Espiritualidade e Sociedade





Evaristo Nepomuceno; Divaldo Pereira Franco

>  Sexo e escravidão

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Evaristo Nepomuceno; Divaldo Pereira Franco
>  Sexo e escravidão

 

 

Este forte e comovente relato é uma carta psicografada pelo médium Divaldo Pereira Franco, atribuída ao espírito Evaristo Nepomuceno, e publicada no livro "Depoimentos Vivos" pela Editora LEAL.

O texto traz um profundo desabafo e um alerta sob a perspectiva da Doutrina Espírita sobre a lei de causa e efeito, focando nas consequências do abuso das energias sexuais e do desregramento moral após a morte física.

Depoimentos Vivos
Divaldo Pereira Franco, por Espíritos Diversos
LEAL - Livraria Espírita Alvorada Editora

 


Capa do livro - disponível em:
https://www.boanova.net/produto/depoimentos-vivos-ed-5-85492

 

 

Sofro muito. Fui e sou vítima do sexo, apologista do amor livre assim como da insensatez.

Não há como descrever o que me martiriza, o que me exaure.

As datas me são imprecisas. Sei que pago o preço das dissipações e aqui venho, por misericórdia, banhar-me um pouco em forças magnéticas para restabelecer o meu equilíbrio.

Usei até a exaustão a mente e o corpo na concupiscência devastadora. Vivi como servo de apetites, os mais vis, que me entenebreceram e prosseguem escravizando-me.

Não sei como se deu a minha morte. Acordei, no meio de sombras densas, respirando com infinita dificuldade, vilipendiado e achincalhado por um auditório da mais baixa categoria. Dei-me conta que enlouqueceria, e, no entanto, aquilo era apenas o começo da minha nova jornada.

Homem vaidoso, zeloso da aparência, consciente do magnetismo e da atração que possuía, senti-me putrefato, com os trajes orgânicos decompostos, cabelos alongados e barba abundante, sujos, e nauseante, pegajoso, pela decomposição cadavérica, e, sobretudo, animalizado pela insídia de perseguidores implacáveis, que, só mais tarde vim a saber, se utilizavam de mim para o ímpio jogo da sensualidade...

Não sei quanto tempo os padeci, tão nefasta era a minha perturbação.

O organismo de que eu supunha libertar-me não me deixou livre de tudo. A morte não se dera e acreditei, em delírio - perdera somente a constituição física, enquanto carregava as sensações fisiológicas.

Ninguém pode supor o que seja a ardência de uma volúpia devastadora, sem termo e sem lenimento.

Simultaneamente as indagações das pessoas a quem impedi de ser felizes, as de quem abusei, as lágrimas que derramavam, pareciam-me gotas de aço derretido que me alcançavam em forma de remorso incessante, a queimar-me por dentro.

Apelos insensatos de antigos comparsas, a mim ligados pelas recordações pecaminosas, exaurindo-me. Tudo isto adicionado a angústia da frustração tornava-se dores as mais acerbas que me asfixiavam sem aniquilar e me destruíam sem apagar a consciência.

Ando mergulhado num oxigênio denso e desagradável, pestilento e comburente. Ébrio, depauperado, miserável, acoimado pelo arrependimento, sepultura a forma cadaverizada e as carnes a se levantando ossatura, a fim de evadir-me do cemitério, inutilmente. Busquei socorro, gritei, chamei por todos, exonerei compaixãoe a minha voz não ecoava: só o remorso de tudo que fiz me alucinava sem cessar.

A cegueira, a ilusão que passou eram a presença truanesca que experimentava e ainda
possuo. ..

Tudo que desperdiçamos, o mal que inspiramos, o enlanguecimento que impomos, o comércio mental que estabelecemos tornam-se algemas de ferro, a que nos submeteremos sem fuga de espécie alguma...

Sofro, enganando, pois só a mim mesmo me enganei.

Sedutor, pecaminoso, não me libertei da luxúria em que me decompus.

Sou uma sombra desalentada, aqui trazida para suplicar piedade e socorro e deixar com a minha dorida lição a experiência para que ninguém engane a ninguém, nem cultive espinhos, porque, desgraçadamente, podemos fugir de tudo e de todos, não do que somos e do que fazemos...

Não posso continuar.

Que Deus se amerceie dos que enlouqueceram e fazem enlouquecer pelo sexo!

 

Fonte: Livro: Depoimentos Vivos
Divaldo Pereira Franco, por Espíritos Diversos
LEAL - Livraria Espírita Alvorada Editora

 

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