Espiritualidade e Sociedade





Luzia Mathias

>   Julgamento equilibrado de si mesmo

Artigos, teses e publicações

Luzia Mathias
>   Julgamento equilibrado de si mesmo

 

 

Todas as ações positivas são importantes no contexto geral da vida.
Até mesmo o erro tem o sentido de ensinar como se não deve fazer o que ora resulta prejudicial.
Esforça-te um pouco mais, quando estiveres produzindo algo, e, mediante o teu critério de julgamento, valoriza sem excesso nem depreciamento o que faças, pensando na finalidade para que se destina

—  Joanna de Ângelis —

 

 

Continuando nossa proposta de compartilhar “remédios” de nossa caixa de primeiros socorros espirituais, vamos conversar sobre a importância de conhecer e harmonizar o julgamento que fazemos de nós mesmos.

A ideia que fazemos do nosso próprio valor revela o desequilíbrio emocional característico da nossa pouca evolução. Ou nos superestimamos ou nos subestimamos. Tais julgamentos desequilibrados impactam em nossa manifestação no mundo, seja nos relacionamentos, no trabalho, na saúde física e emocional, seja em nossa aplicação à magna tarefa da evolução. (1)

(1) Episódios Diários Cap. 27 Critérios de Julgamento

Muitos caminham inconscientes de que o juízo que fazem de si mesmos está determinando as circunstâncias que experimentam em sua vida de relação, e colhem frutos amargos sem saber que foram semeados por si mesmos.

Um exercício simples, alguns minutos dedicados a conversar consigo mesmo, pode mudar todo um cenário existencial. Simplesmente se perguntar: “Qual o juízo que faço de mim mesmo?” pode mudar uma vida. Ao responder a essa pergunta com a sinceridade possível, em nos percebendo abaixo ou acima das demais pessoas com as quais mantemos os mais diferentes tipos de relacionamento, buscamos ajustar esse juízo, desfazer esse erro de julgamento, considerando que cada pessoa é um universo e que não temos a capacidade de avaliar ninguém em sua integralidade.

Não somos os melhores. E também não somos os piores.

Alguém que se superestime, achando-se sempre credor de homenagens e privilégios, poderá ser tolerado, mas nunca uma presença desejada e bemvinda, uma vez que será sempre um ponto de instabilidade no grupo social a que pertença.

Alguém que, por outro lado, se subestime, consome as energias dos demais, ou porque não assume responsabilidades, ou porque exige que o grupo social lhe afirme e reafirme a toda hora a capacidade para realizar qualquer tarefa.

Em ambas as posições, veremos um ser em sofrimento, acumulando mágoas e culpas. Por não se permitir o erro, não permite, aos demais, enganos, equívocos naturais, já que como nós mesmos, não são perfeitos.

Podemos não nos situar em posições extremas, mas um ajuste em nossa relação com nós mesmos é sempre muito enriquecedor.

Apesar de as duas manifestações parecerem opostas, a causa de ambos os funcionamentos é a mesma: o orgulho.

Estando na gênese de nossos desajustes sociais, o orgulho precisa ser primeiro visto, para poder ser combatido. E o que somos nós sem a máscara do orgulho? Espíritos imperfeitos, cumprindo o programa divino de aperfeiçoamento pelo próprio esforço, assim como todos aqueles com os quais formamos os grupos sociais a que pertencemos. Nem mais. Nem menos.

Se tivermos a justa noção disso, como ficará nosso funcionamento social?

Em primeiro lugar, mais tolerante, uma vez que não há por que esperar que os demais não se enganem, nem no julgamento, nem em suas ações para conosco. Precisamos apenas sinalizar, quando nos sentirmos desrespeitados, sem cobranças nem revide. Não adianta fingir que nada aconteceu e guardar a mágoa na alma, corroendo nossos melhores sentimentos.

Ficaremos também mais participantes e ativos, uma vez que não é justo que, a pretexto de nos julgarmos inferiores e incapazes, sobrecarreguemos o grupo social, ao adotar a prática de fugir de compromissos, abstendo-nos de assumir tarefas de interesse comum.

Observemos que o que Joanna de Ângelis afirma no texto em epígrafe: “O erro tem a função de ensinar como não se deve fazer" é um remédio precioso para ambas as situações patológicas: melindre e paralisação.

Se neutralizarmos o orgulho, teremos lucidez e equilíbrio suficientes para colaborar com o aprendizado daquele que nos feriu, dando-lhe notícia de como nos sentimos e, de como gostaríamos de ser tratados e, se formos nós que erramos, buscarmos conversar com nós mesmos, conhecer nossos motivos e procurar nos fortalecer, aprendendo algo com a situação, nos capacitando-nos a funcionar melhor numa nova oportunidade.


 

 

Podemos ver que ambas as propostas, embora a aparente simplicidade, podem evidenciar o orgulho, na medida em que experimentarmos dificuldades de pô-las em prática.

É preciso enfrentar essas dificuldades, silenciar o orgulho e executar a parte que nos cabe na Criação.

Nosso papel na Criação não pode ser transferido para ninguém. Julgando-me superior ou inferior, inviabilizo a realização de aprendizados que só a vida social pode oferecer, incapacito-me a aprender algo com os outros e me ausento do processo de contribuir para o progresso de todos.

Não percamos de vista o fato de que somos aprendizes da vida e, uma vez livres de julgamentos adoecidos, poderemos aproveitar muito melhor nosso tempo nessa escola da vida.

 

Fonte: Revista CELD de Estudos Espíritas
> https://celd.xyz/wp-content/uploads/05-Revista_CELD_Maio-2020.pdf

 

 

 

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