A Educação
Espírita difere das aplicações metodológicas
da educação convencional. Ela amplia e complementa a
educação tradicionalmente conhecida por todos os educadores,
que é aplicada no Lar, Escola e até nos Centros Espíritas.
Um dos aspectos importantes para um educador espírita é
estar imbuído do conhecimento e propósito da reencarnação,
pois o processo educativo se inicia no momento do planejamento reencarnatório,
onde o espírito quando em condição de contribuir
ou mesmo perceber o que está sendo programado para sua nova
vivência, no plano material, passa a ter certeza do seu compromisso
de melhor realizar os exercícios de aprendizagens, valorizando
a existência de forma enriquecedora.
Não existe perda na reencarnação quando bem compreendida
e bem aproveitada, pois toda reencarnação traz consigo
um fim útil para o progresso do espírito na medida de
sua possibilidade no campo psicológico, emocional e espiritual.
A reencarnação não tem como propósito
a derrota, e sim o sucesso do espírito. Ela não é
uma cobrança para o espírito, como alguns pensam, como
pagar dívidas passadas. O propósito é o despertamento
do espírito em si mesmo, e corrigir o que ele deixou de realizar
devidamente, sem papel de vítima, mas como “aprendiz”
na vida.
O espírito traz os registros de suas conquistas e valores,
como também as viciações e dificuldades morais
que ficam registrados na sua memória, que poderão surgir
durante o período de sua existência Por isso, o educador,
principalmente os pais, deverá estar atento a cada ação
e reação de seus filhos.
Em O Evangelho Segundo Espiritismo, cap 14, item 9, temos
a seguinte informação: “(...) Desde pequenina,
a criança manifesta seus instintos bons ou maus que traz de
existências anteriores, é preciso que os pais se dediquem
a estudá-las (...)”.
Quando os Educadores de Espíritos sejam eles pais, responsáveis,
professores e evangelizadores, cada um dentro de sua medida de ação
e consequentemente de responsabilidade, compreenderem a missão
que possuem junto a obra da criação (L.
E. q. 132), tudo fluirá com mais facilidade, pois a
educação do espírito visa muito mais que a formação
intelectual dos conhecimentos acadêmicos. Seu foco está
no sentido da natureza e destinação do espírito,
pois a educação do espírito promove o despertamento
da razão para um fim útil, através do despertamento
do amor e do belo.
Eurípedes Barsanulfo, no livro Evangelização
de Espíritos, nos diz que “A reencarnação
não é apenas um voltar, nem um simples nascer de novo.
É um replanejar, em busca de novos comportamentos que deem
ao Espírito condições para reeducar suas estruturas
mentais.”
Baseados nessa afirmação de Eurípedes Barsanulfo,
podemos compreender que os movimentos entre os dois mundos, material
e espiritual, é um processo de construção natural
da evolução do espírito, onde a vivência
nos dois “mundos” é sempre educativa, com recursos
pedagógicos complementares.
Daí a importância do educador espírita, compreender
a profundidade do ato de educar, entendendo que cada criança
tem sua anterioridade reencarnatória, que traz em suas estruturas
mentais registros positivos e por vezes ainda não. E na medida
em que é bem orientado consegue superar-se no entendimento
através da inteligência íntima conquistada, favorecendo
ampliar sua faixa vibratória e consequentemente a perceptiva
e receptiva do “mundo” em que vive, vibrando em frequência
que promove maior interação com o mundo espiritual.
Porque o espírito carrega em si mesmo um patrimônio de
experiências de sucessivas vidas que define sua identidade e
sua memória.

Dependendo da forma como registrou essas
experiências poderá trazer sentimentos em
vibrações boas ou mórbidas que exigirá
do espírito muito cuidado, devido às interferências
das ideias inatas que por vezes, de acordo com determinadas experiências
que vai vivendo pode causar o despertamento de lembranças mesmo
inconscientes e emoções que podem ser construtivas ou
não.
Por isso, o educador deve ter um olhar observador, pois os sentimentos
sempre são vibrações que exigem do espírito
muito cuidado, pois são eles alvo, por vezes, de alterações
no planejamento reencarnatório devido às interferências
que causam aos pensamentos.
Assim sendo, a ação pedagógica deve estar centrada
na vontade, que é a potência da alma que movimenta as
demais potências, estimulando o querer, para que a criança
possa ir agindo no presente a nível consciente, que são
as conquistas atuais, com base na conquista do passado no nível
do subconsciente, onde os impulsos são automáticos,
construindo o próprio futuro a nível superconsciente
que é a meta a ser atingida através de estímulos
superiores.
A ação educativa bem direcionada no presente modifica
em valores reais superiores do patrimônio do espírito.
Entretanto, o educador precisa compreender que o processo de evolução
do espírito é gradativo e que dependerá do esforço
próprio, pois ele é um ser absoluto e inteligente, mas
que nem sempre consegue ou deseja assimilar os conhecimentos recebidos.
E que o educador é um mediador e que não é impondo
que conseguirá bons resultados, pois cada um tem seu livre-arbítrio.
Mas independentemente de tudo isso, deve utilizar bem as tendências
e aptidões que a criança vai revelando do passado, trabalhando-as
na atual existência, contribuirá sobremaneira para que
ela construa um futuro superior, desenvolvendo o conceito íntimo
de cidadão do Universo, contribuindo assim, com a obra da Criação
(L. E. q. 132).
Referências Bibliográficas
Kardec, A. O Livro dos Espíritos.
– 2. ed. Rio de Janeiro: CELD, 2011. O Evangelho Segundo
o Espiritismo.
Alves, Walter Oliveira, Educação do Espírito
– Introdução à Pedagogia Espírita.
Araras, SP, 13. ed., IDE, 2007.
– Amui, Alzira Bessa França / Varanda, Silvieri Luciano.
O Espírito e seu Processo de Evolução.(
1. ed., janeiro/2012). – Editora Grupo Espírita Esperança
e Caridade, Sacramento – Minas Gerais.
Barsanulfo, E. O que é Evangelização de Espíritos:
Obra Mediúnica. Inspirada pela equipe de Eurípedes
Barsanulfo, por Alzira Bessa França Amui – Editora Esperança
e Caridade – MG. 3. ed., novembro/2011 – Educandário
Eurípedes Barsanulfo.