Introdução
Entre os opositores do Espiritismo o difícil
é encontrar um que não cite a já repisada
alegação de que a evocação ou consulta
aos mortos é algo proibido por Deus. Aliás, alguns
chegam ao disparate de declarar que a proibição
está em “toda” a Bíblia, quando, a bem
da verdade, encontramos só uma única passagem, para
sermos bem redundantes. Essa se encontra no livro Deuteronômio,
atribuído a Moisés, cujo teor é:
“Quando entrares
na terra que o Senhor, teu Deus te der, não aprenderás
a fazer conforme as abominações daqueles povos.
Não se achará entre ti quem faça passar
pelo fogo o seu filho ou a sua filha, nem adivinhador, nem prognosticador,
nem agoureiro, nem feiticeiro; nem encantador, nem necromante,
nem mágico, nem quem consulte os mortos; pois todo aquele
que faz tal coisa é abominação ao Senhor;...”.
(Dt 18,9-12)(1).
Confessamos
que até hoje não conseguimos entender bem essa história,
pois parece-nos muitíssimo estranho que Deus tenha criado
uma só lei natural que viesse a Lhe causar abominação,
ou seja, repulsa ou aversão a ela. Sim, porque, se os mortos
se comunicam, é pelo motivo de Deus ter criado uma lei
para que tal fato pudesse acontecer.
Por outro lado, aos que dizem seguir as Escrituras, sejam eles
de qualquer denominação religiosa, quando afirmam
que os mortos não se comunicam, caem em contradição,
uma vez que, por força da lógica, teriam que admitir
, para justificar o que pensam, que Deus tenha proibido algo que
não acontece em circunstância alguma; portanto, a
própria proibição bíblica, na qual
se apoiam, é prova inconteste de que os mortos se comunicam,
sob pena de se ter que aceitar que Deus criou algo errado e teve
que proibir.
Desse modo, podemos então ver que essa proibição
só pode se ligar ao motivo pelo qual a faziam; caso não
seja, resta-nos ventilar mais outros dois motivos: ou é
uma proibição de Moisés ou é uma coisa
que nada tem a ver com o que pensam dela. Vamos analisá-los,
um pouco mais à frente, pela ordem inversa, ou seja, do
último para o primeiro.