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Paulo Nagae
> Utilização dos fluidos da Natureza pelo plano
espiritual
(...) Antes de tudo, aplicou passes de reconforto
ao doente, isolando-o das formas escuras, que se afastaram como por
encanto.
Em seguida, convidou-me com decisão:
— Vamos à Natureza.
Acompanhei-a sem hesitação e ela, notando-me a estranheza,
acentuou:
— Não só o homem pode receber fluidos e emiti-los.
As forças naturais fazem o mesmo, nos reinos diversos em que
se subdividem. Para o caso do nosso enfermo, precisamos das árvores.
Elas nos auxiliarão eficazmente.
Admirado da lição nova, segui-a, silencioso. Chegados
a local onde se alinhavam enormes frondes, Narcisa chamou alguém,
com expressões que eu não podia compreender. Daí
a momentos, oito entidades espirituais atendiam-lhe ao apelo.
Imensamente surpreendido, vi-a indagar da existência de mangueiras
e eucaliptos. Devidamente informada pelos amigos, que me eram totalmente
estranhos, a enfermeira explicou:
— São servidores comuns do reino vegetal, os irmãos
que nos atenderam.
E, à vista da minha surpresa, rematou:
— Como vê, nada existe de inútil na Casa de Nosso
Pai. Em toda parte, se há quem necessite aprender, há
quem ensine; e onde aparece a dificuldade, surge a Providência.
O único desventurado, na obra divina, é o espírito
imprevidente, que se condenou às trevas da maldade.
Narcisa manipulou, em poucos instantes, certa substância com
as emanações do eucalipto e da mangueira e, durante
toda a noite, aplicamos o remédio ao enfermo, através
da respiração comum e da absorção pelos
poros.
O enfermo experimentou melhoras sensíveis.
Pela manhã, cedo, o médico observou, extremamente surpreendido:
— Verificou-se esta noite extraordinária reação!
Verdadeiro milagre da Natureza! (...)
André Luiz – Francisco C. Xavier –
Nosso Lar – Capítulo 50 -
Cidadão de “Nosso Lar”. Ed.FEB

Temos vários exemplos na literatura
espírita, em que os fluidos dos reinos inferiores são
utilizados para restaurar as energias de recém-desencarnados,
assim como no tratamento de passes, conforme narrativa de André
Luiz no livro Nosso Lar. No trabalho de passes, que é
realizado no nosso querido Centro Espírita Léon Denis,
também é utilizado esse recurso, e acreditamos que aconteça
o mesmo processo em outras casas.
Estudamos alguns aspectos envolvidos nesse processo com o nosso querido
Ignácio Bittencourt (Espírito), pela mediunidade do
Altivo.
Todos os seres vivos possuem uma quantidade de fluido vital, inerente
à sua espécie, tanto no que diz respeito à quantidade,
quanto às características físico químicas.
Ao contrário do que pensávamos, nem sempre esses fluidos
são retirados do seu habitat natural, no momento de sua utilização.
Há espíritos que absorvem esses fluidos e que os mantêm
armazenados em si, até o momento do trabalho e os disponibilizam
nas salas de passes. Poderíamos comparar a sua ação,
como a dos instrumentistas, auxiliando os médicos durante uma
cirurgia. No momento em que os espíritos responsáveis
pela tarefa do passe, precisam utilizar fluidos do reino vegetal ou
animal, eles utilizam os fluidos que estão disponibilizados
pelos espíritos auxiliares e os aplicam de acordo com as necessidades.
A primeira pergunta que nos vem à mente, é se os espíritos
passistas, seriam capazes de recolherem, eles mesmos, esses fluidos.
A resposta é sim, mais o processo se torna mais fácil,
se realizados por espíritos mais simples, que pela própria
característica, possuem mais afinidade com esses fluidos mais
materializados do que os espíritos mais elevados. O processo
de absorção ocorre, quando eles se aproximam, por exemplo
de uma árvore, que possui o fluido vital característico
da espécie, se concentra e por conta da afinidade existente,
absorve esses fluidos e os armazena. É claro que as características
dos fluidos do reino vegetal, são diferentes dos fluidos, que
por exemplo, são obtidos nas áreas marítimas,
isso porque no mar temos a presença de inúmeras vidas
animais minúsculas, que fornecem material constante, enquanto
que na terra não têm tantos elementos para fornecer material
para a árvore e, por consequência, o fluido obtido no
mar é mais enriquecido. Os espíritos mais simples, que
por qualquer razão, têm capacidade de entrar na faixa
vibratória dessa matéria, vai lá e retira esse
fluido como se estivesse retirando de um médium qualquer. Então
ele vai e disponibiliza para que seja aplicado em alguém. Há
uma afinidade química entre o fluido do espírito e o
fluido absorvido.
No caso da árvore, ela puxa da terra os elementos para sua
sobrevivência e os animais absorvem do ar e da alimentação,
os elementos para sua sobrevivência, como nós, quando
respiramos e quando comemos, só que a árvore retira
os elementos nutrientes do chão. A transformação
desses elementos em energia vital é própria dos seres
vivos. Todo ser vivo tem essa capacidade, seja ele elementar ou espírito
superior. Nós necessitamos comer, Jesus não come, ele
já não precisa desta transformação material.
Ignácio, comentou que se alimenta de outra forma, mas que ainda
precisa de algo material, que aos nossos olhos não seriam considerados
sólidos, mas que para os espíritos do nível dele,
ainda o são. No caso dele, um copo dessa substância seria
correspondente a uma refeição diária. No dia
em que o espírito chega a essa situação, não
tem mais necessidade de estômago, as funções do
fígado, vesículas intestinais, não seriam mais
necessárias para um espírito que atingiu esse nível.
A solidariedade da Lei Divina
Como o espírito superior não tem uma
vibração compatível com o material a ser absorvido,
para fazer esse processo, ele teria que se esforçar para baixar
sua vibração até atingir uma afinidade apropriada
para absorver aquele fluido mais materializado. Como a Lei Divina
é de solidariedade e tem trabalho para todo mundo, podemos
utilizar cada um dentro da sua característica e assim todos
têm a chance de participar do trabalho na infinita seara do
bem. Esses fluidos da Natureza são transportados à sala
de passes por via física e o meio de transporte utilizado são
os espíritos mais simples, que têm uma capacidade maior
de reter esses fluidos e conservá-los armazenados até
quando for necessário.
No processo de passes, o tipo de fluido utilizado, depende da característica
da doença em questão. Por isso às vezes teremos
que utilizar os fluidos retirados da floresta, ou do mar, da mesma
forma que muita das vezes os espíritos utilizam mais o fluido
animal do médium e em outras situações ele terá
que potencializar o fluido do médium, com as características
do seu fluido. E mesmo essas influências espirituais podem ser
em níveis variados, dependendo das necessidades do atendido.
O médium pode trabalhar preferencialmente com um determinado
espírito, com determinada característica fluídica,
mas dependendo das circunstâncias, pode ser influenciado por
um espírito, que tenha um fluido mais sutil, ou em outras situações
por um espírito que tenha um fluido mais grosseiro. O próprio
médium, como é um ser em evolução já
terá algumas coisas já superiores e ainda muitas lembranças
do passado, ainda inferiores, como a grosseria, a raiva, o rancor.
Então, num determinado momento, parece que o médium
entra numa onda mental e puxa aquilo lá do fundo do seu ser
e demonstra que ainda é um ser animal ou um ser da idade da
pedra. Existe o momento em que deixamos toda essa matéria sair
de dentro de nós e há momentos em que não precisamos
tirar isso tudo de dentro da matéria, basta que atuemos como
espírito imortal. E há momentos em que o médium
tem que diminuir o padrão, ter um pensamento mais materializado
para poder ajudar um coração, uma mente que está
perfeitamente tumultuada. É o que geralmente as pessoas chamam
de fluidos para cura de órgãos físicos. No fundo,
não é fluido para cura de órgãos físicos,
no fundo, no fundo é puxar da própria matéria
as energias para cura.
Fonte: Revista
CELD de Estudos Espíritas
https://celd.xyz/wp-content/uploads/09-Revista_CELD_Setembro-2018.pdf
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