Espiritualidade e Sociedade





Marcos Luiz


>   Programa Núcleo de Aprendizes - Educar não é cortar as asas,
mas disciplinar o voo!

Artigos, teses e publicações

Marcos Luiz
>  Programa Núcleo de Aprendizes - Educar não é cortar as asas, mas disciplinar o voo!

 

 

TUDO COMEÇOU ASSIM...

Alguns anos antes da década de 90, surgiu uma ação social pioneira nas Forças Armadas: o desafio de ajudar adolescentes carentes em quartéis militares.

Mobilizado por essa oportunidade, no ano de 1990, o comandante da Universidade da Força Aérea, contando com um pequeno grupo de voluntários – militares e civis – fez nascer um acanhado projeto com ideias assistencialistas no Campo dos Afonsos - RJ.

Diversos obstáculos surgiram, desde a evasão da equipe até a grande dificuldade de conciliar a necessidade de liberdade do jovem com a necessidade de respeito à disciplina do meio militar.


BUSCAI E ACHAREIS!

Assim, buscando o apoio do nosso saudoso Altivo Carissimi Pamphiro (presidente e fundador do CELD), obtivemos a revelação de que o dirigente espiritual do nosso trabalho era o próprio Léon Denis. Porém, somente alguns anos mais tarde, compreendemos que as bases pedagógicas para a mudança de atitude dos nossos jovens já estavam traçadas por Kardec: “A educação é um conjunto de hábitos adquiridos” (O Livro dos Espíritos, q. 685a nota), e ratificadas por Léon Denis, na página “A Educação” do livro Depois da Morte:

“A educação, baseada numa concepção exata da vida, transformaria a face do mundo.” (...) É pela educação que as gerações se transformam e aperfeiçoam. Para uma sociedade nova é necessário homens novos.”


AJUDA-TE A TI MESMO!

Uma nova ordem de ideias se desenvolveu, quando o querido Altivo criou o Instituto Léon Denis, para dar suporte administrativo e pedagógico, fazendo com que o assistencialismo cedesse lugar à visão psicoeducativa, resgatando a respeitabilidade naqueles jovens.

E do projeto incipiente surgiu o consolidado Programa Núcleo de Aprendizes. As dificuldades trouxeram novos desafios, o trabalho se apresentou como aprendizado e, com esse novo entendimento, uma nova filosofia: “Educar não é cortar as asas, mas disciplinar o voo!”.


“NÃO AVANÇAR É RECUAR!”

Embora tendo conquistado o respeito e admiração no meio militar, o reconhecimento de utilidade pública estadual e municipal e a marca de 10 mil jovens orientados, compreendemos que há sempre mais a ser feito! Santo Agostinho nos alerta que nos mundos regeneradores, “não avançar é recuar” (O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap III, item 18). Assim, o nosso mundo, em constante transformação, exige de todo trabalho educativo sério estratégias atualizadas para as demandas das novas gerações.

“(...) é preciso nos lembrarmos de que esses Espíritos vêm coabitar conosco para que os ajudemos a vencer os seus defeitos e os preparemos para os deveres da vida.”
(Léon Denis - Depois da Morte - A Educação - Ed. Celd)


“PARA UMA SOCIEDADE NOVA É NECESSÁRIO HOMENS NOVOS.”


A equipe de trabalho, sempre encontrando corações tocados pela mesma crença – “amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo” –, tem encontrado recursos materiais básicos para abrigar o trabalho e recursos intuitivos para sempre criar e aperfeiçoar a metodologia e as estratégias que possam desenvolver habilidades para a vida de relação dos nossos aprendizes.

  • O desenvolvimento de habilidades SOCIAIS foi a primeira tática a ser elaborada devido à diversidade de caracteres, faixa etária e escolaridade dos aprendizes. Foi criado um ambiente de respeito e de esforço mútuo, baseado na regra de justiça do Cristo: “Fazei ao outro tudo o que gostaria que o outro vos fizesse”. A grande maioria dos jovens, não encontrando esse clima de união em casa, passou a ver o Núcleo como uma segunda família: “A Família Núcleo de Aprendizes”.
  • O desenvolvimento de habilidades FAMILIARES foi cuidadosamente elaborado pela equipe psicoeducativa, pois iria tocar nos sentimentos feridos de ambas as partes. Era necessário trazer os pais para essa ambiência, para a nossa cultura, e fazê-los ver os filhos com atitudes responsáveis em um contexto de disciplina e organização, onde os próprios jovens seriam os atores e condutores das atividades e os pais seriam os beneficiados. Com o passar do tempo, confirmamos que esses “reencontros” sempre geram abraços, lágrimas de alegria e promessas de entendimento.
  • O desenvolvimento das habilidades PESSOAIS estimula o autoconhecimento e explora o “espírito competitivo do jovem”, sem criar rivalidades, com a certeza da “irresistível necessidade que o espírito sente de sair da inferioridade e de se tornar feliz” (O Livro dos Espíritos, q. 1006). O sistema da meritocracia consolidou o sentido de justiça e a melhor compreensão em nossos jovens aprendizes de que não há recompensa sem mérito. Logo, “a cada um segundo as suas obras” (Mateus 16:27).
  • O desenvolvimento de habilidades para o TRABALHO está fundamentado no entendimento de que, assim como o arco objetiva lançar a flecha mais longe, o Instituto Léon Denis objetiva projetar nossos aprendizes para o mundo do trabalho, tendo em vista as seguintes orientações:


“Não lhe devemos dar (à criança) muitas alegrias, pois é necessário habituá-la desde logo à desilusão, para que possa compreender que a vida terrestre é árdua e que não deve contar senão consigo mesma, com seu trabalho, único meio de obter a sua independência e dignidade (...). Há obstáculos no caminho de cada um de nós; só o critério ensinará a removê-los”. –
grifo nosso (LÉON DENIS - Depois da Morte, A educação, cap 54)


Neste abençoado quinhão que nos toca, nestes 30 anos de trabalho, em todos os momentos que o cansaço nos abate, as forças esvaem e a esperança enfraquece, um coração amigo sempre nos sopra: Levanta-te e anda! É preciso lavrar a terra com o suor do teu rosto!

"O trabalho, ainda que pequeno, crescerá em poder divino igual à semente de mostarda.
E os obstáculos amontoados ao longo do caminho, conquanto pareçam intransponíveis, desaparecerão pela força da fé, pela força do amor e da caridade!
Nada é impossível, tudo é grandioso quando trabalhamos para Deus!”

(autor desconhecido)

Fonte: Revista CELD de Estudos Espíritas
https://celd.xyz/wp-content/uploads/07-Revista_CELD_Julho-2020.pdf#page=9&zoom=180,-89,539

 

 

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