21/08/2010
O famoso estudioso e pesquisador Hermínio
Miranda completou 90 anos este ano e escreveu uma reflexão que
vale a leitura, como, aliás, todos os seus textos:
Um encontro real entre nós
dois
Por Herminio Miranda
De repente você se dá conta, como eu, de que acaba de ingressar
no clube dos macróbios. No meu caso, 90 anos. E aí começa
a perceber que o mundo não é mais aquele que você
conheceu, especialmente não mais estão ali as pessoas
que conheceu e amou. Quase todas desapareceram na invisibilidade. Bem
sei que é uma ausência temporária, pois lá
estão na dimensão espiritual à nossa espera para
as emoções do reencontro. Mas que umas tantas delas deixam
aberto em nós um espaço maior, isso também é
verdade.
Para mim a ausência mais doída é a da querida dona
Helena, minha mãe.
Talvez você se lembre que eu abri para ela um capítulo
especial no livro Nossos filhos são espíritos.
Ela partiu para o outro lado da vida em 1960, aos 66 anos. Eu tinha
40.
Portanto, já se passaram cinquenta anos. Ao longo desse tempo,
muita coisa aconteceu, claro. Cerca de trinta deles, participando de
trabalhos mediúnicos. Duas vezes ela me enviou mensagens psicografadas
e uma vez falei com ela através de médium de minha confiança.
Ela me proporcionou evidências indiscutíveis, citando fatos
dos quais só ela e eu sabíamos.
Recentemente – cerca de um ano ou dois – tive com ela um
sonho do qual só me ficou na memória de vigília
um episódio marcante. No sonho, ela veio ao meu encontro e ajoelhou-se
a meus pés. Recuperado da impactante perplexidade que a cena
me suscitou, ajoelhei-me também diante dela e o trocamos um beijo
saudoso, aqueles que somente ocorrem entre mãe e filho.
Bem, a historinha ainda não ficou aí concluída.
Uma semana depois, recebi um e-mail de outra amiga, médium com
a qual trabalhei num grupinho doméstico, do qual, entre outros
queridos amigos e amigas, Deolindo Amorim sentava-se à minha
esquerda e ela, à direita.
A amiga frequentava uma instituição espírita no
Rio.
Dizia-me naquela carta inesperada que ao encerrarem-se os trabalhos
mediúnicos da casa, aproximara-se dela uma entidade – que
ela descreveu sumariamente, mas não da qual não guardara
o nome. “Diga ao Herminio – pediu ela – que não
foi somente um sonho. Houve um encontro real entre nós dois.”
A amiga médium, em conversa posterior comigo, ao telefone, acrescentou
um detalhe que não mencionara no e-mail: o gesto dela se reportava
à remota existência minha, aí pela Idade Média,
quando eu lhe proporcionara a grande alegria, tornando-me sacerdote
católico, sonho dela não realizado nesta vida.
Pois é, leitor/leitora.
Acho que não preciso falar de minha emoção ante
esse recado.
Falo agora, porém, para encerrar esta narrativa, repetindo uma
frase que usei certa vez e que assim diz:
“Se você perceber neste papel que está lendo, a
marca de uma lágrima, não se preocupe. É minha.”
* Hermínio Corrêa de Miranda (Volta
Redonda, 5 de janeiro de 1920)
É um dos principais pesquisadores e escritores espíritas
brasileiro da atualidade. Habitualmente assina Herminio C. Miranda.
Formou-se em Ciências Contábeis, tendo trabalhado na Companhia
Siderúrgica Nacional até se aposentar. Autor de cerca
de 40 livros, dentre eles, diversos clássicos obrigatórios
da biblioteca espírita, como Diálogo com as sombras, Diversidade
dos carismas e Nossos filhos são espíritos.
Seu primeiro livro, Diálogo com as Sombras, foi publicado em
1976. Seus direitos autorais foram sempre cedidos a instituições
filantrópicas
Fonte: correiofraterno.com.br
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