Filipe Noé da Silva
Doutor em História Cultural (UNICAMP). ORCID: 0000-0001-5075-0131
Pedro Paulo Abreu Funari
Professor Titular do IFCH/Unicamp (Campinas-SP). Doutor em Arqueologia
(USP, São Paulo-SP). ORCID: 0000-0003-0183-7622
Resumo:
Neste artigo, propomos uma interpretação
sobre o cristianismo desenvolvido nos primeiros séculos que
evidencie suas características compartilhadas com outros referenciais
religiosos populares do império romano nesse mesmo período.
Para tanto, realizamos um cotejo entre a tradição textual
judaico-cristã e vestígios arqueológicos, referentes
sobretudo à religiosidade de grupos sociais desprovidos de
pleno direito, com o objetivo de avaliar suas similaridades. Esperamos
que esse exercício comparativo possa reiterar a feição
mediterrânica da religiosidade cristã.
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Introdução
Religiosidade (Bulbulia et alii, 2008) e subalternidade
(Bhabha, 1996) nem sempre são termos associados (Gurevich,
1990; Funari, 1994). E, no entanto, são aspectos relacionados.
Neste artigo, trataremos de ambas, no seu entrecruzar, entre os primeiros
seguidores de Jesus e na sociedade em geral, ao colocar em contato
a tradição textual com vestígios arqueológicos
em contexto popular. Iniciamos com considerações epistemológicas
sobre o funcionamento e transformação sociais, sobre
a religiosidade e sobre o caráter subalterno ou popular. Em
seguida, apresentamos essa inserção social dos primeiros
seguidores de Jesus para centrar na convivência espiritual no
mundo romano, na salvação, na cura, na convivência
popular quotidiana, culminado com breve estudo de evidência
arqueológica. Concluíamos pela relevância de uma
perspectiva subalterna para o conhecimento da sociabilidade religiosa
popular, à época do cristianismo primitivo ou inicial.
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