Espiritualidade e Sociedade





Luzia Mathias

>   Em que posso ajudar? Vamos falar de Proatividade?

Artigos, teses e publicações

Luzia Mathias
>   Em que posso ajudar? Vamos falar de Proatividade?

 



Qual é a finalidade da encarnação dos Espíritos?
— Deus a impõe com o fim de levá-los à perfeição. A encarnação tem ainda outra finalidade, que é a de pôr o Espírito em condições de enfrentar a sua parte na obra da Criação. É para executá-la que ele toma um aparelho em cada mundo, em harmonia com a matéria essencial do mesmo, a fim de nele cumprir, daquele ponto de vista, as ordens de Deus. E dessa maneira, concorrendo para a obra geral, também progredir.
— O Livro dos Espiritos – pergunta 132

 

 

Todos experimentamos, em muitas situações existenciais, a falta, a carência, a imperfeição e mesmo a precariedade de estruturas, modelos de funcionamento, padrões de comportamento seja em família, no trabalho, na casa espírita e mesmo na cidade em que vivemos.

Quando as coisas não funcionam a contento o que costumamos fazer é... reclamar.

Reclama-se de tudo, o dia inteiro, a vida inteira, e muitas vezes com razão.

Realmente é, no mínimo desagradável constatar falhas, precariedades, nos serviços que acionamos, incompetências naqueles que exercem as mais variadas funções e papéis, fragilidade naquilo que deveria ser a sustentação de grupos e tarefas, injustiças, enfim, motivos de sobra para o exercício da reclamação, da lamentação e, em boa parte dos casos, da acomodação.

Mas será que é só isso mesmo que nos compete fazer? Apontar os erros, acusar as faltas ou acomodarmo-nos à imperfeição, à incorreção e ir simplesmente “ir levando”?

À luz da Doutrina dos Espíritos o incômodo que sentimos ao vivenciar o erro, a falha, a incompletude, certamente tem outra função no programa didático divino: chamamos de EVOLUÇÃO.

Dentro da ótica da EVOLUÇÃO a PROATIVIDADE é, sem duvida, preferível, em relação à RECLAMAÇÃO.

Nos diz o dicionário que “Proatividade é o comportamento de antecipação e de responsabilização pelas próprias escolhas e ações frente às situações impostas pelo meio.”

Nada mais de acordo com o conceito doutrinário de lei de Progresso, de Justiça, de Causa e Efeito. A Lei Divina em suma.

Observemos o processo de evolução no âmbito de uma encarnação. Nasce-se incompetente. Criança. Nesse estado, na infância somos normalmente assistidos por adultos que providenciam o atendimento de nossas necessidades básicas, desejos, incertezas, etc..

No curso de uma encarnação, inexoravelmente o corpo seguirá o seu curso de amadurecimento e envelhecimento, mas nem sempre é acompanhado pelo amadurecimento do espírito, que rebelde, preguiçoso, inseguro se mostra infantilizado, em permanente estado de reclamação daquilo que não se configura de seu agrado, sem se comprometer, nem se movimentar na direção das soluções ou de providências práticas com vistas a operar mudanças positivas nas condições existenciais pessoais e coletivas das quais participa.

Não vamos chegar a lugar nenhum de bem estar sendo bons reclamadores, eficientes em proclamar tudo o que observamos estar insatisfatório à nossa volta. Isso é tão fácil quanto inútil.

À medida que o ser amadurece psicologicamente percebe a inutilidade desse funcionamento, e começa a trocar reclamação por ação.

Isso ou aquilo não está bom? O que posso fazer para melhorar?

Essa situação está desconfortável ou mesmo dolorosa? O que posso fazer para minimizar a dor e aumentar o conforto?

Como posso contribuir para apoiar e fortalecer os que estão trabalhando nas causas que me interessam direta ou indiretamente?

Existe um texto de autor desconhecido que costuma ser exposto em lugares de trabalho em todo o mundo:

Se você abriu feche.
Se acendeu apague.
Se destrancou tranque.
Se quebrou conserte.
Se tirou do lugar recoloque.
Se pediu emprestado devolva.
Se utilizou conserve em bom estado.
Se sujou limpe.
Se desarrumou arrume.
Se levou traga de volta.
Se deixou cair apanhe.
Se não sabe como funciona não mexa.
Se é de outra pessoa, peça licença antes de pegar.
Se não lhe diz respeito não opine.

Todas essas regras são tão óbvias que a gente até estranha que precisem ser ensinadas e repetidas em se tratando de pessoas adultas. Mas dentro da visão espirita, vendo a nossa responsabilidade com a nossa própria melhora e a melhora do grupo familiar e social no qual estamos inseridos, incluindo a própria família planetária, ainda poderíamos acrescentar:

Acha que não está bom. Faça melhor.
Não se sente ouvido. Ouça.
Não encontra ajuda. Ajude.
Não se sente amado. Ame.

Enfim, praticar proatividade é o exercício não só de resolução dos nossos problemas, mas de mudança do estado de egoísmo para o de altruísmo, que caracteriza os espíritos mais adiantados, e consequentemente, mais felizes do que nós.

Sejamos mais felizes. Paremos de reclamar e sejamos proativos.

É só sair por aí se perguntando:

— Em que posso ajudar?

 

Fonte: Revista CELD de Estudos Espíritas
> https://celd.xyz/wp-content/uploads/06-Revista_CELD_Junho-2018.pdf

 

 

 

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