Qual é a finalidade da encarnação
dos Espíritos?
— Deus a impõe com o fim de levá-los à
perfeição. A encarnação tem ainda
outra finalidade, que é a de pôr o Espírito
em condições de enfrentar a sua parte na obra da
Criação. É para executá-la que ele
toma um aparelho em cada mundo, em harmonia com a matéria
essencial do mesmo, a fim de nele cumprir, daquele ponto de vista,
as ordens de Deus. E dessa maneira, concorrendo para a obra geral,
também progredir.
— O Livro dos Espiritos – pergunta 132
Todos experimentamos,
em muitas situações existenciais, a falta, a carência,
a imperfeição e mesmo a precariedade de estruturas,
modelos de funcionamento, padrões de comportamento seja em
família, no trabalho, na casa espírita e mesmo na cidade
em que vivemos.
Quando as coisas não funcionam a contento o que costumamos
fazer é... reclamar.
Reclama-se de tudo, o dia inteiro, a vida inteira, e muitas vezes
com razão.
Realmente é, no mínimo desagradável constatar
falhas, precariedades, nos serviços que acionamos, incompetências
naqueles que exercem as mais variadas funções e papéis,
fragilidade naquilo que deveria ser a sustentação de
grupos e tarefas, injustiças, enfim, motivos de sobra para
o exercício da reclamação, da lamentação
e, em boa parte dos casos, da acomodação.
Mas será que é só isso mesmo que nos compete
fazer? Apontar os erros, acusar as faltas ou acomodarmo-nos à
imperfeição, à incorreção e ir
simplesmente “ir levando”?
À luz da Doutrina dos Espíritos o incômodo que
sentimos ao vivenciar o erro, a falha, a incompletude, certamente
tem outra função no programa didático divino:
chamamos de EVOLUÇÃO.
Dentro da ótica da EVOLUÇÃO a PROATIVIDADE é,
sem duvida, preferível, em relação à RECLAMAÇÃO.
Nos diz o dicionário que “Proatividade é
o comportamento de antecipação e de responsabilização
pelas próprias escolhas e ações frente às
situações impostas pelo meio.”
Nada mais de acordo com o conceito doutrinário de lei de Progresso,
de Justiça, de Causa e Efeito. A Lei Divina em suma.
Observemos o processo de evolução no âmbito de
uma encarnação. Nasce-se incompetente. Criança.
Nesse estado, na infância somos normalmente assistidos por adultos
que providenciam o atendimento de nossas necessidades básicas,
desejos, incertezas, etc..
No curso de uma encarnação, inexoravelmente o corpo
seguirá o seu curso de amadurecimento e envelhecimento, mas
nem sempre é acompanhado pelo amadurecimento do espírito,
que rebelde, preguiçoso, inseguro se mostra infantilizado,
em permanente estado de reclamação daquilo que não
se configura de seu agrado, sem se comprometer, nem se movimentar
na direção das soluções ou de providências
práticas com vistas a operar mudanças positivas nas
condições existenciais pessoais e coletivas das quais
participa.
Não vamos chegar a lugar nenhum de bem estar sendo bons reclamadores,
eficientes em proclamar tudo o que observamos estar insatisfatório
à nossa volta. Isso é tão fácil quanto
inútil.
À medida que o ser amadurece psicologicamente percebe a inutilidade
desse funcionamento, e começa a trocar reclamação
por ação.
Isso ou aquilo não está bom? O que posso fazer para
melhorar?
Essa situação está desconfortável ou mesmo
dolorosa? O que posso fazer para minimizar a dor e aumentar o conforto?
Como posso contribuir para apoiar e fortalecer os que estão
trabalhando nas causas que me interessam direta ou indiretamente?
Existe um texto de autor desconhecido que costuma ser exposto em lugares
de trabalho em todo o mundo:
Se você abriu feche.
Se acendeu apague.
Se destrancou tranque.
Se quebrou conserte.
Se tirou do lugar recoloque.
Se pediu emprestado devolva.
Se utilizou conserve em bom estado.
Se sujou limpe.
Se desarrumou arrume.
Se levou traga de volta.
Se deixou cair apanhe.
Se não sabe como funciona não mexa.
Se é de outra pessoa, peça licença antes de pegar.
Se não lhe diz respeito não opine.
Todas essas regras são tão óbvias que a gente
até estranha que precisem ser ensinadas e repetidas em se tratando
de pessoas adultas. Mas dentro da visão espirita, vendo a nossa
responsabilidade com a nossa própria melhora e a melhora do
grupo familiar e social no qual estamos inseridos, incluindo a própria
família planetária, ainda poderíamos acrescentar:
Acha que não está bom. Faça melhor.
Não se sente ouvido. Ouça.
Não encontra ajuda. Ajude.
Não se sente amado. Ame.
Enfim, praticar proatividade é o exercício não
só de resolução dos nossos problemas, mas de
mudança do estado de egoísmo para o de altruísmo,
que caracteriza os espíritos mais adiantados, e consequentemente,
mais felizes do que nós.
Sejamos mais felizes. Paremos de reclamar e sejamos proativos.
É só sair por aí se perguntando:
— Em que posso ajudar?