17/10/2010
por GIULIANA MIRANDA
Os cientistas não têm consenso sobre o momento exato em
que começa a vida humana, mas há cinco hipóteses
mais aceitas. Cada uma delas, listadas pelo biólogo americano
Scott Gilbert no livro "Biologia do Desenvolvimento", parte
de uma característica considerada essencial à existência
dos seres humanos.
A primeira é a abordagem genética. Para
ela, já há vida no momento da fecundação,
porque a união do espermatozoide ao óvulo dá origem
a uma nova combinação de genes - um DNA inédito.
"Há vários pontos, inclusive éticos, a considerar,
mas eu acredito que a fecundação marca o início
da vida", afirma o especialista em reprodução humana
Arnaldo Cambiaghi. A maioria das religiões apoia esse conceito.
A geneticista da USP Lygia Pereira diz que a definição
do novo genoma é "sem dúvida importantíssimo
para o início da definição de vida", mas afirma
que isso não significa que seja o ponto definitivo no conceito
de vida. "Existem muito mais fatores", diz ela, que prefere
não apontar um momento único.
DEPOIS DA FECUNDAÇÃO
Outro fator, por exemplo, é o início da gastrulação
- processo de divisão que dá origem aos diferentes órgãos.
Disso surge uma posição diferente da Cambiaghi, que diz
ser necessário esperar até essa divisão começar
para determinar o início da vida.
A gastrulação começa quando o zigoto, que a partir
desse ponto é chamado de embrião, instala-se no útero.
Boa parte dos abortos espontâneos acontece ainda nesse estágio
e a mulher sequer percebe a gravidez.
Um terceiro fator considerado é a atividade neuronal.
Como a morte cerebral é interpretada como fim da vida humana,
por simetria, o começo da atividade cerebral marcaria o seu princípio.
Essa é a opinião da embriologista da USP Irene Yan.
"Como indivíduo, o ser humano começa com o desenvolvimento
da atividade cerebral", afirmou ela. Boa parte dos cientistas considera
que isso ocorre após o primeiro trimestre de gravidez, mas há
divergência sobre o momento exato.
Para Yan, o critério de vida precisa ser adaptado em cada espécie.
"Ouriços do mar, por exemplo, não têm cérebro.
Precisamos, então, encontrar outros critérios que determinem
a formação de nova vida para essa espécie."
Bem menos difundida, mas também presente, é a
abordagem ecológica, uma quarta linha de pensamento.
Para ela, a vida começa quando o feto já é capaz
de sobreviver fora do útero, o que aconteceria normalmente no
sétimo mês de gestação.
Com o avanço da medicina, no entanto, esse critério fica
mais difuso, pois há casos de bebês que sobrevivem nascendo
bem antes.
Um último ponto de vista defende que o feto
só existe como vida quando se torna biologicamente independente
de sua mãe. No Brasil, esse é o conceito usado para determinar
quando o indivíduo passa a ter alguns dos seus direitos constitucionais
básicos -o feto só tem personalidade jurídica depois
do nascimento.
Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/814968-cientistas-defendem-5-momentos-para-inicio-da-vida-humana.shtml
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