O CUIDADO é essencial à saúde,
ao bem estar, à produtividade, de qualquer ser na Natureza.
Sem CUIDADO sobrevém a doença, o desgaste e a morte.
A sensação que experimentamos com frequência
é a de que alguém NÃO está cuidando
de nós como gostaríamos ou como achamos que temos
direito.
Muitos se tornam descrentes das pessoas, da vida, de Deus por não
se sentirem satisfatoriamente CUIDADOS.
Vemo-nos com frequência cuidadores dedicados dos outros, e
aí mesmo é que o abandono no qual nos percebemos se
torna um sofrimento mais intenso, manifesto sob a forma de mágoas,
muitas vezes justificadas.
Ora, se o cuidado é essencial e não me percebo cuidado
como desejo, ou acredito que preciso, fica a pergunta:
O que esse incomodo, esse lamento está querendo me dizer,
ou ensinar, ou propor?
Como tudo o que nos causa incomodo, na visão da Doutrina
Espírita tem por objetivo nos ensinar algo, a mágoa,
a tristeza, o desânimo decorrentes da carência de cuidados
pode estar querendo me ensinar lições preciosas:
1. Autonomia – quer dizer, será que
não sou capaz de dar a mim mesmo esses cuidados que reclamo
de outrem?
2. Espírito de Serviço
– será que ao cuidar de alguém estava contratando
esse alguém para cuidar de mim. Essa situação,
na maioria das vezes, inconsciente, impede que sintamos a pura e
simples alegria de servir sem expectativas.
3. Descobrir-me a mim mesmo – Como centelha
divina que somos MERECEMOS todo o cuidado que dirigimos aos outros,
ou ao animal de estimação, ou às plantas e
até aos objetos.
Poderíamos dar sequência a essa lista, mas achamos
que esses três tópicos já são em si mesmos
bastante ricos de informação para o nosso propósito.
Exercitando o que esses três tópicos nos propõem
descobriremos um universo de aprendizados valiosíssimos que
esse incomodo, que agora podemos estar sentindo, da falta de cuidado,
esta trazendo para nossos espíritos. Vamos ver?
AUTONOMIA – quanta coisa temos delegado para que outros façam
para nós ou por nós? Muitas causas podem estar por
traz desse funcionamento, mas digamos que façamos isso por
nos julgarmos incapazes de fazer tal coisa.
Será que somos mesmo incapazes, ou simplesmente nunca tentamos,
ou tentamos, mas desistimos ao encontrar as naturais dificuldades
do iniciante?
Será que somos mesmo incapazes de dirigir um automóvel,
de ir a um lugar qualquer da cidade fora do nosso circuito habitual,
ou de tomar as providências necessárias para realizar
uma viagem?
Será que somos mesmo incapazes de resolver problemas burocráticos
referentes a bancos, repartições públicas,
coisas do gênero?
Será que não somos capazes mesmo de aprender a cozinhar,
a cuidar da casa, a pregar quadros na parede, a chamar e negociar
com um prestador de serviços?
Será que não somos capazes de ir a uma consulta médica,
falar por nós mesmos dos próprios sintomas, entender
e executar as orientações que nos serão dadas?
Será que não somos mesmo capazes de aprender coisas
novas ficando por esse motivo na dependência de que alguém
resolva os problemas decorrentes dessas inabilidades? Precisaremos
sempre de alguém para nos ajudar com novas ferramentas tecnológicas,
ou para nos comunicarmos em outro idioma ou para aprimorar uma capacidade
profissional e melhorar nossos rendimentos?
Será que não somos capazes de ampliar nosso círculo
de afetos, fazer novos amigos, encontrar novos espaços de
relacionamentos, ficando sempre na dependência dos familiares
ou dos mesmos amigos de sempre?
A resposta para tantas perguntas é uma só: somos capazes
de aprender muitas dessas coisas, senão todas elas.
Nunca seremos completamente independentes uns dos outros, mas aprendendo
e conquistando novas habilidades e atendendo, dentro do possível,
às nossas necessidades ganhamos, ao mesmo tempo, AUTONOMIA
e CUIDADO.
ESPÍRITO DE SERVIÇO – Temos assistido as vidas
exemplares de muitos missionários e ficamos espantados com
as possibilidades de realizar enormes tarefas em benefício
dos outros. Achamos que eles sofrem. Sim sofrem por contemplar o
sofrimento à sua volta, mas recebem aportes de felicidade
e de energia saudável que desconhecemos, vivenciam alegrias
que igualmente nos são ignoradas, simplesmente porque servem
por servir. Por isso, não sentem falta de agradecimentos,
de retribuições, de pagamentos materiais ou emocionais,
ou seja, CUIDAM DE SI da melhor maneira possível e não
sentem falta de serem CUIDADOS, porque vivem mergulhados no próprio
espírito do CUIDADO.
DESCOBRIR-SE A SI MESMO – aprender a cuidar de si... pode
haver coisa mais saudável? Cuidar de sua alimentação,
de tomar seus remédios corretamente, de levar-se para passear
onde gosta, de tornar seu trabalho mais leve, ou mais interessante,
de promover momentos de repouso adequado, de ter seus objetos em
ordem, de oferecer a si mesmo uma cama confortável, manter
sua higiene corporal com capricho, de proteger-se de abusos, de
embelezar sua casa com flores e imagens agradáveis, de compartilhar
abraços afetuosos, de dedicar-se a ouvir música, a
ler boas leituras, a aprender coisas novas... Enfim, descobrir-se
MERECEDOR de todos esses cuidados por ser uma CENTELHA DIVINA, um
templo vivo de DEUS!
Jesus Cristo ao dizer “amar ao próximo como a si mesmo”
está também nos dizendo “cuidar do próximo
como de si mesmo”.