O inesquecível
Léon Denis, no seu livro O Problema do Ser e do Destino,
brindou-nos com uma reflexão importante sobre provas e expiações.
Vejamos o que ele escreveu:
Nem todos os que sofrem são,
necessariamente, culpados em processo de expiação.
Muitos são simplesmente espíritos ávidos de
progresso, que escolheram vidas penosas e laboriosas para colher
o benefício moral correspondente a toda a pena suportada.
Esse trecho é muito importante,
já que, muitas vezes, diante de um sofrimento pessoal ou de
outrem, imaginamos que esse seja fruto das escolhas malfeitas desta
encarnação, em que o indivíduo age de uma maneira
desequilibrada, desregrada, contrária à lei divina,
ou imaginamos que sua origem é um desvio comportamental de
uma encarnação passada. Então ficamos sempre
em busca do erro. É quase uma necessidade que temos de sentir
culpa.
Léon Denis nos propõe um olhar um pouco mais amplo ao
considerar outra possibilidade, que é a da escolha de uma prova
mais difícil, tendo como objetivo um progresso mais rápido.
Vale lembrar que essa escolha é feita durante o planejamento
reencarnatório, momento em que, com auxílio dos benfeitores,
podemos optar por incluir alguns detalhes a mais do que precisaríamos,
sempre visando ao aprofundamento do aprendizado.
Para citar apenas um exemplo e ficar mais fácil de compreendermos
o que nos fala Denis, basta nos lembrarmos de Alcíone, no livro
Renúncia, ditado pelo Espírito Emmanuel e psicografado
pelo médium Chico Xavier. Se lermos o livro da metade para
o final, veremos Alcíone passando por tantas dificuldades,
exercendo inúmeras renúncias e abrindo mão de
tantos sonhos que pensaremos assim: “O que ela fez na outra
encarnação para merecer o que passa agora?”. Mas
quando lemos o começo da obra, percebemos que ela nem precisaria
reencarnar na Terra, por se tratar de um Espírito muito evoluído.
Alcíone reencarna não por causa de comprometimentos
do passado, mas para auxiliar seu grande amor do passado, Carlos,
que ainda precisava passar por duras provas neste planeta.

O caso de Alcíone serve de
alerta para que evitemos olhar para as pessoas ao nosso redor como
se fossem todas grandes criminosas de outrora. Mesmo aquelas que não
são tão evoluídas como ela podem se sujeitar
a algumas situações que não têm origem
em um erro anterior, mas em uma vontade de caminhar mais depressa
rumo à pureza espiritual.
E, para que não nos sintamos revoltados com os dissabores da
vida, é importante olhar de frente para as experiências,
mesmo as dolorosas, com resignação, entendendo que tudo
o que passamos aqui pode não fazer sentido agora, mas fará
no futuro.
Lembremo-nos sempre do auxílio que os bons Espíritos
oferecem a cada um de nós para que atravessemos, de cabeça
erguida, as provas e as expiações de um mundo como o
nosso.
E então, quando formos convidados a passar para o outro lado
da vida, que estejamos tranquilos para olhar tudo pelo que passamos
e ver que valeu a pena cada momento, bom ou ruim, alegre ou triste,
porque terá nos engrandecido nesta caminhada que fazemos para
a frente e para o alto.