18/03/2010
Tudo começou no dia 12 de março de 1994, às
18 horas, quando Adjair Fernandes de Faria partiu de Uberlândia
em direção a Uberaba, onde pernoitou.
Na manhã do dia 13 ele próprio abriu as portas do ônibus-livraria
para receber a visita do grande vulto do espiritismo uberabense Francisco
Cândido Xavier. Modesto e discreto Adjair reluta na divulgação
do importante trabalho sempre preocupado em não aparecer. Presentemente
Adjair está na cidade de Assaí, no estado do Paraná,
a 884ª. cidade visitada. Foram 17 estados percorridos levando as
obras da codificação, todas as obras da psicografia de
Chico Xavier e de dezenas de outros autores. Além dos livros
foram distribuídas gratuitamente 33 milhões de mensagens.
Ao Adjair os nossos parabéns e um grande abraço.
Ismael Gobbo

Por Ismael Gobbo

Espírita há 40 anos, Adjair Fernandes
de Faria se dedica, desde 1989, à divulgação da
Doutrina através dos livros. Em 1994, mais precisamente em 12
de março, resolveu estender seu trabalho de forma itinerante,
utilizando-se de um ônibus-livraria. No momento da entrevista,
que abaixo reproduzimos, em 17 de agosto, na cidade de Novo Hamburgo,
no Rio Grande do Sul, alcançou a marca de 813 cidades visitadas,
sendo três delas no Paraguai e Uruguai. Adjair tem 67 anos de
idade e é viúvo há sete anos. Tem cinco filhos,
seis netas e dois netos. Trabalhou 25 anos como bancário, dez
como agente imobiliário e há 15 anos peregrina pelo Brasil
dentro da Livraria Espírita Chico Xavier, divulgando a nossa
abençoada Doutrina Espírita.

Folha Espírita –
Como foi a sua “entrada” no Espiritismo?
Adjair Fernandes de Faria – Como a maioria.
Infelizmente, e felizmente, pela dor.
FE – E o trabalho com a livraria?
Faria – Assim que tomei conhecimento sobre a importância
dessa Doutrina em nossas vidas, a consciência não parou
mais de me cobrar. Hoje, após 40 anos de vida espírita,
continuo com o mais profundo desejo de ver três livros, O Evangelho
Segundo o Espiritismo, O Livro dos Espíritos e O Livro dos Médiuns,
tesouros inigualáveis, em cada lar do nosso Brasil. E, graças
a Deus, com um pouquinho de boa vontade, já consegui colocar
nas mãos dos irmãos, que nos honraram com 3.640.000 visitas
ao nosso ônibus, mais de 115 mil Evangelhos, sendo, em sua maioria,
acompanhados de O Livro dos Espíritos e O Livro dos Médiuns.
Isso nos 17 Estados de peregrinação já percorridos,
não contando com os milhares colocados na Livraria Espírita
Chico Xavier, inaugurada em 25 de dezembro de 1989, em Uberlândia,
Minas Gerais. E tudo começou naquele memorável 12 de março
de 1994, também em Minas, na cidade de Uberaba, quando iniciamos
essa inenarrável e abençoada jornada.
FE – Imagino que tenha vivido boas experiências
com o ônibus-livraria ambulante...
Faria – Experiências mil!... Inúmeras
vezes fomos abordados por irmãos diversos, pedindo que escrevêssemos
um livro. Até a cidade de número 100, dizíamos
que daria um livro de mil páginas. Hoje, nas 813 cidades já
visitadas, afirmamos que daria um livro de mais de 10 mil páginas,
com variadíssimos assuntos, histórias e situações
que prenderiam o leitor até a última delas. E o mais curioso
é que os leitores profanos classificariam a maioria das narrações
como conto de fadas ou fábulas.
FE – Conte-nos uma delas!
Faria – Vou contar uma das milhares que vivenciamos.
Estávamos na cidade assinalada como 715, Victor Graeff, no interior
do Rio Grande do Sul, onde os seus habitantes orgulhosamente exibiam
a sua praça como a mais bonita do Estado. E nós endossamos
essa afirmação, pois realmente é a mais bonita
que já vimos nos 17 Estados que já visitamos. Pois bem,
certo dia, por volta das 18 horas, entra em nosso ônibus uma jovem
ofegante, que, logo após os cumprimentos, começa um inusitado
relato:
– Moço!... já não
aguento mais, preciso de ajuda. O senhor acredita que faz 44 anos
que o meu pai ia sentar-se no mesmo banco que o meu avô sentava
e pedia a mesma cerveja que ele gostava quando vivo?... alegando que
amava muito o meu avô?... E o senhor acredita que faz quatro
anos que meu pai morreu e o meu irmão, que não bebia,
outro dia também foi sentar-se naquele banco e faz as mesmas
coisas que eles faziam?... E acredita que ele quebrou todos os móveis
da casa dele por várias vezes e não dorme?... A minha
cunhada não aguentou e o largou... Agora tá tendo que
tomar 22 comprimidos por dia, o senhor acredita?
– Acredito, respondi.
FE – E qual foi a orientação?
Faria – Conversamos, explicamos em detalhes
o que estava acontecendo e pedimos que ela o levasse ao centro espírita
em Jacarezinho, cidade próxima, e estudasse ininterruptamente
a tríade das obras básicas: O Evangelho Segundo o Espiritismo,
O Livro dos Espíritos e O Livro dos Médiuns e os colocasse
em prática diariamente. Ela saiu esperançosa, prometendo
que assim o faria. Não passou uma hora e ela retornou entusiasmada
e nos apresentou um robusto rapaz, com 1,95 m de altura, que encostava
no teto do ônibus, dizendo: “Este é meu irmão,
o senhor poderia falar para ele tudo o que me disse?” Repeti tal
qual havia falado e reforcei para eles irem ao centro, o que prometeram
antes de saírem felizes... Dois dias depois, ela nos liga da
casa da sua irmã em Jacarezinho perguntando o que fazer. Segundo
relatou, no dia anterior, eles haviam ido ao centro, um bom senhor os
havia atendido, colocando-os sentados num cômodo e, do outro lado,
começado a conversar com alguém que parecia ser seu avô.
Depois, com outro, que parecia ser seu pai. Naquele momento, conforme
relatou, seu irmão ficou mole, e disseram que era normal. Pediram
que o levasse para repousar, lhe desse uma sopa sem carne e o deixasse
dormir. “Foi o que eu fiz, só que ele está dormindo
há mais de 20 horas, como se estivesse morto. O que eu faço?”,
questionou-nos com certa aflição. Nós a orientamos
a deixá-lo dormir. Resultado: ele reatou com a esposa e os três
filhos, fundaram um centro em Victor Graeff com a assessoria do senhor
que os atendeu em Jacarezinho e não se cansam de nos ligar agradecendo.
FE – Quantas cidades já visitou?
Faria – Bem, hoje, 17 de agosto de 2009, contabilizamos
Novo Hamburgo como sendo a de número 813. Já fizemos três
visitas internacionais: Salto Del Guairá, no Paraguai, Rivera
e Chuy, no Uruguai. As viagens nos renderam a expressiva visitação
de 3.640.000 irmãos, com mais de 30 milhões de mensagens
gratuitas distribuídas.
FE – Você tem encontrado apoio das autoridades
e da população por onde passa?
Faria – Total apoio. Principalmente dos gaúchos, que nos
recebem de braços abertos, facilitando-nos sempre na posse dos
alvarás. Quanto à população brasileira,
é só analisar a visitação acima! É
inenarrável o carinho que recebemos.
FE – O que é preciso, em termos de infraestrutura
local, para o ônibus aportar nas cidades?
Faria – Apenas um ponto de energia e escolher
um bom local de transeuntes. Os que passam na porta do ônibus
não resistem... Entram!
FE – A livraria ambulante torna menor o preço
ao consumidor?
Faria – Graças a Deus, não remarcamos
os preços. Temos livros com o mesmo preço há dez
anos. Obras básicas sempre com preços acessíveis
e diversificados, de todas as editoras. Só de O Evangelho Segundo
o Espiritismo temos mais de 15 modelos e tamanhos.
FE – Que mensagem deixa aos nossos leitores?
Faria – Deixo dois pedidos: que todos os espíritas
estudiosos leiam, releiam e busquem o espírito da letra, da mensagem
mais importante da espiritualidade dirigida aos espíritas, em
“Missão dos Espíritas”, no capítulo
XX, item 4, de O Evangelho Segundo o Espiritismo. Atentem para a quantidade
da minúscula palavra “ide” e reflitam detidamente
no terceiro parágrafo, referente à expansão do
bezerro de ouro.
O segundo pedido está relacionado a esse parágrafo, à
necessidade de colocar um basta à vertiginosa e vergonhosa ascensão
do culto ao bezerro de ouro, cada dia mais devorador da casa das viúvas
e das consciências. Para alcançar esse objetivo, penso
que é preciso prosseguir com a abençoada missão
de provar, através da ciência, a existência do espírito
(alma), que anima e vitaliza o corpo, que é a razão da
vida. Vejo, portanto, com emoção, o trabalho dos médicos
espíritas, fazendo votos que a dra. Marlene Nobre e seus colegas
possam provar, cientificamente, a reencarnação. Se não
for nesta encarnação, será na próxima. Que
Deus e o nosso amado Mestre Jesus nos abençoem a todos.

Curiosidades sobre a vida na estrada...
· A Livraria Espírita Chico Xavier costuma ficar
uma semana em cada cidade, estendendo esse prazo para 15 dias nos municípios
maiores.
· Adjair trabalha sozinho. Cuida da manutenção
do veículo, é motorista, eletricista, lavador, varredor,
recepcionista e vendedor. Vive no veículo.
· O ônibus articulado possui 20 metros de comprimento,
carrega mais de 2 mil títulos rigorosamente selecionados, CDs
e DVDs.
· O atendimento é feito das 8h30 às 20h30,
só fechando para o almoço, inclusive aos domingos e feriados.
ENTREVISTA PUBLICADA NA FOLHA ESPÍRITA,
SÃO PAULO, EM SETEMBRO DE 2009
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