28/09/2010
ANDRÉ LOBATO
DE SÃO PAULO
Casos como os de Sakineh Ashtiani, a iraniana condenada a morrer
apedrejada, ou a polêmica sobre a construção de
uma mesquita em Nova York, demonstram que a perseguição
a muçulmanos é bem documentada. Mas o Ocidente, paradoxalmente,
ignora casos similares que afetam cristãos em outras partes do
mundo.
A avaliação é da jornalista norte-americana Barbara
Baker, 65, editora da agência de notícias Compass Direct,
especializada em cobrir o tema.
Leia a íntegra da entrevista:
FOLHA - Como alguém em uma sociedade
muçulmana decide se tornar cristão?
BARBARA BAKER - Bom, primeiro por que é permitido.
Acho que a Turquia é o único país de maioria muçulmana
em que você pode mudar de religião --que fica impressa
na carteira de identidade. E como é uma sociedade ocidentalizada,
muitos já viveram na Europa, aprendem sobre o cristianismo e
comparam. Uma família que se torna cristã reza junto,
no islã homens e mulheres são separados. Para muitas partes
da sociedade não é um problema, uma garota pode virar
para os pais e dizer: 'virei cristã'.
Mas em vilarejos seria um grande perigo.
FOLHA - Você acha que um padre
é mais aberto ao questionamento?
BAKER -Do que um mulema ou imã, sim. Tem muito
mais ênfase em ler a bíblia na cristandade do que na Turquia.
O Alcorão é em árabe e as traduções
não são as palavras inspiradoras de Allah. Meu locador
me disse: "Nunca vou aprender árabe, então serei
sempre um muçulmano de segunda classe". Isso é uma
diferença, a Bíblia é traduzida e existe um convite
conjunto a todos os que tem fé a descobrirem juntos o que significa.
FOLHA - Que tipo de coisas acontecem
ainda hoje na Turquia?
BAKER - Lembro que logo que cheguei houve um caso de
cristãos que foram presos e apanharam muito. Trabalhava numa
agência de direitos humanos e meu editor disse que se eu tivesse
documentos ele publicaria. Lembro de receber ligações
durante nosso fechamento com vários cristãos dizendo "publique,
queremos aparecer na história, é nosso direito constitucional".
E os quatro casos ganharam facilmente na Justiça. Depois disso,
muitos me ligavam quando eram presos. Uma vez no meu aniversario recebi
uma festa com vários dos cristãos que eu havia visitado
na prisão. Um casal de amigos foi preso na festa de casamento.
E ficaram presos por uma semana apanhando.
FOLHA - - Sua experiência é
mais na Turquia, mas você conhece a situação em
outros lugares?
BAKER - Eu viajei repetidas vezes pelo Oriente Médio,
África, Sudão, Ásia Central.
FOLHA- Você poderia nos levar para um passeio nessa região?
BAKER- Nos últimos 20 anos tenho viajado a cada quatro, seis
semanas.
Em muitos desses lugares, se os vizinhos querem seduzir ou sequestrar
as filhas de um cristão, não há muito o que ele
possa fazer. As leis estão todas do lado da lei islâmica.
FOLHA - O Pew Forum tem um mapa interessante
que mostra a intolerância religiosa das leis e das sociedades
em diferentes países. Como são as coisas Índia
e China?
BAKER - Na Índia acho que o principal problema
são os nacionalistas hindus. Não apareciam muito nas nossas
notícias, mas de uns sete anos para cá aparecem tantas
vezes que algumas pessoas pensavam que éramos uma agência
indiana. Na China eles estão acostumados com a perseguição.
Era contra o Estado acreditar em Deus. Era normal a prisão quase
"qualificar" alguém a ser padre. Mas em países
assim, como Irã e Arábia Saudita, há versões
do Novo Testamento na internet.
FOLHA - Mas você pode construir
uma igreja na China.
BAKER - Ano passado construíram uma megaigreja.
Mas ficou com tantos serviços todo domingo que, sem aviso, as
autoridades vieram e demoliram tudo.
Os perseguidores podem ser o Estado, um grupo político ou até
mesmo outros cristãos.
FOLHA - E entre cristãos?
BAKER - No Líbano tivemos um bispo católico
que, tão dentro de suas memórias, resolveu derrubar uma
igreja protestante. No Sudão, por exemplo, os heróis são
os padres católicos, que resistiram contra a pressão do
governo. E Ortodoxos no Egito, por exemplo.
FOLHA - Então, em vários
países, a radicalização contra cristãos
aumentou?
BAKER - Sim. Veja na Turquia, são ultranacionalistas
islâmicos. Na Turquia vem dos nacionalistas. Nos últimos
cinco anos tivemos seis assassinatos realmente chocantes. Um padre,
um jornalista armênio, dois turcos que convertidos e um alemão.
Isso chocou a Turquia, por que os torturaram por várias horas
e cortaram suas gargantas. E ficaram particularmente furiosos com os
que haviam se convertido. E em junho deste ano o bispo líder
católico foi morto por um sujeito que o esfaqueou até
a morte gritando Allah. Os turcos não sabem o que fazer com isso.
E sses três tiveram um dos maiores enterros de cristãos
que já aconteceu no Oriente Médio. Quase 250 mil turcos
muçulmanos andaram do lugar onde eles foram mortos até
a catedral armena. E sua viúva disse as palavras de Cristo, "Pai,
perdoai-vos por que eles não sabem o que fazem", e disse
que perdoava o assassino. As viúvas o perdoaram. Um jornalista
turco disse: "Isso é mais forte do que mil missionários
trabalhando na Turquia por mil anos". Por que é um cultura
da vingança, e eles não conseguem entender.
FOLHA - Sobre a cultura da vingança,
você acha que é algo do momento?
BAKER - Acho que fanáticos muçulmanos
estão usando a religião e eles podem encontrar algumas
referências úteis no livro.
Eu não acho que meus vizinhos turcos são do tipo que querem
me matar.Mas não sei o que eles pensam. Eles tentaram que eu
virasse uma muçulmana porque é a última religião.
O islã e o cristianismo são as duas únicas grandes
religiões que querem converter as pessoas. O que dá muita
notícia na Turquia é quando um cristão vira muçulmano.
Como ocorreu no velório de um dos ativistas da flotilha de Gaza.
FOLHA - Seria como um choque entre duas
religiões que querem converter a todos. Como cristã você
quer evangelizar?
BAKER - Meu sentido é o de perdão, e
essa é a maior relação com Deus que eu posso ter.
Eu sei que meus amigos turcos não acreditam que isso é
possível. Por que é impossível ter certeza, no
islã, de que ao cruzar aquela ponte você vai cair no inferno
ou não. Só Deus pode saber. Eles acham que é arrogância
dos cristãos pensarem que podem realmente saber. Mas eles não
podem negar que eu experimento a paz. Eu os respeito. Talvez eles achem
que eu sou cega por ter essa falsa certeza. Mas eu realmente acho que
não, por que eles sabem que o nos guia no cristianismo não
é a culpa, mas a resposta ao amor. Por que Deus sabia da minha
inabilidade de merecer meu caminho no céu e se dispôs a
tomar a pena em meu lugar.
FOLHA - Sobre esse choque, às
vezes dá a impressão de que as pessoas estão se
sentindo tão pressionadas pelo Ocidente que pedem para uma religião
forte o suficiente que lhes de autonomia, proteção.
BAKER - Na Turquia o Estado é secular. Como
posso acreditar em democracia e direitos humanos e em um Estado secular
que não impõe religião a ninguém. Se sou
um bom muçulmano quero que eles se juntem.
FOLHA - Há casos de intolerância
no Brasil em que cristãos acusam religiões afro-brasileiras
de serem o demônio. Deve ser difícil acreditar em uma verdade
e conviver com quem é o demônio. Será que isso não
ocorre com o islã e o cristianismo: os modelos mentais não
podem conviver no mesmo território?
BAKER - Não acho que isso seja totalmente verdade.
Não precisa ser. Tem de haver amor e respeito por outro ser humano.
Que é o que aconteceu com os homens que foram mortos na Turquia.
Eles eram gentis, não gritavam pelas ruas. Um deles tinha memorizado
o Alcorão. Ele tinha muito respeito. Mas encontrou em Jesus amor
e respeito. Não acho que deva haver esse choque, do tipo violento.
Eu me lembro que a Tchetchênia foi o primeiro lugar em que escrevi
sobre onde as pessoas estavam sendo decapitadas por causa de religião.
E acho que isso possa ter acontecido há séculos atrás,
eu não sei, por pessoas que se chamavam de cristãs e que
queriam estender a religião. Mas não poderia ter acontecido
por alguém que realmente entendeu as palavras de Jesus, por que
é um convite, e não uma obrigação. Acho
que há muita falta de compreensão.
Vemos em Nova York um projeto de construção de uma mesquita
no Ground Zero. Há pessoas que vão as ruas e dizem não,
vocês são terroristas. Isso é um extremo. Hoje vivo
mais tempo no Oriente Médio do que nos EUA. E quando saí
dos EUA não havia nenhuma mesquita em meu Estado, Oregon. O que
eu vejo que é um pouco de cegueira do mundo islâmico. Não
há nenhum compromisso com reciprocidade. A Arábia Saudita
vai algum dia permitir que uma igreja seja construída lá?
Não. Isso seria uma violação da terra santa do
islã. Mas eles tem mesquitas por todo o Ocidente. E eles ativamente
convertem, especialmente mulheres americanas, a se casarem com muçulmanos.
E elas são mais religiosas que os muçulmanos comuns. E
por que alguns são extremistas, ficam com o nome sujo. Eu vi,
por exemplo, como os americanos ficaram furiosos com os iranianos depois
da revolução e a crise dos reféns.
FOLHA - Mas qual é seu ponto em
relação a mesquita?
BAKER - Entendo por que patriotas americanos estão
chateados. Mas não acho o tema tão importante. E o que
é, é a verdadeira liberdade religiosa, em todas as partes,
em todos os lados. Há países construídos sobre
liberdade religiosa. Como Brasil e EUA. Os que não o são,
deveriam dar esse tipo de liberdade também?
Acho que próximo do direito à vida, é um dos mais
importantes para o ser humano. Uma vez conversei com um juiz do Egito
que achava que não fazia sentido obrigar alguém a ficar
no islã. Mas tinham guardas o protegendo, por que a Irmandade
Muçulmana não gostava do que ele dizia.
FOLHA - Então o Ocidente é
muito tolerante com a intolerância religiosa?
BAKER - Eu não diria... Acho que são
ingênuos. Há um tempo conversei muito com um líder
paquistanês sobre o mundo muçulmano e seu objetivo de conquistar
o mundo. Ele disse que estavam nessa direção. Havia alguns
problemas na Argélia, por causa das guerras e matanças.
E disse: "Isso não nos faz ficar bem mais ainda sim nós
chegaremos ao poder na Algeria. Turquia, demorará mais tempo,
teremos que ir devagar, mas chegaremos ao poder".Me chocam as notícias
que leio do meu próprio país. Dois evangélicos
que largaram as drogas e estão compartilhando sua fé na
praia. Um cara se sente irritado e dá um tiro na cabeça
deles. Faz alguns meses. Se fosse no mundo muçulmano eles estariam
derrubando igrejas. Mas nem teve cobertura alguma na mídia americana.
Em Detroit, há pouco tempo, dois caras foram presos por tentarem
evangelizar em uma festa da comunidade árabe. A polícia
disse que estavam sendo inoportunos. Isso é América ou
o quê? Ser politicamente correto é ir para o outro lado:
temos que ser muito cuidadosos pois os muçulmanos podem ficar
bravos. A decisão Suíça sobre os minaretes... Naquela
mesma semana na Turquia um cara foi a uma igreja ortodoxa e ameaçou
de morte o padre caso ele não derrubasse um sino que está
lá há séculos.
FOLHA - O Ocidente é muito frágil
em defender sua história como sociedade cristã?
BAKER - Não pode mais ser chamada de sociedade
cristã. Tem raízes judaico-cristãs. Uma vez um
padre muito sábio me disse que é impossível ter
diálogo efetivo se você é inseguro em relação
a suas próprias crenças. Na Turquia é muito interessante
conversar com ulemas e imãs que realmente sabem o que o livro
diz. Tão poucos sabem. A maneira como as religiões se
relacionam muda ao longo da história. Judeus já foram
melhor tratados entre muçulmanos do que entre cristãos.
A liberdade religiosa é possível? É possível
mas um pouco sobrenatural. É preciso ter o espírito do
perdão. Conheci um homem que se converteu na prisão. Seu
irmão ficou mais aborrecido dele ter se convertido do que ter
sido parte da jihad. Você não estranharia a conversão
ao islã de um cristão que frequenta a igreja todo domingo?
Uma vez conheci uma americana que casou com um paquistanês e se
converteu ao islã. Ela disse que ser católica não
trouxe nada para ela. Aí me ocorreu de perguntar se ela era realmente
lia a bíblia, se realmente conheceu Jesus. E ela admitiu que
ia a igreja uma vez por ano. Então para mim existe o cristianismo
folclórico como existe o islã folclórico, que tem
muita superstição. O típico americano diria que
é um cristão ou nada. Tem uma diferença entre quem
frequenta a igreja e tem uma relação pessoal com Jesus.
FOLHA - A perseguição aos
cristãos é diferente quando falamos de Estados ateus?
Perseguem todas as religiões igualmente?
BAKER - Não complemente. Comunismo e marxismo
se deram conta muito cedo de que a Igreja era uma ameaça por
que eles colocariam Deus acima do Estado. Mas eles não perseguem
todas as religiões igualmente.
Há um verso no Alcorão que diz que é válido
mentir se isso serve ao propósito. Mas um cristão diria,
eu enfrentarei as consequências de falar a verdade, nunca é
honroso a Deus mentir. Então eu descobri que em algumas culturas
islâmicas que eles não querem enfrentar os governos. Não
vou dizer que é sempre o caso. Claro que há vários
islâmicos aprisionados por terem ameaçado o governo.
FOLHA - Você é jornalista
e tem uma bandeira. Você cobre sua própria tendência.
BAKER - Eu não ataco nenhuma religião.
Quero ser o mais precisa possível. Mas sei que tenho uma tendência.
Quando me dizem que são imparciais eu digo, isso é impossível.
Eu tenho o foco nos cristãos, mas quando vejo, por exemplo, o
caso dos armadis, que são muçulmanos perseguidos, também
publico.
Lembro quando um evangélico ouviu do diretor da televisão
em que trabalhava de que não poderia ser imparcial por sua religião,
e ele respondeu: "E você, não votou na última
eleição?" Sobre o caso Sakineh, teve muita crítica
interna na Turquia, questionando por que o Brasil e não a Turquia,
que está ao lado, tem que fazer isso. Embora muitos não
gostem de que não haja mais pena de morte lá, por que
o líder curdo está na prisão opinando nos assuntos
curdos e muitos gostariam que ele já tivesse ido. Mas nunca concordariam
com o apedrejamento.
FOLHA - Há 'sakinehs' cristãs
ao redor do mundo?
BAKER - Temos um problema terrível de morte
por honra no interior da Turquia. Seja os que matam as próprias
filhas ou os que as forçam a cometer suicídio. Por que
o simples ato de paquerar um menino na escola pode destruir a honra
de uma família. Uma mulher que escreveu um livro sobre o assunto
mostrou que muitas vezes as mortes não são baseadas em
fatos. Não acho que com apedrejamento. Mas sei que na Somália
isso está acontecendo. Somalis que viram cristãos são
decapitados. O chefe de nosso escritório da África viu
isso acontecer. Isso já aconteceu na Arábia Saudita.
FOLHA - Você acredita que Obama
seja um muçulmano?
BAKER - Não acredito que ele seja um muçulmano,
mas também não sei se ele é um cristão devoto.
Não cabe a mim. Eu não fico surpresa que muitas pessoas
pensem isso, por causa do pai dele e do nome Houssein. Muitos dos cristãos
de direita dos EUA estão muito chateados por ele aparentemente
agradar muçulmanos, como com a mesquita no Ground Zero. Mas também
eu não concordava muito com o que o Bush dizia. E, apesar dele
ter chamado o Islã de uma religião da paz, para o mundo
muçulmano ele os atacou em nome dos cristãos.
FOLHA - Obama é amigo de mais
do islã?
BAKER - Ele quer ser. Seu primeiro discurso foi em
Istambul, para o mundo muçulmano. Ele quer retirar as conotações
religiosas, o que é muito difícil pois as sociedades islâmicas
são muito religiosas, em oposição a América,
tentando ser mais secular. E mesmo que tenhamos uma comunidade religiosa
conservadora muito forte, o modelo mental do governo é muito
diferente. Encontrei pessoas de embaixadas americanas por todo o mundo
e eles são muito antirreligiosos. Não vivem numa sociedade
religiosa e não sabem como é. Esse paquistanês que
disse que o islã vai dominar o mundo, será uma vitória
para a lei islâmica? Eu não sei quantos muçulmanos
querem viver sobre a sharia. Mas não vejo um grande fluxo de
pessoas indo viver na Arábia Saudita por suas normas extremamente
restritas e sua maneira de se vestir. Um amigo foi preso lá por
alguns meses sob a acusação de converter algumas pessoas.
Ele disse que havia de 75 a 10 mil cristãos lá, mas eles
não vão contar a ninguém que são cristãos,
por que podem ser executados. Conheço um paquistanês que
se converteu e fugiu para a Coreia, foram até lá e o mataram.
Mas há cristãos que entram na Justiça, por exemplo
no Egito, para afirmar seu direito de mudar de religião.
FOLHA - Você acha que guerras como
do Iraque e do Afeganistão deram poder aos intolerantes?
BAKER - Acho que era nossa de obrigação
e direito como americanos dar uma resposta direta para essas pessoas
que nos atacaram de uma maneira tão horrível. Mas o resultado
foi muito custoso para os cristãos nessa parte do mundo. Por
que as ações do Exército americano são vistas
como um ataque dos cristãos. Ficou muito, muito difícil
para os cristãos. Fico muito triste de ouvir que cristãos,
que eu chamaria de fanáticos, planejam queimar o Alcorão.
Alguns fazem isso em resposta a mesquita do Ground Zero. E muitos cristãos
americanos estão contra isso e dizem: "Vocês percebem
que imediatamente eles vão atacar igrejas e matar cristãos
em vingança?". É tão ridículo e atrasado.
É um efeito boomerang. É uma falta de compreensão
de princípios básicos da cristandade. Já expliquei
a vários muçulmanos, "você tem ideia o quão
é uma blasfêmia para dizer você dizer que Jesus Cristo
era apenas um profeta"? Por que ou ele era mentiroso, louco ou
era Deus. Eles dizem que Deus permitiu a cristandade existir para fazer
a revelação final depois. Mas eles não se dão
conta de a Bíblia e o Alcorão não concordam em
muitas coisas. Para mim, é blasfêmia. E eu não vou
queimar uma mesquita por causa disso.
FOLHA - Você acredita que a tolerância
religiosa depende de aceitar blasfêmias, como que Jesus é
só um profeta?
BAKER - Isso não atinge a minha fé. Eu
entendo quem pensa assim, mas não vou ficar com raiva.
FOLHA - Mas não há partes
na Bíblia ou no Alcorão que pede para você vingar
seu Deus?
BAKER - Na Bíblia não. Por que como disse
uma das viúvas na Turquia, é que "uma das maiores
vinganças é ver aqueles que mataram meu marido virem a
Jesus". Eles vão ter três sentenças de vida
consecutivas. E a viúva criando seus filhos sozinha disse que
se sentia mal por eles. Ela pediu para visitá-los e as autoridades
não deixaram. As crianças disseram na imprensa Turca:
queremos levar uma Bíblia para eles, que poderão ir para
o céu e dizer "desculpa papai".
Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/mundo/797100-temos-sakinehs-cristas-pelo-mundo-diz-jornalista-americana.shtml
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