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Mônica Soares
> A Coragem da Fé -“O grande salto”

Somos habitantes
de um planeta de provas e expiações. Mas nos esquecemos
disso nos momentos em que chegam as dores, sejam elas físicas
ou morais. E, de repente, estamos diante daquela hora em que precisamos
de coragem, muita coragem. Aquela que nos coloca diante do espelho,
para aceitação do sofrimento; ou para lutar diante dos
obstáculos da vida terrena; ou para cumprir o ideal abraçado
na seara espírita. Mas é preciso lembrar que, na tarefa
da Renovação, nós nunca estamos sozinhos!
Jesus Cristo nos convocou e disse: “Todo aquele que me confessar
diante dos homens, também eu o confessarei diante de meu Pai,
que está nos céus; e o que me negar diante dos homens,
também eu o negarei diante de meu Pai que está nos céus.”
O Dr. Bezerra de Menezes nos ensina, nas páginas do livro “A
Coragem da Fé”, que esta foi uma das maiores
“advertências” dada por Jesus aos Cristãos
de todos os tempos. O benfeitor espiritual explica que “uma
vez dada a oportunidade ao homem (para nós, através
do Espiritismo), para que ele se conscientize e liberte-se do cativeiro
milenar de comodismo espiritual, afastando-se das estradas da ilusão;
e uma vez ciente dessas responsabilidades, não mais será
possível para ele o recuo, sem graves comprometimentos de ordem
cármica”. E adverte: “Não olvideis a sábia
advertência do Mestre Jesus!”.
E de que forma nos confessamos diante do Pai? Perseverando, fazendo
a nossa parte, buscando sempre os melhores sentimentos para oferecer
ao próximo, mesmo diante das desilusões e das ofensas.
Jesus não resumiu, no primeiro e no segundo mandamento, que
o objetivo maior da existência do homem é “amar
a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”?
Dr. Hermann não cansa de nos dar esta receita: “Servir,
servir e trabalhar hoje e sempre!”.
Ensina o benfeitor de nossa Casa Espírita: “E
quando a alma estiver cansada de servir, ou quando os nossos pensamentos
estiverem desarticulados, e pensarmos se vale a pena ou não
o esforço dessa luta, lembremo-nos dos que sofrem, dos que
estão precisando de alegria, de paz, dos que têm fome
e sede de justiça; lembremo-nos de todos aqueles que padecem,
e assim compreenderemos o quanto há a necessidade de prosseguir...”.
Ou seja, ao pensar no próximo, encontramos as próprias
forças para prosseguir, para querer seguir em frente com as
tarefas. E, para muitos, até para querer viver. Por que não?
“O Grande Salto”
O médico dos pobres, o médico de todas as almas, nos
fala do “Grande Salto”, de que está prestes o momento
em que a Ciência efetuará o grande salto, transpondo
os limites do túmulo e perscrutando a Vida além da matéria.
“Muitas das indagações humanas obterão
respostas, com enigmas seculares sendo solucionados e dando origem
a novos e mais amplos questionamentos. a cada passo na senda do progresso,
o homem constatará a necessidade de voltar-se para si –
porquanto o seu universo íntimo é mais infinito que
o Universo, para o qual ele se volta exteriormente, há
milênios”. E é aí que percebemos que a divina
providência já começa a nos ensinar os primeiros
passos para isso. Ainda que forçados a um confinamento, ainda
que cambaleantes.
Dr. Bezerra esclarece, ainda, nas páginas do livro “A
coragem da Fé”, que “será com o auxílio
da Filosofia, sem os preconceitos da Ciência e o fanatismo da
Religião, que o homem passará a cogitar a própria
transcendência, concentrando esforços no seu despertar
espiritual”. É é preciso “ter ouvidos para
ouvir”, quando esse grande Espírito assim escreve nesta
página: “Quando a vida na Terra nos pareça presa
de indefinido marasmo, eis que o Senhor nos envia os seus prepostos
divinos, que se corporificam no Planeta, para darem novo impulso ao
progresso, em todas as áreas do saber... A força
incoercível das Leis – continua Dr. Bezerra
– a pouco e pouco faz com que todas as coisas e todos
os seres se entrelacem, na interdependência que os une.
Portanto, não vos tranqueis intelectualmente e jamais pronuncieis
a palavra “impossível”, com referência às
variadas e infinitas possibilidades de descobertas do homem, por fora,
e por dentro de si! O dicionário humano é destituído
de terminologia adequada a fim de descrever o que vos reserva a existência
humana para o futuro, sob os auspícios da Misericórdia
de Deus”. E ele nos alerta: “Filhos, inevitável
o progresso de todas as coisas em busca da perfeição.
Nada será capaz de deter o avanço vertiginoso
da Vida... Os desajustes são imprescindíveis à
renovação e à retomada do crescimento para a
luz.
Do mesmo pensamento compartilha Léon Denis, em suas palavras
de extrema grandeza e conforto espiritual: “Homens, elevai-vos
pelo pensamento acima das coisas terrestres; elevai-vos bastante alto
para compreender que vós sois os filhos de Deus, bastante alto
para sentir que estais ligados a Ele, à sua obra imensa, destinados
a um objetivo perto do qual todos os outros são secundários;
e esse objetivo é a entrada na grande comunhão, na santa
harmonia dos seres e dos mundos, que se realiza apenas em Deus e por
Deus!”
Confiança

É a Fé que nos traz
a confiança no amanhã, como explica o Irmão José:
“A confiança é uma força atraindo vibrações
positivas. Quem confia mobiliza os mecanismos da Lei, desencadeando
acontecimentos que lhe sejam favoráveis. Essa sublime força
de atração – a confiança – remove
do caminho os mais pesados obstáculos. Age, com sutileza, no
inconsciente dos homens, predispondo-os ao auxílio de quem
carece. O coração de quem confia é inesgotável
gerador de energias, encorajando e incentivando ao bem quantos se
encontram em seu raio de ação. O homem de confiança
não se opõe ao movimento de ascensão que tira
a vida do caos. Mesmo na adversidade, quem confia anula sobre si os
efeitos da dor!”
E como é sublime já conseguir perceber que o remédio
para as nossas dores todas nos chega por intermédio da Doutrina
Espírita, que como define o Dr. Bezerra de Menezes, é
“o Evangelho Restaurado”!
Amor
Balthazar, outro querido benfeitor de nossa casa, assim resume: “Deus,
o Pai de todos nós, nos impulsiona sempre para a frente, na
busca de fé com humildade; fé que nos ajuda em tudo
o que devemos fazer, de coração voltado para o bem,
com equilíbrio em todos os momentos; fé até pelo
ato de viver!”
E não foi exatamente isto que testemunhamos em todo o mundo
durante a pandemia? Ainda que timidamente? Mas é a Lei se fazendo
cumprir, porém, diante de muita dor. Porque assim quis o homem,
infelizmente, diante de sua rebeldia. E nesse momento, paralisados
pelo medo, o que fizemos? Buscamos Deus, buscamos Jesus, e oramos
todos juntos. E isso é válido? Sim, é chegado
o momento, seja de que forma for.
O próprio Kardec perguntou aos Espíritos Superiores:
“Vale a pena continuar a lutar pela vida?”, como lembrou
Dr. Hermann, na página “Vale a Pena Lutar”. Nesta
mensagem, Dr. Hermann diz o seguinte: “Quem tem saúde
e paz de espírito prossegue no trabalho; quem tem amor no coração
sabe tirar forças novas para prosseguir trabalhando; já
os que ignoram a dor, estes apenas ignoram a dor. Deixemo-los seguir
adiante, mas cada um de nós, que traz no espírito o
sentimento do dever, continue a lutar para que haja paz, tranquilidade
e progresso em meio a toda a humanidade. Deste pequeno ponto de luz
hão de surgir novos valores, novas gentes determinadas a seguir
na implantação do núcleo de Paz em que Deus espera
que a Terra um dia se transforme”, afirma.
Jesus: condutor

Se analisarmos as palavras que mais se repetem no Evangelho Segundo
o Espiritismo, que resume o ideal de Jesus, recuperado pelos
evangelistas nas sagradas escrituras, vemos que estas palavras são
como enunciados do Mestre. Elas são: benevolência, perdão
das ofensas, indulgência, caridade, fé e tolerância...
até no amor para com os inimigos. Portanto, essas seriam as
principais características do Cristo, como ensinam os Espíritos
Superiores. O irmão Francisco Nicolau, em uma de suas comunicações,
explica que o maior equívoco do homem, durante séculos,
tem sido “considerar Jesus como o dispensador dos recursos de
que necessitamos momentaneamente. Ainda não apreciamos o Mestre
como um condutor, como um ser que faz com que as coisas ocorram ao
nosso lado. Ainda não percebemos Jesus como Mestre!”
Ou seja, o homem, mais do que se dar conta de que está sob
a proteção de Jesus, deve reconhecer que está
sob a condução de Jesus. Nós, Cristãos,
que já oramos a Jesus, buscando forças para enfrentar
algumas das vicissitudes terrenas, precisamos lembrar, sempre, que
também temos que oferecer algo a Ele. “Jesus também
espera de nós um tipo de comportamento que evite males, problemas,
dores, sofrimentos _ explica Francisco Nicolau. Será como se
Jesus lhes dissesse assim: Eu te protejo, mas, por favor, erre menos.
Adote estas atitudes, e não aquelas. Fazendo assim, o homem
paulatinamente se equilibrará e alcançará o objetivo
maior da reencarnação, que é o aprendizado com
luminosidade”, afirma.
Encorajamento Espiritual

Irmã Scheila, em uma mensagem intitulada “Encorajamento
Espiritual”, nos fala da enorme alegria que se estabelece na
vibração de uma Casa Espírita, no momento em
que todos estão envolvidos em trabalhos espirituais de caridade.
Mas, ao mesmo tempo, do quanto é preciso retidão: “Junto
a vocês trabalham almas iguais, que ficam felizes por estarem
realizando estes trabalhos, mas também espíritos sérios,
enérgicos mesmo, que não toleram umas tantas atividades,
ou atitudes. Ou, se aceitam, é tão somente devido à
benevolência deles”, afirma.
Mas, se o trabalho tem marcas de austeridade (é por isso que
os médiuns precisam lutar por sua renovação),
também tem a alegria dos espíritos, que ficam felizes
por realizarem aquelas tarefas junto a nós. Os pais, mães,
tios, parentes que já se foram e que podem naquele momento
estar junto de nós, alegres, satisfeitos. Assim como os Benfeitores
Espirituais: “Vimos vos dar aquele encorajamento, aquele estímulo,
aquela amizade! Vimos também vos trazer a palavra amiga dos
benfeitores de todos, a satisfação que eles estão,
em vê-los prontos para servir. O encorajamento para a luta,
lembrando sempre que a bondade, a amizade, sempre, é o que
queremos lhes dedicar!”
A benfeitora nos pede ainda: “Que da boca de vocês saia
a palavra que ajuda, mas que haja também, do coração
de todos, um esforço muito grande de compreensão. Para
que sintam, que vejam, que analisem muito o que fizeram, o que podem
fazer, o que devem fazer. Que haja em vocês esta compreensão.
O encorajamento pressupõe também a euforia. Então
trabalhemos assim, com alegria, para a conquista eterna da mansão
dos eleitos. E crianças, avante. Avante mesmo!”
Fé, mãe da Esperança
e da Caridade

O Espírito Protetor (no item 13, do Cap XI de O Evangelho
Segundo o Espiritismo), nos faz descobrir que não são
os prazeres efêmeros do mundo que nos trazem a alegria, a felicidade.
Mas que esta felicidade, que está sim destinada ao homem na
Terra, só é possível e verdadeira se o homem
a procurar na prática do bem, e não nos prazeres materiais.
Mas ele reitera, nesta mensagem, que a Fé sem a Caridade não
é suficiente para manter entre os homens uma ordem social capaz
de torná-los felizes.

“... Podereis encontrar impulsos generosos mesmo em uma pessoa
que não tenha religião, mas essa caridade austera, que
só se exerce pela abnegação, pelo sacrifício
constante de todo interesse egoísta, somente a Fé poderá
inspirá-la, porque é ela quem nos faz carregar a cruz
desta vida com Coragem e perseverança”.
“A história da cristandade – continua o Espírito
Protetor – fala de mártires que foram com alegria para
o suplício. Atualmente, na vossa sociedade, não é
preciso o holocausto do martírio, nem o sacrifício da
vida para ser cristão, mas única e simplesmente o sacrifício
do vosso egoísmo, do vosso orgulho e da vossa vaidade. Se a
caridade vos inspirar e se a fé vos sustentar, sereis vencedores!”
E que fé é esta de que precisamos? Como conseguir uma
fé bastante forte a ponto de termos a certeza de que ela remove
montanhas, ou de que é inabalável? O Espírito
Protetor José revelou a Kardec, em mensagem de 1862, que ela
precisa ser raciocinada, mas também “arrebatadora, contagiante”,
como ele nos ensina, no Cap. XIX de O Evangelho Segundo o Espiritismo:
“Pregai pelo exemplo a vossa fé para transmiti-la aos
homens; pregai pelo exemplo das vossas obras, para lhes demonstrar
o mérito da fé; pregai pela vossa esperança inabalável,
para lhes fazer ver a confiança que fortifica e faz com que
se enfrentem todas as vicissitudes da vida (...). Crede e esperai,
sem jamais fraquejar: os milagres são frutos da fé”.
Que possamos, por intermédio dessa fé que transporta
montanhas, demonstrar a nossa submissão à vontade do
Pai – como também nos ensinou Larcordaire, no item 18
de “Bem aventurados os aflitos” (O Evangelho Segundo
o Espiritismo). E que possamos lembrar Jesus, falando ao cego
de Jericó, e dizer também: “A minha fé
me curou!”
Referências Bibliográficas:
Baccelli, Carlos A. “A Coragem
da Fé”, pelo Espírito de Bezerra de Menezes,
SP: ed. Didier, 2017.
Pamphiro, Altivo C. “Focos de Luz”, espíritos
diversos, RJ, ed. Celd, 2019.
Pamphiro, Altivo C. “Palavras do Coração,
vol 1, RJ, ed.Celd, 2012.
Denis, Léon. “O Problema do Ser, do Destino e da Dor”,
RJ, 26.ed FEB, 2003.
Kardec, Allan. “O Evangelho Segundo o Espiritismo”,
RJ, ed. Celd, 2012.
Fonte: Revista
CELD de Estudos Espíritas
> https://celd.xyz/wp-content/uploads/08-Revista_CELD_Agosto-2020.pdf
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