Espiritualidade e Sociedade





William Jacob

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A morte de amigos ou entes queridos continua gerando muita dor e, muitas vezes, desespero; e um dos momentos mais difíceis da despedida se dá no velório. E é sobre isso que precisamos refletir um pouco mais.

Léon Denis, no livro O problema do ser e do destino, Capítulo 10, intitulado “A morte”, chama a nossa atenção para a importância de nos comportarmos de maneira respeitosa e equilibrada quando estivermos em algum velório.

É quase um escândalo ver com que desatenção as pessoas tomam parte, hoje em dia, de uma cerimônia mortuária. A atitude dos assistentes, a falta de recolhimento, as conversas banais, durante o acompanhamento do féretro até o cemitério, tudo causa penosa impressão. Bem poucos, dentre os participantes, pensam naquele que morreu e consideram como um dever dirigir-lhe um pensamento afetuoso.

Isso foi escrito no início do século XX, mas podemos afirmar que, infelizmente, o que Denis percebeu em sua época ainda acontece atualmente. Quase sempre, deixamos de lado o pensamento elevado, a prece sincera que parte do coração e as conversações edificantes para dar lugar à maledicência e aos comportamentos que em nada ajudam o recém desencarnado e nem mesmo aqueles que continuam aqui, muitas vezes precisando de apoio e consolo.

Mas e quanto às lágrimas, devemos evitá-las? O próprio Léon Denis, na sequência do capítulo, afirma que elas fazem parte, já que “as lamentações da partida são legítimas e as lágrimas sinceras são sagradas;”. Mas ele nos chama a atenção para que não sejamos dominados pela revolta e pelo desespero, ao afirmar, que:

quando muito violentas, essas lamentações entristecem e desencorajam aquele que é objeto delas e, muitas vezes, testemunha. Em vez de facilitar seu voo em direção ao Espaço, elas o retêm nos lugares onde ele sofreu e sofrem, ainda, aqueles que lhe são caros.

Claro que não devemos ir para velórios e ficar com gestos calculados, como se fôssemos seres robotizados, programados para agir desta ou daquela maneira. É natural que, em um momento ou outro, tenhamos comportamentos que, no futuro, não teremos mais. E é por isso que é importante estudar e analisar para que entendamos os motivos pelos quais devemos agir sempre de maneira mais equilibrada ou, em uma palavra, de maneira mais cristianizada. Para nos ajudar a melhor compreender o nosso papel durante um velório, é importante observar o que o Espírito André Luiz nos trouxe, através do médium Waldo Vieira, no livro Opinião Espírita:

Emitir para os companheiros desencarnados, sem exceção, pensamentos de respeito, paz e carinho, seja qual for a sua condição.

A caridade é dever para todo clima.

Proceder corretamente nos velórios, calando anedotário e galhofa em torno da pessoa desencarnada, tanto quanto cochichos impróprios ao pé do corpo inerte. 

O companheiro recém-desencarnado pede, sem palavras, a caridade da prece ou do silêncio que o ajudem a refazer-se.

Desterrar de si quaisquer conversações ociosas, tratos comerciais ou comentários impróprios nos enterros a que comparecer.

A solenidade mortuária é ato de respeito e dignidade humana.

Transformar o culto da saudade, comumente expresso no oferecimento de coroas e flores, em donativos às instituições assistenciais, sem espírito sectário, fazendo o mesmo nas comemorações e homenagens a desencarnados, sejam elas pessoais ou gerais. A saudade somente constrói quando associada ao labor do bem.

 

Reflitamos com Léon Denis e André Luiz e aproveitemos cada momento, mesmo os mais difíceis, para exercer a caridade. A dor que muitos experimentam em um velório pode ser aliviada com nossos gestos de amor.

 

 

 

Referências bibliográficas
DENIS, Léon. O problema do ser e do destino. Rio de Janeiro: Celd, 2011.
LUIZ, André. Opinião espírita. Psicografia de Waldo Vieira. São Paulo: Ed. Boa Nova

 

 

 

Fonte: Revista CELD de Estudos Espíritas
> https://celd.xyz/wp-content/uploads/06-Revista_CELD_Junho-2020.pdf

 

 

 


 

 

 

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