Espiritualidade e Sociedade





Léo Carrer Nogueira


>   Novas formas de expressão da Umbanda na Modernidade: a Teoria do Rizoma Umbandista

Artigos, teses e publicações

Léo Carrer Nogueira
>   Novas formas de expressão da Umbanda na Modernidade: a Teoria do Rizoma Umbandista

 

Léo Carrer Nogueira - Doutor em história pela Universidade Federal de Goiás (2017); docente do Programa de Pós-Graduação em História da UEG, Campus Morrinhos (PPGHIS);

 

 

INTRODUÇÃO

 

A umbanda é uma das principais religiões afro-brasileiras surgidas em nosso país. Resultado das práticas religiosas de africanos que foram trazidos para o Brasil ao longo dos últimos séculos, somente no século XX ela se organiza como religião institucionalizada, ainda que sem um corpo doutrinário e ritualístico unificado. Aliás, esta será uma das principais características desta religião: sua diversidade e dinamicidade.

Os primeiros estudos sobre a umbanda surgiram quase concomitante ao seu aparecimento. Já no início do século XX, Nina Rodrigues (1935) e, depois dele, Arthur Ramos (2001), se dedicavam a analisar as práticas religiosas dos negros bantos, sempre em contraposição aos negros sudaneses, que deram origem aos diferentes grupos de nações do candomblé. Desde então, novas teorias e formas de se encarar a religião umbandista surgiram, e novos autores propuseram modelos explicativos que buscassem abarcar a diversidade de práticas rituais encontradas nos terreiros por todo o país. O mais célebre destes autores foi Cândido Procópio Ferreira de Camargo (1961), que teria se dedicado ao estudo e interpretação do que ele chamava de “religiões mediúnicas”. Para explicar as influências mútuas que existiam entre a umbanda e o espiritismo de origem kardecista ele desenvolve a teoria do continuum mediúnico, teoria que teria se tornado clássica como chave explicativa para as práticas umbandistas.

Ao observarmos as práticas umbandistas na modernidade, no entanto, percebemos que os modelos existentes não se encaixam mais apenas no continuum entre kardecismo e umbanda proposto por Camargo (1961). O que temos percebido é que hoje a umbanda se constitui em uma infinidade de práticas diferentes, com influências que vão além do kardecismo, superando, portanto, este continuum. Por isto propomos neste artigo uma revisão deste conceito explicativo, assim como sugerimos sua ampliação para um conceito que achamos mais adequado para a realidade desta religião hoje: a teoria do rizoma umbandista.

- obs. Para o autor, são religiões mediúnicas aquelas baseadas no contato entre o mundo terreno e o mundo dos espíritos, por meio do fenômeno da incorporação. Entre outras podemos citar como exemplo a umbanda e o kardecismo.

 

O CONTINUUM MEDIÚNICO

 


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Fonte: https://www.editorafi.org/ebook/c029-historia-religiosidade

 

 

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