INTRODUÇÃO
A umbanda é uma das principais religiões
afro-brasileiras surgidas em nosso país. Resultado das práticas
religiosas de africanos que foram trazidos para o Brasil ao longo
dos últimos séculos, somente no século XX ela
se organiza como religião institucionalizada, ainda que sem
um corpo doutrinário e ritualístico unificado. Aliás,
esta será uma das principais características desta religião:
sua diversidade e dinamicidade.
Os primeiros estudos sobre a umbanda surgiram quase concomitante ao
seu aparecimento. Já no início do século XX,
Nina Rodrigues (1935) e, depois dele, Arthur Ramos (2001), se dedicavam
a analisar as práticas religiosas dos negros bantos, sempre
em contraposição aos negros sudaneses, que deram origem
aos diferentes grupos de nações do candomblé.
Desde então, novas teorias e formas de se encarar a religião
umbandista surgiram, e novos autores propuseram modelos explicativos
que buscassem abarcar a diversidade de práticas rituais encontradas
nos terreiros por todo o país. O mais célebre destes
autores foi Cândido Procópio Ferreira de Camargo (1961),
que teria se dedicado ao estudo e interpretação do que
ele chamava de “religiões mediúnicas”.
Para explicar as influências mútuas que existiam entre
a umbanda e o espiritismo de origem kardecista ele desenvolve a teoria
do continuum mediúnico, teoria que
teria se tornado clássica como chave explicativa para as práticas
umbandistas.
Ao observarmos as práticas umbandistas na modernidade, no entanto,
percebemos que os modelos existentes não se encaixam mais apenas
no continuum entre kardecismo e umbanda proposto por Camargo (1961).
O que temos percebido é que hoje a umbanda se constitui em
uma infinidade de práticas diferentes, com influências
que vão além do kardecismo, superando, portanto, este
continuum. Por isto propomos neste artigo uma revisão deste
conceito explicativo, assim como sugerimos sua ampliação
para um conceito que achamos mais adequado para a realidade desta
religião hoje: a teoria do rizoma umbandista.
- obs. Para o autor, são religiões
mediúnicas aquelas baseadas no contato entre o mundo terreno
e o mundo dos espíritos, por meio do fenômeno da incorporação.
Entre outras podemos citar como exemplo a umbanda e o kardecismo.
O CONTINUUM MEDIÚNICO
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