Ontem (12/06/2008), para a Society for Psychical Research, palestrou
a Doutora Penny Sartori, uma enfermeira que executou um estudo de
cinco anos sobre EQMs na unidade de tratamento intensivo no hospital
de Swansea, entre 1998 e 2003. Sete dos 39 pacientes que sofreram
uma parada cardíaca durante este período reportaram
uma EQM. Ela descreveu, antes do estudo começar, a maneira
que colocava no topo dos monitores, acima das camas, símbolos
onde que não podiam ser vistos do solo. A idéia era
que, se qualquer paciente visse algum deles durante um episódio
fora-do-corpo, ajudaria a verificar que isso era real, e não
imaginado.
Tristemente, nenhum dos pacientes viu as imagens,
na maioria dos casos seus relatórios eram difíceis de
verificar. Por outro lado, quando comparados com um grupo de controle,
seus relatórios mostraram uma precisão muito maior,
sugerindo a presença de um processo desconhecido.
Alguma da melhor evidência disso ainda está
naqueles casos fornecidos nos estudos dos anos 80 pelo cardiologista
Michael Sabom, que podem ter tido uma vantagem sobre o estudo de Swansea
por envolverem operações cirúrgicas no lugar
de situações de tratamento intensivo. Os pacientes de
Sabom fizeram ainda muitos comentários detalhados sobre as
operações, por exemplo, observando a forma curiosa do
coração, como o cirurgião o extraia e trabalhava
nele, ou a profundidade da espinha quando um disco danificado era
removido. Os membros de um grupo de controle foram solicitados a descrever
a operação, e foram bem menos específicos e cometeram
erros importantes.
O grupo de controle de Sabom foi criticado por usar
pacientes que apenas tiveram backgrounds médicos semelhantes.
Sartori melhorou nisso ao recrutar indivíduos que experimentaram
ressuscitação. Mas, conforme foi esclarecido, estas
pessoas não foram mais capazes que o grupo de Sabom para dizer
o que poderia ter acontecido durante o período de inconsciência
delas - algumas não sabiam, e outras simplesmente improvisaram
dramas de hospitais de TV.
Sartori apontou para uma distinção clara
entre indivíduos que sofrem alucinações, que
são fortuitas e confusas, e os experimentadores de EQMs, cujas
experiências são lúcidas e envolvem as mesmas
imagens. French, analogicamente, contestou isso se referindo às
experiências de abdução, onde existe evidência
de pessoas que pensam que aquelas são reais, mas claramente
estão alucinando. Pode haver um ponto ai, embora eu não
siga isto completamente, e eu não estou certo o quanto é
útil comparar estas duas situações bastante diferentes.
Sartori então contra-argumentou que as informações
que alguns pacientes apresentaram, aparentemente enquanto eles estavam
inconscientes, pareceram ter sido adquiridas paranormalmente. Um sujeito
reportou ter encontrado sua neta falecida e que ela lhe disse que
dissesse a mãe dela para não acreditar em tudo que os
médiuns dizem a ela. Isto nada significava para ele, mas sua
filha mais tarde confessou que ela regularmente se consultava com
médiuns sem o conhecimento dele. Em outro caso, o pessoal na
unidade assistiu um homem agonizante sentado e gesticulando para a
parede por meia hora - ele mais tarde disse que sua irmã veio
o visitar, embora ela tivesse morrido na semana passada, um fato que
sua família havia decidido não revelar a ele.
Esperando a palavra final, French replicou que "um
cético provavelmente ainda diria que tudo poderia ter sido
uma coincidência". Interessante é que ali ele naturalmente
disse isso na terceira pessoa. Perguntei-me se ele fez isto porque
estaria pessoalmente envergonhado em se identificar com tal estratégia,
neste caso, alguém teria que perguntar por que ele continua
a pensar deste modo. Eu suponho que ele tenha enfeitado demais. Quando
as coisas ficam bem complicadas, está na hora de falar besteiras
e prevaricar. Deve ser difícil, às vezes, ser um cético
compromissado.
Eu mencionei uma ou duas vezes da resistência
heróica de Blackmore em Dying to Live sobre o mesmo assunto.
Resumidamente, a abordagem dela é que, quando as pessoas dizem
ver aquilo que os seus familiares e o pessoal do hospital estão
fazendo ao redor do corpo inconsciente delas, elas estão apenas
exagerando ou compondo material. Na rapidez dela, sem nenhum sentido,
ela lida com um pedaço aparentemente incontestável da
evidência, culpando o percipiente por fazer um estardalhaço
desta. Seguramente, ela argumenta, isso pode significar somente uma
coisa: que o percipiente não está realmente certo que
isso aconteceu do modo que ela disse que foi. Como eu digo, para uma
cientista séria ter que falar deste modo, deve soar humilhante.
Isso é levado ao extremo pelos psiquiatras
Glen Gabbard e Stuart Twemlow no livro deles With the Eyes of the
Mind (1984). Eles estão perturbados particularmente pelas reivindicações
de Sabom sobre percepção fora-do-corpo em seus pacientes
cardíacos. Eles conseguem prolongar o assunto até as
últimas páginas, as quais indicam que eles parecem entender
que, de alguma maneira, têm que impedir isso. Os resultados
são cômicos: eles não têm uma pista. Eles
pegam a ajuda de Terence Hines, cujo livro de desmistificação
eles têm à mão, e que realmente tampouco sabe
algo, mas que tem muito a dizer sobre Uri Geller e psíquicos
fraudulentos. Tendo lido este material durante algum tempo, eles concluem
que as reivindicações de percepção fora-do-corpo
podem ser derrubadas por fraude, mas sem estruturar claramente se
eles pensam que seja o doutor ou os pacientes que estão mentindo.
Você não pode culpar os céticos
por se comportarem deste jeito - suas visões de mundo completamente
se prendem a isso. Mas seria interessante se mais pessoas que essencialmente
compartilham esta visão de mundo compreendessem as mudanças
duvidosas que podem ser requeridas para manter esta visão um
comércio.
(Incidentemente, Sartori acabou de publicar um livro
baseado no estudo, e outra pesquisa realizada para sua tese de doutorado.
Por £85 eu não consigo imaginar que nós todos
iremos nos apressar e ir comprá-lo, mas eu tentarei pegar uma
cópia e revisá-la em algum ponto).