A cada dia que desenvolvemos nossos estudos sobre o tema reencarnação
estamos vendo que, infelizmente, muitas coisas foram expurgadas das
Sagradas Escrituras, a verdade pouco lhes importa, com o
objetivo de justificar a manutenção de dogmas religiosos.
Dogmas esses que ainda servem aos interesses das lideranças
religiosas, que buscam de todas as formas fazer com que seus fiéis
permaneçam na ignorância e assim sigam acreditando nessa
teologia "Adão e Eva".
Assim, é que já em Êxodo
20, 5, mudaram a preposição, que fatalmente nos levaria
à conclusão da existência da reencarnação,
quando trocam o "na" por "até", vejamos:
"... porque eu, Iahweh teu
Deus, sou um Deus ciumento, que puno a iniqüidade dos pais
sobre os filhos até a terceira e quarta geração
dos que me odeiam".
Só que, com essa mudança,
o texto entra em conflito com outra passagem bíblica:
"Os pais não serão
mortos em lugar dos filhos, nem os filhos em lugar dos pais. Cada
um será executado por seu próprio crime". (Dt
24, 16) [ ].
Entretanto, se colocarmos a preposição
"na" em lugar da usada no texto, ficaremos perfeitamente
coerentes com essa passagem anterior e a justiça divina não
puniria um inocente, mas o próprio espírito culpado
que nasceria como neto ou bisneto dele mesmo, ou seja, o próprio
criminoso reencarnado como um de seus descendentes.
Sempre lemos, de outros autores, que
a idéia da reencarnação existia no cristianismo
primitivo e existe no judaísmo, como por exemplo,
Dr. Severino Celestino da Silva, em Analisando as
Traduções Bíblicas, H. Spencer Lewis,
F.R.C, Ph.D., no livro A Vida Mística de Jesus e o teólogo
alemão Holger Kersten, autor de Jesus Viveu
na Índia, do qual transcrevemos:
"Até agora, quase todos
os historiadores da Igreja acreditaram que a doutrina da reencarnação
foi declarada herética durante o Concílio de Constantinopla
em 553. No entanto, a condenação da doutrina se deve
a uma ferrenha oposição pessoal do imperador Justiniano,
que nunca esteve ligado aos protocolos do Concílio. Segundo
Procópio, a ambiciosa esposa de Justiniano, que, na realidade,
era quem manejava o poder, era filha de um guardador de ursos do
anfiteatro de Bizâncio. Ela iniciou sua rápida ascensão
ao poder como cortesã. Para se libertar de um passado que
a envergonhava, ordenou, mais tarde, a morte de quinhentas antigas
‘colegas’ e, para não sofrer as conseqüências
dessa ordem cruel em uma outra vida como preconizava a lei do Carma,
empenhou-se em abolir toda a magnífica doutrina da reencarnação.
Estava confiante no sucesso dessa anulação, decretada
por ‘ordem divina’".
"Em 543 d.C. o imperador Justiniano,
sem levar em conta o ponto de vista papal, declarou guerra frontal
aos ensinamentos de Orígenes, condenando-os através
de um sínodo especial. Em suas Obras De Principiis e Contra
Celsum, Orígenes (185-235 d.C), o grande Padre da Igreja,
tinha reconhecido, abertamente, a existência da alma antes
do nascimento e sua dependência de ações passadas.
Ele pensava que certas passagens do Novo Testamento poderiam ser
explicadas somente à luz da reencarnação".
"Do Concílio convocado
pelo imperador Justiniano só participaram bispos do Oriente
(ortodoxos). Nenhum de Roma. E o próprio Papa, que estava
em Constantinopla naquela ocasião, deixou isso bem claro".
"O Concílio de Constantinopla,
o quinto dos Concílios, não passou de um encontro,
mais ou menos em caráter privado, organizado por Justiniano,
que, mancomunado com alguns vassalos, excomungou e maldisse a doutrina
da pré-existência da alma, apesar dos protestos do
Papa Virgílio, com a publicação de seus Anathemata".
"A conclusão oficial
a que o Concílio chegou após uma discussão
de quatro semanas teve que ser submetida ao Papa para ratificação.
Na verdade, os documentos que lhe foram apresentados (os assim-chamados
‘Três Capítulos’) versavam apenas sobre
a disputa a respeito dos três eruditos que Justiniano, há
quatro anos, havia por um edito declarado heréticos. Nada
continham sobre Orígenes. Os Papas seguintes, Pelágio
I (556-561), Pelágio II (579-590) e Gregório (590-604),
quando se referiram ao quinto Concílio, nunca tocaram no
nome de Orígenes".
"A Igreja aceitou o edito de
Justiniano – ‘Todo aquele que ensinar esta fantástica
pré-existência da alma e sua monstruosa renovação
será condenado’ – como parte das conclusões
do Concílio. Portanto, a proibição da doutrina
da reencarnação não passa de um erro histórico,
sem qualquer validade eclesiástica" (pág.
240-241).
E especificamente quanto ao
judaismo podemos comprovar pelo historiador judeu Flavius Josephus,
citado por Dr. Hernani de Guimarães Andrade, no livro Você
e a Reencarnação, à página 28. Dr. Hernani
em referência a WHISTON (The Works of
Flavius Josephus, trad. Willian Whiston, M.A., London: War, Loc &
Co. Limited.), diz-nos:
Flavius Josephus (37 a 95 a.D.), intelectual
e historiador judeu, em sua famosa obra De Bello Judaico, faz a seguinte
advertência aos soldados judeus que preferiam desertar, suicidando-se:
"Não vos recordais de
que todos os espíritos puros que se encontram em conformidade
com a vontade divina vivem no mais humildes dos lugares celestiais,
e que no decorrer do tempo eles serão novamente enviados
de volta para habitar corpos inocentes? Mas que as almas daqueles
que cometeram suicídio serão atiradas às regiões
trevosas do mundo inferior?" (Josephus,
1910).
Entretanto, até nessa clássica
obra desse autor da antiguidade modificaram o texto para, obviamente,
fugir da idéia da reencarnação,
conforme podemos comprovar pela tradução de Vicente
Pedroso, publicada no livro História
dos Hebreus, (CPAD, 7ª ed., 2003), que diz o seguinte
(pág. 600):
"Não sabeis que Ele
difunde suas bênçãos sobre a posteridade daqueles,
que depois de ter chamado para junto de si, entregam em suas mãos,
a vida, que, segundo as leis da natureza, Ele lhes deu e que suas
almas voam puras para o céu, para lá viverem felizes
e voltar, no correr dos séculos, animar corpos que sejam
puros como elas (*) e que ao invés, as almas dos ímpios,
que por uma loucura criminosa dão a morte a si mesmos são
precipitados nas trevas do inferno".
(*) Parece, segundo
estas palavras, que Josefo acreditava na metempsicose.
Observar que apesar dos textos serem
bem semelhantes, mudaram todo o sentido do original para fugir da
idéia da reencarnação. Dúvida que envolveu
até o próprio editor: "Parece, segundo estas palavras,
que Josefo acreditava na metempsicose", querendo dissimular o
pensamento sobre a reencarnação.
Mas se esqueceu de modificar o que
disse Josephus, quando fala no que acreditavam os fariseus:
"Eles julgam que as almas são
imortais, que são julgadas em um outro mundo e recompensadas
ou castigadas segundo foram neste, viciosas ou virtuosas; que umas
são eternamente retidas prisioneiras nessa outra vida e que
outras voltam a esta" (op. cit., pág.
416).
Entretanto, o mesmo não aconteceu
com a tradução do livro Atos dos Apóstolos
23, 8, onde se diz que os fariseus sustentam "a ressurreição",
quando, na verdade, deveria ser "a reencarnação",
conforme nos informa o historiador judeu.
Podemos ainda acrescentar as informações
contidas no livro As Rodas da Alma, onde o Rabino
Philip S. Berg desenvolvendo o tema dentro da ótica
cabalista, diz a certa altura (pág. 29):
"Entre todos os que aceitam
a doutrina da reencarnação, talvez os cabalistas sejam
os únicos que acreditam que uma alma pode retornar num nível
inferior daquele que deixou em uma vida anterior. Efetivamente,
se o peso do tikun (correção) for suficientemente
pesado, uma alma humana poderá se encontrar reencarnada no
corpo de um animal, de uma planta ou até mesmo de uma pedra".
"A Cabala é o significado
mais profundo e oculto da Torá, ou Bíblia", diz
Berg, o que confirma que é um conhecimento do judaísmo
místico, segundo suas próprias palavras.
Trazemos também a opinião
de Sérgio F. Aleixo, escritor e estudioso
da Bíblia, que em seu livro Reencarnação
– Lei da Bíblia, Lei do Evangelho, Lei de Deus,
diz o seguinte (pág. 21):
"Neste trabalho, queremos demonstrar
que a cultura judaico-cristã tem precedentes reencarnacionistas
incontestáveis, a despeito de as políticas igrejeiras,
sustentadas pelos mais absurdos teologismos, se obstinarem ainda
em negá-los".
É comum a certas pessoas advogarem
que devemos, para interpretar a Bíblia, levar em conta o contexto
histórico, mas quando o fato é reencarnação
não seguem a sua própria recomendação.
Os fatos históricos estão aí relatados, e não
há como mudá-los. Resta então aos fanáticos
a humildade de mudarem de posicionamento em relação
ao assunto. Embora sinceramente achamos isso muito difícil,
pois são completamente cegos, cuja única verdade que
aceitam é a que lhes ensinaram, pouco importa se corresponde
à realidade ou não. Todos os que pensam diferente deles
são "heréticos" que precisam ser combatidos.
Aos que ainda nos dias de hoje perseguem
os Espíritas por causa desse princípio doutrinário
do Espiritismo, recomendamos que leiam mais, mas saiam da literatura
de autores "recomendados" e busquem a verdade em outras
obras, principalmente de outros autores, estudiosos e pesquisadores
da reencarnação, que não os de sua corrente religiosa.
Somente os que temem a verdade é que proíbem a leitura
de obras fora do "nihil obstat" de sua liderança
religiosa.
ALEIXO, S.F. Reencarnação – Lei
da Bíblia, Lei do Evangelho, Lei de Deus, Niterói, Lachâtre,
2003.
ANDRADE, H.G. Você e a Reencarnação,
Bauru, CEAC, 2002.
BERG, P. S. As Rodas da Alma, São Paulo, Centro
de Estudos da Cabala, 1998.
CHAVES, J. R. A Reencarnação Segundo
a Bíblia e a Ciência, São Paulo, 2002.
DIVERSOS. Bíblia de Jerusalém, São
Paulo, Paulus, 2002.
KERSTEN, H. Jesus Viveu na Índia. São
Paulo, Best Seller, 1988.
LEWIS, H.S. A Vida Mística de Jesus, Curitiba,
AMORC, 2001.
SILVA, S. C. Analisando as Traduções
Bíblicas. João Pessoa; Idéia, 2001.