem – a revista desqualifica os
cientistas que estão pesquisando os fenômenos de quase-morte
e reencarnação, sendo que dos pesquisadores citados, são
espíritas apenas os brasileiros, mas não os autores de
fora, aliás respeitados internacionalmente.
Para os espíritas desavisados, o título Ciência
Espírita pode soar como música, pois nós, espíritas,
defendemos a existência de uma ciência iniciada por Kardec,
com métodos próprios, para investigar os fenômenos
que evidenciam a vida pós-morte. Entretanto, para a maioria das
pessoas, chamar uma ciência de espírita, já a desqualifica
de pronto, porque parece uma ciência pré-concebida, que
parte de pressupostos já assentados. E para os pesquisadores
como Sam Parnia, Erlendur Haraldsson ou Peter Fenwick, trata-se de uma
afronta chamá-los de espíritas, pois pertencem a culturas
onde o espiritismo de Kardec, tão difundido no Brasil, não
tem nenhuma ressonância.
Como se trata de um assunto ainda polêmico, seria natural que
os jornalistas ouvissem os dois lados: os pesquisadores de tais fenômenos
e os críticos. As explicações de um lado e as explicações
do outro. Isso é feito em certa medida, dando a sensação
no decorrer da matéria de que a revista está sendo imparcial
– apesar do diabo da maldade revelar a ponta da orelha em certos
trechos, como quando ao tratar das experiências mediúnicas
investigadas por Frederico Leão, lemos: “Para a maioria
dos cientistas, uma coisa dessas soaria como um espetáculo circense,
uma farsa.” Ou quando, os jornalistas acrescentam sarcasmo a um
erro grave de informação (coisa muito comum na imprensa
atual). Dizem: “O jargão (mente e cérebro) serviu
para batizar o primeiro evento brasileiro dedicado às pesquisas
sobre o além, o I Simpósio Internacional Explorando as
Fronteiras da Relação Mente e Cérebro, em (de novo)
Juiz de Fora.” Esse evento foi em São Paulo, no Centro
de Convenções Rebouças.
Além das ironias, o problema central é que a matéria
não coloca os dois lados e deixa a questão em aberto –
o que seria mais honesto. Os jornalistas (ou os editores, porque, muitas
vezes, os editores remexem a matéria e imprimem o tom que a revista
impõe) fecham com a negativa total, usando a seguinte tática:
tanto dos fenômenos de quase morte, quanto dos casos sugestivos
de reencarnação são narradas apenas algumas histórias
isoladas. Isso em ciência não vale muito. Não se
menciona que há uma casuística abundante. Por exemplo,
em nenhum momento se fala que Stevenson, de que os citados Jim Tucker
e Haraldsson foram colaboradores, coletou e investigou mais de 2500
casos de crianças com memórias de vidas passadas. A impressão
que dá é que três ou quatro casos impressionaram
homens ingênuos e com tendência a uma fé cega.
O tom final é que demonstra o que a Revista pretende que o leitor
pense (pois é isso, ela quer impor um ponto de vista, sem nenhum
respeito aos entrevistados, aos leitores e aos fatos): todos esses pesquisadores,
brasileiros e estrangeiros, não passam de um bando de crédulos,
homens de fé, que estão tentando provar o improvável.
O mais incrível é a leviandade com que os jornalistas
(que, diga-se de passagem, não são cientistas) pretendem
derrubar a pesquisa de vidas inteiras: em apenas dois parágrafos,
eles se referem a “evidências contra”. Quais? Não
são sequer mencionados outros cientistas que critiquem o trabalho
dos colegas. O texto é dos próprios jornalistas; um texto,confuso,
tendencioso, com argumentos fracos e que termina da forma mais acintosa
possível: “é difícil não acreditar
que os pesquisadores de reencarnações, EQMs e afins, se
movam mais pela fé que pela curiosidade científica.”
E assim, estamos conversados. Está dita a última palavra.
Com meia-dúzia de frases, pensa-se garantir que o paradigma materialista,
pelo qual a mídia zela com tanto fervor, permaneça intacto
aos olhos dos leitores.
Fonte: http://pedagogiaespirita-abpe.org/2011/10/03/revista-superinteressante-e-a-ciencia-espirita
Richard Simonetti - correspondência enviada à
revista:
Senhor
Sérgio Gwercman, cordiais saudações.
A Superinteressante aborda na edição
de outubro um assunto recorrente em suas páginas: o Espiritismo.
Suspeito que essa insistência não esteja vinculada à
busca da verdade, mas simplesmente porque reportagens envolvendo a
doutrina codificada por Allan Kardec dão ibope, aumentam as
vendas.
Desta feita não se deixou por menos: uma chamada de capa,
letras garrafais: Ciência Espírita, encimando
a promessa de abordagem retumbante:
“Eles são cientistas. E eles acreditam em espíritos
e reencarnação. Agora, estão usando o Laboratório
para provar que tudo isso não é apenas questão
de fé. E dizem que estão conseguindo.”
Quem não se interessará por uma reportagem dessa natureza,
que fala de cientistas empenhados em provar a imortalidade da alma?
O problema é o paradigma materialista que orienta a revista,
o que leva seus redatores a imaginarem que os cientistas, por mais
competentes e cuidadosos, quando optem pela existência do espírito
imortal são inspirados por ingênua fé.
Enxergariam na Ciência apenas um meio de ressaltar suas crenças,
não um instrumento para testar sua autenticidade. E estariam
sempre dispostos a torcer os fatos em favor dessa intenção.
Na verdade ocorre o contrário. O que vemos nos negadores contumazes
é o empenho por ajustar os fenômenos em observação
às suas teorias reducionistas.
Se os pesquisadores demonstram que há uma consciência
imortal, que sobrevive ao corpo, na EQM, experiência de quase
morte, vem a explicação esdrúxula: quando o eletroencefalograma
detecta atividade zero no cérebro, isto é, o paciente
está morto, haveria uma região encefálica não
detectável, que continuaria a funcionar, dando origem à
ilusão de um espírito que se afasta do corpo.
Um belo chute, sem nenhuma comprovação científica.
Seria como imaginar que algo do coração continua a funcionar,
quando ocorre a parada cardíaca, e que o indivíduo continua
vivo embora o eletrocardiograma teime em afirmar que está morto.
Na abordagem das reminiscências espontâneas, lembranças
de vidas anteriores, o repórter, além de cometer sonoro
cacófato, insinua que há mistificação
nos relatos:
Os informantes tendem a “esquecer” as afirmações
da criança que não coincidem com a vida da pessoa que
acreditam que ela foi. Por outro, colocam na boca dela informações
que só foram obtidas depois, quando as duas famílias
já estavam em contato.
E lá se vão, pelo suposto ralo da falsidade, as pesquisas
de cientistas famosos como Hamemdra Barnerjee, Ian Stevenson e Hernani
Guimarães Andrade, além dos citados na reportagem, que
examinaram exaustivamente, durante decênios, centenas de casos,
com extremo e impertinente rigor científico, concluindo pela
realidade da reencarnação.
O repórter argumenta que, com tantas evidências contra,
é difícil não acreditar que os pesquisadores
de reencarnações, EQM e afins se movam mais pela fé
do que pela curiosidade científica.
Não sabe ou prefere ignorar que muitos cientistas eram materialistas
quando começaram suas pesquisas. Tinham por objetivo desmistificar
as ideias espiritualistas, às quais acabaram por render-se.
A recíproca é verdadeira: com tantas evidências
sobre a realidade desses fenômenos, não estará
movendo-se o repórter por convicções materialistas
tão arraigadas que o impedem de enxergar o óbvio?
De qualquer forma, senhor diretor de redação, creio
que nós espíritas devemos ser gratos à Superinteressante,
porquanto se o assunto Espiritismo ajuda a vender a revista, a curiosidade
que a revista desperta ajuda a disseminar o Espiritismo junto a leitores
não comprometidos com o paradigma materialista.