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Rodrigo Toniol
> Mediating the Spirit: Machines, Protocols, and Policies for
the Mediation of Spirituality in the Medical Field
> Mediando o Espírito: Máquinas, Protocolos e Políticas
para a Mediação da Espiritualidade no Campo Médico
(trecho inicial traduzido)
Na introdução do livro “A vida
social dos espíritos”, Diana Espírito Santo e
Rui Blanes anunciam que estão explorando como “diferentes
conceitualizações de uma ‘agência de intangíveis’
se propõem a desvendar a contingência de várias
‘entidades’ sobre seus efeitos” (Blanes e Espírito
Santo 2013, 1). O conjunto de objetos que emerge desse interesse está
relacionado a modos de existência e aos efeitos de domínios
invisíveis ou intangíveis. “Sejam eles constituídos
por espíritos, quarks, a lei ou o valor monetário.”
Por um lado, esse propósito segue a percepção
geral de que “a maioria das coisas que nos afetam como seres
humanos são invisíveis, dispersas; não podemos
tocá-las como faríamos com objetos ou confiná-las
a uma essência, espaço ou tempo particular.” Por
outro lado, esse propósito também “decorre do
impulso da antropologia de se engajar com formas extramateriais de
sociabilidade e prática” (Blanes e Espírito Santo
2013, 3).
Neste texto, também me interesso pela agência de coisas
intangíveis. Nesse caso, contudo, o que quero discutir não
são os espíritos como entidades que atuam sobre o mundo,
mas os esforços de pesquisadores médicos para transformar
a espiritualidade humana em uma entidade concreta, inscritível,
mensurável e materializada. Curiosamente, portanto, também
estou investigando a “vida social” dos espíritos
para analisar as práticas e sociabilidades utilizadas para
lidar com diversas formas materiais. No entanto, no meu caso, os atores
com quem convivi e cujo desenvolvimento das técnicas de controle
e gestão do intangível acompanhei não eram mediadores
religiosos do sagrado, mas cientistas.
Desde a década de 1980, o volume de publicações
em revistas médicas sobre os impactos da espiritualidade na
saúde cresceu substancialmente. Metodologicamente bastante
diversas, essas pesquisas frequentemente chegam a conclusões
como "se você for mais espiritual, terá menos probabilidade
de sofrer um ataque cardíaco", "pessoas mais espirituais
têm maior resiliência em situações de depressão",
etc. Diante desse tipo de formulação, parece-me fundamental
perguntar: o que significa esse uso da linguagem médica e científica
no campo da espiritualidade? Como a espiritualidade pode ser medida
e almejada nessas pesquisas? Quais são as práticas de
produção do espírito? Neste texto, estou interessado
em explorar algumas dessas questões. Ao fazê-lo, tento
contribuir para este livro analisando aspectos das diferentes escalas
de espiritualidade (e, por extensão, da mediunidade) e as tecnologias
científicas modernas que participam da mensuração
desse fenômeno.
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texto completo disponível em pdf
- clique aqui para acessar - original em ingles
In the introduction to the book “The social
life of spirits”, Diana Espírito Santo and Rui Blanes
announce that they are exploring how “different conceptualizations
of an ‘agency of intangibles’, sets out to unravel the
contingency of various ‘entities’ on their effects”
(Blanes and Espírito Santo 2013, 1). The set of objects that
emerge from this interest are related to modes of existence and the
effects of invisible or intangible domains. “Whether these are
constituted by spirits, quarks, the law, or money value.” On
the one hand, this purpose follows the general perception that “most
of the things that affect us as human beings are invisible, disperse[d];
we cannot touch them as we would do to objects or confine them to
a particular essence, space, or time.” On the other hand, this
purpose also “follows from anthropology’s urge to engage
with extramaterial forms of sociality and practice” (Blanes
and Espirito Santo 2013, 3).
In this text, I am also interested in the agency of intangible things.
In this case, however, what I want to discuss is not spirits as entities
that act on the world, but medical researchers’ efforts to transform
humans’ spirituality into a concrete, inscribable, measurable,
materialized entity. Interestingly, therefore, I am also investigating
the “social life” of spirits to analyze the practices
and socialities used to deal with various material forms. However,
in my case, the actors with whom I lived and whose development of
the intangible control and management techniques I accompanied were
not religious mediators of the sacred, but scientists.
Since the 1980s, the volume of publications in medical journals on
the impacts of spirituality on health has grown substantially. Methodologically
broadly diverse, these surveys often come to conclusions such as “if
you are more spiritual, you are less likely to have a heart attack,”
“more spiritual people have greater resilience in situations
of depression,” etc. Given this type of formulation, it seems
to me fundamental to ask: what does this use of medical, scientific
language in the field of spirituality mean? How can spirituality be
measured and aimed at in these researches? What are the spirit’s
production practices? In this text, I am interested in exploring some
of these issues. In doing so, I try to contribute to this book by
analyzing aspects of the different scales of spirituality (and, by
extension, of mediumship) and the modern scientific technologies participating
in scaling the phenomenon.
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Fonte: https://link.springer.com/content/pdf/10.1007/978-3-662-72097-4_5
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