Medicina e Espiritualidade
Das Utopias:
Se as coisas são inatingíveis... ora !
Não é motivo para não querê-las..
Que tristes os caminhos, se não fora.
A presença distante das estrelas !
(Quintana,1999:36)
A ciência tradicional, fundamentada numa ótica
cartesiana que separava o todo em partes que evoluíram em um
tempo linear, ficou estupefata ante a revolução ocorrida
na década de 20 com a descoberta do mundo quântico. Surgiu
um novo paradigma em que o tempo não é mais linear, onde
o espaço é relativo, onde a mente influencia o surgimento
da matéria, onde existe a possibilidade real da existência
de mais de quatro dimensões em nosso universo e todas as coisas
existentes estão interconectadas. Surgiu uma forma nova de abordagem
em todas as áreas do conhecimento humano.
A medicina ocidental se defronta, também com
uma infinidade de abordagens estranhas ao seu conhecimento. Na medida
em que a medicina oriental se faz conhecida no ocidente, pesquisas surgem
em todo o mundo detectando fatos e realidades aparentemente novas. A
homeopatia e a acupuntura, que se fundamentam nesse outro paradigma,
já são especialidades médicas. Já se pesquisa
a influência da fé e da oração na cura. Pesquisas
em neurociência buscam desvendar o mistério do que seja
mente e consciência, como surge a consciência das sensações,
das percepções e as experiências mentais de expansão
da consciência.
Já existe uma fisiologia propondo um sistema
mental que envolve o sistema nervoso, o sistema endócrino e o
sistema imunológico, estabelecendo as bases da psiconeuroimunologia,
a qual sustenta teoricamente a bioquímica das emoções.
Já se pesquisa também como os pensamentos e as emoções
alteram os parâmetros biofísicos do Ser e como as tensões
musculares, a alimentação correta, a respiração
correta e a correção de posturas físicas, influenciam
na dimensão emocional e mental do Ser. Mais ainda, como a dimensão
espiritual do ser influencia em todos esses níveis.
Esses aspectos já amplamente conhecidos de todas
as tradições espirituais, comumente ainda são ignorados
pela medicina tradicional ocidental, ou quando muito, são abordados
apenas pela ótica fragmentada e dissociada do paradigma tradicional.
Perdemos nossas origens, pois a medicina Hipocrática considerava
a doença como um desequilíbrio entre as influências
ambientais, os modos de vida e os vários componentes da natureza
humana, sendo o processo de cura algo que surge das profundezas do Ser.
Ao médico caberia ajudar, assistir e cuidar dessas forças
naturais dentro de um rigoroso código de ética.
No sentido de reencontrar com as bases originais da
prática médica (um cuidar físico, emocional, mental,
social e ESPIRITUAL), é nossa intenção propor esse
resgate que longe de ser mágico ou místico, é atual,
científico e amplamente pesquisado, abordando o ser humano como
um ser espiritual, multidimensional, que possui uma vertente biológica,
social, psicológica e cultural.
Profª. Eliane Oliveira
UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ
FACULDADE DE MEDICINA
Disciplina: Medicina e Espiritualidade
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