16/07/2010
Os dragões – O diamante no lodo não deixa
de ser diamante, pelo espírito Maria Modesto Cravo
Os
Dragões
Psicografia: Wanderley Soares de Oliveira
Pelo espírito: Maria Modesto Cravo
O tema central é a história de Matias, uma alma atormentada
que serviu durante séculos aos dragões, uma comunidade
organizada para o mal. A cronologia do romance revela fatos ocorridos
no movimento espírita brasileiro entre os anos de 1936 a 1964,
período em que ocorreu o clímax de uma ação
organizada pelos benfeitores no mundo espiritual, para reencarnar milhões
de corações que foram libertados de um dos mais tristes
locais de maldade na erraticidade: o Vale do Poder.
O médium Wanderley Oliveira concedeu entrevista a Revista Cristã
de Espiritismo, sobre o livro Os dragões – O diamante
no lodo não deixa de ser diamante, pelo espírito
Maria Modesto Cravo:
Qual é o tema central da obra?
O livro, publicado pela Editora Dufaux, é um romance cujo tema
central é a história de Matias, uma alma atormentada que
serviu durante séculos à comunidade dos dragões.
A autora espiritual tece um enredo leve e comovente no qual Matias,
após o arrependimento, reencarna como médium sob orientação
do espiritismo. A cronologia do romance revela fatos ocorridos no movimento
espírita brasileiro entre os anos de 1936 a 1964, período
em que ocorreu o clímax de uma ação organizada
pelos benfeitores no mundo espiritual para reencarnar milhões
de corações que foram libertados de um dos mais tristes
locais de maldade na erraticidade: o Vale do Poder. O tema central do
livro nos levará a perceber que, a maioria dos seguidores da
mensagem do Evangelho, nos mais diversos segmentos cristãos,
guardam algum tipo de laço com os dragões.
Quem são os dragões?
É a mais antiga comunidade da maldade que se organizou socialmente
nas regiões chamadas subcrostais ou submundo astral. Segundo
o romance, ela existe há 10 mil anos. Essa comunidade, administrada
por inteligências do mal, criou a Cidade do Poder e sua hierarquia
é composta pelos “dragões” legionários,
justiceiros e conselheiros. São espíritos que fazem o
mal intencionalmente.
Os dragões podem reencarnar?
Muitos desses espíritos não conseguirão mais reencarnar
na Terra devido à sua condição mental desequilibrada.
Não haveria como manter uma gestação em tal nível
de vibração. Serão deportados para outros mundos
onde reiniciarão o seu progresso. Contudo, muitos deles, quando
tomados pelo arrependimento, reencarnam aqui no planeta e se melhoram.
No livro é abordado um modelo de psicologia usado pelas
trevas. Que modelo é este?
Os dragões já utilizam um modelo de psicologia há
mais de 300 anos para dominar e explorar. Esse modelo pode ser compreendido
da seguinte forma: imagine três círculos, um dentro do
outro. No primeiro círculo de dentro escreva baixa autoestima.
No círculo a seguir está a idealização.
E no último círculo estão o melindre, o perfeccionismo
e a intolerância.
Os dragões sabem que a doença psicológica básica
em um planeta como a Terra é a escassez de estima pessoal, como
um resultado de milênios no egoísmo. Quem tem baixa autoestima,
idealiza a vida, as relações, as metas. Vive uma vida
muito imaginária e distante do que é real. E quem idealiza
em excesso torna-se muito melindroso, perfeccionista e intolerante.
Claro que, colocando de forma tão sintética, talvez surjam
muitas dúvidas, mas o livro tece muitas abordagens sobre o assunto.
Costumo dizer que Os Dragões é um romance de autoconhecimento,
porque, na verdade, a autora espiritual faz estudos muito profundos
e fáceis de entender sobre o psiquismo humano.
Então, a baixa autoestima é o núcleo deste modelo?
Sim. Sob o enfoque espiritual, essa doença não é
apenas o resultado de traumas e limitações sofridas na
infância. Além disso, Maria Modesto Cravo explica, no livro,
que esse estado psicológico caracteriza a maioria esmagadora
dos habitantes terrenos, em maior ou menor escala, conforme os compromissos
assumidos por cada criatura em sua consciência.
Qual o ponto de maior fragilidade nos centros espíritas
que é explorado pelos dragões?
A convivência.
Os dragões sabem muito bem que não lidamos bem com nosso
mundo interior e, consequentemente, projetamos isso nos relacionamentos.
As condutas mais exploradas para gerar conflitos na convivência
são: maledicência, culpa, mágoa, rigidez, preconceito,
irritação, julgamento, entre outras.
Quais os laços entre a comunidade espírita e os
dragões?
A obra nos informa que muitos dragões reencarnaram nas religiões
cristãs, e deixa claro que inúmeros regressaram ao solo
brasileiro, inclusive, no seio do movimento espírita. Reencarnaram
arrependidos e ansiosos pelo recomeço. Retornaram e foram iluminados
pelo conhecimento espírita para sua remição consciencial.
Depois deste retorno de multidões ao movimento espírita
brasileiro, a comunidade dos dragões passou a uma perseguição
implacável aos espíritas, no intuito de inviabilizar as
noções sobre como o mal organizado pretende dominar as
sociedades e impedir o esclarecimento espiritual dos povos.
Fique à vontade para nos dar uma mensagem final sobre
o livro Os Dragões.
Gostaria de reproduzir uma pergunta que fiz à autora espiritual,
Maria Modesto Cravo, e a sua resposta repleta de sabedoria:
“Vemos muitas pessoas que não conseguem ler livros cujo
conteúdo versa sobre as trevas. Nesse sentido, a senhora teria
algo a dizer sobre Os Dragões, o trabalho que terminamos há
pouco tempo?”
“Nossa reflexão nesta obra é apenas uma pequena
fresta para que o homem, iluminado com o conhecimento espírita,
perceba a natureza de nossos desafios e compromissos com as esferas
subcrostais.
Falamos menos das trevas de fora que daquelas que trazemos por dentro.
Para quem deseja implantar a luz e o bem, é, no mínimo,
uma obrigação conhecer nossos laços com as comunidades
dos dragões”.
Leia um trecho do livro, que narra um trabalho
de desobsessão em um centro de Umbanda.
Desobsessão no centro de Umbanda
Disponibilizamos um trecho do livro Os Dragões,
que mostra um trabalho de desobsessão realizado pelos espiritos
que se apresentam na falange do Sr. Exu Marabô.
Sem se opor à minha presença, partimos em direção
às furnas do mal. Clarisse, eu, Cornelius e mais um grupo de
defesa do Hospital Esperança.
Chegando ao local, presenciei algo inusitado. O ciclope da mitologia
grega não era pura imaginação. Indaguei de chofre:
— Quem são os ciclopes, Clarisse?
— Espíritos rudes a serviço do mal. Estamos na
região subcrostal chamada Pântano das Escórias,
subúrbio enfermiço do Vale do Poder. Aqui são
feitos prisioneiros os servidores da maldade organizada que não
obtiveram êxito em seus planos nefandos. Castigos e sevícias
de todo o porte são levados a efeito nestas plagas.
— Por que viemos aqui?
— Venha! Vamos encontrar nossa equipe.
Logo adiante estava Eurípedes com uma equipe de vinte a trinta
defensores. Tinha o braço ferido. Quem imagina os espíritos
isentos dessa contingência, não concebe com exatidão
os mecanismos fisiológicos e anatômicos do corpo espiritual,
sujeito, nas proximidades vibratórias da Terra, às mesmas
injunções de saúde e doença, dor e prazer.
Um corte de dez centímetros na altura do ombro do benfeitor
era cuidado com carinho por uma diligente enfermeira da equipe. A
diferença ficava por conta do domínio mental. Enquanto
era tratado, conversava atentamente com os presentes sem demonstrar
uma nesga de sofrimento. Os ciclopes o feriram com seus chicotes impiedosos.
Tive ensejo, ali mesmo, de manifestar meu carinho ao amigo querido.
Embora minha surpresa, o tempo e a experiência foram me mostrando
que tudo era possível ocorrer em tais tarefas socorristas.
Incêndios, tiroteios, ciladas, guerras armadas e outras tantas
manifestações de violência já conhecidas
da humanidade. Não cheguei a ver os ciclopes naquela ocasião,
mas só a onda de crueldade deixada no ambiente já me
apavorava. Clarisse não regateava esclarecimentos a mim.
— Estamos no inferno de Dante, dona Modesta.
— Parece-me ser até pior do que ele descreveu.
— Sem dúvida.
— O que faremos agora?
— A tarefa por aqui já está cumprida. As entidades
que necessitavam de socorro já foram levadas para onde prosseguirá
o trabalho.
— Eram almas arrependidas?
— Não. Eram escravos da perversidade. Servidores inconscientes
das sombras. Foram necessárias mais de quatro horas de intensas
iniciativas para alcançar resultados no amparo. Ainda assim,
veja o estado de nossos companheiros. Eurípedes ferido, os
defensores exaustos e tudo isso apenas para que seis entidades pudessem
ter acesso à manifestação mediúnica.
— Vão se comunicar a essa hora da noite? Que centro
abriria suas portas? – expressei sabendo que já passava
da meia-noite no relógio terreno.
— Os verdadeiros servidores cristãos só se utilizam
do relógio com intuito disciplinar. Não condicionam
o ato de servir aos ponteiros limitantes do tempo. Visitaremos o Centro
Umbandista Pai Guiné, nos arredores de Uberaba.
— O pai-de-santo Ovídio?
— Ele mesmo.
Tive de confessar, em um primeiro momento, meu preconceito. Guardava
respeito pelas demais religiões, entretanto, nunca havia refletido
sobre quem seriam e onde estariam as cartas vivas do Cristo. Por uma
tendência natural asilei o despeito. Ainda bem que foi algo
muito passageiro em meu coração, porque as experiências
fora e dentro da vida corporal, cada dia mais, apresentavam-me uma
realidade distante das ilusões que adulamos sob o fascínio
impiedoso do orgulho na sociedade terrena dos mortais.
Após as despedidas, a equipe de Eurípedes regressou
ao hospital. O pedido de socorro foi uma medida preventiva. Apesar
dos feridos e exaustos, todos guardavam o clima da paz.
Por nossa vez, partimos para o Centro Pai Guiné. Era um ambiente
agradável em ambos os planos. Ao som dos atabaques, eram cantados
os pontos em ritmo vibratório de alta intensidade. Cada canto
era como uma verdadeira queima de fogos de artifício. Uma bomba
energética explodia no ar em multicores.
Em uma das várias dependências astrais da casa havia
uma enfermaria com oitenta leitos bem alinhados. Tudo nesse salão
era limpeza e calmaria. Lá não se ouviam mais os cantos,
e a conexão com o plano físico limitava-se ao trânsito
de enfermeiros pelos vários portais interdimensionais. Regressamos
ao ponto de intersecção vibratória com o plano
físico.
Seis macas estavam dispostas no canzuá (terreiro). Em cada
qual havia uma entidade de aspecto horripilante. Olhos que quase saíam
das órbitas oculares, pele murcha, enrugada e suja, garras
enormes no lugar das unhas, com dez centímetros, nas mãos
e nos pés, todas retorcidas como as de águia. Magérrimos
e nus. Causavam náuseas pelo odor. Olhavam para nós
deixando claro que nos viam e, literalmente, grunhiam como porcos
com a boca semiaberta. Alguns deles estavam muitos inquietos nas macas.
Retorciam-se como se estivessem com dor, sem manifestar nenhum som.
Vários hematomas estavam expostos em todos eles, devido aos
castigos impostos nos paredões de penitência.
— As garras são colocadas para impedir a fuga. Não
andam nem têm grande habilidade manual – informou Clarisse,
com manifesto sentimento de piedade.
— Como serão socorridos?
— Pela incorporação profunda ou vampirismo assistido.
— Nos médiuns umbandistas?
Mal terminei a pergunta e vi uma cena nada convencional. Um dos enfermeiros
da casa pegou uma das entidades no colo e jogou-a no corpo do médium.
Demonstrando câimbras na panturrilha, o médium, incontinenti,
absorveu mental e fisicamente o comunicante que se ajeitou no corpo
do medianeiro como se deitasse em um colchão, buscando a melhor
posição. Os atabaques aceleraram o ritmo, criando um
frenesi de energia no ambiente. Formavam-se pequenos redemoinhos de
cor violeta e prata, que se desfaziam e refaziam em vários
cantos do terreiro. Modulavam conforme a nota musical dos hinos cantados.
O médium estrebuchou no chão. Convulsões e grunhidos
seguidos de gritos de dor. Ovídio, o pai-de-santo aproximou-se
e disse:
— Oxalá proteja seus caminhos, filho de Zambi (Deus).
— Eu sou filho do capeta. Quem és tu para falar comigo?
– redarguiu a entidade, que agora falava com facilidade por
intermédio do médium.
— Sou um tarefeiro da luz.
— Eu sou uma escória da sombra.
— Engano, criatura!
— Não vê minhas garras? Sabe o que isso?
— Conheço essa técnica. São ferrolhos
do mal.
— Vejo que estais acostumados ao mal.
— Vim desses vales da sombra e da morte – falava Ovídio
com firmeza na voz.
— Mas andas e és livre. Estais no corpo, enquanto eu...
Eu sou um verme roedor... Ou quem sabe uma águia que não
voa... Nem sequer consigo andar graças a essa maldição
que colocaram em meus pés... Nem comer mais... Veja minhas
mãos... Eu tenho fome e sede.
— Em que te posso ser útil irmão? – indagou
Ovídio debaixo de uma forte vibração.
— Quero bebida e comida. Quero que cortem minhas garras.
— Laroyê! Laroyê! – gritou Ovídio
já incorporado por um de seus guias que entoava o canto: “Eu
sou Marabô, rei da mandinga. Eu sou Marabô, exu de nosso
Senhôr. Laroyê!”
Uma energia colossal movimentou-se com a chegada do Exu Marabô.
Os filhos-de-santo o saudavam com palmas rítmicas e pontos
próprios da entidade. Muitos deles iam até Marabô,
baixavam a cabeça em sinal de reverência à sua
frente e batiam três palmas rítmicas na altura do abdômen
do médium.
— Que tu quer, homem esfarrapado. Bebida pra mode se arrebentá
mais?
— Não, senhor Marabô. Não é isso
não.
— Não mente pra Marabô. Marabô sabe ler
os ói (olhos). Nos ói tá a visão, mas
tá também a verdade e a mentira.
— Eu não minto, senhor. Quero liberdade.
— Pra fazer o que dá na cabeça? Home tu preso
é um perigo, livre é um desastre.
— O que o senhor vai fazer por mim? Não pedi a ninguém
pra sair daquela joça de lugar fedorento. Por que me trouxe
aqui?
— Não fui eu quem trouxe home. O véio Bezerra
da luz é teu protetor. Sirvo a ele na graça de Oxalá,
Pai de poder e misericórdia.
— Que queres comigo?
— Está feliz na matéria do cavalo (médium)?
— Sei que não é minha. Quero uma só pra
mim.
— Esta gostando do contato?
— Só fartó bebida e comida.
— Olha suas garras.
— Não pode ser! O que aconteceu?
– O cavalo (médium) ta dissolvendo suas algemas.
– Pra sempre?
– Pra sempre!
– Quanto vai me custar?
– Nada. É serviço de Pai Oxalá. É
de graça. Pedido do veio Bezerra de Menezes. Se voltar pro
inferno, elas crescem de novo. Se subir com Bezerra da luz, vai ser
cuidado no hospital da sabedoria, onde reina os filhos de Gandhi.
– Filhos de Gandhi? Por que se interessaria por escórias
como nós. Veja lá nas macas os amigos estropiados –
e apontou para a sala ao lado.
– Nada retira do ser humano a condição de Filho
do Altíssimo...
Fonte: http://www.rcespiritismo.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=678&Itemid=25
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