A interação
entre o médium e o plano espiritual no trabalho de passes
Na interação entre o médium e um espírito,
cada um tem o seu fluido específico, quando o espírito
se aproxima deste médium, são duas energias diferentes
que vão trabalhar juntas em benefício da melhora do
paciente. O espírito que é o mais perspicaz, o mais
inteligente, acelera as vibrações do fluido, de acordo
com a necessidade do doente, considerando ainda, os valores fluídicos
do médium e/ou do espírito. Então, se o problema
é no corpo físico ele acelera os valores do fluido mais
material do médium, se o caso é psíquico ou mediúnico,
ele acelera mais os valores do fluido mais sutil dele, espírito.
Então, aqui há duas forças que se conjugam para
o trabalho. Pela vontade, o espírito vai dominar o médium,
para manipular essas forças. Numa situação de
incorporação, esse processo seria mais fácil,
mas não que haja impedimento, o espírito pode atuar
também pela intuição. Há situações
que o médium chega para o trabalho perturbado, desequilibrado,
sem condições ideais para manipular com qualidade os
seus fluidos curadores, então, o espírito isola o médium
e aproveita o seu fluido material, manipula juntamente com o seu próprio
fluido e dá a qualidade necessária para que ele possa
atuar adequadamente para provocar a cura. Quantas vezes dizemos assim:
“Cheguei à Casa um tanto perturbado, trabalhei e estou
me sentindo melhor do que quando cheguei”. Mesmo assim, o médium
ainda foi beneficiado pela sua participação no trabalho,
devido ao fluido equilibrado do espírito, que passou também
por ele. O problema é que quem trabalhou foi o espírito,
não foi ele, médium. Ele vai sair aliviado, mas só
chegou ao trabalho e doou sua energia, não agregou conhecimento
nesse trabalho.
Nesse caso o processo é totalmente físico, e mais desgastante
para o plano espiritual, mas Ignácio Bittencourt, patrono do
nosso Encontro de Medicina Espiritual, nos fala que os espíritos
não valorizam muito esse comportamento do médium, não
se desgastam com isso, porque compreendem que estão lidando
com espíritos em aprendizado, verdadeiras crianças espirituais.
Quando o médium está em condições de sintonia
e equilíbrio, o processo ocorre naturalmente, com melhor aproveitamento
para ambos. O espírito atinge o seu objetivo e o médium
além de cumprir bem a sua cota de trabalho, colheu também
todo o aprendizado inerente ao processo de manipulação
fluídica, porque é através do trabalho em conjunto
com o guia, que ele será um dia um espírito curador.
Há situações em que, tanto o fluido do médium
quanto o do espírito são utilizados em situações
específicas, atendendo ao objetivo a que se destinam. Isso
ocorre no passe de sopro, que é um tipo de passe, que quando
aplicado pelo encarnado, atinge basicamente o corpo físico
e é usado geralmente para as necessidades orgânicas.
O passe de sopro, depende muito de algumas condições
específicas do médium, como a saúde do estômago
e da boca e uma boa capacidade de mentalização. Qualquer
médium de cura que tenha essas características, tem
capacidade de utilizar o passe de sopro, e os médiuns que não
forem de cura, mas que atendam essas condições, podem
desenvolver essa técnica, bastando para isso o amor e a boa
vontade. Quando é necessário o passe de sopro atingir
o perispírito, o passe é executado pelos espíritos
desencarnados. O Espírito Ignácio Bittencourt citou
que essa situação é observada no atendimento
a suicidas e a afogados, quando há um perispírito cheio
de cicatrizes. Nesses casos, o perispírito fica muito traumatizado,
principalmente nos suicidas que se jogam de alturas ou se lançam
debaixo de um trem. Então, às vezes é aplicado
um passe de sopro, distribuindo o fluido no organismo perispiritual.
Isso não se trata de um processo de cura, é um processo
de absorção lenta de energia, com o objetivo de restaurar
o corpo espiritual.
De um modo geral, o passe de sopro é aplicado depois do passe
normal, não se aplicando o sopro em substituição
a atividade de grande desmagnetização da área
doente. Até se pode fazer isso, mas o passe de sopro implica
em um dispêndio muito grande de energia por parte do médium.
É mais desgastante do que o passe comum.
A diversidade dos espíritos que atuam
no trabalho de passes
Dentre os trabalhadores desencarnados há uma diferença
de conhecimento, referente à experiência pessoal de cada
um deles, do mesmo modo que ocorre entre os encarnados. Ignácio
observa ainda, que o CELD, é uma Casa grande, que tem uma variedade
de espíritos magnetizadores que foram bons médiuns passistas,
quando encarnados, e que querem trazer para o trabalho algumas experiências
pessoais. Há também muitos índios que trabalham
com as folhagens e frutos das árvores que existem na frente
do Centro, formam uma massa fluídica interessante, que eles
aplicam em casos de doença. Nós colocamos as mãos
para ajudar a curar mais depressa. Isso é uma das muitas coisas
que se faz aqui no plano espiritual e que os médiuns, às
vezes, percebem e ficam em dúvida sobre o que observam. Esses
espíritos utilizam umas técnicas pessoais, que estão
de acordo com a bondade e com o conhecimento deles e que refletem
a experiência que possuem. Sabemos que, eles poderiam aplicar
técnicas mais atualizadas, mas é permitido que eles
trabalhem, considerando que o aprendizado vai ocorrer a seu tempo.
Todas as técnicas adquiridas com as experiências individuais
um dia passarão a ser uma prática coletiva, assim é
o processo de aprendizado, tanto no plano espiritual quanto no mundo
dos encarnados, desde que se tenha humildade suficiente para se manter
aberto ao aprendizado. Isso mostra que a Lei de Deus dá oportunidade
a todos que queiram trabalhar no Bem, independente do estágio
da sua evolução espiritual.
A participação do paciente
no trabalho de passes
“(...) Os fluidos
se unem pela semelhança de suas naturezas, os fluidos dessemelhantes
se repelem; há incompatibilidade entre os bons e os maus fluidos,
como entre o óleo e a água (...)”
A Gênese, capítulo XIV –
Os Fluidos – Item 21. Editora CELD
Há ainda a outra parte que faz parte do processo do passe,
que é o paciente. Quando ele toma o passe com indiferença,
a ação fica só na esfera física pura e
simplesmente. Por exemplo, se o paciente tem um câncer no estômago,
mas é totalmente descrente, e o passe lhe é aplicado,
o fluido vai durar duas a três horas, porque ele não
participou com o seu pensamento, no processo de absorção
e retenção dos fluidos aplicados. Se ele tivesse crença,
aquele fluido duraria 24, 48 ou até 72 horas, porque a atuação
positiva do seu pensamento, tornaria o processo mais eficiente. No
processo do passe, sempre que há aceitação por
parte do paciente, o tempo de retenção dos fluidos é
maior. Esse mecanismo é explicado pelo afinidade entre o fluido
aplicado e o ambiente fluídico do paciente (psicosfera). Obter
essa condição, vai além dessa fé que ele
tenha no atendimento recebido, pois isso é apenas a etapa inicial
para que ocorra essa afinidade. A etapa que se segue, que também
vai influenciar efetivamente na retenção do fluido recebido
é a qualidade dos pensamentos emitidos pelo paciente, pois
isso é determinante para gerar uma atmosfera fluídica
de boa qualidade, que vai facilitar a retenção dos fluidos
curadores.
Esse é o aspecto material do mecanismo envolvido no processo,
porém fica evidente a ligação entre o comportamento
moral do indivíduo e a possibilidade de obter a cura. Essa
é a grande conclusão trazida pela Medicina Espiritual,
quando nos diz que nós somos os artífices, não
só das nossas doenças, mas também da nossa própria
cura. Por isso, é muito importante que entendamos o quanto
é necessário estudarmos a Doutrina Espírita,
para que tenhamos uma maior compreensão da Lei de Deus, para
melhor cumpri-la. Assim entenderemos que é através da
nossa transformação moral, que iremos conquistar a cura
de todas as nossas mazelas.