Ângela Linhares; Gardner Arrais; Josael Jario Santos Lima

Diálogos e ritmos:
em busca de uma ideia de sujeito (na perspectiva espírita) no trabalho com juventudes


6.º ENLIHPE - Trabalhos apresentados

 

 


Autor(es):
Ângela Linhares ( angela.ciranda@hotmail.com)
Gardner Arrais ( gardner_arrais@hotmail.com)
Josael Jario Santos Lima (josaeljario@yahoo.com.br)

Título: DIÁLOGOS E RITMOS: EM BUSCA DE UMA IDÉIA DE SUJEITO (NA PERSPECTIVA ESPÍRITA) NO TRABALHO COM JUVENTUDES

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Resumo: A presente pesquisa teve como campo empírico o espaço de sociabilidade constituído pelas interações e diálogos de um grupo juvenil em um Centro Espírita situado na cidade de Fortaleza.O estudo identificou sob égide da perspectiva espírita o sentido das falas e do processo de escuta dos jovens, movimentos que os colocaram como sujeitos espirituais no âmbito de um percurso pedagógico do qual os mesmos eram partícipes.Foi possível perscrutar mediações morais numa vertente espiritista protagonizadas pelos jovens através das leituras comentadas, dos exercícios teatrais e das composições e práticas de conjunto (práticas musicais coletivas); vivências morais (visita a hospitais com apresentação musical ); vivências de ofícios e artes viso-manuais, entre outras experiências, que se fazem junto às rodas de conversa no grupo situando-os como sujeitos.Percebeu-se que parece sublinhar com vigor o que nos parece fundamental em educação: a visão de si, vivida mediante a reflexão-ação grupal, no caso, em um Centro Espírita – nucleadora de uma experiência espiritual, formadora, e que situa educando e educador como ser espiritual - essa a conceituação do sujeito da educação proposta.Conclui-se que o aspecto dialógico das experiências vividas pelos jovens com a referência do pensamento espírita é um núcleo ensinante fecundo, capaz de fornecer vínculos fundamentais entre as várias dimensões do sujeito em interação e que compõem, em última instância, as constelações que envolvem o aspecto-chave do que temos nomeado como o trabalho do sentido.


DIÁLOGOS E RITMOS: EM BUSCA DE UMA IDÉIA DE SUJEITO (NA PERSPECTIVA ESPÍRITA) NO TRABALHO COM JUVENTUDES.

Um bom começo: a problematização do futuro

Na roda dos jovens, que fazíamos a cada encontro no Centro Espírita, como parte da educação de juventudes que ali se fazia, era comum escutar, em seus inícios, falas dessa natureza:

O Antares(nome fictício) entrou numa turma da pesada pra se defender. Não há outro jeito, lá onde ele mora. Ou você se defende pertencendo a uma gangue ou o pessoal te apaga. Agora, tia, eu quero ver como ele pode fazer parte da gangue sem fazer o que a gangue faz.

Os jovens da periferia, que tínhamos ali na roda de jovens, deveriam pensar em se defender, realmente – mas o que seria isso? – perguntamos. Como uma ética espírita poderia se erguer ante estas supostas defesas, sem que vivêssemos fora do mundo? Como pensar a real defesa – os processos de amorização, em uma perspectiva de transformação pessoal e social – dentro de vivências tão duras como as que eram verbalizadas continuamente aos nossos olhos?

A primeira perspectiva que colocamos em prática foi problematizar o que parecia fatalidade em um ambiente açodado pelo narcotráfico e outras solicitações dessa natureza: havia-se de seguir obrigatoriamente essa vida que parecia fatal? – perguntamos, nas rodas de discussão que se fazia, dentro dos estudos do O Livro dos Espíritos e das outras obras básicas da Doutrina dos Espíritos em rodas de conversa intergeracionais e, depois, em grupos menores. Como poderíamos negar esse fatalismo dos jovens da periferia, quando se referiam aos seus projetos de futuro, nesta reencarnação?

A desproblematização do futuro havia sido percebida, pelo educador Paulo Freire, como uma espécie de negação da possibilidade de transformação do mundo. Mudar o mundo seria se pôr como sujeito ante uma história humana, concreta e, em uma palavra – transformável:

O fato de me perceber no mundo, com o mundo e com os outros me põe numa posição em face do mundo que não é a de quem nada tem a ver com ele, afinal, minha presença no mundo não é a de quem nele se adapta, mas a de quem nele se insere. É a posição de quem luta para não ser apenas objeto, mas sujeito também da história. (FREIRE; 2000, p.60)

O educador Paulo Freire, pois, situa como importante, em educação, a criação do novo na história. Ensaio da esperança. Ainda, Paulo Freire vincula a nossa necessidade de reflexão como sujeitos à nossa ação concreta no mundo social. Uma ação que deve nos situar, nesta transformação das realidades sociais, do ponto de vista de quem quer transformar o mundo na direção da justiça social.

Quando ouvimos a orientação do Espírito de Verdade "espíritas, amai-vos e instruí- vos" – percebemos o sentido de responsabilidade diante das tarefas que nos cabem, individual e coletivamente; na verdade percebemos um chamamento profundo à fraternidade e à transformação radical das estruturas de consciência que geram o desamor em suas variadas formas. Como viver essa transformação? Veremos, neste estudo, como é preciso que o amor seja de fato uma virtude ativa e, como tal, capaz desalojar no espaço interno de cada um as formas de violência e em seu lugar colocarmos referências fundadoras do novo em nós e nas novas práticas sociais. É que as transformações sociais são feitas por sujeitos humanos e, neles, é preciso que aconteçam mudanças nas estruturas psíquicas que os fazem alimentar as conformações societárias do modo como se conhece.

Debruçamos-nos, então, com o grupo de jovens, sobre esse fatalismo, essa aparente inexorabilidade do futuro. As contradições e a esperança de ultrapassagens dessa visão fatalista começaram a aparecer, aos poucos, nas rodas de debates:

- Eu sempre acho que a gente pode mudar. Vendo agora isso da reencarnação... Mas não sei como. Não vejo como – disse Via Láctea(nome fictício).
Antares(nome fictício): - Eu vejo que a gente vai escapando. Se a gente não apaga eles, eles vão apagar a gente...Eu vejo ser assim. Não sei como vai ser...
Netuno(nome fictício): - A minha turma vai pegar mulher; pelo menos não é matar, o lance. Achei melhor... Mas será que é só isso? Vejo que tem uns caras policiais, umas coisas que parecem me colocar como laranja... Não sei se é tão simples... E vendo a gente aqui, no grupo, as meninas e os meninos... Eu penso: será que eu quero menina pegada assim? Acho que não...
Júpiter(nome fictício): - Não vejo discutir isso que a gente fala aqui, em canto nenhum; a gente vai engulindo por lá tudo. Na escola... Na rua... Essa guerra. É uma guerra. Mas aqui, quando a gente vai estudando, se encontrando, a coisa muda... Pode ser... Não sei dizer.

Uma primeira coisa que saltava aos olhos era o costume de “olhar com os olhos dos outros sem pensar por si próprio“ – a quem interessava esse olhar que aviltava o melhor da juventude, e seus sonhos? – perguntávamos, sempre problematizando. Em segundo lugar, víamos o que se chamava o “esforço de salvamento” que o grupo fazia, quando dizia “eu acho que a gente sempre pode mudar” e que foi posto pela fala (que se repetiu inúmeras vezes, nesse dia) de Via Láctea. Como “acolher” cada jovem em sua individualidade, recebendo a dor de cada um, despatologizando-a e devolvendo-a reflexionada e pensada sob a ótica espírita? Como viver isso em um processo de grupalização, que se fazia em um tecido de amorosidade que deveria ser mais e mais a própria base da experiência educadora espírita? Ainda: como olharmos os outros ambientes da vida, problematizando-os e a suas formas de funcionamento?

Por outro lado, não deixávamos de ver com que facilidade os jovens usavam as “palavras do outro” – as palavras de guerra. Um pouco como se pedissem licença a nós; mas usavam por não terem construído sua fala com seus possíveis – na verdade, essa fala e esses possíveis estavam em construção. Percebiam, contudo – e isso foi ficando cada vez mais forte - que havia uma grande diferença entre nossa vivência no Centro Espírita e as outras vivências que traziam e que a eles pareciam, quase sempre, muito violentas. Sabíamos que havia uma rica experiência de solidariedade nos contextos da periferia urbana mas, de início, os jovens queriam dizer do que lhes incomodava. A construção de um novo olhar para valorar os possíveis de sua ambiência comunitária, só aos poucos ia sendo desvelada. Para isso tivemos de construir, pedagogicamente, a experiência espiritual do Centro Espírita como uma experiência educativa e formativa e tivemos também de nos situar como educadores em construção.


A experiência espiritual como experiência educativa e de formação: as riquezas da perspectiva espírita

Os nossos olhares sobre juventude, de algum modo, desde seus primeiros momentos, resultavam por colocar como problema a idéia de futuro. Em um momento de muita apatia, da parte dos jovens, tinha sido o caminho por onde começamos: refletir sobre como estávamos tomando posse (tomando as rédeas) de nossa própria formação.


- abaixo outros trechos da dissertação -

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Como se vivêssemos um ateliê de biografias – ou de narrativas de vida -, semana a semana íamos reflexionando sobre as experiências vividas, tentando buscar também – além de outros - um sentido espiritual para elas, à medida em que íamos nos apropriando do saber espírita: ciência, filosofia e religião. Por meio das narrativas de experiência – essa forma de laborar a consciência de si e a auto-percepção –, poderíamos chegar ao auto-conhecimento de que falava Joanna de Angelis (2000-a; 2000-b; 1990; 1995). É como se nesse desvelar do vivido, fizéssemos o que nomeamos como o trabalho do sentido, que oportunizava fazer dialogar as experiências de si com o pensamento espírita.

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Com o desenvolver de nossos trabalhos, vimos que a construção da não-violência necessariamente exigia a vivência da amorização, com a conseqüente construção de relações afetivas que implicava nos situarmos como sujeito e não como objeto das relações. Vimos que violência envolve um construto estrutural – como a fome, o desemprego, a miséria econômica – mas envolve também um construto relacional. Os dois se relacionam e se alimentam mutuamente, como plantas parasitas. E o espiritismo nos ensinava que o amor é uma virtude ativa: a desconstrução da violência, então, implicaria necessariamente construções de amor.

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A construção da moralidade e os ensaios de autonomia

Piaget (1994) nos informava que desenvolvimento moral se constrói; e que autonomia requer o aprendizado da cooperação, essa vivência concreta intra-grupo e inter- grupos.

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Para Piaget, a responsabilidade interior, pois, só poderia ser aprendida por meio de contextos de cooperação. Por ser uma construção derivada do respeito mútuo e da cooperação, o desenvolvimento moral, pois, acarretaria de modo mais ostensivo a responsabilidade subjetiva, considerando intenções, contextos, aspectos internos também, ao mostrar a necessidade de pensarmos que moralidade se desenvolve e se educa. Estávamos a oportunizar vivências de cooperação, capazes de estimular a compreensão do bem moral, no Centro Espírita? – Ora, a vivência espírita nutre-se desse amor ao Outro que Cristo ensina e que se deve viver de modo concreto. Estava posto o desafio.

Por sua vez, Pestallozi (apud INCONTRI, 1997) nos informava que com a aquisição gradual da autonomia, a pessoa - que possui uma divindade essencial – tomaria aos poucos as rédeas de seus atos; desenvolver-se-ia, então, como sujeito multidimensional, com a diretriz afetivo-moral assumindo os impulsos do devir que o ser ia tecendo.

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Joanna de Angelis (2002, p.179)), através do médium Divaldo Franco, acolhe a idéia junguiana de individuação como esse devir do self, em direção a “ser ele mesmo”. Segundo Joanna, apesar das injunções e imperfeições que temos, nossa sombra pessoal e coletiva - vista como o que de inferior necessita ser transformado em nós (os traços da barbárie que tanto vivemos de variados modos) – necessita crescer na direção crística.

Para Pestalozzi, por seu lado, é importante em educação laborarmos a autonomia, que se moveria em nós, pois, não só como dimensão cognitiva, mas por meio do desenvolvimento da diretriz afetivo-moral, que conduz as construções do sujeito na vida, ao longo do conflito dialético entre a camada social do ser e a camada natural (biológica ou animalizada). Quer dizer, a prática da cooperação não seria nunca um exercício intelectual somente; implicaria fundamentalmente o desenvolvimento afetivo-moral que, por sua vez, deve fazer deslanchar nossa espiritualidade, vista como uma destinação do humano.

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Desse modo, em tempos e espaços que se ia aprendendo a organizar, visava-se dar ênfase a esse exercício reflexivo que nomeávamos de trabalho do sentido e que tomava seu alimento com a perspectiva espírita, em diálogo com o mundo vivido. Nestes espaços, ia-se construindo caminhos pedagógicos de diversa natureza, para que se pudesse, então, oportunizar a “fala” do jovem e a produção de sentidos espirituais para as suas experiências.

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Algumas conclusões

Luminuras que apontamos: no grupo juvenil se vai ensaiando criar mecanismos dessa fala e escuta aos jovens - movimento que nos coloca como sujeitos também, nós, educadores, de um percurso pedagógico do qual somos partícipes. Quanto às outras mediações, envolvem leituras comentadas, exercícios teatrais, composições e prática de conjunto (práticas musicais coletivas); vivências morais (visita a hospitais com nossa música, por exemplo); vivências de ofícios e artes viso-manuais, entre outras experiências, que se fazem junto às rodas de conversa no grupo. Além disso, partilha-se o estímulo à participação dos jovens em outros projetos e outras ambiências parceiras. Isso nos parece sublinhar com vigor o que nos parece fundamental em educação: a visão de si, vivida mediante a reflexão-ação grupal, no caso, em um Centro Espírita – nucleadora de uma experiência espiritual, formadora, e que situa educando e educador como ser espiritual - essa a conceituação do sujeito da educação proposta.

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