Espiritualidade e Sociedade





William Jacob

>   Vidas penosas e laboriosas podem ser escolhas nossas e não imposições dos outros

Artigos, teses e publicações

William Jacob
>   Vidas penosas e laboriosas podem ser escolhas nossas e não imposições dos outros

 

 

O inesquecível Léon Denis, no seu livro O Problema do Ser e do Destino, brindou-nos com uma reflexão importante sobre provas e expiações. Vejamos o que ele escreveu:

Nem todos os que sofrem são, necessariamente, culpados em processo de expiação. Muitos são simplesmente espíritos ávidos de progresso, que escolheram vidas penosas e laboriosas para colher o benefício moral correspondente a toda a pena suportada.

Esse trecho é muito importante, já que, muitas vezes, diante de um sofrimento pessoal ou de outrem, imaginamos que esse seja fruto das escolhas malfeitas desta encarnação, em que o indivíduo age de uma maneira desequilibrada, desregrada, contrária à lei divina, ou imaginamos que sua origem é um desvio comportamental de uma encarnação passada. Então ficamos sempre em busca do erro. É quase uma necessidade que temos de sentir culpa.

Léon Denis nos propõe um olhar um pouco mais amplo ao considerar outra possibilidade, que é a da escolha de uma prova mais difícil, tendo como objetivo um progresso mais rápido. Vale lembrar que essa escolha é feita durante o planejamento reencarnatório, momento em que, com auxílio dos benfeitores, podemos optar por incluir alguns detalhes a mais do que precisaríamos, sempre visando ao aprofundamento do aprendizado.

Para citar apenas um exemplo e ficar mais fácil de compreendermos o que nos fala Denis, basta nos lembrarmos de Alcíone, no livro Renúncia, ditado pelo Espírito Emmanuel e psicografado pelo médium Chico Xavier. Se lermos o livro da metade para o final, veremos Alcíone passando por tantas dificuldades, exercendo inúmeras renúncias e abrindo mão de tantos sonhos que pensaremos assim: “O que ela fez na outra encarnação para merecer o que passa agora?”. Mas quando lemos o começo da obra, percebemos que ela nem precisaria reencarnar na Terra, por se tratar de um Espírito muito evoluído. Alcíone reencarna não por causa de comprometimentos do passado, mas para auxiliar seu grande amor do passado, Carlos, que ainda precisava passar por duras provas neste planeta.

 

O caso de Alcíone serve de alerta para que evitemos olhar para as pessoas ao nosso redor como se fossem todas grandes criminosas de outrora. Mesmo aquelas que não são tão evoluídas como ela podem se sujeitar a algumas situações que não têm origem em um erro anterior, mas em uma vontade de caminhar mais depressa rumo à pureza espiritual.

E, para que não nos sintamos revoltados com os dissabores da vida, é importante olhar de frente para as experiências, mesmo as dolorosas, com resignação, entendendo que tudo o que passamos aqui pode não fazer sentido agora, mas fará no futuro.

Lembremo-nos sempre do auxílio que os bons Espíritos oferecem a cada um de nós para que atravessemos, de cabeça erguida, as provas e as expiações de um mundo como o nosso.

E então, quando formos convidados a passar para o outro lado da vida, que estejamos tranquilos para olhar tudo pelo que passamos e ver que valeu a pena cada momento, bom ou ruim, alegre ou triste, porque terá nos engrandecido nesta caminhada que fazemos para a frente e para o alto.

 

Referências bibliográficas


DENIS, León. O Problema do Ser e do Destino. Rio de Janeiro:
Celd, 2011. XAVIER, Francisco. Renúncia. Rio de Janeiro: FEB, 2006.

 

Fonte: Revista CELD de Estudos Espíritas
> https://celd.xyz/wp-content/uploads/03-Revista_CELD_Marco-2020.pdf

 

 

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