Cercados pelas atribulações do dia-adia,
passamos a maior parte de nosso tempo ocupados com nossas obrigações
e não percebemos que muitos dos desencontros e problemas do cotidiano
poderiam ser resolvidos ou simplesmente afastados pela ação
direta e efetiva da prece.
Envoltos com a agitação das circunstâncias, temos
dificuldades para nos silenciar e elevar o pensamento a Deus, pedindo
assistência.
É preciso conhecer as propriedades da prece para que possamos
fazer dela a fonte diária de refazimento de forças e o
consolo que nos rejubila e eternece.
O homem é autor da maioria de suas aflições e se
pouparia de maiores angústias se agisse com sabedoria e prudência,
pois essas misérias são o resultado de várias infrações
das leis divinas.
Se não ultrapassássemos o limite do necessário
para viver, não teríamos as conseqüências desastrosas
geradas pelos excessos.
A atitude de louvar a Criação é um hábito
muito antigo e surgiu nos tempos mais remotos da antigüidade, quando
o homem primitivo ainda dava seus primeiros passos em direção
a Deus.
Desde sua origem, o ser humano já deixava transparecer a percepção
de que algo maior e mais poderoso governava sua existência. Esse
sentimento inato, cujo germe foi depositado nele primeiro em estado
latente, veio a eclodir e se ampliar com o passar dos tempos.
Essa convicção da existência de um poder divino
é o que chamamos de fé.
Muitos pensam que ela é uma virtude mística, mas, na realidade,
trata-se de uma grande força atrativa. Aliada ao poder de influenciação
da prece, é capaz de cessar imediatamente perturbações
que estão em processo de andamento.
A oração é um sustentáculo para o equilíbrio
da alma, mas ela não basta: é preciso que esteja sempre
apoiada sobre uma fé viva na bondade do Pai.
A fé é a mãe de todas as virtudes que conduzem
a Deus e a prece é sua filha primogênita.
Porém, precisamos distinguir a diferença entre a fé
cega e a fé racionada.
A fé cega aceita o falso como verdadeiro e se choca constantemente
com a razão. Levada ao excesso, produz o fanatismo, impondo-se
sobre tudo e exigindo a abdicação do raciocínio
e do livre-arbítrio.
A fé racionada, ao contrário, apoia-se sobre os fatos
e a lógica, não deixando obscuridade alguma para trás
de si.
É preciso entender aquilo em que se crê.
A fé produz uma espécie de lucidez que nos faz ver a finalidade
para a qual todos nos destinamos e os meios de poder atingi-la. Por
isso, ela é um exercício de inteligência e um dos
primeiros elementos de todo o progresso.
“Não há fé
inabalável senão aquela que pode encarar a razão
face a face, em todas as épocas da humanidade”.
A fé também deve
ser humilde e aquele que a possui coloca sua confiança no Criador
mais do que em si mesmo.
A fé sincera é sempre calma, dá a paciência
que sabe esperar, porque tem seu ponto de apoio na compreensão.
Na fé incerta, surge a ansiedade, revelando uma insegurança
diante da força de Deus e de suas leis. E quando é movida
pelo interesse, a pessoa tende a se tornar colérica e crê
suprir suas necessidades pela violência. Por exemplo: ao se sentir
intranqüila e ansiosa, ela acredita que as coisas têm de
acontecer segundo seus caprichos, da forma e no momento em que ela determina.
A calma é sinal de confiança e de que a rogativa levada
a Deus será ouvida.
Já a violência é uma prova de fraqueza e dúvida
sobre si mesmo e a Sabedoria Maior.
Se as pessoas fossem conscientes da força que têm em si
e quisessem colocar sua vontade a serviço dela, seriam capazes
de grandes realizações.
Através de sua mente, o homem age sobre o fluido universal, modificando
suas qualidades e dando-lhe uma impulsão irresistível.
Aquele que junta ao fluido uma fé ardente, pode, apenas pela
vontade dirigida para o bem, operar “fenômenos” que
não são senão a utilização das faculdades
mentais e a ação de uma lei natural. Mas para isso, é
necessário domar a si mesmo e às más influências
do pensamento. As maneiras mais eficazes são a vontade acompanhada
da prece, a oração fervorosa e os esforços sérios
como meio para a renovação íntima.
Ação e eficácia
Imaginar que é inútil fazer uma oração,
expondo nossos sentimentos a Deus (sendo Ele conhecedor de nossas necessidades),
assim como acreditar que nossos desejos não podem mudar os destinos
traçados pelo Criador, é desconhecer as leis e a misericórdia
do Pai. Ele nos deu discernimento e inteligência para que o espírito
não fosse um instrumento passivo, sem livre-arbítrio,
portanto, nem todas as circunstâncias da vida estão submetidas
à fatalidade. Daí a grande importância da prece
e sua capacidade de ação.
Seu poder está no pensamento e não se prende nem às
palavras nem ao lugar ou momento em que é feita. A prece é
uma invocação na qual podemos nos colocar em comunicação
mental com outro ser ao qual nos dirigimos, estabelecendo uma corrente
fluídica.
A energia da corrente surge em razão do vigor do pensamento e
da vontade. Como o fluido universal é o veiculo do pensamento,
essa substância primária (fluido) é impulsionada
pela vontade, transmitindo a idéia até o seu destinatário.
As preces dirigidas a Deus são ouvidas pelos espíritos
encarregados de executá-las. Aquelas que são dirigidas
a outros seres, como aos santos, por exemplo, são levadas até
Ele por esses mensageiros, que surgem apenas na qualidade de intercessores,
pois nada acontece sem a vontade do Pai.
Os espíritos benevolentes nos inspiram com bons pensamentos,
para que possamos adquirir a força moral necessária para
superarmosnas dificuldades e voltarmos ao caminho do bem. Exercendo
uma ação magnética sobre os homens, eles suprem,
quando necessário, a insuficiência daquele que ora, dando-lhe
momentaneamente uma força excepcional, isto quando é julgado
digno desse favor.
O homem coloca em prática os bons conselhos se assim o desejar,
pode ou não aceitar a sugestão oferecida. Com isso, através
de seu livre-arbítrio, ele tem a responsabilidade sobre seus
atos e escolhas, deixando-lhe o mérito da decisão entre
o bem e o mal.
As qualidades da prece
A prece pode ter como objetivo vários pedidos, como
força para suportar e transpor as adversidades, calma nos momentos
críticos e de decisão, perdão por faltas cometidas
contra si e contra os outros, proteção contra os pensamentos
maléficos, os maus espíritos e diante de um perigo iminente,
saúde e equilíbrio físico, através da ação
magnética que ela exerce sobre as células, recompondo
aquelas que se encontram exaustas, um favor especial, em particular,
agradecimento ou uma maneira de louvar a Deus.
A oração pode ser feita em benefício de outras
pessoas ou a nosso próprio favor.
Para que ela atinja seu objetivo, é necessário que seja
clara, simples, concisa e fundamentada na fé.
Devemos elevar nossa alma a Deus com humildade e agradecer por todos
os benefícios recebidos, solicitar seu apoio, indulgência
e misericórdia e, se houver necessidade, fazer um pedido específico.
Deve-se ainda lembrar sempre de reconhecer a intervenção
do Altíssimo quando uma alegria nos chega ou quando um incidente
é evitado.
Sem fraseologia inútil, cada palavra deve conter a sua importância,
fazer refletir e elevar o coração com sentimentos nobres
e sinceros.
Algumas pessoas se utilizam de palavras decoradas, rígidas e
determinadas, como se a oração fosse uma fórmula.
Outras rezam por dever ou mesmo por hábito. Murmurar maquinalmente
não é uma linguagem natural que surja espontaneamente
do coração. O que Deus observa é o que está
no íntimo, na veracidade de cada palavra, não o número
de vezes que a prece é repetida.
O Pai quer ouvir apenas a sinceridade de nosso coração,
do contrário, não terá crédito algum.
No evangelho, os espíritos nos dizem:
“A forma não é
nada, o pensamento é tudo.
Orai, cada um, segundo as vossas convicções e o modo
que mais vos toca; um bom pensamento vale mais que numerosas palavras
estranhas ao coração”.
Conscientização
Mesmo sabendo dos benefícios e qualidades da prece,
a solução de nossos problemas requer muito mais do que
vontade e fé ardente. É indispensável o esforço
no sentido da melhoria íntima.
Evocar a inspiração dos bons espíritos e pensar
que “eles resolvem tudo” é não assumir sua
responsabilidade como parte do processo. Essa atitude tende levar à
acomodação.
É necessário querer mudanças e fazê-las acontecer
de forma direta, objetiva, consciente e responsável. Isto significa
colocar em prática a modificação de certas atitudes,
pensamentos e emoções negativas.
Revitalizar o ânimo e modificar as imagens do inconsciente que
carregam tristeza, rancor, ódio, mágoa e medo é
uma maneira de reorganizarmos essas emoções que nos fazem
tanto mal.
Esse recondicionamento íntimo não se refere apenas ao
ganho de virtudes interiores, como amar e perdoar, mas à conquista
do comando consciente de nós mesmos e à descoberta dos
potenciais que temos na mente, na vontade e na emoção.
Para conseguir isso, não bastam leituras e conhecimentos, é
necessária a ação programada e permanente, isto
é, disciplina e controle dos impulsos.
Caminhar com passos firmes assegurados na fé é imprescindível,
utilizar-se da prece durante a jornada é indispensável,
mas estar atento ao lema “orai e vigiai” é prudente
e de bom senso.
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