Espiritualidade e Sociedade





Maria Magdala Alves Monteiro

>   A importância da evangelização espírita

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Maria Magdala Alves Monteiro
>   A importância da evangelização espírita

 

 

Perceber a importância da educação de espíritos recém-chegados ao planeta é a tônica da nossa reflexão, que se fundamenta nas lições que o Evangelho do Senhor Jesus nos traz, cujos esforços devem ser empreendidos por aqueles que determinados, buscam praticá-las.

Quando nos propomos a analisar os conceitos dessa obra, rica em ensinos que esclarecem, consolam e dão as diretrizes para o bem-viver, oportunidade de real assimilação dos conceitos se faz e podemos mudar o rumo evolutivo através do bom comportamento.

Os aprendizados, que o divino amigo nos oferece serve para refletirmos mais e mais e saibamos lidar em um mundo cheio de atribulações, preparados para contribuir com o progresso do planeta, e tornando-nos exemplo para outros.

Capacitar-se nas virtudes, para ensinar aos pequeninos é se modelar a fim de ser útil e servir, convicto da reforma que propõe, sejamos: pais, mães, avós, tios, professores, responsáveis, enfim, educadores do espírito imortal.

Todos os que se fazem educadores de espíritos têm o fim de atender aos pequeninos carentes de orientação, que se aproximam do orbe terreno, com muita sede de conhecimento, mas com muito mais sede de conceitos morais, de amor e de direcionamento; às criaturas carentes de regras básicas da moral cristã, daremos as que estão registradas nesse belo manual, que Jesus compartilhou conosco em sua vivência terrena.

A anotação a seguir pode ser bem explorada em nossas reflexões. Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap VIII, it. 4:

“(...) Suas ideias, a partir do nascimento, retomam a atividade gradualmente, à medida que os órgãos vão se desenvolvendo, de onde se pode dizer que, no decorrer dos primeiros anos, o espírito realmente é criança, porque as ideias que formam a base do seu caráter ainda estão adormecidas. Durante o tempo em que seus instintos permanecem adormecidos, ele é mais dócil e, por isso mesmo, mais acessível às impressões que podem modificar sua natureza e fazer com que progrida, o que torna mais fácil a tarefa que pertence aos pais. (...)”

Empenhemo-nos em estimular corações sensíveis às ideias do Cristo, demonstrando a importância da tarefa, que não é só da Casa Espírita, pois ela é de todos os que se importam com os seres pequeninos reencarnados. Mas nos preocupemos também com aqueles que não têm os parâmetros da imortalidade, do Cristo amoroso e de Deus como Pai.

Kardec em A Gênese, cap.18, it. 27 anotou:

Devendo fundar a era do progresso moral, a nova geração se distingue por uma inteligência e uma razão, geralmente precoces, aliadas ao sentimento inato do bem e das crenças espiritualistas, o que é sinal indubitável de um certo grau de adiantamento anterior. Ela não será composta exclusivamente por espíritos eminentemente superiores, mas pelos que, já tendo progredido, estão predispostos a assimilar todas as ideias progressistas e aptos a secundar o movimento de regeneração”.

Que os nossos corações, irmãos, se permitam sensibilizar pelo contexto atual, rico em oportunidades de vivenciarmos a evangelização espírita com crianças, jovens e suas famílias, sim meus amigos, de evangelização em conjunto.

Toda Casa Espírita deve implantar a atividade com as crianças e suas famílias e manter os educadores capacitados, atualizados e estimulados, para promoverem a remoção das impurezas, impregnadas desde as jornadas anteriores. A parceria da Casa Espírita com a família é imprescindível para o bom desenvolvimento dos novatos em corpos físicos em desenvolvimento.

Por que toda essa preocupação com seres em um corpo infantil, em desenvolvimento, com jovens e suas famílias?

Porque a principal finalidade de o espírito retornar em um corpo infantil é ser reeducado, e as impressões positivas que recebe durante a infância são determinantes em sua existência atual e para além da vida física. E os educadores de espíritos têm que estar atentos.

Os teóricos de Educação nos dizem que o que se ensina na primeira infância, marca para sempre os corações pequeninos.

É muito claro esse “para sempre”, quando se analisa por um instante as próprias experiências até então, percebendo determinado fato marcante na primeira infância, que continua tão presente nas lembranças que até serviu de modelo. Mas façamos agora um paralelo com o conhecimento dos postulados espíritas adquiridos e reflitamos sobre as marcas que trazemos em nosso íntimo, interagindo com a atual vivência. Enquanto alguns exemplos nos serviram para reformular os pontos de vista, outros não sendo ensinados marcaram pela falta que nos fizeram. É assim que, ativo na memória espiritual carregamos tais vivências e acessamos, em contextos das inúmeras vidas, o que marcou profundamente.



Quão importante é a evangelização de crian ças na mais tenra idade, a fim de que essas marcas se desvaneçam e reformulem o mais íntimo de cada ser pensante.

As impregnações na matéria serão apagadas pelo exercício do amor dos educadores desses espíritos impressionáveis pelas ideias que reformulam o pensar e o agir.

O exercício de autoevangelização nos fará formadores de opinião, conduzindo criaturas ao pensamento de si e à valorização da vida, pois não somos mais os mesmos do passado, e hoje já nos incomodamos criando pontos de apoio aqui e ali para os pequenos que sofrem, sem atenção, sem valor, sem carinho, sem limites, sem noções elevadas e sujeitos a todo tipo de atividades impróprias à sua faixa etária.

Lembram-nos os espíritos que, exatamente por causa do estado de semiconsciência do espírito encarnado, num corpo infantil, suas barreiras de defesa psíquica estão neutralizadas, ele está brando, mais receptivo, mais maleável, mais aberto a todas às influências.

Emmanuel, em O Consolador, item 109, reflete: O período infantil é o mais importante para a tarefa educativa?

“O período infantil é o mais sério e o mais propício à assimilação dos princípios educativos. Até aos sete anos, o Espírito ainda se encontra em fase de adaptação para a nova existência que lhe compete no mundo. Nessa idade, ainda não existe uma integração perfeita entre ele e a matéria orgânica. Suas recordações do plano espiritual são, por isso, mais vivas, tornando-se mais suscetível de renovar o caráter e estabelecer novo caminho, na consolidação dos princípios de responsabilidade (…)”

Allan Kardec, o grande missionário, encarregado de reunir em obras básicas, os postulados da Doutrina Espírita, traz farto material de orientações espirituais, que facilitam o nosso entendimento para que nos orientemos, estudando sobre o sentido da vida, a fim de consolar e estimular corações, mas principalmente de educar espíritos.

A importância da evangelização espírita é clara meus caros amigos, pois evangelizar é preparar o ser humano para enfrentar todos os momentos adversos da vida, com base nos ensinos do Mestre amigo.

É o único meio de estimular a criança a ter alegria de viver, de contribuir no entorno, de ter ideias salutares, adquirir hábitos saudáveis, praticar boas obras, exercitar os valores morais e se tornar consciente de si mesma como espírito imortal, participante no mundo de forma colaborativa e não competitiva.

Kardec pontua em O Livro dos Espíritos, perg. 385.

A delicadeza da idade infantil os torna brandos, acessíveis aos conselhos da experiência e dos que devam fazê-los progredir. Nessa fase é que se lhes pode reformar os caracteres e reprimir os maus pendores. (...)”

Eurípedes Barsanulfo foi o primeiro grande educador espírita. Ele fundou a Pedagogia Espírita no Brasil, ao implantar uma Escola Espírita que revolucionou uma época, um contexto social e um sistema tradicional estabelecido, aplicando um método que eliminava as notas, os castigos e as recompensas, já que os alunos recebiam a proposta de participar ativamente da própria educação, contribuindo e colaborando. Eis aí a importância de se evangelizar.


Que surjam mais Escolas Espíritas para promoção da evangelização das crianças, nesta nova era que a vida na Terra já aponta. Que sejam implantados projetos novos de apoio às crianças, para que as lições morais permaneçam como base de uma sociedade que busca o equilíbrio.

A tarefa é grandiosa, porque a educação não começa no berço nem termina no túmulo, mas antecede ao nascimento e transcende a extinção do corpo físico.

O Dr. Américo Canhoto, especialista em Educação e Saúde pontua o seguinte na obra — A Reforma Íntima começa antes do berço: “(...)

“(...) A criança deve saber desde cedo que é um espírito muito antigo que já andou nesta dimensão da vida, muitas vezes, e que igual a todas as pessoas ela fez tudo a que tinha direito dentre erros e acertos; da mesma forma fará todas as reparações que se fizerem necessárias. Reparar os enganos do passado não quer dizer sofrer. Pode muito bem representar uma forma de sentir alegria e prazer. É preciso ajudar à criança a encarar a vida dessa forma simples e prática. (...)”


Léon Denis no capítulo que trata da Educação, na terceira parte do livro Depois da Morte alerta os Educadores do Espírito sobre o quanto é essencial ensinar à criança a governar-se, a conduzir-se como ser racional e consciente para entrar na vida, armado, sobretudo para a luta moral.

É necessário entender bem a função própria do período infantil para avaliação real da importância da evangelização espírita.

Afinal, por que espíritos velhos, vividos, tantas vezes viciados em erros milenares, já donos de tantas experiências, precisam “entrar de novo no ventre de uma mãe” e viverem a etapa infantojuvenil?

A reencarnação tem finalidade educativa, já que é uma nova oportunidade de reestruturação dos novos aprendizados. Pelo processo de esquecimento e renovação da vida, o espírito constrói outra persona, melhora-se e resgata seus débitos sem opressão da vergonha. Ao conviver com inimigos, muitas vezes, na parentela corporal e nas criaturas das suas relações, sem perceber, muda a forma de pensar e de sentir; renovando-se assim e ampliando sua bagagem espiritual.

Joanna de Ângelis, através de Divaldo Franco esclarece sobre a importância da Evangelização na formação da sociedade do Terceiro Milênio:

É de máxima relevância, por ser a infância de hoje o elemento social do futuro que constituirá a nova Humanidade, desde já programada para o início do Terceiro Milênio. Na alvorada do próximo milênio, os jovens da atualidade estarão chamados a exercer tarefas e atender a compromissos cujos resultados dependerão da formação que lhes seja dada, desde agora. Sendo a Doutrina Espírita a mais excelente Mensagem de todos os tempos; porque restauradora do pensamento de Jesus Cristo em forma compatível com as conquistas do conhecimento moderno — é óbvio que a preparação das mentes infantojuvenis à luz da evangelização espírita é a melhor programação para uma sociedade feliz e mais cristã”.

Sob a ótica da Doutrina Espírita, devemos entender que, na juventude, o indivíduo já deixou de ser criança, mas ainda não é adulto. Essa nova fase do seu desenvolvimento é difícil, modifica-se biológica e psicologicamente, afetando-o socialmente. Nessa etapa, mais do que nunca ele necessita de orientação e amparo para que sinta-se bem consigo e com o meio, mais próximo do seu próximo e de Deus.

A adolescência é como as demais fases do desenvolvimento humano, de grande importância para o Espírito que preparado durante a infância, ao assumir sua verdadeira identidade, verifica seus valores individuais e define-se como ser eterno. Conforme pontuações dos Espíritos na questão 385 de O Livro dos Espíritos.

No jovem, ainda é possível corrigir, compensar falhas e deficiências da infância, e cabe aos educadores desempenharem o seu papel de parceiros na tarefa de orientar. Se atualizar, conhecer o mundo deles, participar de suas vidas, sem ser permissivo ou invadir seus espaços. Ser respeitado é importante, então respeitar também, e estamos aprendendo juntos. É uma via de mão dupla, ora ensinamos, ora aprendemos e juntos verificamos o quanto temos a aprender e evoluir.

Raciocinando com Denis, ainda no capítulo sobre a Educação: “(...) Todas as chagas morais são provenientes da má educação. Reformá-la, colocá-la sobre novas bases traria à Humanidade consequências inestimáveis. Instruamos a juventude, esclareçamos sua inteligência, mas, antes de tudo, falemos ao seu coração, ensinemos-lhe a despojar-se das suas imperfeições. Lembremo-nos de que a sabedoria por excelência consiste em nos tornarmos melhores.(...)”

Na vida adulta a tarefa de remodelação é normalmente muito mais difícil, então o homem será o que de sua infância se faça. A criança incompreendida resulta no jovem revoltado e este assume a posição de homem traumatizadoe violento.

A criança desdenhada ressurge no adolescente inseguro que modela a personalidade do adulto infeliz.

A criança é sementeira que aguarda, o jovem é campo fecundado, o adulto é seara em produção. Conforme a qualidade da semente, teremos a colheita.” Orientação de Amélia Rodrigues na mensagem: Evangelização, desafio de urgência. Retirada do livro Terapêutica de Emergência, sob a psicografia de Divaldo Franco.

Saibamos cuidar das crianças para que preparemos jovens sob as diretrizes dos ensinamentos do Cristo e à luz da Doutrina Espírita, preparando-os para assumir as responsabilidades, para conhecer mais de vida espiritual, ajudá-los a construir um caminho, onde o Amor reine. Treinemo-los, dando oportunidades, e ouvindo-os. Mas precisamos estimulá-los a serem adultos equilibrados e conscientes de suas responsabilidades diante da reconstrução do mundo.

Ouço sempre uma amiga dizer para os jovens: vamos estudar e trabalhar junto à evangelização, pois eu vou desencarnar e quero reencarnar aqui de novo e encontrar evangelizadores para me dar suporte.

A realidade nos aponta para a necessidade de o Centro Espírita estar preparado para atender ao ser humano em todas as suas etapas de crescimento do corpo físico, desde a gestação até a madureza.

A evangelização espírita não deve se restringir a uma horinha na casa espírita. Os pais, os responsáveis devem manter-se em parceria, como?

Atentos às necessidades de seus tutelados, verificando suas dificuldades e estimulando-os à correção, conduzindo-os a pensar e refletir acerca de seus erros, não sendo permissivo, nem rígido, muito menos juiz. É preciso oferecer o contato com o Evangelho durante a semana, implantar o estudo do Evangelho no Lar, ensinar a orar pela humanidade, ensinar a cooperar, enfim, ser exemplo — não funciona dizer e não fazer — pois o exemplo arrasta.

E é Joanna que nos informa pela psicofonia de Divaldo:

Que orientação os Amigos Espirituais dariam aos pais espíritas em relação ao encaminhamento dos filhos à Escola de Evangelização dos Centros Espíritas?
Na condição de pais e orientadores, temos a preocupação de oferecer a melhor alimentação aos filhos e aos nossos educandos; favorecê-los com o melhor círculo de amigos; vesti-los de forma decente e agradável; encaminhá-los aos melhores professores, dentro da nossa renda; proporcionar-lhes o mais eficiente médico e os mais eficazes medicamentos quando estejam enfermos; conceder-lhes meios para a manutenção da vida; encaminhá-los na profissão que escolham... É natural que, também, tenhamos a preocupação maior de atendê-los com a melhor diretriz para uma vida digna e um porvir espiritual seguro, e esta rota é a Doutrina Espírita. Portanto, encaminhemo-los às Escolas de Evangelização dos Centros Espíritas, ou, do contrário, não estaremos cumprindo com as nossas obrigações
”.

Concluindo com Bezerra de Menezes: “Criança evangelizada, adulto que levanta no rumo da felicidade porvindoura.”

 

 

Fonte: Revista Ca CELD de Estudtudos Espíritas
> https://celd.xyz/wp-content/uploads/06-Revista_CELD_Junho-2018.pdf

 

 

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