Espiritualidade e Sociedade





Luzia Mathias

>   Em que posso ajudar? Cuidar de si mesmo

Artigos, teses e publicações

Luzia Mathias
>   Em que posso ajudar? Cuidar de si mesmo

 

 

 

O CUIDADO é essencial à saúde, ao bem estar, à produtividade, de qualquer ser na Natureza.

Sem CUIDADO sobrevém a doença, o desgaste e a morte.

A sensação que experimentamos com frequência é a de que alguém NÃO está cuidando de nós como gostaríamos ou como achamos que temos direito.

Muitos se tornam descrentes das pessoas, da vida, de Deus por não se sentirem satisfatoriamente CUIDADOS.

Vemo-nos com frequência cuidadores dedicados dos outros, e aí mesmo é que o abandono no qual nos percebemos se torna um sofrimento mais intenso, manifesto sob a forma de mágoas, muitas vezes justificadas.

Ora, se o cuidado é essencial e não me percebo cuidado como desejo, ou acredito que preciso, fica a pergunta:

O que esse incomodo, esse lamento está querendo me dizer, ou ensinar, ou propor?

Como tudo o que nos causa incomodo, na visão da Doutrina Espírita tem por objetivo nos ensinar algo, a mágoa, a tristeza, o desânimo decorrentes da carência de cuidados pode estar querendo me ensinar lições preciosas:

1. Autonomia – quer dizer, será que não sou capaz de dar a mim mesmo esses cuidados que reclamo de outrem?

2. Espírito de Serviço – será que ao cuidar de alguém estava contratando esse alguém para cuidar de mim. Essa situação, na maioria das vezes, inconsciente, impede que sintamos a pura e simples alegria de servir sem expectativas.

3. Descobrir-me a mim mesmo – Como centelha divina que somos MERECEMOS todo o cuidado que dirigimos aos outros, ou ao animal de estimação, ou às plantas e até aos objetos.

Poderíamos dar sequência a essa lista, mas achamos que esses três tópicos já são em si mesmos bastante ricos de informação para o nosso propósito. Exercitando o que esses três tópicos nos propõem descobriremos um universo de aprendizados valiosíssimos que esse incomodo, que agora podemos estar sentindo, da falta de cuidado, esta trazendo para nossos espíritos. Vamos ver?

AUTONOMIA – quanta coisa temos delegado para que outros façam para nós ou por nós? Muitas causas podem estar por traz desse funcionamento, mas digamos que façamos isso por nos julgarmos incapazes de fazer tal coisa.

Será que somos mesmo incapazes, ou simplesmente nunca tentamos, ou tentamos, mas desistimos ao encontrar as naturais dificuldades do iniciante?

Será que somos mesmo incapazes de dirigir um automóvel, de ir a um lugar qualquer da cidade fora do nosso circuito habitual, ou de tomar as providências necessárias para realizar uma viagem? 

Será que somos mesmo incapazes de resolver problemas burocráticos referentes a bancos, repartições públicas, coisas do gênero?

Será que não somos capazes mesmo de aprender a cozinhar, a cuidar da casa, a pregar quadros na parede, a chamar e negociar com um prestador de serviços?

Será que não somos capazes de ir a uma consulta médica, falar por nós mesmos dos próprios sintomas, entender e executar as orientações que nos serão dadas?

Será que não somos mesmo capazes de aprender coisas novas ficando por esse motivo na dependência de que alguém resolva os problemas decorrentes dessas inabilidades? Precisaremos sempre de alguém para nos ajudar com novas ferramentas tecnológicas, ou para nos comunicarmos em outro idioma ou para aprimorar uma capacidade profissional e melhorar nossos rendimentos?

Será que não somos capazes de ampliar nosso círculo de afetos, fazer novos amigos, encontrar novos espaços de relacionamentos, ficando sempre na dependência dos familiares ou dos mesmos amigos de sempre?

A resposta para tantas perguntas é uma só: somos capazes de aprender muitas dessas coisas, senão todas elas.

Nunca seremos completamente independentes uns dos outros, mas aprendendo e conquistando novas habilidades e atendendo, dentro do possível, às nossas necessidades ganhamos, ao mesmo tempo, AUTONOMIA e CUIDADO.

ESPÍRITO DE SERVIÇO – Temos assistido as vidas exemplares de muitos missionários e ficamos espantados com as possibilidades de realizar enormes tarefas em benefício dos outros. Achamos que eles sofrem. Sim sofrem por contemplar o sofrimento à sua volta, mas recebem aportes de felicidade e de energia saudável que desconhecemos, vivenciam alegrias que igualmente nos são ignoradas, simplesmente porque servem por servir. Por isso, não sentem falta de agradecimentos, de retribuições, de pagamentos materiais ou emocionais, ou seja, CUIDAM DE SI da melhor maneira possível e não sentem falta de serem CUIDADOS, porque vivem mergulhados no próprio espírito do CUIDADO.

DESCOBRIR-SE A SI MESMO – aprender a cuidar de si... pode haver coisa mais saudável? Cuidar de sua alimentação, de tomar seus remédios corretamente, de levar-se para passear onde gosta, de tornar seu trabalho mais leve, ou mais interessante, de promover momentos de repouso adequado, de ter seus objetos em ordem, de oferecer a si mesmo uma cama confortável, manter sua higiene corporal com capricho, de proteger-se de abusos, de embelezar sua casa com flores e imagens agradáveis, de compartilhar abraços afetuosos, de dedicar-se a ouvir música, a ler boas leituras, a aprender coisas novas... Enfim, descobrir-se MERECEDOR de todos esses cuidados por ser uma CENTELHA DIVINA, um templo vivo de DEUS!

Jesus Cristo ao dizer “amar ao próximo como a si mesmo” está também nos dizendo “cuidar do próximo como de si mesmo”.

 

 

 

Fonte: Revista CELD de Estudos Espíritas
https://celd.xyz/wp-content/uploads/10-Revista_CELD_Outubro-2018.pdf

 

 

 

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