Espiritualidade e Sociedade





Bruno Mosqueiro; Marianna de Abreu Costa; André C. Caribé; Fabrício Oliveira; Leandro Pizutti; Rogério R. Zimpel; Leonardo Baldaçara; Antônio Geraldo da Silva;, Alexander Moreira-Almeida

>   História espiritual e diagnóstico diferencial

Artigos, teses e publicações

Bruno Mosqueiro; Marianna de Abreu Costa; André C. Caribé; Fabrício Oliveira; Leandro Pizutti; Rogério R. Zimpel; Leonardo Baldaçara; Antônio Geraldo da Silva;, Alexander Moreira-Almeida
>   Diretrizes da Associação Brasileira de Psiquiatria sobre a integração da espiritualidade na prática clínica em saúde mental:
>  Parte 1. História espiritual e diagnóstico diferencial

Publicação da Revista Brasileira de Psiquiatria

 

>>>   texto disponível em pdf - clique aqui para acessar (em inglês)

 

 

RESUMO:

OBJETIVOS: Apresentar diretrizes baseadas em evidências para a prática clínica em relação à religiosidade e espiritualidade na assistência à saúde mental no Brasil.

MÉTODOS: Foi realizada uma revisão sistemática para identificar artigos potencialmente elegíveis indexados nas bases de dados PubMed, PsycINFO, SciELO, LILACS e Cochrane. Um resumo das recomendações e seus respectivos níveis de evidência foi elaborado de acordo com as diretrizes do Oxford Centre for Evidence-Based Medicine.

RESULTADOS: A revisão sistemática identificou 6.609 artigos, dos quais 41 atenderam a todos os critérios de inclusão. A anamnese espiritual mostrou-se essencial para uma abordagem de cuidado compassiva e culturalmente sensível. Representa uma forma de obter informações relevantes sobre a religiosidade/espiritualidade do paciente, potenciais conflitos que podem impactar a adesão ao tratamento e melhorar a satisfação do paciente. Evidências consistentes demonstram que relatos de experiências perceptivas são pouco confiáveis para diferenciar entre experiências anômalas e psicopatologia. Sintomas negativos, desorganização cognitiva e comportamental e comprometimento funcional são mais úteis para distinguir experiências anômalas patológicas de não patológicas.

CONCLUSÃO: Considerando a importância da religiosidade/espiritualidade para muitos pacientes, a história espiritual deve ser rotineiramente incluída no atendimento em saúde mental. Experiências anômalas são altamente prevalentes, exigindo uma abordagem sensível e baseada em evidências para o diagnóstico diferencial.

 

_____________

 

>>>   texto completo em português

 

INTRODUÇÃO

A religião/espiritualidade (R/E) é um dos aspectos mais importantes da vida em diferentes culturas ao redor do mundo.<sup> 1 </sup> Segundo pesquisas globais, cerca de 84% da população mundial afirma ter alguma afiliação religiosa, e essa porcentagem está aumentando.

(...)

Muitas pessoas recorrem a crenças, práticas e organizações religiosas/espirituais em busca de apoio quando enfrentam adversidades da vida, doenças ou problemas de saúde mental. As crenças religiosas/espirituais também são reconhecidas como um fator importante na tomada de decisões do paciente, bem como na adesão e satisfação com o tratamento.

(...)

Apesar das evidências e recomendações disponíveis, existem poucas diretrizes baseadas em evidências sobre como incorporar a religiosidade/espiritualidade (R/E) nos cuidados de saúde mental. Com base em uma revisão sistemática e abrangente da literatura, o presente estudo fornece um resumo de recomendações práticas fundamentadas nas melhores evidências disponíveis e em uma abordagem eticamente informada da R/E, abordando três questões principais de pesquisa: 1) Como coletar a história religiosa/espiritual (HR) 2) Quais evidências devem ser consideradas no diagnóstico diferencial entre transtornos psiquiátricos e experiências religiosas ou espirituais? 3) Como integrar a R/E ao tratamento psiquiátrico? Este artigo apresenta os resultados para as duas primeiras questões.

(...)

Barreiras para abordar a espiritualidade do paciente
Embora muitos pacientes desejem discutir religião/espiritualidade em suas consultas, muitos clínicos encontram barreiras para abordar as necessidades espirituais na prática clínica (Quadro 1). Uma pesquisa com 484 psiquiatras brasileiros revelou que a maioria (76,8%) considera muito importante, ou razoavelmente importante, integrar a religião/espiritualidade do paciente à prática clínica, embora mais da metade (55,5%) não costume perguntar sobre a religião/espiritualidade do paciente. As principais barreiras relatadas para abordar a religião/espiritualidade na prática clínica foram: i) preocupações em ultrapassar limites éticos (30,2%), ii) falta de treinamento em religião/espiritualidade (22,3%) e iii) falta de tempo (16,3%).

 

 

Fonte: https://www.bjp.org.br/details/2430/en-US

 

 

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