Espiritualidade e Sociedade





Paulo Nagae

>   As características do fluido e o médium

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A experiência do espírito e o seu tipo de fluido

 

Quando se trata do trabalho mediúnico voltado para os passes, surgem comentários que fazem alusão ao tipo de fluido característico de cada médium. Observa-se que alguns têm um tipo de fluido específico para o tratamento de problemas ligados ao psiquismo, que outros têm um fluido próprio para a coluna e etc. Isso tem realmente uma causa? Numa das reuniões de estudo do Encontro de Medicina Espiritual, o Espírito Ignácio Bittencourt, patrono do Encontro, abordou esse tema, que será desenvolvido a seguir.

No que diz respeito ao campo de atuação do médium, o débito em determinada área, pode até direcionar o planejamento reencarnatório, para alguma atividade, que possibilite um trabalho no bem, que ajude a resgatar algum tipo de falta, mas não seria isso que qualificaria ou daria uma característica ao fluido do médium. O que dá característica ao fluido, para uma aplicação específica, é a experiência que o espírito teve em uma determinada atividade, onde ele adquire conhecimentos naquela área de atuação. O exemplo do próprio Ignácio, que, na sua última encarnação trabalhou no receituário, adquirindo também uma razoável experiência em manipulação fluídica. Ele receitava como encarnado e continua receitando como desencarnado, então ele já tem uma razoável habilidade nessa área. Quando chegar o momento de voltar à Terra, numa próxima reencarnação, isso vai surgir como uma habilidade natural. Não teria nada a ver com obrigação, seria resultado de uma aquisição do espírito. Ele pode gostar de ser curador só pelo desejo e a vontade de curar, mas a qualidade específica que ele pode dar ao seu fluido, no sentido daquele que dá mais passe no coração, osso, mente e etc., será consequência da experiência que ele tenha naquela área. Mas, como a escolha é dele, ele pode não ter atuado nessa área e no seu planejamento reencarnatório se determinar a isso. Nesse caso, dentro das áreas de serviço que ele pode desenvolver no plano espiritual, ele pode se candidatar como um trabalhador em um setor de seu interesse. Vamos supor que ele entre num setor que trata de desencarnados com problemas cardíacos, ele vai se habituar às situações comuns nesses casos e começar a aprender sobre os sintomas e o modo de tratar dessas pessoas e aquilo vai se tornando uma prática, um hábito, uma habilidade adquirida.

Nesse exemplo, o espírito não passou pela experiência quando encarnado, Ele aprendeu tudo como servidor no plano espiritual, quando ele resolve encarnar e ser médium de cura, dentro da especialidade que escolheu, a capacidade dele será resultado da lembrança dos tempos em que cuidava daqueles cardíacos no plano espiritual e isso é a causa dele saber manipular o fluido, dando características específicas. Já como médium, quando ele bota a mão no coração do paciente ocorre um mecanismo automático, intuitivamente ele já sabe como fazer. O fluido é uma matéria neutra, o que dá a ele uma determinada qualidade e característica é o pensamento do espírito e isso é sempre consequência da bagagem espiritual conquistada durante a sua trajetória.

O tipo de matéria na qual o pensamento atua

Questão 22a – Que definição podeis dar da matéria?
“A matéria é o elo que acorrenta o espírito; é o instrumento que lhe serve e sobre o qual, ao mesmo tempo, ele exerce sua ação.”
Questão 31 –
De onde se originam as diferentes propriedades da matéria?
“São modificações que as moléculas elementares sofrem, por sua união e em certas circunstâncias.”
Questão 34 –
As moléculas têm uma forma determinada?
“Sem dúvida as moléculas têm uma forma, mas que não é apreciável por vós.”
Questão 34a –
Esta forma é constante ou variável?
“Constante, para as moléculas elementares primitivas, porém, variável, para as moléculas secundárias que são, elas próprias, somente aglomerações das primeiras; pois o que chamais molécula está longe ainda da molécula elementar.” (1)

1- Questões de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec – no capítulo II – “Elementos Gerais do Universo”.

Aprendemos com a Doutrina Espírita que o espírito atua na matéria através do pensamento e que toda matéria que existe no Universo, é derivada de transformações do fluido cósmico universal. Para entender como o pensamento modifica a matéria, dando uma determinada qualidade a ela, é necessário ter um entendimento bem claro da estrutura da matéria que sofre essa ação. A matéria densa e ponderável, como era antes percebida pela Ciência, de maneira limitada, também é passível de sofrer alterações, causadas pela força do pensamento dos seres humanos. Ignácio Bittencourt, quando comentou esse fato, citou como exemplo, a capacidade de alguns encarnados de deformar metais, utilizando a força do seu pensamento. Independente da utilização que eles estejam dando a essa faculdade, ela não deixa de ser uma conquista do espírito, no que diz respeito ao domínio na manipulação da matéria. Mas, essa atuação é mais efetiva, quando exercida obre a matéria mais sutil, que faz parte, segundo O Livro dos Médiuns, do laboratório do mundo invisível. Durante a Codificação, nos textos mostrados acima, referentes ao capítulo II de O Livro dos Espíritos, Kardec e os espíritos anteciparam para todos nós a mesma visão que a física quântica tem hoje sobre a matéria, já que a ciência busca identificar a partícula mais simples que existe no Universo. Quando os espíritos afirmaram que a estrutura molecular que observamos é uma aglomeração de moléculas elementares primitivas, eles também estavam apontando para estruturas atômicas e subatômicas primitivas, já que moléculas são formadas por átomos, que são formados por prótons, elétrons e nêutrons, que por sua vez, são formados e outras subpartículas e assim por diante. Ou seja, eles revelaram que há partículas primitivas que formam a base de toda a matéria que existe no Universo. Um dos métodos que a Ciência utiliza na busca dessa estrutura material primitiva, são as experiências feitas com os aceleradores de partículas, que buscam através de colisões induzidas de partículas subatômicas, detectar os mais ínfimos componentes da matéria. (2)

2- Para mais detalhes, pesquisar material na internet, buscando “acelerador LHC”.

O entendimento proveniente da revelação dada pelos espíritos da Codificação, foi consolidado por André Luiz, no capítulo 4 do livro Mecanismos da Mediunidade, onde nos
diz que a matéria, tanto no plano físico quanto no plano mental são associações de cargas
positivas e negativas, embora tendo condições vibratórias diferentes, obedece aos mesmos princípios que regem as associações atômicas do mundo físico.

 


Fonte: Revista CELD de Estudos Espíritas
https://celd.xyz/wp-content/uploads/07-Revista_CELD_Julho-2018.pdf

 

 

 

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