O Espiritismo é
o consolador prometido, e o espírita, graças ao conhecimento
que possui, apoia-se em muitas frases para consolar os outros e a
si mesmo, e uma das mais conhecidas e faladas é a de que “tudo
passa”, que se tornou quase um bordão em nosso meio.
Não podemos negar o quanto é bom ouvir alguém
nos dizer que é preciso ter calma e que aquela situação
complicada vai passar. E de fato ela passa, e logo vêm os momentos
de alegria, que também passam.
Podemos até pensar que alguns problemas não passam,
já que alguns podem provocar a morte ou marcar a pessoa por
toda a encarnação. Se nos considerarmos seres corpóreos,
podemos questionar e dizer que “nem tudo passa”. Porém,
temos a certeza de que somos espíritos imortais, precisamos
enxergar além-túmulo e entender que tudo passa, mesmo
que leve mais de uma encarnação.
Mas nem tudo deve passar, o aprendizado que cada experiência
nos oferece precisa ficar, sob pena de termos de enfrentar outra experiência
similar.
Vejamos um exemplo que acontece com nosso corpo ou com nossas relações
e que servem
de reflexão para o que acontece com o Espírito:
em um conflito conjugal, podemos
esperar a poeira baixar, fazer de conta que nada aconteceu e aguardar
até que o clima ruim passe... ou dialogar, em um momento
oportuno, a fim de extrair daquele conflito as lições
que evitarão novas discussões por causa de velhos
hábitos.
Poderíamos citar muitos exemplos
semelhantes, em que, em um movimento quase instintivo para fugir da
dor e do desconforto, vemos o problema passar e levar consigo a oportunidade
de aprendizado.
É claro que durante as provas ou expiações, temos
a dificuldade de manter o equilíbrio e a serenidade que caracterizam
o bem sofrer, mas difícil não quer dizer impossível;
por isso, é importante que pratiquemos a resignação
e a aceitação, inicialmente nos pequenos desafios, e,
com o tempo, o esforço da prática vai se tornar hábito
salutar.
Se não conseguirmos ser resignados como precisamos, é
importante que não caiamos na revolta contra tudo e contra
todos. Além de não ajudar em nada, ela pode agravar
alguns problemas e gerar outros, dificultando ainda mais a atual encarnação.
Enfim, faz-se necessário que reflitamos na forma como nos comportamos
quando somos visitados pela dor. Como bem escreveu Léon Denis,
no seu monumental livro O Problema do
Ser e do Destino,
Aprende a sofrer. Não
te digo: procura a dor. Mas, quando ela se apresentar inevitável
em teu caminho, acolhe-a como uma amiga. Aprende a conhecê-la,
a apreciar sua beleza austera, a captar seus secretos ensinamentos.
“A dor é uma benção
que Deus envia a seus eleitos”, foi o que escreveu um Espírito
amigo em O Evangelho segundo Espiritismo, e nem por isso
precisamos sair por aí procurando dores. Saibamos receber as
aflições típicas do mundo no qual merecemos viver
lembrando que “tudo passa”, mas algo precisa ficar. Os
bons espíritos estão dispostos a nos ajudar neste aprendizado,
mas esperam que façamos a nossa parte.