Espiritualidade e Sociedade





Luzia Mathias

>   Prevenção do espírito - Para combater o vírus da negatividade

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Luzia Mathias
>   Prevenção do espírito - Para combater o vírus da negatividade

 

 

Naturalmente, porque estes são dias de insatisfação, as pessoas que de ti se acercam trazem, quase sempre, comentários negativos e observações deprimentes.
Seja tua a palavra de gentileza e de esperança em qualquer situação

— Joanna de Ângelis—

 

Estou escrevendo esse artigo em meio ao noticiário sobre um novo vírus que se espalha pelo mundo. Telejornais, internet e grupos sociais se apressam em divulgar estatísticas de contaminados e de óbitos, além de medidas de prevenção da disseminação da doença. Todos muito preocupados, como é de se esperar.

O que me chama a atenção é que até entre os espíritas observamos essa preocupação com o contágio de doenças físicas, o que é desejável, mas não a mesma preocupação com a disseminação das doenças da alma.

Não vou querer trazer, para esse momento de reflexão, os dados já muito divulgados de doenças da alma, transtornos psiquiátricos cuja denominação só faz aumentar, nem de estatísticas de suicídios que não poupam crianças e jovens, do crescente abuso de álcool e outras drogas lícitas e ilícitas, as múltiplas dependências nas quais tantas almas perdem o sentido existencial, mas é bom que se reflita: doenças do espirito também incapacitam e matam.

E qual é o meio de contágio das doenças da alma?

O contágio dessas patologias se dá através de algo imponderável: o pensamento.

Pensamento que gera atitudes, palavras, expressões que comunicam emoções e transmitem saúde ou doença, conforme a fonte da qual derivem, da qualidade da qual se impregnem.

Como diz Joanna, no texto em epígrafe: comentários negativos e observações deprimentes.

 


Acolher, no sentido de concordar, ou se omitir diante de tais comentários ou observações deprimentes é abrir-se ao contágio da doença, daquele que, inconsciente dos mecanismos psíquicos e extrafísicos envolvidos em nossas relações espirituais, se permite espalhar, até entre seus entes mais queridos, tais pensamentos perniciosos.

O que falta, a nós espíritas, para termos consciência de que a assepsia e antissepsia do espírito são fundamentais à saúde? O que falta para despertarmos para o fato de que medidas de prevenção das doenças da alma são mais, ou tão fundamentais, do que aquelas largamente divulgadas de prevenção de doenças infectocontagiosas?

É importante que pensemos mais sobre isso.

E, no caso, qual é a prevenção?




Gentileza e esperança são como uma vacina para quem as cultiva, porque eliminam do nosso ambiente emocional as matrizes do desamor e do medo que “plugam” com aqueles que, intencionalmente ou não, se tornam transmissores de perigosos vírus do medo, da inquietação, do desânimo, do desamor, da animosidade contra os que pensam diferente.

Ao recebermos um convite para participar de discussões regidas pelo orgulho e pelo ódio, de trocas de mensagens que corroem sonhos e esperanças, que consomem a fé no futuro que viemos consolidando com estudo, trabalho e reflexão, saibamos recusar com argumentos gentis e esperançosos, não só no sentido de evitar que adoeçamos, mas também para oferecer ao outro uma gota de água pura, um brilho na noite escura, o calor de um abraço fraterno.

Expressões de desânimo e desesperança podem ter-se tornado corriqueiros. Que não sejam para nós.

Ironias e críticas ácidas a quem quer que seja podem atrair-nos simpatizantes, mas nunca verdadeiros amigos.

O que está em jogo é mais do que uma gripe que, por mais letal que seja, não tem poder, por si só, de tirar-nos algo além do corpo físico.

O que está em jogo é a verdadeira vida, que, se não pode ser extinta, pode ser adoecida, levando-nos a percorrer caminhos ásperos e escuros das perturbações espirituais e da mente, o que é muito mais difícil de reverter.

Se sairmos do corpo físico vitimados, como Léon Denis, como Eurípedes Barsanulfo, por uma gripe, mas de espírito saudável, despertaremos na vida maior para a continuação natural de nossos estudos e trabalhos, na presença de seres amados e admirados.

Se, ao contrário, causarmos dano aos delicados tecidos da mente, muitas noites escuras suceder-se-ão até que consigamos despertar.

Seja a nossa palavra sempre de esperança, de alegria, de leveza, de paz, de solidariedade. Que provoque naqueles que assim desejarem, a vontade de trabalhar, de estudar, de envolver no amor seus irmãos em humanidade, de qualquer crença, de qualquer postura, no lugar mesmo onde se encontram, a exemplo de Jesus, nosso modelo e guia, que nos ama a todos.

 

 

Fonte: Revista CELD de Estudos Espíritas
https://celd.xyz/wp-content/uploads/04-Revista_CELD_Abril-2020.pdf

 

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