Qual é a verdadeira
fórmula da felicidade? Ser feliz é estar com alguém
ou sozinho? É ter uma família e dedicar-se a ela ou
escolher viver apenas para algum trabalho profissional? É ter
somente alegrias materiais no caminho ou optar por uma vida totalmente
espiritual? Como espíritas, já sabemos que o objetivo
do espírito imortal é o progresso moral, que as alegrias
nos chegam ao caminharmos sob a Lei Divina e que as dores surgem quando
dela nos afastamos. O nosso problema é a pressa.
O espírito Hammed, no livro Renovando atitudes, reforça
que:
Ser feliz não é
uma questão de circunstância, ou de estarmos ou não
acompanhados pelos outros, porém de uma atitude comportamental
em face das tarefas que viemos desempenhar na Terra. Nosso principal
objetivo é tomar consciência de que os momentos felizes
ou infelizes de nossa vida são o resultado de atitudes distorcidas,
ou não, vivenciadas ao longo do caminho.
E conclui que a “felicidade
não é simplesmente a realização de todos
os nossos desejos; é antes a noção de que podemos
nos satisfazer com nossas reais possibilidades”.
Jesus não afirmou que nenhuma de suas ovelhas se perderia?
E isto significa que todos somos filhos de Deus e estamos sob a Sua
proteção divina. Formamos um único rebanho de
seres que se diferenciam por serem uns mais rápidos e outros
mais vagarosos; porém, todos vamos chegar ao mesmo lugar no
Seu Reino.
“O trabalho interior que produz felicidade não é,
obviamente, meta de uma curta etapa, mas um longo processo que levará
muitas existências, através da eternidade, nas muitas
moradas na Casa do Pai”, afirma o espírito, no livro
já mencionado. Ele adotou o pseudônimo Hammed, cuja própria
experiência foi adquirida em longa trajetória, tendo
vivido os caminhos do bem ainda na França do século
XVII, como médico e religioso, assim como acumulado vivências
em outras épocas distintas, tendo sido, dentre elas, um mestre
indiano.
Hammed diz ainda que a real felicidade é compreender que a
felicidade do outro também é a sua. A questão
é querermos “moldar” a felicidade do outro pela
nossa. E, assim, culpamos cônjuges, amigos e filhos por alguma
situação de insatisfação porque eles não
se comportam de acordo com os nossos planos e objetivos de vida. E
ensina:
O ser psicológico está
fadado a uma realização de plena alegria, mas por
enquanto a completa satisfação é de poucos,
ou seja, somente daqueles que já descobriram que não
é necessário compreender como os outros percebem a
vida, mas sim como nós a percebemos, conscientizando-nos
de que cada criatura tem uma única maneira de ser feliz.
E para sentir as primeiras ondas do gosto de viver, basta aceitar
que cada ser humano tem um ponto de vista que é válido,
conforme sua idade espiritual.
Mas egoístas que naturalmente
somos, a cada ano que chega, esperamos que tudo se transforme para
melhor em nossas vidas, assim como em um estalar de dedos! Só
que, na Lei Divina, toda consequência tem uma causa. Aguardamos
que os outros demonstrem mais atenção conosco, esperamos
que “Deus faça justiça aos nossos sofrimentos”,
sem pensar em mudar nada em nossas atitudes; na forma como agimos
com o próximo ou na maneira com a qual falamos com eles. Antonio
de Aquino ensina que:
Se ainda sofremos é porque
não aprendemos a conduzir os nossos padrões mentais
e as nossas palavras pelos padrões de Jesus. Ele veio justamente
porque ainda somos inferiores. Não basta que Ele tenha vindo;
é preciso que procuremos superar as próprias lutas
e dificuldades, fazendo o mínimo que Ele nos pede; que prestemos
atenção aos seus ensinamentos, às suas conclusões,
à sua maneira de falar.
O Evangelho segundo o Espiritismo
e O Livro dos Espíritos nos alertam, repetidamente,
acerca dos sentimentos e das atitudes que devem estar no pilar de
nossas vidas: o não julgar, o perdão das ofensas, a
indulgência para com os que erram e a benevolência para
com todos. Mas somos naturalmente julgadores implacáveis do
outro. Somos bélicos, e trazemos isso no chip de guerreiro
milenar. O nosso progresso foi apenas o de passarmos para a posição
de vítima. Ah!, adoramos quando o outro comete algo contra
nós, não é mesmo? E tratamos de espalhar a notícia,
inflados de orgulho: “Olha o que ele fez comigo! Coitadinho
de mim!”. Sobre isso, explica Hammed:
Em sua profunda sabedoria, o
Mestre sabia das nossas dificuldades de perceber a realidade, dos
nossos esconderijos psicológicos, que edificamos como métodos
de defesa, e dos inúmeros papéis e jogos que cultivamos
inconscientemente para não assumir responsabilidades ou para
camuflar nossas diversas predisposições.
Ao codificar o Evangelho, Kardec nos
dá o alicerce de que precisamos para não cairmos nas
armadilhas do ego, nas ilusões dos sentimentos, nos processos
de dependências e inseguranças e nas tendências
reais que vieram do passado. O que disse o Cristo? Não julgueis.
Observai, antes, aquele que o insultou, embora ele divida contigo
o caminho e você tudo faça para a felicidade dele...
Mas não, retrucamos o insulto, indignados pela injustiça
cometida, sem parar e analisar se aquele que trazia a ofensa nos lábios
poderia ter o coração prestes a explodir naquele momento,
por estar mergulhado em algum drama pessoal, estar sob forte pressão
do mundo material ou porque não sabia como agir e só
tinha mesmo aquilo para oferecer a você, porque ele sofria mais
que você, e o drama dele era infinitamente maior que o seu.
No fundo, era quase um pedido de socorro. O resultado seria o oposto
se disséssemos: “O que está acontecendo, filho?
Por que está tão nervoso? No que eu posso ajudá-lo?”.
Será que não era isso que o Mestre Jesus também
queria dizer quando nos pediu que oferecêssemos a outra face?
Ou que déssemos também a túnica?
Por isso, para renovar atitudes, é essencial estudar e refletir
sobre a profunda sabedoria do Mestre, como explica Hammed:
Emérito conhecedor da
psique humana, a qual Jesus sabia ser a fonte das causas reais dos
nossos sofrimentos, refletir sobre o que Ele ensina nos torna mais
francos e honestos com nós mesmos e com os outros, e nos
possibilita a extinção de nossas reações
neuróticas nas múltiplas situações da
vida. Reações essas que nos impedem o autoconhecimento
e anulam toda e qualquer possibilidade de relacionamento sadio e
sincero com os outros. (…) E alertemo-nos quanto a tudo aquilo
que afirmamos julgando, pois no auditório da vida todos somos
atores e escritores, e ao mesmo tempo ouvintes e espectadores dos
nossos próprios discursos, feitos e atitudes.
O perdão é outra lição
importante que o Evangelho nos traz, para seguirmos mais firmes em
direção à felicidade. E que também consideramos
difícil por nosso orgulho e egoísmo milenares. Dr. Bezerra
de Menezes nos alerta que estamos todos muito mais próximos
do ontem que do amanhã:
Compadecei-vos dos que caíram
nas valas do desequilíbrio e procurais soerguê-los.
A queda de alguém que convosco renteia é ameaça
de queda também para vós…Imprescindível,
pois, que nos acautelemos contra o desequilíbrio que, num
instante de cólera ou de invigilância, poderá
vos acometer nas reações patológicas da mente.
Habituai-vos a serenidade, através da oração
e do exercício no bem, para criamos resistência ao
mal que nos espreita na caminhada.
Antonio de Aquino nos lembra que:
A criatura que ama é
capaz de desenvolver em todos os que estão à sua volta
este mesmo sentimento. Às vezes, elas trazem dentro de si
dificuldades em manter tal sentimento. Alegam lutas, ansiedades,
sofrimentos variados; entretanto, aqueles que souberem perseverar,
mantendo em si o amor, a despeito de todas essas coisas, conseguirão
sobreviver, crescerão espiritualmente e se apresentarão
um dia, a Deus, com suas conquistas já realizadas, pois,
de todas, a conquista maior é a do Amor”.
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Para renovar atitudes,
é essencial estudar e refletir sobre a profunda sabedoria do
Mestre
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Referências bibliográficas
AQUINO, Antonio de. Inspirações do Amor Único
de Deus. Vol 1. Rio de Janeiro: Celd, 2011.
AQUINO, Antonio de. Reflexões. Vol 1. Rio de Janeiro: Celd,
2011.
BACCELLI, Carlos A. A coragem da fé. São Paulo: Ed Didier,
2017.
KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. Rio de Janeiro:
Celd, 2010.
KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Rio de Janeiro: Celd,
2002.
NETO, Francisco do Espírito Santo. Renovando atitudes. 24ª
ed. Catanduva/SP: Ed Boa Nova, 2008.