E depois de muito tempo e inúmeros convites
de Dora Incontri, cá estou, escrevendo para o Blog da Associação
Brasileira de Pedagogia Espírita (ABPE). E, para essa minha
estreia, nada melhor que falar de um tema que anda bem latente na
minha vida: o desenvolvimento da minha mediunidade. O que quero compartilhar
com vocês hoje é o quanto um ambiente acolhedor é
fundamental para nos sentirmos seguros nesse processo que não
é nada fácil. Por isso, vou chamar, carinhosamente,
de acolhimento mediúnico.
Assim como eu, sei que há inúmeras pessoas em processo
de desenvolvimento mediúnico. Algumas me perguntam como e,
principalmente, onde podem trabalhar isso. A minha indicação
é apenas uma: busque um lugar onde você tenha confiança
nos médiuns e se sinta completamente acolhido. Nem sempre,
o lugar que me acolhe mediunicamente é bom para o outro e vice
e versa. Por isso é muito importante você ir a lugares
e sentir como se sente. Parece redundante, mas não é.
A questão é que quando falamos em mediunidade, precisamos
respeitar muito mais as sensações que temos nos ambientes
e com as pessoas, do que, necessariamente, o que achamos ou o que
aprendemos que é o correto.
Vou dar um exemplo para ficar mais claro: quando a minha mediunidade
deu os primeiros sinais eu frequentava um Centro Espírita há
muitos anos – lugar que respeito e amo profundamente. Na época,
eu não tinha ideia do que estava acontecendo comigo. Passei
a ter sensações que não eram minhas, pensamentos
que não eram meus. Cheguei até a imaginar que estava
ficando louca. Foi então que minha mãe, que trabalhava
na desobsessão desse mesmo Centro, levou o meu caso para os
dirigentes dos trabalhos que ela frequentava. Por algum tempo, me
colocaram para ficar na sustentação de energia, mas
a cada começo de sessão mediúnica, eu apagava
e voltava só no final dos trabalhos. Acontece que, para trabalhar
a mediunidade nesse Centro (como em boa parte deles), eu precisava
fazer um curso preparatório de sete anos e eu estava no começo
do segundo. No fundo, eu já sabia que não aguentaria
completar, pois a cada dia eu me sentia pior. E, por mais que as pessoas
tentassem me ajudar (e olha que eu tive muitas pessoas iluminadas
me ajudando nessa fase), existia uma burocracia que fazia com que
eu não me sentisse à vontade para me desenvolver. Foi
então que, depois de alguns acontecimentos, eu conheci o meu
grupo atual, que é o grupo da ABPE.
Meu primeiro contato foi para um tratamento espiritual e não
imaginava que ficaria lá depois disso. Mas quando cheguei nesse
grupo, no momento mais difícil da minha vida, eu senti um acolhimento
diferente. Sabe quando você recebe um abraço bem apertado,
daqueles que parece que nada no mundo vai te atingir? Pois é,
essa foi a sensação que tive. Depois do processo de
tratamento, veio o convite para continuar, já que o grupo havia
identificado que eu precisaria trabalhar toda aquela minha sensibilidade
e eu estava fazendo o curso de Pedagogia Espírita. Para quem
não sabe, o grupo da ABPE não é um local onde
apenas fazemos os trabalhos mediúnicos. O nosso grupo tem muito
estudo, muitas discussões críticas e muito, mas muito
aprendizado. Nosso maior objetivo é usar o Amor como ferramenta
de transformação pela Educação.
Lá se vão seis anos desde o primeiro contato com esse
grupo, que é minha segunda família. Nesse tempo, estive
distante algumas vezes, tive contato com outros lugares, mas ele é
o único que me dá o acolhimento mediúnico que
preciso. Não à toa que meu processo de desenvolvimento
foi acontecendo ali, entre os médiuns que me ajudam e me inspiram.
Fácil? Não, nem um pouco. Apesar de existir uma “glamourização”
da mediunidade, ser médium é uma tarefa delicada. Não
diria que é difícil, mas é bem disciplinadora
– e, pelo menos, para mim, esse é o maior desafio dessa
encarnação. Mas quando temos um lugar e pessoas que
nos abraçam, a caminhada fica mais leve. E depois de tantos
anos amadurecendo e evoluindo mediunicamente, há 15 dias tive
a minha primeira experiência de mediunidade de incorporação
(ou o nome mais técnico: psicofonia). Sei que poderia ter tido
isso antes, mas questões pessoais me afastaram da minha espiritualidade
por um tempo. Mas o que importa mesmo é que, depois de pouco
mais de seis meses de volta ao grupo, minha mediunidade agradece todo
o acolhimento! Aproveito e deixo registrada aqui minha eterna gratidão
a todos que, de certa forma, me ajudaram nesse processo. E agora,
mãos à obra que quero ter a chance de acolher muita
gente ainda nessa minha caminhada mediúnica!
Obs. a ABPE tem um grupo especial para desenvolvimento
de mediunidade, que acontece um sábado por mês. Ficou interessado?
Só mandar um e-mail para: abpe@pedagogiaespirita.com.br