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Selma Trigo
> A ideia de Deus na educação - De que forma?
Em O Livro dos
Espíritos (q.05), Kardec questionou os espíritos
sobre o sentido intuitivo que todos os homens trazem, em si mesmos,
da existência de Deus. E os espíritos responderam que
Deus existe; pois de onde viria esse sentimento, se nada tivesse como
base? Além de ser uma consequência do princípio
de que não há efeito sem causa.
Daí compreender o sentido da existência de um ser supremo
e universal!
Todos os homens, em todos os tempos e lugares, trazem em si esse sentido
íntimo. A forma pode ser diferente, mas o sentido é
o mesmo, por estar nas profundezas do espírito, o amor de Deus
através da “semente divina”.
Para que os pais possam despertar a sensibilidade de seus filhos para
a existência de Deus, precisam primeiramente, dar significado
desse sentir em si mesmos, pois se não for assim, como falar
de Deus?
É necessária uma total sintonia espiritual, que possa
ser mais forte e intensa, de forma a superar a materialidade, que
atrai e distrai, levando a valorização equivocada do
significado do belo em tudo que compõe a vida.
Eurípedes Barsanulfo nos informa que desde o nascimento, a
criança absorve as vibrações do meio (pelas vias
perispiríticas), as sensações, as percepções,
as visões que os sentidos físicos e extrafísicos
podem lhe proporcionar. E que na infância, o ser espiritual,
capta de maneira intensa tudo o que lhe chega aos sentidos. E nessa
fase, a criança registra e introjeta vibrações,
para depois exteriorizar um comportamento correspondente a essa memória,
ligado às respostas condicionadas aos registros guardados.
Por isso, a importância da ação educativa nas
fases iniciais, valorizando a presença de Deus, compreendendo
os seus atributos, aproveitando esse momento da criança que
favorece os sentidos. Falo aqui do sentido da alma em sua plenitude
infantil, onde suas estruturas mentais, naturalmente, vão “sofrendo”
mudanças energéticas físicas-biológicas.
Portanto, tudo tem que vir de um campo de atuação natural.
O despertamento é gradual em cada etapa do desenvolvimento
da criança, que vai absorvendo o valor em si mesmo e de toda
a criação de Deus — sentindo e significando —
apurando gradativamente a própria sensibilidade de forma natural.
O Livro da Natureza, como nos diz Léon Denis, é um recurso
pedagógico essencial à educação do espírito.
É através dele que a criança terá a oportunidade
de perceber cada detalhe e aspectos que o diferenciam e que ao mesmo
tempo o completa, nas deslumbrantes formas, cores, estruturas, levezas
e movimentos.
Para isso, os pais precisam buscar promover junto a seu filho, momentos
em contato com todas as possibilidades da criação de
Deus; exercitando nele, o respeito às diferenças e o
trato amoroso de forma a depurar a sensibilidade em si mesmo despertando
assim, o olhar espiritual.
Ações aparentemente simples, em momentos especiais,
é possível! Cada momento, uma beleza própria.
E de acordo com a idade de cada criança, variadas reflexões
do belo na criação de Deus. E desses momentos, trocas
riquíssimas entre pais e filhos podem surgir. Na medida em
que esses encontros se tornarem mais frequentes, Deus será
naturalmente sentido pela criança.
Léon Denis, no livro O Grande Enigma, nos diz que:
“Um livro grandioso, está aberto sob nossos olhos, e
qualquer observador paciente pode nele ler a palavra do enigma, o
segredo da vida.”
As lições que a natureza oferece, vai do céu
estrelado, o nascer e o pôr-do-sol, o mar, os rios, a floresta,
as montanhas, as planícies, as flores, a chuva, os animais
e o homem. E quanto mais interação que a criança
fizer com a natureza, ela desenvolverá o respeito, o carinho,
o cuidado, a consciência ecológica, amando e respeitando
tudo que a cerca, a começar por ela mesma e consequentemente,
com o próximo.
Exercitar esse olhar, buscando sentir-se como parte da criação,
silenciar através da meditação, recurso já
sendo desenvolvido junto às crianças, favorecerá
a capacidade de sentir Deus em plenitude e contribuir com a obra da
criação (L.E. q.132).
Pais, o momento é agora! O conhecimento é uma expressão
do amor de Deus para com seus filhos. Ter consciência da imortalidade
e saber que a reencarnação é um recurso pedagógico
de Deus para a educação do espírito, é
de extrema importância.
Eduquem seus filhos: na valorização do belo em todo
seu amplo significado, para que eles alcancem a libertação;
rompendo suas dificuldades existenciais, valorizando assim as questões
divinas; modificando seus valores, o que o auxiliará a espiritualizar
cada vez mais sua existência, significando sua reencarnação
e tornando-se um homem de bem.
Pais, eduquem seus filhos para serem mais e não apenas, para
ter mais. Educar para desenvolver valores éticos e não
apenas para obter o brilho da inteligência dúvida.
O objetivo da educação é alcançar o caminho
das virtudes, portanto, desenvolvendo essa função psíquica
para auxiliar na caminhada existencial cheia de armadilhas. O esforço
deve ser conjunto dos Educadores de Espíritos (pais e responsáveis).
Referências
Bibliográficas:
KARDEC, A. O Livro dos Espíritos.
– 2ª ed. Rio de Janeiro: CELD, 2011.
LÉON D. O Grande Enigma, 3ª ed. Rio de Janeiro:
CELD, 2011
BARSANULFO. E. O que é Evangelização de Espíritos.
Psicografia de Alzira Bessa França Amui. 3ªed. Sacramento:
Editora Grupo Esperança e Caridade, 2011.
_______ Pelos Caminhos do Entendimento do Espírito.
Psicografia de Alzira Bessa França Amui e Luciano Sivieri Varanda.
2ªed. Sacramento: Editora Grupo Esperança e Caridade, 2003
Fonte: Revista
CELD de Estudos Espíritas
https://celd.xyz/wp-content/uploads/02-Revista_CELD_Fevereiro-2020.pdf
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