Resumo
Com foco nas duas principais tradições de matiz africano
no Brasil, o candomblé e a umbanda, sugero que essas tradições
suscitam questões específicas e envolventes para a filosofia
da religião, que a disciplina precisa rever sua metodologia
para abarcá-las, e que o contato entre esses mundos até
então isolados pode iluminar o estudo de ambos. Farei isso
apontando que práticas rituais, tradições orais
e etnografias do candomblé e da umbanda podem abrir caminhos
para debates metodológicos, epistemológicos e metafísicos
em filosofia da religião. Para esse fim, gesticularei na direção
de duas recomendações: a primeira trata-se de empregar
descrições densas para facilitar compreensões
mais ricamente contextualizadas dos fenômenos religiosos; a
segunda trata-se de entender rituais como empreendimentos propriamente
cognitivos.
José Eduardo Porcher
Bacharel, mestre e doutor em filosofia pela Universidade Federal do
Rio Grande do
Sul. Atualmente é pesquisador de pósdoutorado na Universidade
Federal de Santa Maria. Foi pesquisador de pósdoutorado na
Universidade Federal do Paraná, na Faculdade Jesuíta
de Filosofia e Teologia e no Rutgers Center for the Philosophy of
Religion. É membro da atual
diretoria da Associação Brasileira de Filosofia da Religião.
Seu projeto de pesquisa atual, ‘Expanding the Philosophy of
Religion by Engaging with AfroBrazilian Traditions’, é
financiado pela John Templeton Foundation.
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