A conceituação em
torno da existência tem recebido diferentes abordagens por
parte do homem contemporâneo. Para muitos, viver significa
desfrutar do prazer, simplesmente. Para outros tantos, viver proporciona
a busca do poder, a fim de possuir e exercer domínio sobre
outras vidas.
Essas duas ideologias correspondem aos dois algozes ainda remanescentes
no íntimo das criaturas, muitas vezes as escravizando.
O desejo de prazer e o desejo de poder, desta forma, encontram-se
arquivados fortemente nos alicerces arcaicos do psiquismo humano.
Não nos referimos ao prazer decorrente da relação
saudável e de afeição legítima, mas
àquele o qual desequilibra a mente da criatura, colocando-a
em um estado de ansiedade e tensão.
À medida, porém, que o homem foi libertando-se das
injunções da espécie e adquirindo a racionalidade,
outros patamares existenciais se lhe desenharam. O prazer e o
poder passaram a ceder lugar à busca do belo nas artes,
na música; à busca do novo, do desconhecido nas
ciências, ao surgimento da criatividade no teatro, na literatura
- enfim, à expansão do espírito nas diversas
áreas do saber e das técnicas.
Enquanto o bruto contentava-se com apenas as sensações
e a posse, o homem sob a luz da razão alçou-se à
busca do infinito, da perfeição nas diversas atividades
executadas, preenchendo-se interiormente, motivando-se para suas
lutas pessoais. Passou a perceber, assim, que o prazer era fugidio
e insuficiente, não se constituindo em resposta para a
existência. O desejo de poder, por sua vez, lentamente foi
cedendo interiormente em favor do domínio de si mesmo,
das técnicas que passaram a promover culturalmente e socialmente
os indivíduos.
Alçados à alturas, nunca antes imaginadas, os homens
e mulheres que não se detiveram nas fronteiras do já
conseguido, prosseguindo seu desenvolvimento intelectual, cultural,
social, conscientizavam-se cada vez mais de que a vida em realidade
era uma incessante busca.
A própria constituição do psiquismo, segundo
o nobre psiquiatra Viktor Frankl, se dá através
do que ele denominou como um saudável estado de tensão:
tensão entre o que se é e o que se deveria ser;
entre o que somos e o que sentimos que podemos ser. A vida,
nesta proposição, não pode prescindir de
objetivos. Sem eles, apodera-se do indivíduo o vazio
existencial - a carência íntima de um sentido
motivador para a existência, denominado igualmente pelo
psiquiatra vienense como depressão noogênica (do
termo grego noos que significa "mente"). Muitas depressões,
sob esta visão, nada mais seriam que o resultado de uma
frustração existencial, ou seja, a angústia
do ser diante de uma vida sem sentido.
Vida sem objetivos bem delineados se asseme-lha a barco em alto
mar e sem leme, à mercê dos ventos e das tempestades,
apenas aguardando o momento do naufrágio.
Cada homem e mulher possui metas pessoais, ideais que traz dentro
de si. Trazê-los à tona, não deixar que estes
projetos íntimos fiquem engavetados, empoeirados
pelo tempo, se constitui na tarefa do momento. Aquele, porém,
que detém seu pensamento nas dificuldades, já perdeu
uma parte da batalha que um dia será travada.
Quem se detém no pântano das idéias pessimistas
e derrotistas, certamente se entorpece com os miasmas que dele
exalam.
Todos estamos fadados ao êxito, já que criados para
a perfeição, como o Mestre nos propôs. A vitória
na atividade encetada, no entanto, não será alcançada
sem lutas. Todo projeto de engrandecimento pessoal e de promoção
de outras vidas encontra obstáculos, adversidades que a
tenacidade, a não-desistência, devem superar... Aquele
que não persevera na sua busca, prova a si e ao Universo
que seu desejo não passava de quimera...
Segundo a benfeitora espiritual Joanna de Ângelis, desenhado
um objetivo interior, forças complexas se organizam para
o alcance do cometimento. Tudo no Universo conspira para o belo,
para a harmonia, para o crescimento incessante...
Ao sintonizar-mos com as correntes mentais superiores, através
de ideais e metas nobres, o Universo do qual somos parte integrante
também responde naturalmente de forma positiva.
Idealizado um objetivo, mãos amigas se candidatam ao auxílio
para o alcance do futuro êxito... Mas quando nos deixamos
impregnar pelo medo e pelos receios injustificáveis, os
projetos são abandonados, a vida fenece em nós...
e o sentido existencial vai se perdendo.
Recuar diante das oportunidades que a vida nos oferece é
deixar de candidatar-se ao não fruído, ao que está
ao alcance de nossas potencialidades, desde que exista o empenho
na tarefa encetada. Conforme Joanna de Ângelis, o ser humano
é capaz de suportar qualquer situação, respeitadas
suas limitações emocionais... Contudo, acrescenta
a mentora de Divaldo Franco, o ser humano é incapaz de
suportar uma existência sem sentido.
Muitos indivíduos ouvem no seu íntimo: "algo
está faltando", "há algo que
ainda não encontrei?" Pois são justamente
estas colocações que devem ser refletidas no final
deste ciclo que se encerra, somando-se esta outra: "O
que a Vida ainda espera de mim?"
É inadiável reexaminar os projetos até agora
executados e avaliar quais deles possuem realmente sentido para
nós. Quais deles nos trazem real motivação
para os nossos dias e quais outros já não servem
neste momento de nossa existência.
*
O sucesso, convencionou-se acreditar, é alcançado
com facilidade por aqueles que o conquistam, através de
facilidades encontradas pelo caminho. Ao observarmos uma pessoa
vitoriosa nas suas atividades, entretanto, não imaginamos
os imensos obstáculos que foram superados, os momentos
difíceis nos quais foram necessários a perseverança
e a tenacidade para não desistir... não abandonar
a meta...
Toda vitória exige luta, quando não altos sacrifícios
pessoais...
Faz-se necessário ser assim, a fim de que o ser humano
amadureça moralmente e psicologicamente, avançando
espiritualmente.
Vida é desafio, nunca uma homeostase existencial,
um abismo de ócio e tranqüilidade absolutos, o que
se constituiria em verdadeira morte para o espírito, deixando
de avançar no rumo da sua plenitude. Desta forma, torna-se
imperioso se estar neste fluxo constante do Universo, nesta pulsação
vibrante que é a existência...
Vida fora do fluxo do Universo, o qual se revela sob desafios,
lutas... objetivos bem traçados, é uma existência
sem vida.
Alcançado um patamar, outro se apresenta desafiador, cada
vez mais complexo, proporcionando o desenvolvimento do intelecto
e dos sentimentos.
Há quem, por outro lado, neste final de ano, se detenha
em aflições... Alguns por aquilo que possuem, preocupados
com as variações da bolsa de valores, com as cotações
das principais moedas, tornando-se escravos da posse. Outros milhares,
por sua vez, afligem-se por aquilo que não têm e
que aparece na tela do televisor, como oportunidade de entretenimento
e mais conforto. Passam, assim, a serem escravos da não-posse,
vivendo mentalmente daquilo que lhes falta, acreditando que somente
se tornarão felizes quando possuírem.
Torna-se necessário o desvencilhar-se dos desejos infantis
da posse, os quais não passam de entulho mental para a
nossa jornada evolutiva. Mais que preencher-se de objetos materiais,
imprescindível se faz preencher-se de amor por si mesmo,
locupletando nossas lacunas interiores.
Neste caminho de auto-iluminação certamente a derrota
nos visitará, vez por outra, já que faz parte do
caminho daquele que busca. A derrota não significa fracasso.
Este se caracteriza pela desistência, pela falência
dos ideais, pela desestruturação emocional diante
da derrota.
Ser derrotado, longe de ser sinônimo de fracasso, nos traz
a mensagem de que devemos examinar melhor os trajetos escolhidos,
aperfeiçoando a nossa tática para a conquista do
êxito. Ela se torna, dessa forma, quando bem assimilada,
instrumento de amadurecimento que predispõe o indivíduo
à vitória, a qual chegará mantida a determinação
na sua busca.
*
Quando as dificuldades nos visitarem, neste
novo ciclo que se inicia, torna-se indispensável a oração,
a sintonia com as faixas superiores da vida. Aquele que ora, impregnado
fica de emanações de equilíbrio, as quais
inundam o seu superconsciente, o qual passa a nutrir
o ego de energias para as lutas diárias, somando-se ao
auxílio da intuição a nos trazer informações
sequer imaginadas...
Quem ora, reconhece sua pequenez diante do Universo e recebe o
acolhimento da Vida por se fazer humilde. Ao fazer-se um pedido
com sinceridade, espíritos amigos se apresentam, motivados
pela beleza da existência, pela busca do prazer de serem
instrumentos na grande sinfonia do Cosmos.
Nunca estamos sós. Muitas vezes somos nós próprios
a nos desviar do fluxo da vida, a sintonizar-mos com esferas inferiores,
atraindo prejuízos de variada ordem.
Vida, portanto, é luta, desafio incessante... oportunidade
de realização, de êxito, em qualquer atividade.
Perseverar, não desistir, e buscar os ideais que trazemos
em nós sempre, tais são os pré-requisitos
aos futuros campeões, mesmo que inexistam aplausos...
Porque, embora destituído destes, mantendo-se a busca,
estará o espírito preenchido de uma vida plena de
sentido - de uma real vontade de viver.