Espiritualidade e Sociedade





Selma Trigo

>   A reencarnação como recurso pedagógico

Artigos, teses e publicações

Selma Trigo
>   A reencarnação como recurso pedagógico - Pelo caminho do entendimento

 

A Educação Espírita difere das aplicações metodológicas da educação convencional. Ela amplia e complementa a educação tradicionalmente conhecida por todos os educadores, que é aplicada no Lar, Escola e até nos Centros Espíritas.

Um dos aspectos importantes para um educador espírita é estar imbuído do conhecimento e propósito da reencarnação, pois o processo educativo se inicia no momento do planejamento reencarnatório, onde o espírito quando em condição de contribuir ou mesmo perceber o que está sendo programado para sua nova vivência, no plano material, passa a ter certeza do seu compromisso de melhor realizar os exercícios de aprendizagens, valorizando a existência de forma enriquecedora.  

Não existe perda na reencarnação quando bem compreendida e bem aproveitada, pois toda reencarnação traz consigo um fim útil para o progresso do espírito na medida de sua possibilidade no campo psicológico, emocional e espiritual.

A reencarnação não tem como propósito a derrota, e sim o sucesso do espírito. Ela não é uma cobrança para o espírito, como alguns pensam, como pagar dívidas passadas. O propósito é o despertamento do espírito em si mesmo, e corrigir o que ele deixou de realizar devidamente, sem papel de vítima, mas como “aprendiz” na vida.

O espírito traz os registros de suas conquistas e valores, como também as viciações e dificuldades morais que ficam registrados na sua memória, que poderão surgir durante o período de sua existência Por isso, o educador, principalmente os pais, deverá estar atento a cada ação e reação de seus filhos.

Em O Evangelho Segundo Espiritismo, cap 14, item 9, temos a seguinte informação: “(...) Desde pequenina, a criança manifesta seus instintos bons ou maus que traz de existências anteriores, é preciso que os pais se dediquem a estudá-las (...)”.

Quando os Educadores de Espíritos sejam eles pais, responsáveis, professores e evangelizadores, cada um dentro de sua medida de ação e consequentemente de responsabilidade, compreenderem a missão que possuem junto a obra da criação (L. E. q. 132), tudo fluirá com mais facilidade, pois a educação do espírito visa muito mais que a formação intelectual dos conhecimentos acadêmicos. Seu foco está no sentido da natureza e destinação do espírito, pois a educação do espírito promove o despertamento da razão para um fim útil, através do despertamento do amor e do belo.

Eurípedes Barsanulfo, no livro Evangelização de Espíritos, nos diz que “A reencarnação não é apenas um voltar, nem um simples nascer de novo. É um replanejar, em busca de novos comportamentos que deem ao Espírito condições para reeducar suas estruturas mentais.”

Baseados nessa afirmação de Eurípedes Barsanulfo, podemos compreender que os movimentos entre os dois mundos, material e espiritual, é um processo de construção natural da evolução do espírito, onde a vivência nos dois “mundos” é sempre educativa, com recursos pedagógicos complementares.

Daí a importância do educador espírita, compreender a profundidade do ato de educar, entendendo que cada criança tem sua anterioridade reencarnatória, que traz em suas estruturas mentais registros positivos e por vezes ainda não. E na medida em que é bem orientado consegue superar-se no entendimento através da inteligência íntima conquistada, favorecendo ampliar sua faixa vibratória e consequentemente a perceptiva e receptiva do “mundo” em que vive, vibrando em frequência que promove maior interação com o mundo espiritual. Porque o espírito carrega em si mesmo um patrimônio de experiências de sucessivas vidas que define sua identidade e sua memória.

 

Dependendo da forma como registrou essas experiências poderá trazer sentimentos em
vibrações boas ou mórbidas que exigirá do espírito muito cuidado, devido às interferências das ideias inatas que por vezes, de acordo com determinadas experiências que vai vivendo pode causar o despertamento de lembranças mesmo inconscientes e emoções que podem ser construtivas ou não.

Por isso, o educador deve ter um olhar observador, pois os sentimentos sempre são vibrações que exigem do espírito muito cuidado, pois são eles alvo, por vezes, de alterações no planejamento reencarnatório devido às interferências que causam aos pensamentos.

Assim sendo, a ação pedagógica deve estar centrada na vontade, que é a potência da alma que movimenta as demais potências, estimulando o querer, para que a criança possa ir agindo no presente a nível consciente, que são as conquistas atuais, com base na conquista do passado no nível do subconsciente, onde os impulsos são automáticos, construindo o próprio futuro a nível superconsciente que é a meta a ser atingida através de estímulos superiores.

A ação educativa bem direcionada no presente modifica em valores reais superiores do patrimônio do espírito. Entretanto, o educador precisa compreender que o processo de evolução do espírito é gradativo e que dependerá do esforço próprio, pois ele é um ser absoluto e inteligente, mas que nem sempre consegue ou deseja assimilar os conhecimentos recebidos. E que o educador é um mediador e que não é impondo que conseguirá bons resultados, pois cada um tem seu livre-arbítrio. Mas independentemente de tudo isso, deve utilizar bem as tendências e aptidões que a criança vai revelando do passado, trabalhando-as na atual existência, contribuirá sobremaneira para que ela construa um futuro superior, desenvolvendo o conceito íntimo de cidadão do Universo, contribuindo assim, com a obra da Criação (L. E. q. 132).

 

Referências Bibliográficas


Kardec, A. O Livro dos Espíritos. – 2. ed. Rio de Janeiro: CELD, 2011. O Evangelho Segundo o Espiritismo.

Alves, Walter Oliveira, Educação do Espírito – Introdução à Pedagogia Espírita. Araras, SP, 13. ed., IDE, 2007.

– Amui, Alzira Bessa França / Varanda, Silvieri Luciano. O Espírito e seu Processo de Evolução.( 1. ed., janeiro/2012). – Editora Grupo Espírita Esperança e Caridade, Sacramento – Minas Gerais.

Barsanulfo, E. O que é Evangelização de Espíritos: Obra Mediúnica. Inspirada pela equipe de Eurípedes Barsanulfo, por Alzira Bessa França Amui – Editora Esperança e Caridade – MG. 3. ed., novembro/2011 – Educandário Eurípedes Barsanulfo.

 

 

Fonte: Revista CELD de Estudos Espíritas
https://celd.xyz/wp-content/uploads/07-Revista_CELD_Julho-2018.pdf

 

 

 

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