Espiritualidade e Sociedade





Luzia Mathias

>   Estar triste não é o mesmo que ser triste

Artigos, teses e publicações


Luzia Mathias
>   Estar triste não é o mesmo que ser triste

 

 

 



Nesse momento recente que vivenciamos, o isolamento social, tendo interrompidas nossas atividades profissionais, educacionais, de lazer, de trabalho no bem, de frequência à Casa Espírita, além de todo o cenário de dor que confrontamos diariamente, nos levaram a nos sentir tristes. Mas será que é imperativo que FIQUEMOS tristes?

Claro que ninguém escolhe a tristeza. Mas os acontecimentos tristes fazem parte da vida e é preciso vivê-los. Mais do que vivê-los, é preciso aproveitá-los e aprender o que vêm nos ensinar.

Fazendo esse esforço pessoal, pensei em contribuir para que os queridos leitores também se coloquem, na medida do possível, nesse lugar de aproveitamento, sem querer ser mestra, mas na certeza de que todos podemos, e devemos, compartilhar nossas experiências positivas, auxiliando assim, uns aos outros.

Algumas pessoas escolhem a negação da tristeza, adotando uma máscara de indiferença ou de ironia diante dos acontecimentos mais dolorosos.

Outras tantas se desmontam, desarvoram-se, perdem o rumo de si mesmas, como se a alegria nunca mais fosse voltar, como se as trevas da noite nunca mais fossem ser expulsas do céu pelo sol nascente, que afinal sempre chega.

Algumas se sentem culpadas, ou ingratas por não estarem sempre em estado de felicidade, em virtude de cobranças descabidas de que, por serem espíritas, por exemplo, devem tudo aceitar com um sorriso nos lábios.

Não virá a Doutrina Espirita nos propor a insensibilidade aos reveses da vida, do mesmo modo que não nos propõe alegrias alucinantes de exageradas.

Contra tal estado, de tristeza que tenda a ser permanente, sempre se pode, e se deve reagir.

Viver a tristeza não é o mesmo que tornar-se infeliz, permitindo que ela polua todas as atividades, relacionamentos e projetos para o futuro.

Resista e faça o seu melhor é a bandeira que a espiritualidade superior ergue adiante de nós, que vamos ascendendo em nossa espiral evolutiva.

De um amigo querido ouvi, num momento de tristeza e quase desistência das lutas existenciais, a recomendação: Não tente. Consiga!

Não nos entregando à tristeza, apenas vivendo a com naturalidade, podemos nos tornar mais sensíveis, e talvez esse seja o seu papel em nosso processo de amadurecimento psicológico, daí a citação do poeta Vinicius. A tristeza pode nos sensibilizar e, uma vez sensibilizados, mas não infelizes, poderemos criar nossa arte, olhar para nossos irmãos que também sofrem com mais compaixão, valorizar mais a beleza à nossa volta, a palavra do amigo, a página doutrinária, a própria vida em si mesma.

Isso também passa, é a mensagem de Maria de Nazaré para Chico Xavier, que, sim, estava se sentindo triste e desmotivado.

Existem muitas ferramentas das quais podemos nos socorrer, nos momentos de tristeza, a fim de que não se apoderem de nossa casa mental, paralisando-nos. Escolhemos a que nos parece mais eficaz, dentro inclusive de nossa prática com o Método de Autocura: Dar amor!

Encontremos, dentro do cenário que vivemos, tudo o que torne possível a expansão do amor.

Amor por nós mesmos, colocando à nossa disposição tudo o que possa nos transmitir paz, alegria, encorajamento, descanso, por menores que sejam.

Amor pelos outros, encontrando caminhos e meios de atender a alguma necessidade que, apesar da dor que atravessamos, não estamos impedidos de oferecer.

Cuidar das plantas, do animal de estimação, da própria casa, arrumando, limpando, organizando...

Pelo planeta, pela humanidade, dedicando alguns momentos à prece pelos que sofrem, como nós, em toda a parte, somando com grupos que já estão organizados nesses trabalhos, como a nossa própria Casa Espírita, em seus projetos do bem.

Cada vez que tirarmos nosso pensamento da prisão de girar em torno do sofrimento e o expandirmos, pela energia do amor, para tudo o que nos cerca, a começar por nós mesmos, entraremos em contato com a Fonte do Poder e nossa tristeza ficará limitada ao espaço que lhe compete em nossa mente, que é o de apenas mais uma das muitas emoções de que se compõe a nossa experiência de aprendizado e progresso.

É melhor ser alegre que ser triste, mas sem a tristeza nem saberíamos valorizar as coisas que proporcionam as mais legítimas fontes de felicidade, como a solidariedade, a contemplação da Natureza, a escuta à voz de Deus, que fala dentro de nós em qualquer situação.

Como diz Agostinho

“A busca de Deus é a busca da alegria. O encontro com Deus é a própria alegria.”

 

 

Fonte: Revista CELD de Estudos Espíritas
> https://celd.xyz/wp-content/uploads/07-Revista_CELD_Julho-2020.pdf#page=9&zoom=180,-89,539

 

 

 

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