Espiritualidade e Sociedade





Selma Trigo

>   O Livro dos Espíritos e seu papel pedagógico na educação do espírito


Artigos, teses e publicações


Selma Trigo
>   O Livro dos Espíritos e seu papel pedagógico na educação do espírito - E nós, educadores, sabemos utilizá-lo nas práticas educativas?

 

 

Iniciaremos nossa reflexão com a questão 383 de O Livros dos Espíritos, onde Allan Kardec perguntou aos Espíritos: “Qual é, para o Espírito, a utilidade de passar pelo estado da infância?” E eles responderam: “O Espírito, encarnando para se aperfeiçoar, é mais sensível, durante esse tempo, às impressões que recebe e que podem ajudar no seu aperfeiçoamento, para o qual devem contribuir aqueles que estão encarregados de sua educação”.

Nessa resposta dos Espíritos, existem várias referencias importantes a destacar. A primeira delas é quando eles dizem que os Espíritos encarnam para o aperfeiçoamento. Aperfeiçoar significa tornar-se perfeito, aprimora-se, e por ai vai... Então, mediante esssa afirmativa podemos dizer que existe um propósito útil para cada espírito em seu retorno à “escola Terra”, para dar continuidade ao curso de sua evolução e suprir as pendências que ficaram das reencarnações anteriores.

Assim, podemos dizer que os pais ou qualquer outra pessoa que se torna responsável em educar, tem compromisso de se aprimorar nos conhecimentos das Leis Divinas, para que possa compreender os objetivos Deus, pedagogicamente definidos, para melhor favorecer o aprendizado humano e espiritual da criança.

Para tanto, os pais precisam compreender que este filho é um espírito que viveu várias existências, e, consequentemente, passou por inúmeros períodos históricos, vivendo situações diversas onde alguns registros, principalmente no campo intelectual e emocional, ficaram no arquivo perispiritual, que através da memória continua, a construção dos pensamentos vão sendo elaborados em valores ou não, nas várias etapas evolutivas.

 

Léon Denis, no livro O Problema do Ser e do Destino, faz a seguinte afirmativa:” “As menores particularidades da nossa vida, registram-se em nós e deixam traços indeléveis. Pensamentos, desejos, paixões, atos bons ou maus, tudo se fixa, tudo é gravado em nós. Durante o curso normal da vida, essas recordações, acumulam-se em camadas sucessivas e as mais recentes, acabam por delir aparentemente as mais antigas”.

Isso significa que a sequência de fatos ocorridos na vida do espírito, somam-se em experiências que vão alterando suas construções mentais. Daí, à medida que se vai evoluindo as camadas vibratórias da memória vão se modificando e se renovando. Isto é, a cada nova experiência vão se criando camadas vibratórias que sobrepõem as anteriores. São registros que vão se efetuando automaticamente, pois a evolução é constante.

Por isso, dentro da visão da educação espírita, o subconsciente representa o passado (ideias inatas), o consciente o presente (as ações e experiências que o espírito está vivendo) e o superconsciente o futuro (germe da perfeição). Assim compreender o inatismo, ideias inatas já construídas do passado, e o germe da perfeição que está constantemente em processo de evolução é fator primordial.

Daí a importância de desenvolver a vontade pelo livre-arbítrio, através do esforço próprio; é a grande arte de educar. Por isso, compreender que a educação é constante laboratório de observação para que se possa perceber as nuanças nas características que revelam o mundo intimo da criança, desde do berço.

Na questão 132, de O Livros dos Espíritos, Kardec perguntou aos Espíritos, qual o objetivo da encarnação? eles responderam logo de início: “Deus lhes impõem a encarnação com o fim de fazê-los chegar à perfeição”.

Importante refletir o significado de perfeição trazida pelos espíritos para nós. Precisamos abrir nossos canais de entendimento e percebermos que essa perfeição está pautada na libertação de ser um Ser em plenitude do amor Divino, ampliando em si a consciência de Deus e os valores primordiais na visão Universal. Saindo do “eu” para o “nós” profundo e verdadeiro.

E retomando a questão 383 – L. E.; mais um detalhe importante a destacar na resposta dos Espíritos a Kardec é quando eles dizem que o estado de infância é o momento em que o Espírito está mais sensível às impressões que recebe, e que pode ajudar no aperfeiçoamento da educação.

Quando paramos para refletir essa parte da questão, vem-nos à mente as obras de André Luiz, onde, no livro Nosso Lar, ele se refere à existência do Ministério da “Reencarnação” onde todo o planejamento “educativo” é elaborado de forma individual, à necessidade de cada espírito onde os objetivos a serem alcançados, o conteúdo a ser desenvolvido e os recursos a serem utilizados são “pedagogicamente” elaborados para que o espírito, ao término de seu “curso” no plano terreno, possa ser aprovado alcançando o sucesso desejado. Por isso, os educadores que fazem ou farão parte do apoio educativo desse espírito, nas mais variadas ações educativas, são antecipadamente orientados sobre todo o contexto.

E os pais, como educadores principais de todo esse processo, precisam estar trabalhando a autoeducação para poder educar da melhor forma possível. Pois compreender que desde o berço o espírito percebe e sente as vibrações que são emitidas junto a ele pelos pensamentos e sentimentos dos que com ele convivem, é primordial para que as bases emocionais e psíquicas possam ser fortalecidas, para que na medida do crescimento da criança, ela possa captar melhor os ensinamentos e fazer em si, de forma natural, as mudanças dos valores que precisam mudar, e alicerçar os já conquistados.

Aprofundar o conhecimento em O Livros dos Espíritos é ampliar a capacidade do educador em se educar e contribuir com a educação dos espíritos que vieram ou virão na condição de filhos em suas vidas.


 

Referências Bibliográficas:

Kardec, A. O Livro dos Espíritos, 2. ed. Rio de Janeiro: CELD, 2010.

Léon Denis. O Problema do Ser e do Destino: (os testemunhos, os fatos, as leis): estudos experimentais sobre os aspectos ignorados do ser humano: as personalidades duplas; a consciência profunda, a renovação da memória; as vidas anteriores sucessivas, etc. 1. ed. Rio de Janeiro: CELD, 2011.

Luciano S. Varanda / Amuí, Alzira Bessa França. A Libertação do Espírito, 1.ed., janeiro/2011, Sacramento/MG. Editora Grupo Espírita Esperança e Caridade.

Alves, Walter Oliveira. Educação do Espírito – Introdução à Pedagogia Espírita. Araras, SP, 13ª edição, IDE, 2007.

 

 

Fonte: Revista CELD de Estudos Espíritas
https://celd.xyz/wp-content/uploads/11-Revista_CELD_Novembro-2018.pdf

 

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