Espiritualidade e Sociedade





Paulo Nagae

>   O trabalho em conjunto na atividade do passe

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Paulo Nagae
>   O trabalho em conjunto na atividade do passe


 

“(...) O mentor fez uma pausa mais longa, observando em mim o efeito de suas palavras, e concluiu:
— Levada a efeito a construção da boa vontade sincera, o trabalhador leal
compreende a necessidade do desenvolvimento das qualidades a que nos referimos,
porquanto, em contato incessante com os benfeitores desencarnados, que se
valem dele na missão de amparo aos semelhantes, recebe indiretas sugestões de
aperfeiçoamento que o erguem a posições mais elevadas. (...)”
— André Luiz – Missionários da Luz, Capítulo 19. Editora Feb. —

 

 

 

 

 

A interação entre o médium e o plano espiritual no trabalho de passes

Na interação entre o médium e um espírito, cada um tem o seu fluido específico, quando o espírito se aproxima deste médium, são duas energias diferentes que vão trabalhar juntas em benefício da melhora do paciente. O espírito que é o mais perspicaz, o mais inteligente, acelera as vibrações do fluido, de acordo com a necessidade do doente, considerando ainda, os valores fluídicos do médium e/ou do espírito. Então, se o problema é no corpo físico ele acelera os valores do fluido mais material do médium, se o caso é psíquico ou mediúnico, ele acelera mais os valores do fluido mais sutil dele, espírito. Então, aqui há duas forças que se conjugam para o trabalho. Pela vontade, o espírito vai dominar o médium, para manipular essas forças. Numa situação de incorporação, esse processo seria mais fácil, mas não que haja impedimento, o espírito pode atuar também pela intuição. Há situações que o médium chega para o trabalho perturbado, desequilibrado, sem condições ideais para manipular com qualidade os seus fluidos curadores, então, o espírito isola o médium e aproveita o seu fluido material, manipula juntamente com o seu próprio fluido e dá a qualidade necessária para que ele possa atuar adequadamente para provocar a cura. Quantas vezes dizemos assim: “Cheguei à Casa um tanto perturbado, trabalhei e estou me sentindo melhor do que quando cheguei”. Mesmo assim, o médium ainda foi beneficiado pela sua participação no trabalho, devido ao fluido equilibrado do espírito, que passou também por ele. O problema é que quem trabalhou foi o espírito, não foi ele, médium. Ele vai sair aliviado, mas só chegou ao trabalho e doou sua energia, não agregou conhecimento nesse trabalho.

Nesse caso o processo é totalmente físico, e mais desgastante para o plano espiritual, mas Ignácio Bittencourt, patrono do nosso Encontro de Medicina Espiritual, nos fala que os espíritos não valorizam muito esse comportamento do médium, não se desgastam com isso, porque compreendem que estão lidando com espíritos em aprendizado, verdadeiras crianças espirituais. Quando o médium está em condições de sintonia e equilíbrio, o processo ocorre naturalmente, com melhor aproveitamento para ambos. O espírito atinge o seu objetivo e o médium além de cumprir bem a sua cota de trabalho, colheu também todo o aprendizado inerente ao processo de manipulação fluídica, porque é através do trabalho em conjunto com o guia, que ele será um dia um espírito curador.

Há situações em que, tanto o fluido do médium quanto o do espírito são utilizados em situações específicas, atendendo ao objetivo a que se destinam. Isso ocorre no passe de sopro, que é um tipo de passe, que quando aplicado pelo encarnado, atinge basicamente o corpo físico e é usado geralmente para as necessidades orgânicas. O passe de sopro, depende muito de algumas condições específicas do médium, como a saúde do estômago e da boca e uma boa capacidade de mentalização. Qualquer médium de cura que tenha essas características, tem capacidade de utilizar o passe de sopro, e os médiuns que não forem de cura, mas que atendam essas condições, podem desenvolver essa técnica, bastando para isso o amor e a boa vontade. Quando é necessário o passe de sopro atingir o perispírito, o passe é executado pelos espíritos desencarnados. O Espírito Ignácio Bittencourt citou que essa situação é observada no atendimento a suicidas e a afogados, quando há um perispírito cheio de cicatrizes. Nesses casos, o perispírito fica muito traumatizado, principalmente nos suicidas que se jogam de alturas ou se lançam debaixo de um trem. Então, às vezes é aplicado um passe de sopro, distribuindo o fluido no organismo perispiritual. Isso não se trata de um processo de cura, é um processo de absorção lenta de energia, com o objetivo de restaurar o corpo espiritual.

De um modo geral, o passe de sopro é aplicado depois do passe normal, não se aplicando o sopro em substituição a atividade de grande desmagnetização da área doente. Até se pode fazer isso, mas o passe de sopro implica em um dispêndio muito grande de energia por parte do médium. É mais desgastante do que o passe comum.



A diversidade dos espíritos que atuam no trabalho de passes

Dentre os trabalhadores desencarnados há uma diferença de conhecimento, referente à experiência pessoal de cada um deles, do mesmo modo que ocorre entre os encarnados. Ignácio observa ainda, que o CELD, é uma Casa grande, que tem uma variedade de espíritos magnetizadores que foram bons médiuns passistas, quando encarnados, e que querem trazer para o trabalho algumas experiências pessoais. Há também muitos índios que trabalham com as folhagens e frutos das árvores que existem na frente do Centro, formam uma massa fluídica interessante, que eles aplicam em casos de doença. Nós colocamos as mãos para ajudar a curar mais depressa. Isso é uma das muitas coisas que se faz aqui no plano espiritual e que os médiuns, às vezes, percebem e ficam em dúvida sobre o que observam. Esses espíritos utilizam umas técnicas pessoais, que estão de acordo com a bondade e com o conhecimento deles e que refletem a experiência que possuem. Sabemos que, eles poderiam aplicar técnicas mais atualizadas, mas é permitido que eles trabalhem, considerando que o aprendizado vai ocorrer a seu tempo. Todas as técnicas adquiridas com as experiências individuais um dia passarão a ser uma prática coletiva, assim é o processo de aprendizado, tanto no plano espiritual quanto no mundo dos encarnados, desde que se tenha humildade suficiente para se manter aberto ao aprendizado. Isso mostra que a Lei de Deus dá oportunidade a todos que queiram trabalhar no Bem, independente do estágio da sua evolução espiritual.


A participação do paciente no trabalho de passes

“(...) Os fluidos se unem pela semelhança de suas naturezas, os fluidos dessemelhantes se repelem; há incompatibilidade entre os bons e os maus fluidos, como entre o óleo e a água (...)”
A Gênese, capítulo XIV – Os Fluidos – Item 21. Editora CELD

Há ainda a outra parte que faz parte do processo do passe, que é o paciente. Quando ele toma o passe com indiferença, a ação fica só na esfera física pura e simplesmente. Por exemplo, se o paciente tem um câncer no estômago, mas é totalmente descrente, e o passe lhe é aplicado, o fluido vai durar duas a três horas, porque ele não participou com o seu pensamento, no processo de absorção e retenção dos fluidos aplicados. Se ele tivesse crença, aquele fluido duraria 24, 48 ou até 72 horas, porque a atuação positiva do seu pensamento, tornaria o processo mais eficiente. No processo do passe, sempre que há aceitação por parte do paciente, o tempo de retenção dos fluidos é maior. Esse mecanismo é explicado pelo afinidade entre o fluido aplicado e o ambiente fluídico do paciente (psicosfera). Obter essa condição, vai além dessa fé que ele tenha no atendimento recebido, pois isso é apenas a etapa inicial para que ocorra essa afinidade. A etapa que se segue, que também vai influenciar efetivamente na retenção do fluido recebido é a qualidade dos pensamentos emitidos pelo paciente, pois isso é determinante para gerar uma atmosfera fluídica de boa qualidade, que vai facilitar a retenção dos fluidos curadores.

Esse é o aspecto material do mecanismo envolvido no processo, porém fica evidente a ligação entre o comportamento moral do indivíduo e a possibilidade de obter a cura. Essa é a grande conclusão trazida pela Medicina Espiritual, quando nos diz que nós somos os artífices, não só das nossas doenças, mas também da nossa própria cura. Por isso, é muito importante que entendamos o quanto é necessário estudarmos a Doutrina Espírita, para que tenhamos uma maior compreensão da Lei de Deus, para melhor cumpri-la. Assim entenderemos que é através da nossa transformação moral, que iremos conquistar a cura de todas as nossas mazelas.

 

 

 

Fonte: Revista CELD de Estudos Espíritas
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https://celd.xyz/wp-content/uploads/06-Revista_CELD_Junho-2018.pdf

 

 

 

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