No tumulto que toma conta do mundo
e das pessoas,
reserva-te alguns momentos de silêncio,
que se transformem em quietude interior.
— Joanna de Ângelis—
O silêncio
já foi identificado e proposto por condutores da Humanidade
desde sempre...
Sem silêncio, não há música. Sem silêncio,
não há escuta.
Mergulhados que estamos no pensamento divino, precisamos de silêncio
em nossos próprios pensamentos para ouvi-Lo.
Ensurdecidos pela gritaria íntima, não ouvimos o filho
pedir ajuda; não ouvimos o companheiro descortinar seu mundo
íntimo; não ouvimos o pássaro, que celebra o
dia; não ouvimos a vida em torno de nós. E, se não
ouvimos, não sabemos que o filho tem dúvidas; que o
companheiro tem sua visão de mundo única para compartilhar;
que cada novo dia merece ser saudado; e que a vida transcorre plena
de oportunidades que insistimos em ignorar, prisioneiros do barulho
de pensamentos que se sucedem e se atropelam sem proveito.
O silêncio interior nos defende da precipitação,
das falas impensadas e suas consequências, de produzir cansaço
naqueles que amamos, tornando-os ausentes emocionalmente, ou mesmo
fisicamente, da convivência conosco por não encontrarem
eco para suas falas e nem um lugarzinho para se aninharem em nosso
pensamento, que jorra em ruidosa e ameaçadora correnteza de
ideias.
O silêncio interior nos propicia – e talvez este seja
o fato mais pleno de significado – ouvir nosso próprio
Ser Integral, e não apenas as intermináveis arengas
de um Ego cheio de exigências e carências, que quer ver
prontamente atendidas, e então faz barulho.
Aprende-se a fazer silêncio por meio de práticas milenares
de meditação ou de exercícios que seu próprio
Ser Integral poderá sugerir, se lhe der ouvidos.
Respirar conscientemente, ou seja, atento ao ar que entra e ao ar
que sai. Tomar consciência dos pontos de tensão no corpo
e dizer-lhe:
– Relaxe!
Repetir frases curtas e tranquilizadoras, como: entrego; confio; aceito
e agradeço. Isso desconecta nosso pensamento de toda a ansiedade
e de toda a preocupação.
E o Ser Integral, o Espírito Imortal, Centelha Divina que somos
se fará ouvir em frases curtas; às vezes, só
palavras soltas, que nos revelarão a nós mesmos; nos
dará notícia de nossos talentos ignorados; nos apontará
caminhos nunca entrevistos; e nos dispensará de fazer barulho,
de gritar, de estar sempre falando, de ouvir música alta, de
tantos recursos dos quais lançamos mão para não
nos ouvirmos.

Os mestres da Humanidade buscaram
o silêncio, retirando-se fisicamente para lugares ermos por
um tempo: o deserto, o alto dos montes, o interior das grutas, o fundo
de uma capela, a sombra das grandes árvores, para se renovarem,
fortalecerem-se, retornando para a continuidade de suas missões,
aptos a enfrentarem as lutas indispensáveis.
Será que conseguimos criar uma rotina de exercício de
silêncio interior, pensando que não é preciso
estar sempre provando seu ponto, não é preciso combater
todas as batalhas, não que não temos que ter opinião
formada sobre todo e qualquer assunto?
Que nossas palavras sejam ouro, sejam luz, sejam agradáveis,
sejam terapêuticas, assim como nosso silêncio: pausas
indispensáveis para que haja a melodia.
Os pássaros cantam e silenciam.
A trovoada ruge e silencia.
O vento passa uivando; depois, silencia.
O cantor canta e silencia, reverente, aguardando a resposta da plateia.
Disse Jesus:
– Seja o seu falar sim, sim, não, não.
Para cumprir essa proposta, preciso saber qual o meu sim e qual o
meu não. Preciso saber fazer silêncio para ME ouvir!
Preciso fazer silêncio para ouvir Deus, como quer Denis, no
“templo vivo da Consciência”.
Vou me silenciando por aqui...