Espiritualidade e Sociedade





William Jacob

>   Tudo passa, mas algo precisa ficar

Artigos, teses e publicações

William Jacob
>   Tudo passa, mas algo precisa ficar

 

 

O Espiritismo é o consolador prometido, e o espírita, graças ao conhecimento que possui, apoia-se em muitas frases para consolar os outros e a si mesmo, e uma das mais conhecidas e faladas é a de que “tudo passa”, que se tornou quase um bordão em nosso meio.

Não podemos negar o quanto é bom ouvir alguém nos dizer que é preciso ter calma e que aquela situação complicada vai passar. E de fato ela passa, e logo vêm os momentos de alegria, que também passam.

Podemos até pensar que alguns problemas não passam, já que alguns podem provocar a morte ou marcar a pessoa por toda a encarnação. Se nos considerarmos seres corpóreos, podemos questionar e dizer que “nem tudo passa”. Porém, temos a certeza de que somos espíritos imortais, precisamos enxergar além-túmulo e entender que tudo passa, mesmo que leve mais de uma encarnação.

Mas nem tudo deve passar, o aprendizado que cada experiência nos oferece precisa ficar, sob pena de termos de enfrentar outra experiência similar.

Vejamos um exemplo que acontece com nosso corpo ou com nossas relações e que servem
de reflexão para o que acontece com o Espírito:

em um conflito conjugal, podemos esperar a poeira baixar, fazer de conta que nada aconteceu e aguardar até que o clima ruim passe... ou dialogar, em um momento oportuno, a fim de extrair daquele conflito as lições que evitarão novas discussões por causa de velhos hábitos.

Poderíamos citar muitos exemplos semelhantes, em que, em um movimento quase instintivo para fugir da dor e do desconforto, vemos o problema passar e levar consigo a oportunidade de aprendizado.

É claro que durante as provas ou expiações, temos a dificuldade de manter o equilíbrio e a serenidade que caracterizam o bem sofrer, mas difícil não quer dizer impossível; por isso, é importante que pratiquemos a resignação e a aceitação, inicialmente nos pequenos desafios, e, com o tempo, o esforço da prática vai se tornar hábito salutar.

Se não conseguirmos ser resignados como precisamos, é importante que não caiamos na revolta contra tudo e contra todos. Além de não ajudar em nada, ela pode agravar alguns problemas e gerar outros, dificultando ainda mais a atual encarnação.

Enfim, faz-se necessário que reflitamos na forma como nos comportamos quando somos visitados pela dor. Como bem escreveu Léon Denis, no seu monumental livro O Problema do
Ser e do Destino
,

Aprende a sofrer. Não te digo: procura a dor. Mas, quando ela se apresentar inevitável em teu caminho, acolhe-a como uma amiga. Aprende a conhecê-la, a apreciar sua beleza austera, a captar seus secretos ensinamentos.

“A dor é uma benção que Deus envia a seus eleitos”, foi o que escreveu um Espírito amigo em O Evangelho segundo Espiritismo, e nem por isso precisamos sair por aí procurando dores. Saibamos receber as aflições típicas do mundo no qual merecemos viver lembrando que “tudo passa”, mas algo precisa ficar. Os bons espíritos estão dispostos a nos ajudar neste aprendizado, mas esperam que façamos a nossa parte.

 

Referências Bibliográficas:
DÉNIS, Leon. O problema do ser e do destino. Rio de Janeiro, Editora Celd.
KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. Rio de Janeiro, Editora Celd.

 

 

Fonte: Revista CELD de Estudos Espíritas
https://celd.xyz/wp-content/uploads/02-Revista_CELD_Fevereiro-2020.pdf

 

 


 

 

 

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