Eduardo André R. de Lima

>   Para uma Epistemologia da Doutrina Espírita

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Eduardo André R. de Lima
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Eduardo André R. de Lima - Doutor em Filosofia, UFMG.
Realizou o seu estágio de doutoramento na Université Catholique de Louvain — Bélgica. Presidente e Curador do Memorial Bezerra de Menezes — MEBEM. Coordenador do canal no YouTube de divulgação científica e produção de documentários históricos — Grupo de Estudos Hermínio C. de Miranda. Escritor e conferencista. Pesquisador do Núcleo de Estudos de História do Espiritismo (NUESHE).

 

 

É o espiritismo a religião de todas as ciências;
é a ciência de todas as filosofias; é a filosofia de todasas religiões,
porque só o espiritismo pode ajudar a ciência a sair do labirinto
em que se encontra por causa do materialismo.
Vianna de Carvalho

 

 

INTRODUÇÃO

O objetivo geral deste artigo é apresentar e, conceitualmente, clarificar uma epistemologia, que julgamos estar presente no pensamento de Allan Kardec.

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EPISTEMOLOGIA EM ALLAN KARDEC


A metodologia de pesquisa de Kardec é ampla e variada e, ele mesmo, a descrevia detalhadamente, posto que ele queria que os seus leitores acompanhassem seus passos e as deduções de todo o processo. Segundo ele, a crença em espíritos só aconteceu após o descarte rigoroso das hipóteses da fraude, das ações involuntárias, do magnetismo e do poder da mente. Ou seja: quando todas as opções do paradigma vigente teriam se esgotado. A existência de um pensamento epistemológico na Doutrina repousa no fato de que ele também fez questão de, cuidadosamente, teorizar sobre as suas descobertas e metodologias, fato que não é nada óbvio. Ele poderia, simplesmente, ter descrito os fenômenos e organizado as perguntas.

Kardec apresentou perspectivas muito abrangentes, tanto em termos teóricos como metodológicos. A escrita de Kardec procurava ser clara e precisa, ao mesmo tempo em que adotava rigor conceitual. De fato, ele informava quando suas conclusões eram provisórias ou, simplesmente, mudava de ideia em face de novas pesquisas. Quanto aos médiuns, ele analisava a formação educacional, o caráter ou alguma possível exploração financeira dos fenômenos. Ele fazia cuidadosas pesquisas de campo e, criticamente, coletava informações e depoimentos. Por fim, Allan Kardec, enquanto criava a Doutrina, procurava utilizar a melhor bibliografia e cotejar as informações, que julgava serem dadas por desencarnados, com as melhores pesquisas científicas disponíveis. Todavia, tudo isto ainda faz parte daquilo que sustentamos, ser o que T. Kuhn chamaria de “Ciência Normal”, ou seja, seriam metodologias de pesquisa e escrita já consagradas nos labores acadêmicos. Allan Kardec ainda vai elaborar teorias e métodos inéditos em face de algo que, para ele, seria incontornável: a confirmação de que existem espíritos. Isso seria, para nós, produzir o que Kuhn chamaria de “ciência revolucionária”. O melhor exemplo disso é provavelmente O Livro dos Médiuns, que, em suma, não deixa de ser um manual detalhado de novas teorias e métodos acerca de como bem estabelecer um diálogo produtivo e seguro com os espíritos.

 

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Em Kardec, era muito importante, mas não absolutamente suficiente, que o Espiritismo tivesse objetos de estudos determinados e métodos experimentais rigorosos, caso almejasse se tornar uma Ciência. Com efeito, em vários momentos cruciais, a Doutrina Espírita é apresentada como algo que pertence ao futuro da humanidade. Um futuro no qual o seu processo de cientificização se completaria com uma triunfal e inevitável entrada nas Universidades.

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Isso é tão epistemologicamente relevante que, após se convencer da existência de seres extracorpóreos, uma das metas prementes de Kardec seria estabelecer novos protocolos, teorias e instrumentais que dariam segurança e aperfeiçoariam a comunicação entre os dois planos da existência. Ele escreve, então: O Livro dos Médiuns e espera confiante — além de, metodologicamente inovador — que a Doutrina Espírita se torne, como diria Kuhn um século depois, paradigmática. Talvez, neste ponto, ele quase tivesse utilizado a palavra “paradigma”.

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CONSIDERAÇÕES FINAIS

Para além dos milhões de adeptos declarados da Doutrina, o legado epistemológico do discípulo de Pestalozzi consiste em uma série de grandes inovações teórico-metodológicas as quais, inevitavelmente, apontam para a necessidade do fim do atual materialismo.

 

 

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Fonte: https://www.edupe.upe.br/images/livros/Espiritismo%20como%20objeto%20de%20pesquisa%202%201.pdf

 

 

 


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