Perceber a importância da educação
de espíritos recém-chegados ao planeta é a tônica
da nossa reflexão, que se fundamenta nas lições
que o Evangelho do Senhor Jesus nos traz, cujos esforços devem
ser empreendidos por aqueles que determinados, buscam praticá-las.
Quando nos propomos a analisar os conceitos dessa obra, rica em ensinos
que esclarecem, consolam e dão as diretrizes para o bem-viver,
oportunidade de real assimilação dos conceitos se faz
e podemos mudar o rumo evolutivo através do bom comportamento.
Os aprendizados, que o divino amigo nos oferece serve para refletirmos
mais e mais e saibamos lidar em um mundo cheio de atribulações,
preparados para contribuir com o progresso do planeta, e tornando-nos
exemplo para outros.
Capacitar-se nas virtudes, para ensinar aos pequeninos é se
modelar a fim de ser útil e servir, convicto da reforma que
propõe, sejamos: pais, mães, avós, tios, professores,
responsáveis, enfim, educadores do espírito imortal.
Todos os que se fazem educadores de espíritos têm o fim
de atender aos pequeninos carentes de orientação, que
se aproximam do orbe terreno, com muita sede de conhecimento, mas
com muito mais sede de conceitos morais, de amor e de direcionamento;
às criaturas carentes de regras básicas da moral cristã,
daremos as que estão registradas nesse belo manual, que Jesus
compartilhou conosco em sua vivência terrena.
A anotação a seguir pode ser bem explorada em nossas
reflexões. Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap
VIII, it. 4:
“(...) Suas ideias, a partir do nascimento,
retomam a atividade gradualmente, à medida que os órgãos
vão se desenvolvendo, de onde se pode dizer que, no decorrer
dos primeiros anos, o espírito realmente é criança,
porque as ideias que formam a base do seu caráter ainda estão
adormecidas. Durante o tempo em que seus instintos permanecem adormecidos,
ele é mais dócil e, por isso mesmo, mais acessível
às impressões que podem modificar sua natureza e fazer
com que progrida, o que torna mais fácil a tarefa que pertence
aos pais. (...)”
Empenhemo-nos em estimular corações sensíveis
às ideias do Cristo, demonstrando a importância da tarefa,
que não é só da Casa Espírita, pois ela
é de todos os que se importam com os seres pequeninos reencarnados.
Mas nos preocupemos também com aqueles que não têm
os parâmetros da imortalidade, do Cristo amoroso e de Deus como
Pai.
Kardec em A Gênese, cap.18, it. 27 anotou:
“Devendo
fundar a era do progresso moral, a nova geração se distingue
por uma inteligência e uma razão, geralmente precoces,
aliadas ao sentimento inato do bem e das crenças espiritualistas,
o que é sinal indubitável de um certo grau de adiantamento
anterior. Ela não será composta exclusivamente por espíritos
eminentemente superiores, mas pelos que, já tendo progredido,
estão predispostos a assimilar todas as ideias progressistas
e aptos a secundar o movimento de regeneração”.
Que os nossos corações, irmãos, se permitam sensibilizar
pelo contexto atual, rico em oportunidades de vivenciarmos a evangelização
espírita com crianças, jovens e suas famílias,
sim meus amigos, de evangelização em conjunto.
Toda Casa Espírita deve implantar a atividade com as crianças
e suas famílias e manter os educadores capacitados, atualizados
e estimulados, para promoverem a remoção das impurezas,
impregnadas desde as jornadas anteriores. A parceria da Casa Espírita
com a família é imprescindível para o bom desenvolvimento
dos novatos em corpos físicos em desenvolvimento.
Por que toda essa preocupação com seres em um corpo
infantil, em desenvolvimento, com jovens e suas famílias?
Porque a principal finalidade de o espírito retornar em um
corpo infantil é ser reeducado, e as impressões positivas
que recebe durante a infância são determinantes em sua
existência atual e para além da vida física. E
os educadores de espíritos têm que estar atentos.
Os teóricos de Educação nos dizem que o que se
ensina na primeira infância, marca para sempre os corações
pequeninos.
É muito claro esse “para sempre”, quando se analisa
por um instante as próprias experiências até então,
percebendo determinado fato marcante na primeira infância, que
continua tão presente nas lembranças que até
serviu de modelo. Mas façamos agora um paralelo com o conhecimento
dos postulados espíritas adquiridos e reflitamos sobre as marcas
que trazemos em nosso íntimo, interagindo com a atual vivência.
Enquanto alguns exemplos nos serviram para reformular os pontos de
vista, outros não sendo ensinados marcaram pela falta que nos
fizeram. É assim que, ativo na memória espiritual carregamos
tais vivências e acessamos, em contextos das inúmeras
vidas, o que marcou profundamente.

Quão importante é a evangelização de crian
ças na mais tenra idade, a fim de que essas marcas se desvaneçam
e reformulem o mais íntimo de cada ser pensante.
As impregnações na matéria serão
apagadas pelo exercício do amor dos educadores desses espíritos
impressionáveis pelas ideias que reformulam o pensar e o agir.
O exercício de autoevangelização nos fará
formadores de opinião, conduzindo criaturas ao pensamento de
si e à valorização da vida, pois não somos
mais os mesmos do passado, e hoje já nos incomodamos criando
pontos de apoio aqui e ali para os pequenos que sofrem, sem atenção,
sem valor, sem carinho, sem limites, sem noções elevadas
e sujeitos a todo tipo de atividades impróprias à sua
faixa etária.
Lembram-nos os espíritos que, exatamente por causa do estado
de semiconsciência do espírito encarnado, num corpo infantil,
suas barreiras de defesa psíquica estão neutralizadas,
ele está brando, mais receptivo, mais maleável, mais
aberto a todas às influências.
Emmanuel, em O Consolador, item 109, reflete: O período
infantil é o mais importante para a tarefa educativa?
“O período
infantil é o mais sério e o mais propício à
assimilação dos princípios educativos. Até
aos sete anos, o Espírito ainda se encontra em fase de adaptação
para a nova existência que lhe compete no mundo. Nessa idade,
ainda não existe uma integração perfeita entre
ele e a matéria orgânica. Suas recordações
do plano espiritual são, por isso, mais vivas, tornando-se
mais suscetível de renovar o caráter e estabelecer novo
caminho, na consolidação dos princípios de responsabilidade
(…)”
Allan Kardec, o grande missionário, encarregado
de reunir em obras básicas, os postulados da Doutrina Espírita,
traz farto material de orientações espirituais, que
facilitam o nosso entendimento para que nos orientemos, estudando
sobre o sentido da vida, a fim de consolar e estimular corações,
mas principalmente de educar espíritos.
A importância da evangelização espírita
é clara meus caros amigos, pois evangelizar
é preparar o ser humano para enfrentar todos os momentos adversos
da vida, com base nos ensinos do Mestre amigo.
É o único meio de estimular a criança a ter alegria
de viver, de contribuir no entorno, de ter ideias salutares, adquirir
hábitos saudáveis, praticar boas obras, exercitar os
valores morais e se tornar consciente de si mesma como espírito
imortal, participante no mundo de forma colaborativa e não
competitiva.
Kardec pontua em O Livro dos Espíritos, perg. 385.
“A delicadeza da idade infantil os torna brandos, acessíveis
aos conselhos da experiência e dos que devam fazê-los
progredir. Nessa fase é que se lhes pode reformar os caracteres
e reprimir os maus pendores. (...)”
Eurípedes Barsanulfo foi o primeiro grande educador espírita.
Ele fundou a Pedagogia Espírita no Brasil, ao implantar uma
Escola Espírita que revolucionou uma época, um contexto
social e um sistema tradicional estabelecido, aplicando um método
que eliminava as notas, os castigos e as recompensas, já que
os alunos recebiam a proposta de participar ativamente da própria
educação, contribuindo e colaborando. Eis aí
a importância de se evangelizar.
Que surjam mais Escolas Espíritas para
promoção da evangelização das crianças,
nesta nova era que a vida na Terra já aponta. Que sejam implantados
projetos novos de apoio às crianças, para que as lições
morais permaneçam como base de uma sociedade que busca o equilíbrio.
A tarefa é grandiosa, porque a educação não
começa no berço nem termina no túmulo, mas antecede
ao nascimento e transcende a extinção do corpo físico.
O Dr. Américo Canhoto, especialista em Educação
e Saúde pontua o seguinte na obra — A Reforma Íntima
começa antes do berço: “(...)
“(...) A criança deve saber desde cedo que é
um espírito muito antigo que já andou nesta dimensão
da vida, muitas vezes, e que igual a todas as pessoas ela fez tudo
a que tinha direito dentre erros e acertos; da mesma forma fará
todas as reparações que se fizerem necessárias.
Reparar os enganos do passado não quer dizer sofrer. Pode muito
bem representar uma forma de sentir alegria e prazer. É preciso
ajudar à criança a encarar a vida dessa forma simples
e prática. (...)”
Léon Denis no capítulo que trata
da Educação, na terceira parte do livro Depois da
Morte alerta os Educadores do Espírito sobre o quanto
é essencial ensinar à criança a governar-se,
a conduzir-se como ser racional e consciente para entrar na vida,
armado, sobretudo para a luta moral.
É necessário entender bem a função própria
do período infantil para avaliação real da importância
da evangelização espírita.
Afinal, por que espíritos velhos, vividos, tantas vezes viciados
em erros milenares, já donos de tantas experiências,
precisam “entrar de novo no ventre de uma mãe”
e viverem a etapa infantojuvenil?
A reencarnação tem finalidade educativa, já que
é uma nova oportunidade de reestruturação dos
novos aprendizados. Pelo processo de esquecimento e renovação
da vida, o espírito constrói outra persona, melhora-se
e resgata seus débitos sem opressão da vergonha. Ao
conviver com inimigos, muitas vezes, na parentela corporal e nas criaturas
das suas relações, sem perceber, muda a forma de pensar
e de sentir; renovando-se assim e ampliando sua bagagem espiritual.
Joanna de Ângelis, através de Divaldo Franco esclarece
sobre a importância da Evangelização na formação
da sociedade do Terceiro Milênio:
“É de máxima
relevância, por ser a infância de hoje o elemento social
do futuro que constituirá a nova Humanidade, desde já
programada para o início do Terceiro Milênio. Na alvorada
do próximo milênio, os jovens da atualidade estarão
chamados a exercer tarefas e atender a compromissos cujos resultados
dependerão da formação que lhes seja dada, desde
agora. Sendo a Doutrina Espírita a mais excelente Mensagem
de todos os tempos; porque restauradora
do pensamento de Jesus Cristo em forma compatível com as conquistas
do conhecimento moderno — é óbvio que a preparação
das mentes infantojuvenis à luz da evangelização
espírita é a melhor programação para uma
sociedade feliz e mais cristã”.
Sob a ótica da Doutrina Espírita, devemos entender que,
na juventude, o indivíduo já deixou de ser criança,
mas ainda não é adulto. Essa nova fase do seu desenvolvimento
é difícil, modifica-se biológica e psicologicamente,
afetando-o socialmente. Nessa etapa, mais do que nunca ele necessita
de orientação e amparo para que sinta-se bem consigo
e com o meio, mais próximo do seu próximo e de Deus.
A adolescência é como as demais fases do desenvolvimento
humano, de grande importância para o Espírito que preparado
durante a infância, ao assumir sua verdadeira identidade, verifica
seus valores individuais e define-se como ser eterno. Conforme pontuações
dos Espíritos na questão 385 de O Livro dos Espíritos.
No jovem, ainda é possível corrigir, compensar falhas
e deficiências da infância, e cabe aos educadores desempenharem
o seu papel de parceiros na tarefa de orientar. Se atualizar, conhecer
o mundo deles, participar de suas vidas, sem ser permissivo ou invadir
seus espaços. Ser respeitado é importante, então
respeitar também, e estamos aprendendo juntos. É uma
via de mão dupla, ora ensinamos, ora aprendemos e juntos verificamos
o quanto temos a aprender e evoluir.
Raciocinando com Denis, ainda no capítulo sobre a Educação:
“(...) Todas as chagas morais são provenientes da
má educação. Reformá-la, colocá-la
sobre novas bases traria à Humanidade consequências inestimáveis.
Instruamos a juventude, esclareçamos sua inteligência,
mas, antes de tudo, falemos ao seu coração, ensinemos-lhe
a despojar-se das suas imperfeições. Lembremo-nos de
que a sabedoria por excelência consiste em nos tornarmos melhores.(...)”
Na vida adulta a tarefa de remodelação é normalmente
muito mais difícil, então o homem será o que
de sua infância se faça. A criança incompreendida
resulta no jovem revoltado e este assume a posição de
homem traumatizadoe violento.
A criança desdenhada ressurge no adolescente inseguro que modela
a personalidade do adulto infeliz.
“A criança é sementeira que aguarda, o jovem
é campo fecundado, o adulto é seara em produção.
Conforme a qualidade da semente, teremos a colheita.” Orientação
de Amélia Rodrigues na mensagem: Evangelização,
desafio de urgência. Retirada do livro Terapêutica
de Emergência, sob a psicografia de Divaldo Franco.
Saibamos cuidar das crianças para que preparemos jovens sob
as diretrizes dos ensinamentos do Cristo e à luz da Doutrina
Espírita, preparando-os para assumir as responsabilidades,
para conhecer mais de vida espiritual, ajudá-los a construir
um caminho, onde o Amor reine. Treinemo-los, dando oportunidades,
e ouvindo-os. Mas precisamos estimulá-los a serem adultos equilibrados
e conscientes de suas responsabilidades diante da reconstrução
do mundo.
Ouço sempre uma amiga dizer para os jovens: vamos estudar e
trabalhar junto à evangelização, pois eu vou
desencarnar e quero reencarnar aqui de novo e encontrar evangelizadores
para me dar suporte.
A realidade nos aponta para a necessidade de o Centro Espírita
estar preparado para atender ao ser humano em todas as suas etapas
de crescimento do corpo físico, desde a gestação
até a madureza.
A evangelização espírita não deve se restringir
a uma horinha na casa espírita. Os pais, os responsáveis
devem manter-se em parceria, como?
Atentos às necessidades de seus tutelados, verificando suas
dificuldades e estimulando-os à correção, conduzindo-os
a pensar e refletir acerca de seus erros, não sendo permissivo,
nem rígido, muito menos juiz. É preciso oferecer o contato
com o Evangelho durante a semana, implantar o estudo do Evangelho
no Lar, ensinar a orar pela humanidade, ensinar a cooperar, enfim,
ser exemplo — não funciona dizer e não fazer —
pois o exemplo arrasta.
E é Joanna que nos informa pela psicofonia de Divaldo:
“Que orientação os Amigos Espirituais dariam
aos pais espíritas em relação ao encaminhamento
dos filhos à Escola de Evangelização dos Centros
Espíritas?
Na condição de pais e orientadores, temos a preocupação
de oferecer a melhor alimentação aos filhos e aos nossos
educandos; favorecê-los com o melhor círculo de amigos;
vesti-los de forma decente e agradável; encaminhá-los
aos melhores professores, dentro da nossa renda; proporcionar-lhes
o mais eficiente médico e os mais eficazes medicamentos quando
estejam enfermos; conceder-lhes meios para a manutenção
da vida; encaminhá-los na profissão que escolham...
É natural que, também, tenhamos a preocupação
maior de atendê-los com a melhor diretriz para uma vida digna
e um porvir espiritual seguro, e esta rota é a Doutrina Espírita.
Portanto, encaminhemo-los às Escolas de Evangelização
dos Centros Espíritas, ou, do contrário, não
estaremos cumprindo com as nossas obrigações”.
Concluindo com Bezerra de Menezes:
“Criança evangelizada, adulto que levanta no rumo
da felicidade porvindoura.”