Ao longo do tempo, vínhamos
observando que o nome civil de Allan Kardec apresentava, para nossa
surpresa, uma variação na ordem das palavras que compõem
o seu nome civil. Até então, não havíamos
nos preocupado muito com isso, entretanto, ao preparar a palestra
Terceira Revelação – Espiritismo e Kardec,
para ser apresentada no Grupo Espírita de Fraternidade Albino
Teixeira, em Belo Horizonte, MG, voltamos a perceber essa divergência
e aconteceu que resolvemos pesquisar visando saber as causas disso,
porquanto isso intrigou-nos demais.
Estaremos apenas levantando a questão
da ordem das palavras, portanto, não iremos buscar informações
sobre usar "z" ao invés de "s" em Denisard,
um "p" ou dois "pp" e "i" ao invés
de "y" em Hypolite, fatos que estamos registrando para que
você leitor tome ciência disso.
Quando formos referenciar os documentos usaremos a numeração
que colocamos em cada fonte, conforme constam nas Referências
bibliográficas.
Vamos denominar de "Documentos oficiais", aqueles produzidos
por órgão público ou particular encarregado de
algum tipo de registro e "Documentos não oficiais"
os provenientes de outras fontes, incluindo, aí algumas produzidas
pelo próprio Kardec.
Nos documentos oficiais temos:

Então, aqui temos "Denisard" e "Léon"
não mantendo-se na mesma ordem, sendo que o primeiro a variação
é a metade das ocorrências. Via de regra, dar-se-ia preferência
ao que se utilizou na certidão de nascimento, caso na França
seguisse o que ocorre aqui no Brasil nesse particular.
Mais à frente iremos apresentar a imagem constante na obra,
da qual foram tomados todas as ocorrências; porém, algo
já nos chamou a atenção na certidão de
nascimento: qual é a razão da virgula depois de Denisard?
Novamente, apenas para registro, observe que na certidão de
óbito de Kardec lê-se Denisart e não Denisard,
ou seja, em lugar do "d", apareceu-nos um "t".
Vejamos agora como consta o nome de Kardec nos documentos não
oficiais:

Nas duas ocorrências, onde Kardec não assinou o nome
todo, ele coloca as iniciais exatamente na ordem que utilizou em seu
testamento, que, por sua vez, é quase idêntica à
que consta do Novo Dicionário Universal, publicado por Maurice
Lachâtre (1814-1900), a não ser pela troca do "y"
pelo "i" e o uso de dois "pp".
Vejamos como alguns autores das fontes, que foram por nós utilizadas,
tratam dessa questão.
Jorge Damas Martins (1957- ) e Stenio Monteiro de Barros (1945- )
se limitaram a apresentar o nome conforme consta da certidão
de nascimento, da qual apresentam um fac-símile, que iremos
mostrar mais à frente.
Przemyslaw Grzybowski (1968- ) também menciona a diferença
na ordem e opta por aquela utilizada por Kardec, justifica dizendo
que foi ela que o Codificador assinou em suas obras.
Zêus Wantuil (1924- 2011) e Francisco Thiesen (1927-1990), em
nota explicativa sobre primeiro livro de Kardec – Cours
Pratique e Theórique d'Arithmétique, d'apres la méthode
de Pestalozzi, informam:
Tanto nesta
quanto em todas as demais obras pedagógicas do mesmo autor,
seu nome está sempre estampado abreviadamente, como se segue:
H. L. D. Rivail, o que vem patentear, a olhos vistos, a maneira
por que ele dispunha o seu nome, ou seja: Hippolyte Léon
Denizard Rivail, fato para o qual o Dr. Canuto Abreu, ilustre espírita
brasileiro, já chamava a atenção na revista
"Metapsíquica" de 1936, p. 112,
dizendo que Hippolyte aparecia ainda como prenome nos registros
de batismo e de casamento, bem assim nos documentos públicos
em que ele lançava o seu nome por extenso ou abreviado.
(WANTUIL e THIESEN, vol. I, 2004, p. 96)
E mais à frente, no capítulo
"Kardec e o seu nome civil", apresentam várias considerações
pelas quais justificam optar por Hippolyte Léon Denizard Rivail,
que será bem interessante ao presente estudo, porquanto elenca
a lista, objeto de sua consulta, razão pela qual transcrevemos
o seguinte trecho:
[...] importa fazer algumas observações
preliminares:
a) Tanto a certidão de nascimento (sic) quanto o registro
de batismo do futuro Allan Kardec inscrevem Denizard(124) e cremos
que também assim o faz o contrato de casamento(125).
b) Por ocasião do passamento de Kardec, a "Revue
Spirite" de 1869 publicou a páginas 130
um artigo da Redação intitulado -"Biographie
de M. Allan Kardec", Aí aparece escrito,
em grifo - Léon-Hippolyte-Denizart Rivail.
Dois grandes discípulos de Kardec - Camilo Flammarion e Léon
Denis - escreveram de maneira diferente o nome do mestre lionês.
O primeiro, no seu "Discours prononcé
sur la tombe d'Allan Kardec", brochura editorada
em 1869, apôs, em nota, ao pé da pág. 7: "Léon-Hippolyte-Denisart-Rivail".
O segundo, no "Prefácio" da 4ª edição
da obra de Henri Sausse citada na nota (1), escreveu este período,
à p. 8: Remarquons que mon nom est enchâssé
dans celui d'Allan Kardec qui s'appelait en réalité:
Hippolyte, Léon, Denisard Rivail".
c) A velha, mas sempre consultada obra de J.-M. Quérard -
"La France Littéraire ou Dictionnaire Bibliographique
(...)", Paris, tomo VIII (1836), p. 58, registou: "Rivail
(H. L. D.)"; o tomo XII (1859-64), p. 450, escreveu: "RIVAIL
(Hippolyte-Léon Deriízart)".
d) o famoso "Dictionnaire Universel des Contemporains,
contenant toutes les personnes notables de la France et des pays
étrangers". de G. Vapereau, Paris, regista em sua 3ª
edição (1865), inteiramente refundida e consideravelmente
aumentada, pp. 31/2, e na 4ª edição (1870), p.
30: "Allan-Kardec (Hippolyte-Léon-Denizard
Rivail, dit)" ...
O pseudônimo Allan-Kardec, conforme se lê no Prefácio
datado de 1/12/1861, só entrou para o Dicionário de
Vapereau a partir de sua 2ª edição, dada a público
provavelmente entre 1861 e 1863.
A quinta edição desta obra (1880) não inscreveu
o nome Allan Kardec, mas a sexta edição (1893) traz,
no pé da p. 26, a mesma grafia que demos acima para o nome
de Kardec.
e) O "Catalogue Général de la Librairie
Française", redigido por Otto Lorenz,
Livreiro, escreve no tomo I, Paris, 1867, p. 27: "Allan Kardec,
nom fantastique adopté par M. H.L.D. Rivail";
no tomo IV, Paris, 1871, p. 240: RIVAIL (Léon
Hippolyte Denisart); no tomo V (tome premier du Catalogue
de 1866-1875), Paris, 1876, p. 15: ALLAN KARDEC. Pseudonyme de H.
L. D. Rivail.
f) "Les Supercheries Littéraires dévoilécs",
par J. M. Quérard, segunda edição, consideravelmente
aumentada, publicada pelos Srs. Guslave Brunet e Pierre Jannet,
seguida (...), assim regista no tomo I, primeira parte (1869), a
pp. 266: "Allan Kardec (Hipp.-Léon Denizart
RIVAIL), ancien chef d'institution, à Paris
(...)"
g) O "Nouveau Dictionnaire Universel",
por Maurice Lachâtre, s. d.126, Paris, tomo primeiro, p. 199,
regista: "Allan Kardec (Hippolyte-Leon-Denizard
Rivail)", fazendo a seguir longa biografia do
Codificador.
h) O "Orand Dictiormaire Universel du XIXe Siecle",
por M. Pierre Larousse, Paris, tomo nono (1873), regista: "Kardec
(Hippolyte-Léon-Denizard Rivail,
plus connu sous le pseudonyme d'Allan)"...
i) Faz exatamente o mesmo o "Nouveau Larousse Illustré"
(1897-1904), publicado sob a direção de Claude Augé,
tom V.
j) O "Dictionnaire Biographique et Bibliographique",
por Alfredo Dantès, Paris, 1875, p. 26, escreve: "Allan
Kardec (Hipp. Léon Denizard Rivail)...
k) O "Manuel Bibliographique des Sciences Psychiques
ou Occultcs", por Albert L. Caillet L C., Paris,
1912, regista:
Tomo I, p. 28: "RIVAIL (Hippolyte-Léon-Denizard)"...
Tomo II, p. 487: "Hippolyte Léon Denizard Rivail"...
Tomo III, p. 407: "RIVAIL (Hippolyte-Léon-Denizard)
dit Allan Kardec"...
l) O "Dictionnaire de Biographie Française",
Paris, inclui no tomo segundo (Alíénor-Antlup), 1936.
sob a direção de J. Balteau (Agrégé
d'Htstoire), de M. Barroux (Archiviste paléographe, directeur
honoraire des Architves de la Seine) e M. Prevost (Archiviste paléographe.
conservateur adjoint à la Bibliotheque Nationale), com o
concurso de numerosos e cultos colaboradores, inclui, como dissemos,
na p. 98, o pseudônimo Allan Kardec, escrevendo-lhe assim
o nome, de acordo com o registro de nascimento: "Denizard,
Hippolyte, Léon Rivail"...
m) O "Nouveau Dictionnaire Encyclopédique
Universel Illustré", sob a direção
de Jules Trousset (3º vol.), escreve: "KARDEC (Hippolyle-Léon-Denizard
RIVAIL)"...
n) "La Grande Encyclopédie",
por uma "Société de Savants et de Gens de Lettres"
(1885-1902), escreve no volume 28: "RIVAIL.
(Hippolyte-Léon-Denizard)"...
o) O tomo II (1900), coluna 319, do "Cataloque
Général des livres imprimés de la Bibliothèque
Nationale", Paris, regista assim o nome de Allan
Kardec: Hippolyte-Léon-Denizard Rivail.
Nas colunas seguintes, o mesmo "Catálogo", ao relacionar-lhe
as obras pedagógicas, põe sempre: H.-L.-D. Rivail.
Apenas por essa amostra, incompleta. podem os leitores verificar
haver uma quase unanimidade na maneira de se grafar a palavra principal
em estudo.
_______
(124) Henri Sausse - "Biographie d'Allan Kardec"
(Nouvelle Édition), 1910, p. 12; 4me édition (1927),
pp. 18 e 19.
(125) idem, ibidem, p. 14; id. ib., p. 22.
(126) O Dicionário não traz a data de publicação,
nem no primeiro nem no segundo e último tomo. Ramiz Galvão
coloca-lhe o aparecimento em 1865-1870.
(WANTUIL e THIESEN, vol. I, 2004, p. 228-231) (grifo
nosso).
O escritor Jorge Rizzini (1924-2008), mantem-se firme na escolha do
nome que consta da certidão de nascimento, alegando que é
esse que vale, por originar de documento oficial. Além disso,
ele tece as seguintes considerações sobre a pesquisa
de Wantuil:
Quer Zeus Wantuil que o nome civil de Kardec
seja "Hippolyte León Denizard Rivail". Entre seus
argumentos destaca o registro de batismo e o de casamento. O primeiro
nada representa, afirmemos logo. A certidão de nascimento,
sim, pois é expedida pelas autoridades do país. Ninguém
pode provar a filiação e a autenticidade de seu nome
senão através da certidão de nascimento; com
ela é que se obtêm os demais documentos.
Resta a certidão de casamento, na qual, muito estranhamente,
se apoia Zeus Wantuil – estranhamente, repetimos, porque ninguém,
que no Brasil quer no estrangeiro, divulgou-a. Mas, é óbvio,
Allan Kardec não poderia casar-se no civil sem antes apresentar
sua certidão de nascimento; mesmo que se casasse na igreja
teria que fazê-lo. Assim, na certidão de casamento
de Kardec há de constar, também, seu verdadeiro nome:
Denizard Hippolyte León Rivail.
(RIZZINI, 1995, p. 11).
Infelizmente o companheiro Jorge Rizzini restringiu demais a base
de Zêus Wantuil, que, como vimos logo acima, é bem mais
extensa do que aquela que nos quer fazer crer Rizzini, inclusive,
nela se vê que a grande maioria das fontes citadas por Wantuil
utiliza Hippolyte Léon Denizard Rivail.
Quanto à certidão de casamento, que Rizzini alega que
nela deve constar o nome da certidão de nascimento, que supõe
que teria sido apresentada, parece-nos que se deu justamente o contrário,
pois observa-se que, na certidão de casamento, consta exatamente
a grafia não aceita por Rizzini; mas aquela defendida por Wantuil,
ou seja, Hippolyte Léon Denizard Rivail.
Oportuno, também, ressaltar que não é só
Wantuil que cita a certidão de casamento, podemos encontrá-la
em Jorge Damas e Stenio Monteiro, que, inclusive, apresentam um fac-símile
dela (MARTINS e BARROS, 1999, encarte entre as páginas 50 e
51).
Na revista Reformador encontramos o texto
"Allan Kardec e o seu Nome Civil" (p. 24-28) de autoria
de Washington Luiz Nogueira Fernandes (?-), do qual iremos transcrever
e, conforme o caso, comentar alguns trechos:
Nossa visão destes assuntos sempre
foi mais documental, e não literária.
Assim, de posse de cópias dos documentos civis e certidões,
isto é, de Fontes Primárias de informação,
tudo seria esclarecido, não importando debates linguísticos,
ou o que consta em livros de terceiros, que já seriam Fontes
Secundárias, portanto, de valor menor, no tocante a esse
assunto. (FERNANDES, 2000, p. 24).
Concordamos plenamente com o autor, e reconhecemos a nossa dificuldade
em não ter as fontes originais, entretanto, a coisa não
é tão tranquila assim, pois mesmo naqueles que dizem
ter as essas fontes, encontramos problemas como ver-se-á
mais à frente ao apresentarmos fac-símile da certidão
de nascimento de Kardec.
Com relação ao nome civil, positivamente, o que vale
é o registro de nascimento, que justamente atribui nome e
personalidade civil a alguém. O Código Napoleônico
francês (1804) somente fez breves referências a esta
matéria, sendo depois completada pelos textos das leis intermediárias
e pela jurisprudência.
Se, por acaso, o nome no registro de nascimento fosse feito com
algum erro linguístico, semântico, etc., o seu dono
teria que carregar este nome até o fim da vida, em qualquer
lugar do mundo, ressalvado o caso de alterá-lo.
Foi o Ato de Nascimento que atribuiu existência civil a Rivail,
e através do qual ele recebeu um nome e identidade. Citações
em dicionários, enciclopédias e catálogos referentes
a este nome, ainda que publicados no decorrer da vida de Rivail,
valeriam apenas como um registro cultural ou filológico,
sem nenhum alcance para o registro civil. (FERNANDES, 2000, p. 25).
Está coberto de razão,
entretanto, devemos buscar conhecer mais certos detalhes que podem
mudar aquilo que julgamos ser correto. No caso da certidão
de nascimento, inclusive, o próprio autor constata isso neste
texto, após Denizard há uma vírgula, e esse pequeno
sinal gráfico pode mudar tudo. Sobre esse detalhe, argumenta
Washington Luiz, em sua conclusão:
— Definitivamente, o verdadeiro
nome, e o registro civil de Allan Kardec é:
Denisard Hypolite Léon Rivail; observamos que a vírgula
após o prenome Denisard é um procedimento usado ainda
hoje nas certidões de nascimento francesas, que colocam,
aliás, vírgula após cada termo do nome; se
ele nascesse hoje, seria registrado como Denisard, Hypolite, Léon,
Rivail, aparecendo uma vírgula após cada termo;
não podemos confundir isto com citações bibliográficas,
que colocam primeiro o sobrenome e depois a vírgula (Ex:
Kardec, Allan), porque são coisas totalmente diferentes.
Portanto, para efeito de saber o nome correto de alguém,
à vista de sua certidão de nascimento francesa, pode-se
ignorar a vírgula em sua certidão;
(FERNANDES, 2000, p. 27) (grifo nosso).
Estaria tudo certo não fosse
o que nos traz Júlio Abreu Filho (1893-1971), quanto à
questão da vírgula:
Há entre os espíritas
uma certa confusão quanto ao nome do Codificador, por falta
de acomodação entre o sistema francês e o nosso
de citar o nome das pessoas. Para uns o menino em questão
era Léon, para outros Denizard e, ainda para um terceiro
grupo, Hippolyte. É que, de um modo geral, nós ignoramos
que:
I – na França é comum acrescentar-se ao prenome
do menino o de um ou dois avós;
II – nas famílias nobres esse acréscimo se torna
abusivo;
III – por vezes adiciona-se ao prenome do ascendente masculino
o do padrinho;
IV – nos documentos oficiais é praxe escrever
em primeiro lugar o nome da família e depois os prenomes.
Assim, no caso vertente, o prenome é Hippolyte;
os prenomes adicionais, Léon e Denizard
e o nome de família, Rivail. Comumente se
escreve Hippolyte-Léon-Denizard Rivail, enquanto
que nos documentos oficiais escrever-se-ia Rivail Hippolyte-Léon-Denizard.
E, escrevendo certo, justo é se exija a pronúncia
correta.
Perdoem-nos os espíritas a exigência: é que
não compreendemos não se saiba grafar e, menos ainda,
pronunciar nome tão respeitável e que nos é
sobremaneira caro. Seria uma falta de respeito.
(ABREU FILHO, 1995, p. 9-10) (grifo nosso).
Nota-se que não são
concordantes as opiniões de Washington Luiz e Júlio
Abreu, quanto à questão da vírgula, embora, a
deste último pareceu-nos mais coerente, apesar da forma proposta
não ser exatamente a que consta da certidão de nascimento.
Um pouco atrás falamos da dificuldade dos que se lançam
a pesquisar os fatos em ter em mãos as fontes originais, o
que hoje já não se justifica, porquanto, com todos os
recursos de informática disponíveis, esses documentos
já deveriam estar disponibilizados em algum site de alguma
das Instituições que dizem representar o Movimento Espírita.
Para se ter uma boa ideia, dessa dificuldade, vejamos, por exemplo,
a certidão de nascimento de Kardec. Conseguimos três
fac-símiles; dois nas obras que utilizamos e um na Internet,
aqui estão:
Comparando-se as duas primeiras, vemos
claramente que a fonte não pode ter sido a mesma, pois há
diferença entre elas, especialmente, quanto à letra,
que, embora seja muito semelhante não é a mesma. Fora
a questão do local onde consta os selos. A segunda e a terceira,
também, bem semelhantes não têm o nome de Kardec
da mesma forma e disposição. Fato que você, caro
leitor, poderá pessoalmente constatar. O problema é
que todos são tidos como originais, o que nos fez lembrarmos
da frase atribuída a S. Jerônimo: "A verdade
não pode existir em coisas que divergem".
Certamente, que nem temos condições
técnicas para apontar qual é a ordem correta; porém,
mesmo assim arriscaríamos em dizer que trata-se da ordem utilizada
pelo próprio Kardec no seu testamento, por razões, bem
simples, por sinal:
1ª) geralmente que fornece
o nome da criança na ocasião do batismo são
os próprios pais, então, o nome que consta da certidão
de batismo, presumimos que foram os pais de Kardec que o informaram
ao pároco, e, certamente, não dariam o nome errado;
2ª) seria totalmente fora de propósito que o pai de
Kardec, o juiz Jean Baptiste Antoine Rivail, como magistrado iria
orientar o filho a escrever um nome que não fosse o verdadeiro;
3ª) não acreditamos que o próprio Kardec escrevesse
seu nome errado, porquanto, portador de uma considerável
cultura, isso, segundo pensamos, o impediria de utilizar uma ordem
diferente da real;
4ª) a vírgula depois de Denisard, constante da sua certidão
de nascimento, que não faz sentido se a ordem do nome de
Kardec iniciasse com esse prenome, em função dessa
posição levaria o nome para Hypolite Leon Rivail,
Denisard ou talvez para Hypolite Leon Denisard
Rivail, que é exatamente aquela com a qual Kardec assinava.
E, para finalizar, gostaríamos
de deixar claro que não temos nenhuma intenção
de que todos abracem essa forma com a qual estamos vendo o caso e,
além disso, não queremos contestar ninguém que
já escreveu sobre esse assunto, pois estamos apenas juntando
as pesquisas realizadas, para que o leitor, ávido de conhecimento,
possa tê-las reunidas num só lugar.
Referência bibliográfica:
(1) ABREU FILHO, J. O principiante
espírita. São Paulo: Pensamento, 1995.
(2) FERNANDES, W. L. N. Allan
Kardec e o seu nome civil. in. Reformador,
ano 118, nº
2052. Rio de Janeiro: FEB, março 2000, p. 24-28.
(3) INCONTRI, D. e GRZYBOWSKI, P. (org)
Kardec Educador. Bragança Paulista,
SP: Ed. Comenius, 2005.
(4) LACHÂTRE, M. Allan Kardec
in. COSTA NUNES, B. H et al. Em torno do Rivail.
Bragança Paulista, SP: Lachâtre, 2004.
(5) MARTINS, J. D. e BARROS, S. M. Allan
Kardec: análise de documentos biográficos.
São Paulo: Lachâtre, 1999.
(6) RIZZINI, J. Kardec,
irmãs Fox e outros. Capivari, SP: EME, 1995.
(7) WANTUIL, Z. e THIESEN, F. Allan
Kardec: o educador e o codificador, vol. I. Rio de Janeiro:
FEB, 2004.
(8) WANTUIL, Z. e THIESEN, F. Allan
Kardec: o educador e o codificador, vol. II. Rio de
Janeiro: FEB, 2004.
Mar/2012.