Falo um pouco do que penso sobre
o passe.
Afirmo inicialmente que são
opiniões construídas a partir de meus estudos pessoais.
Portanto, jamais se arvoram a pretensiosa posição de
"verdades", pois tenho a absoluta consciência que
são apenas as minhas opiniões. E mais, não pretendo
ensinar nada a ninguém já que muito tenho a aprender.
Então jamais tome minhas singelas palavras como ensinamentos,
porque realmente não o são, eu as tenho apenas como
minha simplória opinião, sem qualquer ranço dogmático
ou impositivo.
Kardec, em suas obras, faz uma análise criteriosa sobre o magnetismo
(vide diversos artigos da sua "Revista espírita").
Divide-o em magnetismo animal, praticado pelos magnetistas, e o magnetismo
espiritual, usado com finalidades terapêuticas pelos espíritos
que por ela se interessam, através do médiuns. E entre
eles, sempre há a mistura das duas possibilidades, pois nas
atividades mediúnicas acaba se por usar os dois instrumentos,
tornando a prática uma mistura de fluidos animais e espirituais.
Entretanto, em todos os seus textos, Kardec e os espíritos
que o auxiliaram na construção de sua obra alertam para
o fato de que o médium curador (essa é a expressão
kardecista, jamais "passista") deve buscar abster-se ao
máximo de seus fluidos animais, pois sempre estão carregados
de sentimentos e vibrações não condizentes com
a atividade terapêutica. Assim, através da prece deve
pedir o auxílio e o amparo dos bons espíritos e seus
fluidos no processo mediúnico, esforçando-se em anular
a sua contribuição fluídica pessoal.
Há exemplos diversos nos textos da excepcional "Revista
espírita" de Kardec, e em todos eles a manipulação
fluídica sempre esteve ao encargo dos espíritos, jamais
do médium, sendo, portanto, desnecessária e ineficiente
qualquer tentativa de manipulação dos fluidos ao nosso
redor. Até porque, por serem fluidos, não estão
passíveis de manipulação através de movimentos
do nosso corpo físico. Seria como tentar impedir uma onda eletromagnética
de passar colocando ante seu caminho a nossa mão. A impossibilidade
de tal feito ilustra que os movimentos manuais para distribuir ou
concentrar fluidos não passam de crenças sem qualquer
fundamentação científica. Portanto não
fazem parte do corpo doutrinário espírita, que se ampara
no positivismo científico e na racionalidade filosófica.
Livros diversos foram escritos sobre o tema "passes", como
o de Jacob Melo é triste exemplo, pois apenas com o amparo
do seu credo não-espírita, constrói toda uma
fantasia de técnicas de passe, como se úteis ou mesmo
coerentes fossem. Mas sua obra não é a única.
Há ainda outras com expressão religiosa similar.
O espiritismo busca outro caminho, conforme as propostas kardecistas.
A mediunidade curadora apenas impõe suas mãos sobre
o atendido, e através da prece sincera e amorosa deixa aos
espíritos toda a manipulação fluídica,
que seria mesmo inacessível aos nossos movimentos desnecessários
e sem sentido. Retomarei o tema trazendo alguns artigos de Kardec,
que ilustram com primor aquilo que aqui argumento. Não pretendo
convencer ninguém de nada. Estou apenas dando a minha modesta
contribuição do entendimento que tenho das minhas leituras
e estudos de Kardec. Cada um segue seu caminho. Se achar que deve
rodar e circular as mãos, porque nisso crê (e é
apenas crença mesmo, sem nenhum amparo epistêmico), deve
continuar. Se achar que deve estalar os dedos, deve também
continuar. Se achar que baforar fumaça sobre o atendido, deve
continuar. Mas, como disse, prefiro a positividade kardecista e seus
sólidos argumentos racionais. E isso é apenas a minha
escolha, sem pretensões do certo ou errado.
Continuarei no tema em breve e espero
seus comentários para que possamos melhor compreender assunto
tão instigante.
Abraços fraternais.