“Ante os mortos queridos, faze
silêncio e ora. Ninguém pode apagar a chama da saudade.
Entretanto se choras, Chora fazendo o bem. A morte para a vida é
apenas mudança. A semente no solo mostra a ressurreição.
Todos estamos vivos na presença de Deus.”
Emmanuel, Chico Xavier
Não há quem não
tenha saudades de alguém que já partiu. A saudade, é
uma palavra típica da nossa língua, refere-se a quem
fica solitário, sem a pessoa que ama. Vem de "soedade",
que já foi "soledade", e que, por sua vez, provém
do latim solitate. Remete a melancolia, saudade do que se foi, do
que se viveu, de alguém que não veremos mais.
Todos nós, seres viventes nessa
experiência como em outros tempos temos como única certeza
que um dia partiremos dessa vida. Muitos ainda são os que acreditam
que tudo tem fim após a morte. Para outros que dormiremos até
o dia do “chamamento”. Para nós espíritas
e simpatizantes é algo muito estudado e já comprovado
que a morte é uma passagem para a verdadeira vida do espírito.
Enquanto encarnados mesmo que não tenhamos noção
disso, ao dormir nosso espírito fica livre e vai de encontro
ao que nos unimos durante o dia em pensamento, seja bom ou mal, a
sintonia é o que define se vamos para aprender, reencontrar
quem amamos ou para saciar os vícios ou ser perturbados por
quem nos conectamos ou atraímos em vidas passadas.
Sabemos que a vida continua e mesmo assim nos
desesperamos com a partida de um ente amado e isso se deve mais ao
apego do que a falta de entendimento.
Temos a sensação de
que depois que partiram a impressão que ficou é de um
vazio sem fim. Que nunca será preenchido novamente. Viver o
luto é algo normal e até considerado saudável,
o descontrole e a revolta é o que traz sofrimento tanto para
quem ainda está encarnado quanto para quem já desencarnou.
Ao nos revoltarmos e entrarmos em
desespero desequilibramos não só a nós, mas afetamos
em muito aqueles que partiram, pois dependendo da forma como foi o
desencarne, muitos precisam permanecer dormindo por muito tempo para
não serem acometidos das vibrações negativas
que são dirigidas à eles.
Alguém pode até questionar
dizendo que “como podemos fazer os que se foram sofrer se temos
tanto amor, se é muito difícil viver sem quem partiu”.
No entanto como já disse Chico Xavier, “a saudade é
uma dor que fere nos dois mundos”.
Na questão 936 do Livro dos
Espíritos temos a resposta para essa inquietação:
Como as dores inconsoláveis
dos que ficam na Terra afetam os Espíritos que partiram?
— O Espírito é
sensível alembrança e às lamentações
daqueles que amou, mas uma dor incessante e desarrazoada o afeta penosamente,
porque ele vê nesse excesso uma falta de fé no futuro
e de confiança em Deus, e por conseguinte um obstáculo
ao progresso e talvez ao próprio reencontro com os que deixou.
A resposta segue o comentário de Kardec: “Estando o Espírito
mais feliz do que na Terra, lamentar que tenha deixado esta vida é
lamentar que ele seja feliz. Dois amigos estão presos na mesma
cadeia; ambos devem ter um dia a liberdade, mas um deles a obtém
primeiro. Seria caridoso que aquele que continua preso se entristecesse
por ter o seu amigo se libertando antes? Não haveria de sua
parte mais egoísmo do que afeição, ao querer
que o outro partilhasse por mais tempo do seu cativeiro e dos seus
sofrimentos? O mesmo acontece entre dois seres que se amam na Terra.
O que parte primeiro foi o primeiro a se libertar e devemos felicitá-lo
por isso, esperando com paciência o momento em que também
nos libertaremos.
Faremos outra comparação.
Tendes uma amigo que, ao vosso lado, se encontra em situação
penosa. Sua saúde ou seu interesse exige que vá para
outro país, onde estará melhor sob todos os aspectos.
Dessa maneira, ele não estará mais ao vosso lado, durante
algum tempo. Mas estareis sempre em correspondência com ele.
A separação não será mais que material.
Ficareis aborrecido com o seu afastamento, que é para o seu
bem?
A doutrina espírita, pela s
provas patentes que nos dá quanto à vida futura, à
presença ao nosso redor dos seres aos quais amamos, à
continuidade da sua afeição e da sua solicitude, pelas
relações que nos permite entreter com eles, nos oferece
uma suprema consolação, numa das causas mais legitimas
de dor. Com o Espiritismo, não há mais abandono. O mais
isolado dos homens tem sempre amigos ao seu redor, com os quais pode
comunicar-se.
Suportamos impacientemente as tribulações
da vida. Elas nos parecem tão intoleráveis que supomos
não as poder suportar. Não obstante, se as suportarmos
com coragem, se soubermos impor silêncio às nossas lamentações,
haveremos de nos felicitar quando estivermos fora desta prisão
terrena, como o paciente que sofria se felicita, ao se ver curado,
por haver suportado com resignação um tratamento doloroso”.
Sofrer a perda de quem nos é
especial é humanamente entendível e igual para ricos
e pobres como afirma a questão 934 do Livro dos Espíritos.
A perda de entes queridos não nos causa
um sofrimento tanto mais legítimo quanto é ela irreparável
e independente da nossa vontade?
— Essa causa de sofrimento atinge
tanto o rico como o pobre: é uma prova de expiação
e lei para todos. Mas é uma consolação poderdes
comunicar-vos com os vossos amigos pelos meios de que dispondes, enquanto
esperais o aparecimento de outros mais diretos e mais acessíveis
aos vossos sentidos.
Sabermos que a vida continua nos dá
forças para continuar a jornada e aguardar o momento do tão
sonhado reencontro.
E quão agraciados somos nós
por nosso Pai Celeste que nos garante a dádiva (quando merecedores)
de nos comunicarmos com quem se foi. Kardec comenta na questão
935 que “a possibilidade de entrar em comunicação
é uma bem doce consolação, que nos proporciona
o meio de nos entretermos com os parentes e amigos que deixaram a
Terra antes de nós. Pela evocação, eles se aproximam
de nós, permanecem do nosso lado, nos ouvem e nos respondem.
Não existe mais, por assim dizer, separação entre
nós e eles, que nos ajudam com os seus conselhos, nos dão
testemunhos da sua afeição e do contentamento que experimentam
por nos lembrarmos deles. É para nós uma satisfação
sabê-los felizes e aprender através deles os detalhes
da sua nova existência, adquirindo a certeza de um dia, por
nossa vez, nos juntarmos a eles”.
Joanna de Angelis em uma de suas mensagens
vem nos afirmar que todos os homens na terra são chamados a
esse testemunho, o da temporária despedida. Muitos acreditam
ser uma experiência fúnebre pensar na vida após
a morte, mas segundo ela mesmo afirma é impreterível
que busquemos o entendimento e que saibamos que a saudade é
momentânea.
O tempo encarnado não são comparáveis
aos tempos além dessa experiência. Saibamos respeitar
o luto de cada um, mas tenhamos a consciência de que o ciclo
da vida segue um dia também partiremos.
Entregas a Deus aqueles que partiram
antes de nós, pois ao abrir a alma para a esperança
estarás confiando no Pai e na certeza de que a vida continua.
Um dia todos estaremos juntos em uma das moradas do Pai, assim nos
afirmou Jesus Cristo.
Paz e Bem!
Kardec, Allan. O livro dos Espíritos.
Mundo maior Editora.
https://espirito.org.br/wp-content/uploads/2017/05/Livro-dos-Espiritos.pdf
https://www.dicionarioetimologico.com.br/saudade/
http://www.oespiritismo.com.br/mensagens/ver.php?id1=383
https://radioboanova.com.br/perda-de-um-ente-querido-evangelho