(trecho inicial traduzido - originial em inglês)
O aumento da mobilidade de pessoas
que praticam o transe e a circulação global de objetos,
signos e símbolos que as moldam expandiram significativamente
o alcance e a influência do transe e da possessão espiritual.
À medida que técnicas corporais, símbolos e artefatos
viajam, eles reorganizam a prática religiosa, a espiritualidade
e a cura, contribuindo para o surgimento de "públicos
espirituais" transnacionais. Este volume reúne pesquisas
etnográficas sobre comunidades emergentes de prática
centradas na mediunidade, possessão espiritual e rituais de
transe em um mundo globalmente interconectado. Exploramos como essas
práticas são ensinadas, aprendidas, reproduzidas, transmitidas
e transformadas em diversos contextos, revisitando o conceito de "aprendizagem"
como um processo de aprimoramento (Ingold 2000). Embora o aprimoramento
frequentemente ocorra por meio da coparticipação, ele
é cada vez mais influenciado pela tecnologização,
padronização e interação à distância:
a coparticipação nem sempre exige copresença.
Cada vez mais, as pessoas não apenas cooperam entre “mundos
sociais” (Strauss 1978), mas também atuam simultaneamente
em diferentes relações sociais e apenas parcialmente
sobrepostas (Strathern 1991). O transe comunitário e a mediunidade
coletiva, portanto, não pressupõem necessariamente comunidades
rituais estáveis; em vez disso, a comunalidade é continuamente
(re)produzida por meio da prática ritual e da interação.
The increased mobility of people engaging
in trance practices, and the global circulation of things, signs,
and symbols that shape them, has significantly expanded the scope
and outreach of trance and spirit possession. As body techniques,
symbols, and artifacts travel, they reorganize religious practice,
spirituality, and healing and contribute to the emergence of transnational
“spirited publics”. This volume brings together ethnographic
research on emerging communities of practice centered on mediumship,
spirit possession, and trance rituals in a globally interconnected
world. We explore how these practices are taught, learned, reproduced,
transmitted, and transformed across diverse settings, while revisiting
“apprenticeship” as a process of enskilment (Ingold 2000).
Although enskilment often occurs through co-participation, it is increasingly
influenced by technologization, standardization, and long-distance
interaction: co-participation no longer always requires co-presence.
Increasingly, people not only co-operate across “social worlds”
(Strauss 1978), but also act simultaneously in different and only
partially overlapping social relations (Strathern 1991). Communal
trance and collective mediumship, therefore, do not necessarily presuppose
stable ritual communities; rather, communality is continuously (re-)produced
through ritual practice and interaction.
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