
21º ENCONTRO NACIONAL DA LIGA DE PESQUISADORES DO ESPIRITISMO
Nos dias 29 e 30 de agosto de 2026, a cidade de São Paulo sediou
o 21º Encontro Nacional da Liga de Pesquisadores do Espiritismo
(ENLIHPE), um dos principais fóruns de debate acadêmico
e historiográfico sobre o Espiritismo no Brasil. O evento reuniu
pesquisadores de diversas regiões para a apresentação
de trabalhos inéditos, análises de documentos históricos
e reflexões filosóficas e morais.
O evento presencial ocorreu na sede
da União das Sociedades Espíritas do Estado de São
Paulo (USE), localizada no bairro de Santana, reunindo acadêmicos,
cientistas e pensadores de diversas regiões do país.
A programação do Encontro
foi diversificada, marcada pela apresentação e discussão
de pesquisas que abordaram o fenômeno espírita a partir
de diferentes campos do conhecimento.
O ENLIHPE é promovido e organizado pela Liga de Pesquisadores
do Espiritismo (LIHPE), comunidade que reúne pesquisadores espíritas
e não espíritas, acadêmicos e não acadêmicos
interessados na investigação do Espiritismo e do Movimento
Espírita, com o apoio da USE (União
das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo).
A comunidade virtual abarca pesquisadores titulados ou independentes,
movidos pelo interesse científico no Espiritismo e no Movimento
Espírita. O encontro seguiu rígidos critérios de
seleção científica. Todas as propostas submetidas
passaram pelo crivo de uma avaliação por pares no sistema
duplo-cego (double-blind peer review), onde a identidade dos
autores e dos pareceristas é mantida em absoluto sigilo para
assegurar a isenção e a qualidade intelectual dos artigos.
Para a edição de 2026, a organização optou
deliberadamente por não estabelecer um tema central único.

A proposta do encontro é favorecer
a apresentação, discussão e divulgação
de pesquisas relacionadas ao tema. A programação refletiu
essa diversidade.
Data
do Evento: 29 e 30 de agosto de 2026
Local: São Paulo – SP
Realização & Apoio: LIHPE, USE (União
das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo),
CCDPE-ECM (Centro de Cultura, Documentação e Pesquisa
do Espiritismo Eduardo Carvalho Monteiro),
Correio Fraterno, AllanKardec.online e Museu AKOL.

Foto do encerramento com os organizadores e com
a coordenação -
sentados, Pedro Nakano, Julia Nezu e Brasil Fernandes de Barros
A programação de sábado
(29/08/2026) teve início com apresentações artísticas
e palavras de boas-vindas dos representantes da LIHPE, da USE - Julia
Nezu - e do CCDPE-ECM - Pedro Nakano. Em seguida, foi prestada uma emocionante
homenagem à Dra. Marlene Rossi Severino Nobre,
conduzida por Julia Nezu, destacando sua marcante trajetória
e contribuições para o meio médico-espírita
e de pesquisa.
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00 - A conferência do convidado Fábio
Stern abordou o "Espiritismo sob a ótica
da ciência da religião", estabelecendo
um panorama metodológico para os debates do dia.
Às 9h, o primeiro palestrante convidado, Fábio
Stern, subiu ao palco para expor o tema "Espiritismo sob a ótica
da ciência da religião". Stern tratou o espiritismo
enquanto objeto de estudo dentro da academia - segundo a ótica
da Ciência da Religião. Ele propôs e convidou os
pesquisadores para utilização da ciência da religião
como disciplina acadêmica dedicada a estudar o fenômeno
religioso. O pesquisador convidado Fábio Leandro Stern é
uma das referências acadêmicas brasileiras no campo da Ciência
da Religião Aplicada. Ele possui uma sólida trajetória
acadêmica vinculada à Pontifícia Universidade Católica
de São Paulo (PUC-SP), onde atua como professor do Programa de
Pós-Graduação em Ciência da Religião.
Além de coordenar o grupo de pesquisa NEO: Novas Espiritualidades,
ele estuda ativamente o movimento de New Age no Brasil, métodos
e teorias da religião.

Fábio Stern e público na apresentação
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00 - Em seguida, Ricardo Andrade Terini
apresentou o trabalho “François Arago e o início
do espiritismo”, trazendo para o centro das discussões
a relação entre personagens, ideias e o contexto histórico
que antecedeu ou acompanhou o surgimento do Espiritismo.
Ricardo Andrade Terini é um renomado físico brasileiro
com uma longa carreira na intersecção entre as ciências
exatas e a pesquisa acadêmica do Espiritismo. Atuou por quase
30 anos como professor e coordenador do departamento de Física
da PUC-SP, foi docente visitante na Universidade Federal do ABC (UFABC)
e mantém colaborações de pesquisa no IF-USP.
Em sua comunicação científica, Terini investigou
o papel histórico e o contexto que envolvem o célebre
cientista francês François Arago (1786–1853). François
Arago foi uma das maiores mentes da ciência francesa, tendo atuado
como diretor do prestigiado Observatório de Paris. Sua autoridade
moldou profundamente o entendimento da época sobre a óptica,
o magnetismo e a astronomia.
François Arago é um dos cientistas franceses citados com
mais frequencia nas obras espíritas de Allan Kardec. O objetivo
do trabalho de Ricardo Terini foi sintetizar as suas principais contribuições
científicas em vida, seu contato com fenômenos mediúnicos
e fazer um diálogo com o teor de suas comunicações
póstumas incluídas por Kardec em suas obras.

Ricardo Andrade Terini
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00 - Na sequência, Luciana Farias
e Luís Jorge Lira Neto apresentaram “O
que é o espiritismo: o contexto e a evolução da
obra”. O trabalho, pelo próprio título,
voltou-se à compreensão do contexto de formação
e desenvolvimento da obra espírita, colocando em discussão
não apenas seu conteúdo, mas também sua trajetória
histórica e intelectual. O estudo mapeou o desenvolvimento textual
e histórico de uma das obras fundamentais de Allan Kardec.
A dupla esmiuçou os bastidores de publicação,
o impacto histórico e as transformações textuais
que consolidaram o clássico livro de introdução
à doutrina. O debate com o público ocorreu às 10h50,
antecedendo o primeiro intervalo para o café às 11h10.
Luciana Farias é mestre em ciências da computação
pela Universidade Salvador, BA, e vem realizando um trabalho de comparação
das diferentes versões dos textos das obras de Allan Kardec,
cujo resultado tem sido disponibilizado como e-books gratuitos em seu
site obrasdekardec.com.br. - ela une o raciocínio analítico,
a estatística estrutural de textos e as ciências exatas
ao método de pesquisa histórica de Lira Neto. - Luís
Jorge Lira Neto - Historiador, pesquisador e autor com foco no mapeamento
institucional do espiritismo. Ele é o autor da influente tese
acadêmica "Espiritismo, de doutrina filosófica à
religião do livro", que analisa a transição
do espiritismo francês para a sua formatação e consolidação
cultural e canônica no Brasil. Eles já realizaram outros
estudos sobre a gênese textual e a evolução editorial
dos livros da codificação de Kardec. Em edições
anteriores do ENLIHPE, eles já apresentaram estudos minuciosos
mapeando as alterações textuais e estruturais entre as
diferentes edições históricas francesas de clássicos
como O Livro dos Médiuns, O Livro dos Espíritos,
O Céu e o Inferno e O Evangelho segundo o Espiritismo.
Ao publicar O que é o espiritismo, em 1859, Allan Kardec
teve como objetivo elaborar um texto introdutório sobre a doutrina
espírita, que respondesse às principais questões
dos iniciantes e às objeções dos opositores. Esta
pesquisa buscou discutir e elucidar vários aspectos dessa obra,
visando um resgate da sua importância, o contexto em que foi elaborada.

Luciana Farias e Lira Neto em apresentação
e o público
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00 - Após a pausa do café, o evento retomou
sua agenda com a apresentação de Alexandre Fontes
da Fonseca - "Adelmo, Segismundo, Descartes e uma
importante coerência doutrinária no capítulo 13
de Missionários da luz".
Alexandre Fontes da Fonseca possui formação
em Física e atua como Professor Associado do Instituto de Física
Gleb Wataghin, UNICAMP. Ele é uma figura conhecida no movimento
espírita brasileiro, como um pesquisador e divulgador científico-doutrinário
do Espiritismo. Seu principal foco é mostrar ao movimento espírita
que o adepto espírita sem experiência acadêmica,
ao utilizar os princípios e fundamentos da doutrina espírita
no estudo e análise de qualquer questão ou assunto espírita,
está realizando Ciência Espírita de modo legítimo.
Ele é um defensor da aplicação do rigor científico
e do raciocínio lógico aos fenômenos e conceitos
espíritas, assim como ocorre na ciência e na pesquisa em
todas as áreas do conhecimento.
É fundador e editor do Jornal
de Estudos Espíritas (JEE) uma publicação
dedicada a artigos de pesquisas espíritas, que valorizem Kardec
utilizando a Doutrina como base e fundamentos para descrição
e explicação de fenômenos psíquicos e conceitos
de interesse espírita. Responsável atual pela Assessoria
de Ciência e Pesquisa Espírita da União das Sociedades
Espíritas do Estado de São Paulo (USE).
Nesta apresentação, Alexandre debruçou-se sobre
uma das obras mais lidas do movimento espírita: Missionários
da Luz (psicografada por Chico Xavier e ditada pelo espírito
André Luiz em 1945). O foco foi o Capítulo 13, que trata
detalhadamente do complexo processo de reencarnação -,
o espírito Segismundo está em processo de reencarnação
e precisa ser recebido como filho por Adelmo, um homem com quem ele
possui graves conflitos de vidas passadas. A narrativa detalha o intrincado
planejamento espiritual necessário para harmonizar os dois.
André Luiz é um autor espiritual muito lido e estudado
no movimento espírita. Por causa disso, estudos que mostram a
coerência ou incoerência doutrinária de seus conceitos
são muito importantes para a consolidação do conhecimento
espírita. A passagem mostra quando Adelino compreende e perdoa
o Espírito do Segismundo. Discute-se também a atuação
do Instrutor Alexandre com base na proposta de Descartes de como combater
as más paixões. O artigo também discute como aproveitar
a questão para aprimorar atividades como diálogos com
Espíritos sofredores numa reunião mediúnica ou
entrevistas em atendimento fraterno.

Alexandre Fontes da Fonseca
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A jornada da tarde recomeçou
às 13h30 com a segunda intervenção artística
do dia. Às 14h, os debates ganharam contornos de metodologia
documental estrita:
00 - Brasil Fernandes de Barros –
"Validação científica das obras
psicografadas por Chico Xavier e Waldo Vieira: uma análise documental"
(14h00): Brasil apresentou critérios de avaliação
de fontes e cruzamento de dados textuais para discutir o valor probatório
e a estabilidade do conteúdo recebido mediunicamente pela dupla
de médiuns.
Ele é
graduado em Filosofia e Administração, possui Mestrado
e Doutorado em Ciências da Religião pela PUC-Minas, com
direito a doutorado sanduíche concluído no Departamento
de Religião da renomada Boston University (EUA). Atualmente,
atua como professor na Universidade Estadual de Montes Claros (UNIMONTES).
É um acadêmico e pesquisador brasileiro com foco no estudo
do Espiritismo sob a ótica das Ciências da Religião.
É editor associado da revista Horizontes e da revista
Interações. É vice-presidente da Aliança
Municipal Espírita de Belo Horizonte e do 10º Conselho Regional
Espírita de Minas Gerais.
A apresentação foi fruto de um longo escrutínio
empírico focado na parceria mediúnica histórica
ocorrida em Uberaba (MG) entre o final dos anos 1950 e meados dos anos
1960, período em que Chico Xavier e Waldo Vieira psicografaram
juntos obras seminais (como Evolução em Dois Mundos
e Mecanismos da Mediunidade). Há algum tempo o meio acadêmico
espírita tem demonstrado preocupação com a validação
científica dos conteúdos psicografados por Chico Xavier
e Waldo Vieira e publicados pela Federação Espírita
Brasileira (FEB).
A proposta deste
ensaio é investigar, por meio de uma análise documental,
se há elementos que amenizem essa preocupação.
A pesquisa analisou fontes primárias inéditas do acervo
do Memorial Chico Xavier, em Uberaba, como cartas e manuscritos inéditos
trocados entre médiuns, dirigentes da FEB e críticos.
Os eixos estruturais tratados por Brasil Fernandes de Barros envolveram:
Método de Análise Documental; A Estabilidade de Conteúdo
e Vocabulário; Casamento de Estilos entre os dois médiuns
- A pesquisa mapeou estatisticamente e textualmente como duas personalidades
humanas tão diferentes quanto Chico Xavier e Waldo Vieira conseguiram
atuar em perfeita simbiose editorial.

Brasil Fernandes de Barros
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00 - Ery Lopes e Luís
Jorge Lira Neto - "Por que Kardec escrevia
“spiritisme” e “Spiritisme”?":
Investigação linguística e conceitual assinada
por Ery Lopes e Luís Jorge Lira Neto, desvendando as nuances
tipográficas utilizadas pelo codificador em seus manuscritos
e publicações originais.
Ery Lopes: É pesquisador, tradutor
e profundo conhecedor da língua francesa do século XIX.
Especializou-se na análise de manuscritos raros e nas primeiras
edições das obras da codificação espírita,
focando na precisão dos termos utilizados pelo codificador.
Luís Jorge Lira Neto: Historiador e pesquisador (que já
havia se apresentado na mesma manhã ao lado de Luciana Farias),
Lira Neto uniu seu método historiográfico ao conhecimento
filológico de Ery Lopes para entender as intenções
editoriais de Kardec.
A pesquisa buscou decifrar um enigma visual e gramatical presente nos
manuscritos originais, cartas e edições francesas da Revue
Spirite: a alternância deliberada entre o uso da letra inicial
minúscula ("spiritisme") e maiúscula ("Spiritisme").
Geralmente, nas traduções
das edições das obras de Allan Kardec, a grafia da palavra
"Spiritisme" é encontrada com a sua inicial
em maiúscula, sem despertar maiores reflexões. Esta pesquisa
destina-se a verificar as diversas formas gráficas da palavra
"Spiritisme", empregadas por ele, nos textos originais
de suas obras fundamentais.

Luís Jorge Lira Neto
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Após a rodada de perguntas das 15h
e a pausa para o café das 15h20, o sábado reservou as
duas últimas atividades institucionais: o Lançamento
de Livros inéditos às 15h50 e a Assembleia
Geral Ordinária da LIHPE às 17h, onde foram deliberados
os rumos da Liga. Deliberou-se que o próximo Encontro da Liga,
ENLIHPE 2027, será em Belo Horizonte.


Assembleia Geral Ordinária da LIHPE
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DOMINGO, 30 de Agosto de 2026: Manhã:
"O segundo
dia de atividades começou às 8h30 com uma nova apresentação
artística.
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00 - Às 9h, o segundo convidado
do encontro, Adair Ribeiro Júnior, apresentou
uma das propostas mais densas do evento: "Espiritismo transacional:
poder, habitus e mitopráxis na configuração religiosa
brasileira em décadas de perseguições".
O estudo lançou luz sobre as complexas relações
políticas, as estratégias de sobrevivência institucional
e a resistência cultural enfrentada pelos espíritas brasileiros
diante do aparato repressor do Estado e da Igreja em séculos
passados. O título introduz conceitos como poder, habitus e mitopráxis,
sugerindo uma análise das relações entre o Espiritismo
e a configuração do campo religioso brasileiro em períodos
de perseguição.
Adair Ribeiro Júnior é
um pesquisador espírita com formação em Engenharia
Naval e pós-graduação em Direito Tributário,
o que reflete seu perfil analítico e metódico. É
curador do Museu virtual Allan Kardec Online
(AKOL) (trata-se de uma das maiores
plataformas do mundo dedicadas à recuperação, catalogação
e digitalização de manuscritos e documentos originais
de Allan Kardec e do espiritismo francês)
e Diretor de Parcerias do CCDPE-ECM
(Centro de Cultura, Documentação e Pesquisa do Espiritismo
Eduardo Carvalho Monteiro). Autor do livro A obra esquecida de Angeli
Torteroli, que resgata a história de um dos pioneiros do
Espiritismo no Brasil.
A conferência trouxe uma análise densa e inovadora, utilizando
conceitos do sociólogo francês Pierre Bourdieu (habitus)
e do antropólogo Marshall Sahlins (mitopráxis) para explicar
a sobrevivência do espiritismo no Brasil entre o final do século
XIX e meados do século XX. Os eixos estruturais tratados por
Adair envolveram:
As Décadas de Perseguição
Policial e Judicial: O pesquisador resgatou dados históricos
e boletins de ocorrência de períodos em que a prática
do espiritismo e da mediunidade era criminalizada no Brasil sob a acusação
de "curandeirismo" ou "feitiçaria" (especialmente
no Código Penal de 1890). O Conceito de "Espiritismo
Transacional" - para sobreviver à repressão
e conquistar legitimidade, o movimento espírita brasileiro precisou
criar uma rede de assistência social, hospitais e orfanatos. Essa
vertente caritativa e prática serviu como um escudo de proteção
social e moral, gerando simpatia na opinião pública e
forçando o Estado a tolerar a presença dos grupos espíritas.
Habitus e Mitopráxis no Cenário Nacional:
A pesquisa mapeou como os espíritas brasileiros incorporaram
uma nova postura de comportamento (habitus) focada na discrição,
no intelectualismo e no legalismo. Ao mesmo tempo, aplicaram a mitopráxis
— que é a atualização de mitos e narrativas
espirituais diante de eventos históricos reais —, moldando
a identidade do espiritismo no Brasil como uma "religião
do livro" e da caridade cristã pura, distanciando-se dos
rótulos criminosos impostos pelas autoridades da época.

Adair Ribeiro Júnior em apresentação
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00 - A apresentação seguinte
foi realizada pelo pesquisador Marco Milani, que discutiu
o instigante tema: "Entre a universalidade e o carisma:
a aceitação de uma moeda espiritual pelo Movimento Espírita
Brasileiro".
Ele possui doutorado e pós-doutorado,
sendo professor e pesquisador de Economia e Administração.
Ele estuda intensamente a área de Governança Corporativa
e Gestão Organizacional de entidades sem fins lucrativos. No
Meio Espírita: É diretor do Departamento de Livro e Divulgação
da União das Sociedades Espíritas do Estado de São
Paulo (USE-SP) e membro ativo da LIHPE.
Este artigo analisa um fenômeno paradoxal no movimento espírita
brasileiro, caracterizado pela aceitação generalizada
de uma informação supostamente mediúnica que não
foi formalmente validada pelo método apresentado por Allan Kardec,
denominado Controle Universal do Ensino dos Espíritos (CUEE),
sobre o qual repousa a autoridade da Doutrina Espírita. O conceito
de "bônus-hora", uma moeda espiritual descrita no romance
Nosso Lar, de autoria do Espírito André Luiz,
psicografado por Chico Xavier, é assumido como real por adeptos
e instituições espíritas, mesmo sem ter sido legitimado
metodologicamente. A aceitação passiva dessa "moeda"
ocorreria em razão da figura carismática e afetiva do
médium Chico Xavier.

Marco Milani em apresentação
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00 - A última apresentação
do encontro foi “Como a renovação moral
influencia a nossa saúde”, de David
Monducci. O tema aproximou uma questão tradicionalmente
central no pensamento espírita — a renovação
moral — de uma discussão relacionada à saúde.
Sua apresentação encerrou o evento fazendo a conexão
direta entre a teoria filosófica e a realidade biológica
humana.
David Vieira Monducci é médico
neurocirurgião há mais de 30 anos. Atuação
na Pesquisa Espírita: Ele é um respeitado pensador
da interface entre medicina, mente e espiritualidade, sendo autor de
livros de peso como Saúde e Vida: Uma Abordagem Espiritual Sobre
Emoções e Doenças e Deus - um estudo de filosofia.
Suas pesquisas anteriores na LIHPE investigaram a conceituação
do perispírito como uma plataforma funcional conectada a hipóteses
científicas contemporâneas, como os campos morfogenéticos.
Nesta última conferência do domingo às 11h, Monducci
uniu sua experiência na neurociência à visão
antropocêntrica da Doutrina Espírita para analisar o impacto
orgânico do comportamento ético.
A humanidade tem recorrido às religiões e á fé
na busca de saúde. Mas a fé pode efetivamente
nos curar? O estudo do impacto da fé nos processos de cura pela
literatura médica tem comprovado a existência de um efeito
benéfico promotor da saúde, mas isso não significa
que saibamos como ou o que, na vivência religiosa, é bom
para a saúde. O desafio é tentar responder como a fé
pode interferir sobre os mecanismos neurofisiológicos, numa faceta
do problema mente-corpo. A lacuna explicativa da fisiologia na interação
entre o mental e o biológico, que o materialismo fisicalista
ainda tem dificuldades em superar, pode ser explorada pela teoria espírita
do períspirito. Propomos um modelo teórico no qual o processo
de renovação moral, pregado pelas religiões, pode
influenciar a neurofisiologia promovendo efeitos salutogênicos.
Nesse contexto, sugerimos que a mudança na qualidade ética-moral
dos pensamentos do crente pode causar um efeito vibratório ressonante
sobre o períspirito e, deste, sobre o corpo biológico,
modificando as respostas do sistema neuroendocrinoimunológico
e promovendo respostas fisiológicas que a recuperação
da saúde.
David Vieira Monducci
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Após as perguntas do público
às 11h20, a mesa organizadora deu início ao encerramento
oficial às 11h40, consolidando o 21º ENLIHPE como um sucesso.
Nesta edição do ENLIHPE não
foi adotado um tema central único. Essa opção acabou
se refletindo diretamente na programação. Em apenas dois
dias, o encontro passou por história do Espiritismo, ciência
da religião, análise documental, filosofia, estudo da
obra de Kardec, sociologia, antropologia, movimento espírita
e saúde. O ENLIHPE procura, assim, aproximar pesquisadores de
diferentes formações e estimular o debate entre perspectivas
distintas. Essa característica também está presente
na própria história da LIHPE. O primeiro Encontro Nacional
foi realizado em 1999, como uma das seções do 1º
Congresso Mundial do Espiritismo, em Goiânia. Posteriormente,
o encontro passou por diferentes cidades e, desde 2008, tornou-se anual,
com predominância de edições realizadas em São
Paulo ou na capital paulista.
O conjunto da programação permitiu perceber uma preocupação
recorrente: investigar o Espiritismo sem restringir a pesquisa a um
único método ou campo disciplinar. Há trabalhos
voltados diretamente às fontes históricas e à obra
de Allan Kardec; outros procuram examinar documentos relacionados à
produção mediúnica; outros ainda utilizam conceitos
das Ciências Sociais para compreender o Movimento Espírita
como fenômeno religioso e social. Nesse sentido, o ENLIHPE parece
representar uma tentativa de aproximar duas dimensões que muitas
vezes aparecem separadas: o estudo interno da tradição
espírita e a investigação acadêmica externa
sobre o Espiritismo.
O 21º Encontro Nacional da Liga de Pesquisadores do Espiritismo
encerrou sua programação em São Paulo, apresentando
um panorama amplo da pesquisa contemporânea relacionada ao Espiritismo.
Ao reunir estudos históricos, filosóficos, científicos,
documentais e relacionados à saúde, o ENLIHPE evidenciou
a diversidade de abordagens atualmente empregadas para compreender tanto
a doutrina espírita quanto sua formação histórica
e seu desenvolvimento como movimento religioso e social.
Os vídeos das apresentações
serão publicadas aos poucos.
Algumas fotos do evento:




