Espiritualidade e Sociedade





Bettina E. Schmidt

>   Mediumship as Glocalized Phenomena: Reflections on a Journey into the Study of Mediumship in Brazil

Artigos, teses e publicações

Bettina E. Schmidt
>  Mediumship as Glocalized Phenomena: Reflections on a Journey into the Study of Mediumship in Brazil
> Mediunidade como Fenômenos Globalizados Reflexões sobre uma Jornada de Estudo da Mediunidade no Brasil

 

 

(trecho inicial traduzido)

 

A mediunidade tem sido relatada em sociedades de todo o mundo e é considerada pelos médiuns como uma habilidade global, não restrita por tradição, origem social ou étnica ou biologia, como o gênero dos médiuns (Bourguignon 1976). No entanto, existe uma tendência entre pessoas de fora a considerar a mediunidade como uma habilidade feminina restrita pela biologia. Mas essa percepção da mediunidade é enganosa. Mesmo a impressão de uma predominância de mulheres em cultos de transe possessivo (Bourguignon 1983, 414) não é confirmada por pesquisas recentes. Estudos têm mostrado que os rituais mediúnicos não se limitam aos desamparados, e a simples equação “mulheres igual a transe possessivo” não se justifica pelos dados que temos disponíveis (por exemplo, Sered 1994, Keller 2002). Utilizarei o debate sobre a distribuição de gênero entre médiuns de diferentes comunidades brasileiras como pano de fundo para uma reflexão mais ampla sobre a diversidade de escalas que as comunidades utilizam para interpretar, explicar e ensinar a mediunidade.

Trabalho com religiões mediúnicas desde 1990. Meu foco de pesquisa foi inicialmente o espiritismo e religiões de origem africana em Porto Rico e a diáspora caribenha em Nova York, embora eu o tenha expandido posteriormente ao transferir minha área de pesquisa para o Brasil e agora inclua também formas de cristianismo carismático. Como antropóloga cultural, meu foco sempre foi o contexto etnográfico da prática mediúnica. Como Csordas aponta em uma discussão sobre diferentes tipos de evidência, a evidência etnográfica não é uma evidência jurídica, mas é “mobilizada para identificar padrões culturais e arranjos sociais, e a evidência etnológica para identificar regularidades entre culturas” (2004, 474). Consequentemente, minha pesquisa anterior se concentrou nesses padrões culturais em relação à mediunidade. No entanto, as discussões em Colônia sobre habilidade e escalas em relação à mediunidade me inspiraram a revisitar minha compreensão anterior sobre o tema. Vou focar aqui na pesquisa que realizei no Brasil em 2010 e que é apresentada com mais detalhes em meu livro Espíritos e Transe no Brasil (Schmidt, 2016a). Embora eu não apresente novas perspectivas etnográficas, refletirei sobre os dados etnográficos em uma estrutura diferente, ou seja, a tensão entre escalas locais e habilidade global.

Argumentarei que, enquanto os médiuns brasileiros consideram a mediunidade uma habilidade global, nosso foco como antropólogos está na diversidade de escalas locais. Refletindo sobre minhas entrevistas com médiuns brasileiros, apresentarei aqui suas interpretações da prática lado a lado, sem apresentar uma como mais importante que a outra. Meu objetivo é mostrar a diversidade de ontologias locais e das maneiras pelas quais as comunidades ensinam e desenvolvem a habilidade mediúnica. Mostrarei que a maioria das comunidades, mas não todas, considera a mediunidade uma habilidade que todos possuem, mas que muitas vezes permanece subdesenvolvida. Essas comunidades, portanto, implementam várias maneiras de desenvolver essas habilidades, seja por meio de ensino (secular) ou iniciação (religiosa). O entendimento geral entre os médiuns brasileiros é que os seres humanos têm a capacidade, mas precisam de instrução sobre o que fazer com ela e como desenvolvê-la. Mas antes de abordar a discussão sobre escalas locais e habilidade global, refletirei sobre minha posição anterior nos estudos de mediunidade. Isso explicará meu ponto de partida na discussão sobre escalas e habilidade, antes de prosseguir para uma visão geral das diferentes escalas em relação à mediunidade e gênero e, finalmente, na terceira seção, para a interconexão entre habilidade e escalas em minha discussão sobre “glocalização” e mediunidade como uma habilidade com escalas locais.

 

Introduction
Mediumship has been reported from societies across the globe and is regarded by mediums as a global skill, not restricted by tradition, social, or ethnic background or biology, such as the gender of the mediums (Bourguignon 1976). However, there is a tendency among outsiders to regard mediumship as a female skill restricted by biology. But this perception of mediumship is misleading. Even the impression of a predominance of women in possession trance cults (Bourguignon 1983, 414) is not confirmed by recent research. Studies have shown that mediumship rituals are not limited to the powerless, and the simple equation “women equals possession trance” is not justified by the data we have at hand (e.g. Sered 1994, Keller 2002). I will use the debate on gender distribution among mediums of different Brazilian communities as the background for a wider reflection on the diversity of scales that are used by the communities to interpret, explain, and teach mediumship.

 

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B. E. Schmidt
Institute of Education and Humanities, University of Wales Trinity Saint David,
Carmarthen, UK


 

Fonte: https://link.springer.com/content/pdf/10.1007/978-3-662-72097-4_11

 

 

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