14/03/2010
Entrevista com Mauricio Cisneiros Filho, brasileiro de Niterói,
RJ, ora radicado nos Estados Unidos, presidente do Conselho Espírita
Americano, palestrante e divulgador da doutrina espírita.

Foi o organizador do Simpósio no Ft Lauderdale
(Abril 2010) e ex vice-presidente da Federação Espírita
da Florida. Esta entrevista foi concedida a Luis Salazar (lou72@bellsouth.net),
residente nos EUA, para o boletim eletrônico: “Noticias
do Movimento Espírita”, compilado por Ismael Gobbo (igobi@uol.com.br),
Araçatuba, SP, Brasil.
Luis Salazar: Gostaríamos que
nos fizesse sua apresentação pessoal.
Mauricio Cisneiros Filho: Nasci em Niterói,
RJ e fui criado em Brasília desde os quatro anos de idade. Aos
18 anos me mudei para os Estados Unidos onde resido há 22 anos,
mais especificamente no Sul da Flórida onde trabalho como membro
fundador desde 1992 na Spiritist Society of Palm Beach antiga Christian
Spiritist Study Center (www.kardec.com).
Como você conheceu o Espiritismo?
Nasci em família Espírita e fui educado espiritualmente
no Grupo Espírita Irmão Estevão na Asa Norte em
Brasília. Ali participei de todos os ciclos de evangelização,
pre-mocidade e mocidade.
Que inconvenientes e vantagens há ao se tornar espírita?
Depende do como o indivíduo se torna Espírita. Existem
os Espíritas que abraçam o Espiritismo como simples religião
a preencher os espaços vazios em sua vida. Nesse caso não
existem inconvenientes materialmente falando, e as vantagens são
grandes já que se desfruta da convivência de pessoas e
espíritos maravilhosos, a participação em ambientes
sadios, terapias de amor e trabalhos educacionais fantásticos
sem necessariamente sentir o encargo da melhora íntima. Já
o indivíduo que faz a ligação entre o seu contacto
com a Doutrina Espírita e a necessidade de se tornar um homem
de bem, esse sim encontra não só as vantagens descritas
acima, mas também a inconveniência de lutar contra as suas
más inclinações como o orgulho, o egoísmo,
a inveja, o ciúme, etc. Lembramos do materialista ditado popular
Americano “Ignorance is a Bliss” (A Ignorância é
Uma Benção). Em nosso meio Espírita, não
somos ignorantes, mas muitas vezes vivemos como se o fôssemos.
Quanto tempo se dedica a estudar Espiritismo?
Participo semanalmente de duas reuniões públicas de
palestras e uma de estudos. Como palestrantes e dirigentes Espíritas
logicamente estudamos o quanto podemos para apresentar estudos de qualidade
e mais seguramente cuidarmos de nossos trabalhos administrativos. Atualmente
tenho me dedicado a obras relacionadas a reforma íntima como
as do amigo Dr. Alírio de Cerqueira Filho. Estamos acabando de
estudar o livro “Jesus e Kardec: Modelos Para os Trabalhadores
do Movimento Espírita”.
Quando surgiu o Conselho Espírita Americano (USSC)?
Foi fundado em 1997 por dez Centros Espíritas norte americanos.
Na época a internet ainda não era tão acessível
e popular. Muitos Centros nunca nem chegaram a saber do acontecido.
Mesmo hoje ainda encontramos trabalhadores de Centros que nunca ouviram
falar do USSC.
Quantos grupos há?
Existem pouco mais de 80 grupos Espíritas nos Estados Unidos.
Muitos ainda são grupos muito pequenos, alguns inclusive fazem
suas reuniões nas casas dos próprios participantes. No
momento 27 grupos estão afiliados ao United States Spiritist
Council. Existem também a Federação Espírita
da Flórida, a Federação Espírita da Geórgia
e a Federação Espírita da Tri-state (Nova York,
Nova Jersey e Connecticut) que está em formação.
Estamos trabalhando em um Census Espírita que vai nos dar uma
melhor idéia dos pormenores de nosso movimento.
Há quanto tempo está como presidente do USSC?
Desde Março de 2009. O termo da presente Diretoria é
de três anos. O nosso lema é “Unification Through
Participation”(A Unificação Através da Participação).
Sabemos que se nossos membros não participarem do processo de
unificação ele simplesmente não pode acontecer.
Uma organização como o USSC não pode funcionar
só com a ação de uma diretoria de sete pessoas.
Daí a nossa idéia de formarmos vários comitês
de trabalho onde muitos companheiros interessados têm participado
ativamente.
Ser presidente lhe trouxe problemas?
A participação na direção de qualquer agrupamento
Espírita ou não carrega uma certa dose de problemas. O
importante é aprender a encarar os mesmos como experiências
de vida que vão polindo o nosso ser e aumentando o nosso discernimento
e perspicácia. O ser que se movimenta progride, erra, mas progride.
Se nos acomodamos os problemas acabam chegando do mesmo jeito e não
temos nem idéia de como resolvê-los e nem o amparo espiritual
para tal. Antes de ser presidente do USSC, era diretor dessa mesma organização.
Também era vice-presidente da Federação Espírita
da Flórida onde venho trabalhando assiduamente há 16 anos.
A respeito do movimento espírita americano, qual é
sua visão?
Embora ainda seja um movimento feito por imigrantes, temos visto a
integração com americanos não imigrantes começar
a acontecer. Grande parte dos Centros já oferecem trabalhos em
Inglês e o público de língua Inglesa ainda que seja
pequeno, é bem interessado. Encontramos até alguns que
já são trabalhadores e até fazem palestras Espíritas.
Neste mês de Março ficamos contentes por saber que uma
colega Americana estará começando um grupo de estudos
no Estado de Connecticut e que outro grupo foi inaugurado em Massachusetts
também para se dedicar a disseminação em Inglês.
O trabalho em Inglês é essencial para a continuidade, crescimento
e solidificação de nosso movimento. Não tenho dúvidas
de que estamos no caminho certo e de que isto já esteja acontecendo.
E a nível internacional?
Apesar dos grandes esforços do Conselho Espírita Internacional,
ainda vemos o movimento caminhar muito lentamente. As dificuldades na
Europa por exemplo, ainda são maiores do que as nossas nos Estados
Unidos, devido ao alto custo de vida e a um menor número de imigrantes
Espíritas. Daí pedirmos constantemente ao Espírita
que vive no exterior do Brasil a investir em seu movimento nacional/local
e não mais se preocupar com o Movimento Espírita brasileiro
que é rico em todos os sentidos quando comparado com o do exterior.
Digo isso porque ainda encontramos muitos amigos trabalhando duro para
arranjar verbas para enviar para suas instituições espíritas
no Brasil enquanto os Centros nos quais eles participam no exterior
mal conseguem pagar um aluguel de carga horária de utilização
de uma sala qualquer. Seria interessante que as próprias organizações
espíritas brasileiras se conscientizassem desse problema, como
a própria FEB e CEI já o fizeram.
De qualquer maneira vemos em todas as partes o desprendimento e dedicação
de Espíritas que realmente se entregam de corpo e alma a solidificação
dos trabalhos Espíritas. Através desses indivíduos
ímpares a espiritualidade maior vem contribuindo para que os
desígnios do Alto sejam realizados.
Como o Espiritismo é encarado por não espíritas
aí nos Estados Unidos?
Existem distintos grupos que encaram a Doutrina Espírita de
maneiras diferentes. Tendo em mente que cada caso é um caso,
generalizando, os espiritualistas New-Age acham dificuldades em assimilarem
a prática gratuita da fé. Os Cristãos ortodoxos,
como no Brasil, não aceitam a idéia da reencarnação
e a da comunicação com os mortos. Os Judeus, muito numerosos
por aqui já carregam consigo a idéia de que Jesus não
foi esse ser especial como nós entendemos e fazemos questão
de divulgar. O materialista acha a nossa crença uma grande piada.
Enfim, o público que chega até nós vem de todos
esses segmentos mas são indivíduos menos fanáticos
e com a mente mais aberta para novos ensinamentos.
Quais eventos planifica o USSC pra o 2010?
Continuamos nesse ano com a nossa programação de visitas
aos diferentes Estados Americanos para conhecermos os companheiros de
outras Casas Espíritas. No começo de março realizamos
nossa Assembléia Geral em Nova Jersey. Agora no começo
de Abril estaremos realizando uma programação com Raul
Teixeira em vários Estados do país. No fim de Abril realizaremos
na Flórida o quarto “Spiritist Symposium” que acontece
em diferentes Estados a cada ano. Em Outubro participaremos do Congresso
Mundial. Durante o ano estaremos participando e apoiando vários
eventos de menor porte realizados por organizações espíritas
regionais.
Luis Salazar: Suas palavras finais.
Mauricio Cisneiros Filho: Me sinto realmente abençoado
por tanta ajuda que tenho recebido de tantos companheiros para que continuemos
esse trabalho abençoado de disseminação da Doutrina
Espírita. As amizades sinceras que nós encontramos dentro
da Seara Espírita é infinitamente maior do que qualquer
problema que este trabalho possa acarretar.

Mauricio falando no terceiro US Spiritist
Symposium, em Boston, abril 2009, evento 100% em Inglês.

No segundo Congresso Medico Espirita dos
USA em Fort Lauderdale, Florida, outubro 2008, junto a companheiros
da Federação da Florida. Na Expo of Heart (Uma convenção
Espiritualista anual que acontece na Florida e onde a Federação
e o USSC divulgam a literatura Espírita).

Na foto está junto a diretores da
Federação Espírita da Florida, sendo o terceiro
da direita para a esquerda.
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