Tanto Sócrates
(1) quanto Hipócrates (2)
foram fundamentais para o surgimento da ciência do magnetismo
animal. Mesmer, sem dúvida, pode ser considerado como o grande
responsável por resgatar os fundamentos filosóficos
e científicos desses luminares gregos (3).
1- Ler nosso artigo “Mesmer,
os primeiros passos”, publicado na Revista de Estudos
Espíritas.
2- Hipócrates é considerado por muitos uma das figuras
mais importantes da história da Medicina, frequentemente considerado
“pai da Medicina”, apesar de ter desenvolvido tal ciência
muito tempo depois de Imhotep, do Egito Antigo.
3- Paulo Henrique de Figueiredo. Mesmer, A Ciência negada
do Magnetismo Animal, Parte I, Biografia de Franz Anton Mesmer,
página 75, § 2º, 4ª Edição, MAAT.
Enquanto Sócrates afirmava
que o homem é sua alma, e que para curá-la, dizia em
sua filosofia, era necessário aprimorá-la Hipócrates,
considerado um dos primeiros a desenvolver a medicina científica,
além de recomendar a seus alunos o estudo profundo da filosofia
afirmava que “a saúde e o corpo não são
realidades isoladas, mas partes de um amplo conjunto de fatores, desde
o ambiente até questões sociais. A palavra fundamental
para representar a saúde, portanto, é harmonia”
(4). E Mesmer associou esses conceitos
com as descobertas científicas de sua época, elaborando
a terapia do magnetismo animal através da observação
científica.
4- Ibidem.
Mesmo recebendo a melhor educação
disponível para estudantes de Medicina, Mesmer não encontrou
uma formação muito diferente daquelas encontradas há
mais de um milênio. Nenhum estudante de Medicina poderia examinar
corpos no intuito de formular suas próprias conclusões.
A formação dos estudantes de medicina era teórica,
acompanhando a leitura monótona de textos de Galeno e Aristóteles
e mecanicista.
Nessa época, o respeito pela palavra escrita era completo (5),
em detrimento da observação da Natureza. Isso acarretava,
por exemplo, além da orientação materialista
da Medicina, o enclausuramento do raciocínio e da criatividade.
Com isso, a prática médica acabava sendo, muitas das
vezes, prejudicial aos já debilitados doentes. Por outro lado,
após a reestruturação de Gerard Van Swieten
(6), no curso de Medicina na Universidade de Viena, tudo mudou
para melhor.
5- Os estudantes de Medicina eram condicionados
a lerem livros do século II, quase exclusivamente de Galeno.
6- Gerard van Swieten (1700 – 1772) foi médico, anatomista,
bibliotecário, botânico e reformador holandês.
Além de um clínico destacado,
van Swieten possuía uma ampla visão administrativa.
Construiu novos prédios, organizou laboratórios e estabeleceu
novos cursos.
E foi assim que Mesmer, com a faculdade de Medicina totalmente reformada,
dedicou-se a conhecer as particularidades do organismo humano nas
bem estruturadas dependências organizadas por Van Swieten. Vale
ressaltar que até mesmo um jardim botânico foi fundado
por Van Swieten, aproximando, por consequência, Medicina e as
ciências naturais.
Com a estruturação promovida por Van Swieten, tanto
a teoria clínica quanto o estudo da fisiologia ganharam um
grande impulso, substituindo inúmeras práticas antigas
e equivocadas. Porém, apesar desse desenvolvimento, a prática
médica permanecia estagnada. Os tratamentos eram todos baseados
na medicina materialista. Foi exatamente neste ponto que “Mesmer
viria atuar, avançando nas considerações metafísicas
e no estudo objetivo da vitalidade humana” (7),
aos quais não tinham se dedicado os médicos anteriores
a Mesmer.
7- Paulo Henrique de Figueiredo, Op.Cit., página
81, § 3
Através desses estudos, Mesmer
construirá uma concepção relacionando saúde,
ou doença, com o estado da alma. E esse conhecimento, na visão
de Mesmer, era a chave para o ato de curar. E em 1799 Mesmer escrevia
sobre a sua terapia (8): “Eu apresentarei
uma teoria tão simples quanto nova do progresso e do desenvolvimento
das doenças. Também substituirei os princípios
incertos que até agora têm servido de regra à
Medicina, por uma prática igualmente simples, geral e tomada
da Natureza”.
8- Ibidem.